Jogar o próximo instante

Uma das atitudes mais promissoras para um jogador de futsal é antecipar mentalmente o que ainda não aconteceu. Trata-se de jogar o “próximo instante”. Isso lhe dá uma enorme vantagem competitiva. Por exemplo, quem joga “no futuro”, antecipando as intenções dos seus colegas e dos adversários, seleciona o momento e lugar certos para concluir um ataque ou evitar um gol, recuperar uma bola ou interceptar um passe, dar um passe decisivo ou de contenção…

Se há uma virtude que me impressiona é esta! Em alguma medida, todos os jogadores de bom nível jogam antevendo. Mas há alguns que são proeminentes nisso.

Isso posto, fica a questão: é possível treinar essa atitude ou ela nasce com o jogador? Ela é treinável, adquirida, consequência de treino, de envolvimento, de experiências. Muitas horas de treino serão necessárias para aprimorá-la.

Perceber é agir

Aliás, as capacidades de perceber-antever são singulares, porque alicerçadas na experiência. Daí os jogadores perceberem-anteverem distintamente. Por que um jogador percebe mais que o outro? Por que um jogador antevê mais que o outro? Precisamos olhar para sua biografia para compreender. Retrospectivamente.

Aliás, perceber, o mesmo que identificar, já é antever, o mesmo que antecipar, que já é decidir, o mesmo que selecionar, que já é agir.

Mauro Maldonato, num belíssimo livro intitulado “Na hora da decisão: somos sujeitos conscientes ou máquinas biológicas?” (Editora Sesc São Paulo), que você deveria ler, reporta que “… a percepção, mais do que uma elaboração de nossas sensações, seria uma simulação antecipada da ação”.

Cérebro prospectivo

Esse mesmo autor nos lembra que embora seja “[…] opinião comum que no esporte as melhores performances estariam associadas à técnica, ao talento, à resistência ou à força do atleta. Hoje, pesquisas cada vez mais numerosas mostram o papel central desempenhado também pelas velocidades de percepção, reação, decisão e, sobretudo, antecipação”. Concordo intuitivamente com isso (embora acredite nas pesquisas!). Isso porque constato o quanto os jogadores que antecipam mais e melhor ganham vantagens competitivas para as suas equipes. Não duvide: o nosso cérebro atua no futuro. Para o Maldonato: “Mais do que uma máquina reativa, nosso cérebro revelou-se uma máquina preditiva, que formula hipóteses, prevê as consequências das ações, joga por antecipação”.

Treinar o próximo instante

Um dos desenhos de treino que adoto com crianças, a partir dos 8,9 anos, para provocar esse comportamento, inclui dividi-las em dois grupos (3X3) e estabelecer que a meta, que será defendida por dois goleiros, corresponda a extensão da linha de fundo. Isso mesmo! A meta terá entre 17 e 20 m, dependendo da largura da quadra.

Joga-se 3×3. O gol pode ser feito por toda a extensão da linha de fundo, ou seja, de um escanteio ao outro.

Nesse tipo de jogo, e em outros dessa natureza, por conta de se poder fazer o gol numa “meta tão larga”, os jogadores que atuam na última linha defensiva são “obrigados” a anteciparem a trajetória da bola para terem chances de evitar o gol. Jogar o próximo instante. Essa é a atitude e a resposta ao maior desafio do jogo, que seria adivinhar/antever/prever “aonde a bola será chutada”.

Adicione aí que os defensores não são “goleiros” de fato e que todas as crianças deveriam passar por essa função no jogo. Há aí um apelo à atitude de realizar coberturas. Mas ela é tanto mais possível quanto mais assertiva for a atitude de antecipar mentalmente aonde a bola poderá ser chutada. Ou seja, a “habilidade está toda na cabeça”. Jogadores que antecipam, que anteveem, costumam obter êxito nesse jogo na difícil tarefa de proteger a meta.

Esse jogo aguça, igualmente, o sentido defensivo dos jogadores de linha, que sabem que é bastante provável que tomem o gol se não pressionarem a bola ou forem driblados, e o sentido ofensivo dos jogadores de linha, que sabem da vantagem que têm para finalizar, mas que se perderem a bola dificilmente deixarão de tomar o gol na transição defensiva.

Fortaleça a diferença

Prepare seus jogadores, desde cedo, para jogarem o próximo instante. Isso é essencial para quem compete. Não se engane: “é em situações extremamente competitivas que o jogo por antecipação faz diferença”.

Fonte: Pedagogia do Futsal por Wilton Santana

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Crianças se aposentam da carreira esportiva em campanha contra pressão extrema para o sucesso

Comerciais da ESPN chamam atenção do público para a informação de que cada vez mais crianças estão largando o esporte por excessos na busca pelos próximos astros e gênios esportivos

Astros do esporte hoje nascem cedo no meio, e clubes, patrocinadores e – principalmente- pais sabem muito bem disso. Não à toa, vemos em todos os lugares do mundo milhares de crianças sendo inscritas em diversos tipos de programas esportivos para desenvolver habilidades que quem sabe se convertam num novo prodígio em que modalidade for, mas é claro que apenas alguns irão se revelar um gênio da bola, natação, corrida e etc. enquanto outros… bem, outros irão se mostrar apenas crianças normais com uma saúde pra lá de boa.

O problema é que tem pai e mãe que não percebe isso e resolve dobrar a aposta no filho para ele estourar no meio esportivo, e aí chega-se neste cenário do mundo de hoje onde é normal ver atletas explodindo perante tanta pressão para ser um sucesso. E de acordo com um estudo do Aspen Institute, este processo faz com que cada vez mais crianças entre 6 e 12 anos larguem a prática esportiva, seja por um colapso mental perante um esforço contínuo para se superar ou (o que talvez seja pior) lesões físicas.

É a partir das pesquisas feitas pelo instituto que a ESPN e a Arnold Worldwide resolveram criar junto da entidade uma nova campanha que alerta para os excessos desta pressão para achar novos astros esportivos. É uma ação que consiste uma jogada muito simples, recriando uma coletiva de imprensa cujo ponto de interesse é um astro que está prestes a anunciar sua aposentadoria ao mundo. O problema é que ao invés de ter lá seus 40 ou 30 (ou até mesmo 20) anos, a estrela que entra na salinha para conversar com os jornalistas é nada mais que um garoto, com não mais que dez anos de vida. Confira acima a “coletiva”.

A ideia é a mesma para todos os vídeos da campanha “#DontRetireKid”, que além de uma peça mais “bruta” com a declaração da criança ainda conta com comerciais de um minuto, 30 segundos e 15 segundos – confira abaixo. Os quatro materiais trazem dados da pesquisa do Aspen Institute e redirecionam o público para as páginas oficiais da campanha e do Project Play, onde pais podem encontrar maiores informações sobre as modalidades juvenis do esporte e declarações de atletas famosos como Kobe Bryant, Wayne Gretzky e Sue Bird sobre a importância de praticar esportes na infância enquanto forma de manter a saúde, não buscar o sucesso a qualquer custo.

De acordo com o presidente da ESPN Jimmy Pitaro, a razão para a realização da campanha está no descolamento das práticas esportivas desta forma de exploração da saúde mental infantil. “Nós acreditamos que os esportes deveriam estar disponíveis para toda criança. Nós queremos jogar luz sobre este assunto importante para que crianças possam de fato usufruir dos benefícios do esporte, desde melhoras na saúde até melhorar sua performance nos estudos”declara o executivo.

Fonte: B9 por Pedro Strazza

Treinadores de Formação

Treinadores de Formação

Defendo que os melhores treinadores devem estar na base dos clubes, a trabalhar com aqueles que poderão ser os futuros jogadores dos planteis seniores.

Defendo que os melhores treinadores devem estar na base dos clubes, a trabalhar com aqueles que poderão ser os futuros jogadores dos planteis seniores.

Estes treinadores devem ser os que têm mais conhecimentos e experiencia, porque é nas idades mais baixas que os jogadores aprender melhor os conhecimentos que vão ser importantes para o futuro.

Com esta mudança no pensamento da formação, os clubes podem começar a alimentar as suas equipas seniores com os jovens ali formados, e essencialmente da zona do clube.

Para isto acontece, todo o clube deve estar ligado e deve haver comunicação desde as equipas técnicas dos Traquinas aos Seniores. Porque se cada treinador seguir as próprias ideias, que nada têm a ver com a ideia e modelo do clube, não será possível colher os melhores resultados. Se a escolha do treinador dos Seniores não tiver em conta a filosofia do clube e não respeitar o que se faz na base do clube, todo o trabalho de muitos anos de formação de um jogador, pode ser completamente ignorado e deitado ao lixo.

Mas esta ideia de colocar os melhores treinadores na formação dos clubes é praticamente utópica. Cada vez mais os treinadores que trabalham com jovens querem mostrar todo seu conhecimento a um grupo de miúdos. Mas se esse conhecimento não for o adequado para um grupo daquela idade, apenas estaremos a deformar. Todas as teorias e metodologias que se aplicam nos seniores e que vemos nos treinadores de referencia da alta competição não serão as melhores para um grupo de jogadores que ainda estão a iniciar a pratica desportiva.

Geralmente, muitos destes treinadores utilizam estes escalões de formação para ganhar e para dar nas vistas para que alguém os convide para as equipas seniores. Porque os treinadores da base raramente são reconhecidos pelo seu trabalho, são mal renumerados e normalmente têm de resolver todo o tipo de situações com os pais e familiares dos jovens.

Faça o que fizer, o treinador de formação é quase sempre criticado. Porque os pais entendem que os filhos são os melhores e não jogam tanto como os outros, porque entendem que o treino não é o adequado, porque viram na TV um treino de uma equipa sénior e não era nada daquilo que eles faziam, porque o treinador não fala ou grita muito durante os jogos, etc. 
Mas a principal critica é de não ganhar jogos.

Há uns treinadores melhores do que outros. Uns com verdadeiro espirito de formadores e outros mais focados nos resultados. Todos eles têm valor. Não podem ser todos formadores. Mas quem trabalha na formação deve deixar os êxitos e as vitorias imediatas para trás. Em vez de se pensar apenas em vencer, o pensamento devia ser como vencer. Vejo jogos de equipas de formação onde há eternos titulares e eternos suplentes, jogam quase sempre os mesmos. Aqueles que são considerados os melhores. Mas com os devidos estímulos os que jogam menos não poderão chegar ao nível dos outros? Devem os treinadores destes escalões reclamar e insultar árbitros e adversários? São estes os formadores que os pais querem para os seus filhos? Evidentemente que não!

A formação do treinador é fundamental. Tem de estar preparado para educar e orientar. Tem de estar preparado para perceber que todas as crianças são diferentes. O porquê de uma criança não evoluir, o porquê de certas reações e comportamentos…

O importante é indicar e orientar o caminho para a vitória. Não gritar com um jogador por causa de um erro, ajuda-lo a resolver os problemas que o jogo vai colocando em vez de dar a resposta. A vitoria, nestes escalões, não é apenas o que diz o marcador no final. Devemos valorizar mais a evolução técnica e a conduta dos jogadores.

O futebol jovem cria a base dos jovens jogadores, é a base do conhecimento do jogo e do desportivismo, ajuda a eliminar e afastar vícios, ajuda no rendimento escolar, em resumo ajuda a ser melhor pessoa.

Porque nem todos os jovens jogadores irão jogar nas equipas seniores. Muitos vão desistir ao longo dos anos, outros vão escolher outro desporto, etc… Mas certamente que nos anos em que jogaram futebol se tornaram melhores pessoas, o que os irá ajudar na sua vida futura.

Um treinador de base trabalha para o futuro do clube, dos jovens jogadores e da comunidade. É muito mais do que apenas um treinador. É um educador. E deverá retirar satisfação pessoal por esse processo.

Treinar é muito fácil, mas treinar bem é muito difícil. Ser bom profissional é conhecer a fundo a profissão que praticamos, é ser responsável e serio, preocupar-nos todos os dias com a evolução dos jovens, manter a confiança com os jovens… Mas um bom profissional também ajudar e passar a sua experiencia e conhecimentos aos outros. Só assim haverá evolução. O fator X nos treinadores de formação é a capacidade de transmitir conhecimentos, com a finalidade que eles sejam aquilo que podem ser e não aquilo que nós queremos que eles sejam.

Fonte: Wi Coach

Jose Mourinho, Vitor Frade and the influence of tactical periodisation

Jose Mourinho revolutionised training in England thanks to the ideas of Vitor Frade and that legacy lives on this pre-season. With the help of one of Frade’s famous students in Carlos Carvalhal, Adam Bate examines the roots of tactical periodisation and why the ideological debate about it is still having an impact in the Premier League right now…

For many players, pre-season means running. The fitness work feels endless. Keep going until you feel sick then go some more. As for the ball, forget about it. All in good time.

That was the old way but most of the top clubs do things very differently these days. Some are even following a methodology that was formulated not on the green fields of England but inside the classrooms of Portugal. These clubs are led by coaches who are inspired by ideas devised by the Portuguese academic Vitor Frade at the University of Porto.

Frade is no household name but his reputation within the game is huge and his influence can hardly be overstated. Jose Mourinho was a high-profile early advocate, transforming the nature of training ground preparation in English football as a result. Frade is routinely described as a genius and his impact is everywhere in the modern Premier League.

Compatriots Marco Silva and Nuno Espirito Santo have been inspired by his methodology. Leicester manager Brendan Rodgers picked up on it during his time at Chelsea. Liverpool assistant Pep Lijnders is an admirer too. Similar approaches are used by Pep Guardiola and Mauricio Pochettino, meaning that his fingerprints are all over the country’s top teams.

“Vitor Frade is the brain of it all,” Carlos Carvalhal tells Sky Sports. “He is the brain of a thing called tactical periodisation. You could call him a kind of scientist but he is a very practical scientist because he worked at Porto under Sir Bobby Robson and he did his work on the pitch. At the same time, he was very academic and clever. He is a fascinating man.”

Carvalhal’s relationship with Frade dates back to his youth.

“He was my teacher at the University of Porto,” he explains. “When you go to the classes you must learn about genetics and complexity theory. I was 27 when we started tactical periodisation. I studied for five years, three of them just doing football under him, and it was during that time that I gave my contribution to tactical periodisation with my thesis.”

What is tactical periodisation?

Explaining tactical periodisation can be complicated but the premise is relatively simple. A good starting point is to completely reject the notion of physical training in isolation.

Speaking at a coaching conference in 2005, Mourinho said: “Many clubs do fitness work separately sending players for 45 minutes with a fitness coach, but I don’t believe in this. I do not believe in practising skills separately. You have to put together all these aspects in a match situation. There are exercises that can improve your physical qualities using the ball.”

His success helped transform how teams prepare so totally that it is worth noting this was not the accepted wisdom at the time. “For our generation, it was unheard of to get footballs out in the first pre-season session,” John Terry told Monday Night Football. “He told us that you never see a pianist running around a piano, you see a pianist work on the piano.”

Carvalhal offers an analogy about building a house before opting for a simpler explanation of the thinking that guides this methodology. “We understand the importance of the physical, the technical and the psychological,” he says, “but in this periodisation what controls everything is the tactical. This is why it is called tactical periodisation.

“We look at our players. We decide the system that we want to play, the idea that we want to create, and from there, from the very first day of pre-season, we draw up exercises to follow our idea. So, from the beginning, we work with high intensity with more time to work. Day by day we progress the intensity to prepare for the first game of the season.”

Mara Vieira, executive director of Tactical Periodisation by Vitor Frade

The importance of Jose Mourinho…

“Jose Mourinho was the first world-renowned coach that used this methodology and publicly declare his belief in it, so his importance has been huge,” Vieira tells Sky Sports.

“This methodology is now spread all over the globe because people who have been influenced by the professor are coaching now in many different countries. Hundreds of people have already travelled to Porto to meet and discuss football with Vitor Frade.”

The future for tactical periodisation…

“First of all, it’s still an unknown methodology for most people. And people are always afraid of new things, especially if they become fashionable. For example, one of the most common misunderstanding is to think tactical periodisation is just training with the ball.

“Also, the fact that tactical periodisation has a different understanding of the game and the human body, fitness coaches and all the sport science staff tend to see it as a threat to their role. But there are no objective reasons for that. Under tactical periodisation everyone can participate. It’s just a different approach. One that we believe leads to better football.”

Carvalhal is reluctant to boil down 30 years of study into a 30-minute conversation. Given that Frade himself recently concluded a conference on tactical periodisation with a lengthy outburst detailing everything that tactical periodisation is not, perhaps that is understandable. His former student is anxious to stress that true understanding takes time.

“There are very few people who understand the theory 100 per cent because to learn this you must go more deep than just reading one or two books,” says Carvalhal. “I studied three years just on football with Vitor Frade to understand the theory but there are some people who talk about tactical periodisation who do not understand tactical periodisation.

“Some people think that just by integrating their pre-season training they are automatically doing tactical periodisation, but they are not. It’s not like that. You can’t really understand it unless you understand complexity theory. We learnt a lot of things outside of football. When you have this all in your brain, it all starts to become clear to you. But it takes study.”

Why does this methodology help?

Even so, Carvalhal believes that coaches at all levels can find a way to utilise this methodology. “Maybe the theory is complex but the practice is very simple,” he adds. “You are training every day to play better football and improve the players and the team. We are training the game. And because we are training the game, we start by playing the game.”

The result is that teams adopting tactical periodisation have the chance to focus more on game preparation, giving them the opportunity to be more tactically sophisticated as they are not wasting precious training ground time in a fragmented way. This is much more than just training without the football, it is a holistic approach to the game of football.

The physical work still gets done but it gets done in other ways.

“It changes the role of the fitness coach a lot,” explains Carvalhal, now coaching Rio Ave in the Portuguese top division. “Rui Faria was not a fitness coach under Jose Mourinho. I do have someone at Rio Ave who is a fitness coach. He does the warm-ups but he is not there to improve the physical part of the players, he is not there for that.

“The physical part is very important but look at the GPS of our players. They run a lot with high intensity both with and without the ball but they run differently because they are running with an idea of how to help the team. They don’t run around the pitch or up the mountain. They run playing football. They probably run more than if there wasn’t a ball.”

This is a point that Terry, the long-time Chelsea captain, made about Mourinho’s sessions. “We probably covered more distance with the ball than we would have done without it,” he said. The difference is that players tend to enjoy this more than if they were on the running track or in the classroom watching videos. Bringing it together makes for a happier squad.

“Players enjoy this way of working,” says Carvalhal. “When I first went to England with Sheffield Wednesday, the reaction from the players was amazing. It was very hard but it was more attractive to them to train in the way that we wanted to play. They were excited about it, especially in the first year, when it was new to them, and they received the ideas well.”

Is this the future of football coaching?

This question of player satisfaction is an interesting one given the noises coming out of the Manchester United camp. Ole Gunnar Solskjaer has made fitness a priority in pre-season with Marcus Rashford and Scott McTominay speaking positively about the experience. McTominay has suggested that many of the squad have never done work like it before.

However, there have also been reports of unhappiness from unnamed players because of the amount of running in pre-season. Understandably, there is little sympathy among supporters. The idea of the team working hard in pre-season appeals to the public. But are they working smart? That’s the question that interests advocates of tactical periodisation.

“With so many teams doing it so well, what becomes difficult is what happens afterwards when you leave and another manager comes in with different ideas,” says Carvalhal. “This is very difficult for some players because they were working to improve their game and if they smell this improvement I don’t know any player who doesn’t want to become better.

“In Porto, because we have the culture of this methodology, if you don’t follow it then, let me tell you, the players will not follow it. They will not understand you. They will ask you why they are being told to run around a pitch when they are footballers. Portuguese managers work with the ball. Mourinho was working like this a long time ago.

“This is the Portuguese way.”

It might not be the Manchester United way right now but the direction of travel in football coaching suggests that there are more and more believers in tactical periodisation. More and more who believe in the methodology of a man called Vitor Frade.

“They come from Japan and United States, from Spain and England to talk with him and try to learn,” says Carvalhal. “A guy came from Brazil to study tactical periodisation and wrote a very good book on it. I can tell you that I have had more than 100 people asking to see our training sessions, more than 100. A lot of people are still curious about it.”

Frade might not be famous, but he continues to have a big impact on how the game is being coached – and what the game’s greatest players are being asked to do this pre-season.

Fonte: Sky Sports por Adam Bate

Jogo preliminar amplia potencial do ‘produto’ futebol

Comecei a frequentar os estádios de futebol quando estava com mais ou menos 12 anos, em companhia de amigos do bairro e do meu primo José Luiz.

Todo domingo eu pegava bandeira e almofada – que me ajudava a isolar o frio da arquibancada de concreto -, punha alguns trocados no bolso e rumava de bonde para o antigo Estádio dos Eucaliptos, que ficava localizado no bairro do Menino Deus, em Porto Alegre (RS). Era dia de ver o Internacional jogar para tentar quebrar a hegemonia do arquirrival Grêmio, que, àquela época, na segunda metade dos anos 60, acumulava títulos regionais, aproveitando-se dos investimentos feitos pela diretoria colorada na construção do Gigante da Beira-Rio.

Como hoje, as partidas começavam às 16h. Mas eu e meu primo costumávamos chegar bem mais cedo para assistir à preliminar dos aspirantes, que geralmente era disputada pelas mesmas equipes que se enfrentariam no duelo subsequente.

Esses jogos preliminares eram uma grande oportunidade para a torcida conhecer os talentos da base, meninos que um dia iriam envergar o manto sagrado do clube como profissionais.

Para nós, que também guardávamos no íntimo o desejo de defender as cores do time do coração, era quase a comunhão de um sonho. Foram nesses jogos que tive a oportunidade de ver despontar, ao vivo, nomes como Paulo Roberto Falcão, Escurinho, Jangada e Sérgio Galocha, entre tantos outros, que pouco tempo depois se consagraram campeões no supertime multicampeão do Inter nos anos 70.

Lamentavelmente, essas preliminares foram proibidas em nome da preservação dos gramados e da dinâmica do evento – este último argumento, confesso, sem muito sentido em minha opinião.

O fim dessas partidas deixou uma enorme lacuna no âmbito da revelação de talentos à torcida – ainda que, com o advento das mídias sociais, neste século, o conhecimento do(a) torcedor(a) sobre os meninos da base de seu time do coração não tenha sido efetivamente prejudicado. Basta lembrar da euforia da torcida do Santos quando, em 2009, Neymar despontou na lateral do gramado para entrar em campo no segundo tempo de um jogo do Campeonato Paulista e fazer sua estreia pela equipe profissional de Vila Belmiro, aos 17 anos: o Brasil já sabia quem era aquele jovem e esperava por aquele momento.

De qualquer forma, permitir que outros Neymares possam jogar para a torcida mesmo antes de ascenderem ao profissional é dar a eles uma experiência que, para mim, hoje, faz-lhes alguma falta.

Isso sem falar, claro, que um “combo” de dois jogos pode aumentar a atração do produto, antecipar a entrada da torcida no estádio – e, por consequência, ampliar o potencial de receita de clubes, fornecedores e parceiros comerciais – e fomentar outras estratégias de matchday, tornando o dia de jogo uma festa ainda mais atraente (para a torcida) e lucrativa (para os players envolvidos).

Vou além: jogos preliminares também poderiam ser uma ótima maneira de incentivar os clubes a criarem equipes de futebol feminino, de base e/ou principais.

E é importante deixar claro, aqui, que não vejo o futebol feminino apenas como um “esquenta” do masculino. Penso que aproveitar o formato da partida preliminar seria abrir uma nova porta para aproximar ainda mais a modalidade da torcida – que, definitivamente, já a acolheu, haja vista a grande audiência da recém-concluída Copa do Mundo – e de parceiros comerciais em potencial.

Cumprida essa missão, dando ao time das meninas sustentabilidade econômica enquanto produto e viabilizando-o como negócio ao clube, nada mais justo que fomentar a criação de competições específicas, com calendários próprios e condições justas, que permitam a elas viverem do esporte. Seria um golaço para elas, para a modalidade, para as agremiações e para as marcas apoiadoras.

Assim, fosse num híbrido de jogos masculinos e femininos ou num outro modelo que eventualmente fizesse mais sentido para o produto futebol e seus(suas) protagonistas, o interessante seria ver a volta dos jogos preliminares.

Recuso-me a acreditar que tal medida prejudique o espetáculo ou seu palco, tampouco esvazie torneios e competições que hoje, de alguma forma, tentam cumprir o papel de revelar à torcida seus futuros ídolos.

Ao contrário, só posso crer que estreitar os laços entre o prestador de serviço (clube) e seu(sua) cliente (torcedor/a) é tudo o que de mais certo poderia ser feito, sobretudo num momento de entrada agressiva e maciça de clubes estrangeiros no País, ávidos pelo coração – e pelo dinheiro – das jovens gerações de torcedores.

Reconquistar – ou conquistar – essa meninada pelo compartilhamento de um possível sonho, como outrora aconteceu comigo, aproximando-a de outros meninos e meninas que já envergam camisas de peso do futebol brasileiro, a mim parece muito mais frutífero do que duvidoso. Por que não, então?

Fonte: MKT Esportivo por Jorge Avancini

A rua e o futebol: um caso de amor que NÃO poderia ter fim

Muito se fala na formação de jogadores de futebol atualmente, em especial sobre os jogadores brasileiros. Mas o que eles têm de diferente dos outros?

Os brasileiros ficaram marcados, merecidamente, como os mais habilidosos, capazes de realizar lances plástico e incríveis com a bola. Fatos estes ligados à cultura do país, ao clima favorável às práticas na rua e também a miscigenação da população brasileira. Neste sentido, muitas críticas surgiram sobre o fato do futebol brasileiro não formar jogadores como antigamente. Seria inteligente da nossa parte dizer que não formamos mais jogadores como antigamente? Será que podemos comparar os tempos?

Para enriquecer a discussão e tentar encontrar uma possível solução para este suposto problema encontrado no futebol pentacampeão, não podemos deixar de citar Alcides Scaglia, um dos mais famosos pedagogos do esporte no Brasil. Segundo Scaglia (2007) a cultura futebolística do brasileiro foi tecida em meio a um rico ambiente de aprendizagem de jogo, construindo uma teia de conhecimento de pequenos jogos/brincadeiras de bola com os pés, as quais eram criadas para resolver o problema de se jogar futebol, o que direta e indiretamente colaborou na construção de um modo todo particular de se jogar futebol no Brasil. Para Freire (2003) “a rua tem a pedagogia da liberdade, da criatividade, do desafio e até da crueldade. (…) No tempo em que havia fartura de espaço e de brincadeira, nem se fazia sentido falar de Escolinhas de Futebol. Dos campinhos de pelada saiam os Didis, os Garrinchas, os Gersons, os Romários”. Os tempos mudaram e não podemos negar. Os grandes espaços ao ar livre que tínhamos, hoje não se encontram mais na mesma disponibilidade e tamanho. As crianças não são vistas mais jogando nas ruas conforme antigamente. Alguns fatores que podem ser relacionados à diminuição destas práticas informais nestes ambientes, serão mencionados aqui, mas não serão discutidos: as construções aumentaram; o número de carros também; o avanço da tecnologia pode ser fator importante neste quesito, se pensarmos em vídeo games e celulares; a violência aumentou. Com essa mudança, o número e a importância das escolas de futebol aumentaram. Mas será que nas escolas de futebol os alunos aprendem os mesmo que aprenderiam nas ruas? Será que ele é capaz de criar as regras de um jogo previamente planejado pelo treinador? O aluno tem a capacidade de tomar a decisão de forma autônoma com o treinador o instruindo ao que deve ser feito? O treinador que coloca regra de 2 toques na bola está estimulando o jogador a dar um drible característico do futebol brasileiro? Os questionamentos levantados servem para nossa reflexão sobre a REALIDADE das escolas de futebol (sem generalização). Visto isso, levantemos a bola para os clubes de formação. Há relatos que clubes grandes do país separam uma parte do treino para realizar alguns “jogos na rua”, para que os jogadores pudessem experimentar a rua. Mas esse treino é liderado por alguém? Se sim, já está descaracterizado. Será que a inclusão dos jogadores nos processos de treinamento não tem sido de forma precoce? Como são realizados os treinamentos das equipes mais jovens em um clube?Mais do que isso, pensemos na utilização de algumas práticas da pedagogia de rua no futebol profissional. Será que daria certo? Os treinamentos possuem espaços para este tipo de atividade? Os treinos no futebol profissional são específicos para determinados contextos que envolvem todas as capacidades de uma forma sistêmica. A pedagogia da rua não seria melhor utilizada nas idades menores? Será que os jogadores que forem formados nesta abordagem chegam mais desenvolvidos no profissional? Seria um processo interessante a se aplicar, se os processos funcionassem como processo no Brasil. Para finalizar, devemos nos atentar a importância de se entender o seguinte ponto: a rua, por ela mesma, não é a responsável por formar o exímio jogador brasileiro. Muitos jogadores jogaram na rua e nunca foram profissionais. Mais do que isso, a superfície em que os jogadores costumavam jogar (o asfalto, o paralelepípedo e/ou a terra) não são os formadores de jogador. Não basta colocar um jogador para jogar descalço no asfalto do estacionamento. Devemos compreender que o ambiente que envolve o futebol de rua, como já citado acima, é o grande “responsável” pelo rico aprendizado obtido nele. Aprendizado este que era desenvolvido através das relações sociais com os amigos, da criação das regras para o jogar, da resolução de problemas, da “tabela” com a parede para vencer o adversário, da autonomia de poder tomar uma decisão sem alguém o guiar, do aprender com os erros das decisões tomadas de forma equivocada, da inteligência necessária para vencer jogadores mais velhos e mais fortes, da liberdade, da felicidade e entre outras capacidades que poderiam ser potencializadas direta ou indiretamente, de forma intencional ou não. Não há tempo para lamentações. Não podemos apenas colocar a culpa na falta de espaço para a realização destes tipos de jogos. Não podemos nos omitir do processo, enquanto formadores de jogadores. Então, cabe à nós, profissionais envolvidos na formação destas crianças (inteligentes e com capacidade de tomar boas decisões), produzirmos práticas e ambientes de aprendizado que consigam potencializar os indivíduos, não como o ambiente da rua (porque ele é insubstituível!), mas como um cenário rico, com estímulos adequados e capazes de se adequar ao mundo atual. Afinal, também somos responsáveis pelas mudanças (ditas ruins) no mundo. Que sejamos pelas boas daqui para frente.

Referências:

Fonseca, H., & Garganta, J. (2006). 

Futebol de rua: um beco com saída: do jogo espontâneo à prática deliberada. Lisboa: visão e contextos.Freire, J. B. (2003). 

Pedagogia do futebol. Autores Associados.Scaglia, A. J. (2007). 

A criança, a pedagogia da rua e o estilo do futebol brasileiro? Disponível em: Universidade do Futebol. Acesso em: 26 abril, 2018.

Fonte: Ciência da Bola por Italo Resende

Encontramos a intensidade – e o jogo?

Cada país, uma cultura de jogo!

O futebol brasileiro está intenso — isso é inegável! Aliás, o mundo está procurando e encontrando maior intensidade de jogo no futebol indiferentemente à cultura de jogo em que estão sendo construídos.

No Brasil, o jogo está intenso além da conta e com traços de desorganização tática muito claros. Simplesmente porque tem de ser vertical a qualquer custo.

Além disso, ao contrário do que o senso comum diz, o nosso jogo não perdeu a individualidade! Continua com alguma organização de posicionamento que os sistemas táticos impõem, mas os jogadores ainda demoram com a bola nos pés mais tempo que o necessário. Na soma das duas características, jogo individual e intenso, temos “brigas individualizadas” em todos os setores do campo e / ou situações de jogo e em ritmos alucinantes.

Assistindo a jogos do futebol brasileiro é fácil ver o alto nível de competitividade em que são disputados. Constatamos a intensidade do jogo, ainda com mais segurança quando são usadas as ferramentas científicas modernas de análise de rendimento esportivo.

Hoje um jogador brasileiro percorre entre oito e catorze quilômetros em noventa minutos de jogo, com 30, 40 ou 50 estímulos de corridas acima de 20 Km/h. Algo impensado em poucas décadas atrás.

Isto não corresponde a resultados imediatos na qualidade do jogo, muito menos  dá garantia de vitórias. Como dizia Cruyff:

“Futebol se joga com a cabeça, as pernas estão ali para ajudar.”

Essa, dentre várias ideias do gênio holandês, vale até hoje. Correr muito e intensamente não é sinônimo de bom jogo.

O Professor Victor Frade, “pai da Periodização Tática”, se irrita quando querem traduzir o jogo moderno com ênfase na intensidade:

“Intensidade, o quê vale isto se não se tem jogo?”

Foi mais ou menos o que disse quando indagado sobre o tema.

O jogo brasileiro ficou mais intenso, visto a olhos nus e também cientificamente, mas continua entregue às individualidades.

Não há sincronia entre “o balé do jogo” e os benefícios do desenvolvimento físico individual e coletivo que o treinamento moderno trouxe a todos os esportes, inclusive o futebol.

Estamos correndo “pra lá e pra cá”, sem conceitos táticos que balizam um jogo inteligente porque é isso que queremos.

– Queremos?!

– Quem tá querendo isso?

– Todos nós!

– Que jogo lindo! Emocionante! Movimentado! Lá e cá!…

É o que costumamos ouvir quando assistimos esse “jogo intenso e ou de correria”!

O que há de conceituação tática nestes jogos? Difícil detectar.

Não há como conceituar taticamente um jogo tão intenso. Não dá tempo. O campo fica, naturalmente, maior com o “lá e cá” que a intensidade desordenada provoca.

Tudo bem! Estamos inventando um outro jogo e parece que estamos gostando disso!Então vamos passar a tratar “este outro esporte” com as diferenças de análises que ele requererá.

Nesta reflexão não estou maldizendo à intensidade, muito menos às emoções.Quero apenas reivindicar comparações a grandes equipes do cenário mundial que estão conseguindo organização tática com intensidade de jogo.

Alguns treinadores brasileiros têm tentado buscar esse caminho na construção do jogo de suas equipes, mas o entorno do nosso trabalho é muito cruel. Quando nossas equipes trocam lateralmente dois ou três passes, ou voltam a bola pra um zagueiro ou goleiro com o intuito de organizar uma nova “rota ofensiva” para o jogo, sofrem vaias de todos os lados e o que se segue a isso a gente já conhece.

Tudo em prol da individualidade, da verticalidade e intensidade do jogo. E o que não podemos negar é que o desequilíbrio individual que conclamamos a retornar ao nosso jogo só cabe para jogadores velozes: correria pura.

Não adianta cobrarmos da Base brasileira que formem jogadores mais técnicos e dribladores sendo que o que exigimos para os adultos é “correria”.

O Tite tem tentado e com algum sucesso transmitir algo de jogo organizado à Seleção Brasileira, com bons níveis de intensidade concatenados taticamente a uma ideia de jogo segura, inteligente e ofensiva.

Como é lindo ver que os brasileiros conseguem fazer isso. A Seleção, um time só de brasileiros, comandada por brasileiros, jogando o jogo moderno, com intensidade, ofensividade, arte e vitórias.

Ah! E sem o Neymar! Quando ele estiver, então?!?!

Quanta crítica sofreu o jogo do Tite no início da Copa América por não ser intenso e/ou vertical.

Organizar o jogo, não significa abdicar da intensidade. Quando os conceitos táticos funcionam harmoniosamente dão novos e mais competentes enredos ao jogo. A intensidade de jogo é mais um componente tático que só tem valor no contexto de uma ideia tática de jogo. Ser somente intenso, não é jogo.

Que jogo complexo é o futebol! Quanta polêmica pode gerar um texto desse!Mesmo assim, e como sempre, continuo querendo ver organização de jogo com intensidade para as equipes brasileiras. Pelo menos é assim e sempre será nas equipes em que trabalho.

Pra mim, “campo grande”, correria, correr pra frente e não correr pra trás, trocas indiscriminadas de posicionamento em campo, dentre outros componentes anárquicos do jogo, não deveriam fazer parte do futebol que pode ser organizado taticamente, inteligente, ofensivo, bonito e vencedor!

Acreditando nisso, então é só fazer!

Mas não é fácil estar na pele dos treinadores brasileiros nas circunstâncias que a nossa cultura oferece!

Palavras que cabem mesmo pra uma outra grande reflexão!

Até uma próxima!

Fonte: Ricardo Drubscky

Meu filho vai “chegar lá”?

Não é incomum encontrar pais preocupados com o futuro do filho praticante de um esporte popular como o futsal. É compreensível. Além de os pais, naturalmente, preocuparem-se com os filhos, por amá-los, há certa expectativa, ao menos entre parte, de que, no futuro, seus rebentos “cheguem lá”, ou seja, sejam bem-sucedidos, como outros jogadores que se iniciaram nas quadras e se consagraram no futebol ou mesmo no futsal. Evidentemente que isso não pode se transformar num estresse, de modo que se perturbe o processo de formação do jogador que está em curso. Os pais, e isso é inegociável, não podem ser fonte de esgotamento para os filhos!

Nesse quadro, reportado minimamente até aqui, sou confrontado, modo geral, com duas perguntas: “Meu filho vai “chegar lá”?, “Vale a pena investir tempo nisso?”. Responderei ambas. Neste texto, a primeira. Em outro texto, a segunda. Mas o farei ao meu modo, é claro. Significa dizer que não quero ter razão, mas apenas expressar a vista que enxergo do ponto em que estou assentado.

Quem vai “chegar lá”?

Não sei. Não se sabe. O que se sabe? Que é multidimensional os fatores que explicam a trajetória esportiva de um atleta de alto rendimento. Ou seja, há uma série de fatores que, conjugados, explicam, numa visão retrospectiva, o processo que o fez “chegar lá”. Num livro extraordinário, chamado “O gênio em todos nós”, seu autor, David Shenk, reporta ao menos cinco fatores (misturados!) que contam para isso: a exposição precoce, a prática constante, uma formação excepcional (qualidade do treino), o encorajamento dos pais e a vontade intensa de aprender. Eu adicionaria um sexto fator: o local onde se está inserido. Em síntese, o que se sabe é que o processo e as boas oportunidades fazem a diferença.

Significa dizer, então, que bastaria mergulharmos o jovem praticante nesse “caldo” e ele “chegaria lá”? Ou seja, bastaria que se começasse cedo no esporte, que se demonstrasse paixão em aprender, que boas oportunidades fossem ofertadas, que houvesse um bom volume de treino, um ótimo treinador e pais que apoiassem, para que se tivesse, ao final e ao cabo, um (a) jogador (a) de excelência? Não. Não? Não. Por quê? Porque não é possível controlar o desfecho. Ele é incontrolável. Logo, se por um lado, muito provavelmente, não dá para se “chegar lá” sem a combinação desses fatores, por outro lado ter esses fatores combinados não é garantia de se “chegar lá”. Não poderia ser diferente: para um contexto imprevisível, um desfecho imprevisível.

O acaso

 Por “incrível que pareça”, o acaso conta muito, mesmo que muitas pessoas não aceitem, não acreditem, não queiram; mesmo com todas as evidências em contrário. O acaso é o aleatório, o que não pode ser previsto, uma característica de um sistema complexo como o de formação de esportistas. E mais: o acaso é para o “bem” e para o “mal”. É sorte e azar. É ganho e perda. O acaso, por exemplo, surge quando um garoto vai completar um treino da categoria acima, por não ter sido relacionado para o jogo da sua, e nunca mais retorna, porque o treinador gostou dele. O acaso se manifesta quando o jogador, numa decisão municipal, atrai a atenção do “olheiro” do Barcelona que se encontrava de férias na cidade da namorada brasileira. Mas o acaso também significa precisar trabalhar para ajudar na casa porque o pai perdeu o emprego. Ou ser preterido quando de uma mudança de treinador. Ou enfrentar lesões. Observe: não é a sorte ou o azar que definem o desfecho, mas eles têm peso tanto quanto os seis fatores anteriormente elencados. De qualquer forma, o acaso é uma prerrogativa para quem está no processo. Para quem está envolvido. Em quadra. E não tem como desconsiderá-lo.

Como se responde ao acaso faz a diferença

 Outro ponto que fará diferença é como os envolvidos responderão ao acaso. Por exemplo, conta-se uma história, confirmada por Pelé na sua biografia (Editora Sextante), de que ele, após perder um pênalti na categoria juvenil, preparou-se para abandonar o Santos e, somente não o fez, porque a fuga deu errado (alguém o impediu porque ele não tinha autorização por escrito para viajar). Já imaginou se essa fuga dá certo? Edson não seria Pelé.

Os melhores hoje serão os melhores amanhã?

Embora eu compreenda a tendência de se dizer que os melhores hoje serão os melhores amanhã, isto é, de que quem hoje está em evidência será mais bem-sucedido no futuro, preciso afirmar que não acredito nessa linearidade. E não acredito porque o processo é dado à incerteza. Pode ser que sim, ou seja, que um jogador com 12, 13 anos de idade, considerado o melhor agora, “chegue lá”. Mas pode ser que não! Portanto, pode acontecer de um outro jogador da mesma idade, que não é considerado o melhor, seja, no futuro, o jogador de excelência. Ainda mais: pode ser que nenhum dos dois chegue e também que os dois cheguem. As possibilidades estão abertas para todos os que estão no processo. Este é longo e incerto. Quer ver?

Yazid, aos 14 anos, não era Zidane

Depois do torneio de Cannes, ele cresceu. E progrediu. Está com 14 anos e já é dono de uma grande sutileza  técnica. Mas nenhum recrutador ainda se interessou por ele. E, durante os raros estágios ou partidas seletivas de que participou, sua atuação não foi das mais notáveis. Por ocasião do torneio de Roux, depois de ter jogado contra o Azure como lateral ofensivo, ele se revezou como lateral direito e esquerdo em todas as partidas seguintes (…) Depois desse torneio, Zidane ainda não faz parte dos titulares incontestáveis do selecionador provençal. Segundo a orientação desse selecionador, dez dos onze postos da equipe estão selecionados, mas ainda se mostra hesitante quanto à escolha do décimo primeiro, o lateral que possa jogar na esquerda ou na direita – o número 8 (p. 16 de Zinedine Zidane, a biografia do craque escrita por Jean Philippe e Patrick Fort – Sá Editora).

Isso mesmo, o craque francês, que foi campeão mundial com dois gols na final, recebeu da FIFA por três vezes o prêmio de melhor do mundo como meio-campista e que ocupa, segundo a World Soccer, a vigésima oitava posição entre os 100 maiores jogadores de todos os tempos, já foi um lateral preterido no começo da sua carreira.

Efeito prático

Na prática, o que isso tem a dizer para os treinadores: de que é preciso garantir uma boa quantidade de prática, mas com qualidade. Ou seja, o volume da qualidade. Também de que é preciso investir nas relações, educando as atitudes dos jogadores e ajudando a criar uma mentalidade baseada no empenho e na busca diária de aprendizado. Importa como se joga mais do que quanto foi o jogo. Para os gestores (e aqui, muitas vezes, colaboram os pais!): oferecer boas oportunidades. Aos pais: de que é preciso encorajar os filhos, investir nas relações e desfrutar do processo.

Fonte: Pedagogia do Futsal por Wilton Santana

O papel de um clube desportivo na formação de uma criança

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Um pai ou mãe quando decide oferecer a prática desportiva a uma criança e procura um clube desportivo, há muito mais valor acrescentado do que um jogo ao fim de semana.

Hoje um clube não se faz representar apenas pela equipa que está presente em cada jogo. Como parte da sua missão de clube de formação, os clubes têm vindo a crescer a nível de recursos humanos para acompanhar outras áreas complementares à prática desportiva melhorando os seus processos na formação de atletas, como por exemplo a certificação de entidades formadoras no futebol e futsal.
Áreas que asseguram um equilíbrio entre a modalidade e as restantes partes da vida do atleta começaram a ter um papel tão importante como a performance desportiva.
Mas porque razão este acompanhamento complementar é tão importante?

FORMAR MELHORES ATLETAS, ALUNOS E PREPARAR PARA O FUTURO
Para além de que a saúde física, psicológica e emocional é importante na vida de qualquer pessoa, a percentagem de atletas na formação de um clube que seguirá a carreira profissional é muito reduzida. Por isso é fundamental incluir um outro acompanhamento na formação do atleta. Um acompanhamento para assegurar que os clubes estão também a formar melhores alunos, a preparar as crianças para o futuro e promover um estilo de vida mais saudável.
E não é uma realidade só nos clubes de topo. Hoje é possível encontrar na estrutura de muitos clubes pessoas que permitem um acompanhamento multidisciplinar aos seus atletas. Pessoas que estão acessíveis quando os pais entregam os seus filhos para a prática da modalidade desportiva.

ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DE UM CLUBE DE FORMAÇÃO
Em maior ou menor dimensão, existe uma coordenação e colaboração entre várias pessoas para proporcionar a melhor formação aos seus atletas. Entre estes destacamos alguns:
Treinadores
Para além do ensino da modalidade, consoante a idade que se encontra o atleta, um treinador procura ajudar em aspectos individuais como a coordenação, responsabilidade, motivação, definição de objectivos, espírito sacrifício, superação, entre outros. Como também aspectos coletivos: trabalho em equipa, camaradagem, entreajuda. Aspectos fundamentais que o ajudarão em idade adulta.
Fisioterapeutas
Não estão lá apenas para quando o atleta se lesiona ao serviço do clube. Estão lá sempre que um atleta precisa de uma apoio a nível clínico. Podem acompanhar a fase imprevisível no crescimento ósseo e dos músculos, detecção precoce de problemas, orientação na prevenção de lesões ou necessidade de treino específico.
Psicólogos
O estado psicológico de uma criança/jovem pode ser muito inconsistente. Ter uma pessoa que possa orientar e aconselhar é sempre uma mais valia. Hoje em dia muitos clubes já têm na sua estrutura profissionais dedicados a esta área. Para além de um maior controlo emocional e preparação psicológica a nível desportivo, um acompanhamento psicológico ajuda as crianças em outras áreas da vida: maior força mental na superação de desafios, gestão do fracasso, do stress, ou mesmo problemas mais graves, como a separação de pais, dificuldades sociais/financeiras ou perda de um familiar próximo. Um acompanhamento enquanto pratica um desporto que gosta e está num meio com um sentimento de pertença.
Nutricionistas
Mais uma área que pode resultar numa vantagem competitiva a nível desportivo, contudo a nutrição é importante em qualquer fase da vida de uma pessoa. Pode ser apenas um acompanhamento regular, com algum objetivo específico como um melhor desempenho a nível físico ou mesmo resolução de casos mais críticos. Num clube desportivo também é possível encontrar pessoas dedicadas a esta área complementar à parte desportiva.
Coordenadores e diretores
Pessoas que asseguram, coordenam e apoiam os intervenientes anteriores para que possam executar o seu trabalho com a melhor qualidade. São também responsáveis para acompanhar a relação entre o clube, atletas e os pais.
Todo este acompanhamento e muitos outros benefícios enquanto uma criança se diverte, aprende um desporto, cria amizades e reforça a sua responsabilidade, trabalho em equipa, entre muitas outras oportunidades.

MUITO MAIS QUE UM CLUBE DESPORTIVO
É uma frase muitas vezes referenciada pelas entidades desportivas, mas é verdade que o que podemos encontrar num clube é muito mais que um jogo. É todo um conjunto de pessoas que estão presentes com objectivo de proporcionar as melhores condições para a prática de desporto e formação dos seus atletas.
No software EMJOGO sabemos da importância de cada uma destas pessoas e o que o seu trabalho representa na missão de um clube de formação. Por isso mesmo desenhamos uma ferramenta de gestão de atletas para ajudar no trabalho diário de cada um e que pode ser facilmente coordenado com os atletas e respectivos pais.
Fale conosco e saiba como também podemos ajudar na organização e gestão dos atletas no seu clube.

Fonte: Em.Jogo.PT

Il calcio del futuro passa dal futsal? 🇮🇹

In India c’è un Falcao che da anni segna e fa divertire i tifosi ogni volta che scende in campo. Non è il centrocampista con un passato nella Roma degli anni ‘80, non è nemmeno il centravanti del Monaco. È Alessandro Rosa Vieira, e le magie le fa in un campo indoor 40×20, con un pallone piccolo e pesante: Falcao, nonostante i 40 anni di età, è una delle più grandi star del futsal (o calcio a 5) nel panorama internazionale. D’estate gioca nel torneo Premier Futsal, in India, insieme ad alcune ex star del calcio mondiale (Ronaldinho, Giggs, Scholes, Salgado), ma durante l’anno gioca in patria nel Magnus Futsal. In una recente intervistarilasciata al portale online Goal, Falcao ha parlato della popolarità del futsal in Brasile, di Neymar e di come il futsal sia stato fondamentale nel trasformare il talento paulista in un top player del football mondiale. «Neymar, un mio grande amico, come tutti i ragazzini brasiliani ha giocato a futsal a scuola da bambino. Questa è una chiave del suo successo come calciatore di calcio».

L’idea che il futsal – che sta per fútbol de salón, o fútbol sala – sia uno strumento per far crescere i migliori calciatori di calcio a 11 non è una convinzione del solo Falcao. In un’intervista alla Bbc, Peter Sturgess, l’uomo della Football Association deputato a monitorare la crescita dei più giovani calciatori inglesi – quelli dai 5 agli 11 anni –, ha detto: «I giocatori che hanno iniziato a giocare a futsal da piccoli sono quelli che poi nel calcio fanno più strada. È una conseguenza logica, perché è uno sport veloce, rapido, basato su tecnica e tattica, e allena qualità fondamentali per il football». La correlazione tra le qualità di campioni come Neymar, Messi, Kakà, Xavi e Iniesta, e le ore che hanno speso da bambini sui campi indoor di futsal, hanno aperto gli occhi anche alla FA. Le difficoltà nel trovare un giocatore con le qualità dei talenti brasiliani o spagnoli nel Regno Unito hanno convinto la Football Foundation – un organo fondato dalla Premier League, dalla FA e dal governo britannico, che riceve fondi dai vertici del football inglese e dal dipartimento di Cultura, Media e Sport – a stanziare 300mila sterline da destinare alle scuole, ai college e alle leghe giovanili per costruire 200 campi dedicati al futsal dove far giocare fino a 12.000 ragazzini ogni anno.

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L’Inghilterra è solo un puntino sulla mappa del futsal mondiale, al 56esimo posto del ranking Fifa, dietro anche al Mozambico e alle Isole Salomone. Ma vuole invertire la rotta. Il ct della Nazionale inglese, Michael Skubala, è stato recentemente intervistato dal Guardian: «C’è bisogno di incrementare il calcio a 5 nelle scuole. Fin quando non miglioreremo, la Nazionale inglese di calcio non vincerà mai un Mondiale. Il futsal dà grandi ritorni nel calcio: il primo è quello di migliorare sensibilmente i ragazzi nella capacità di prendere decisioni in frtta, perché costretti a ragionare in spazi e tempi ristretti».

Un campo piccolo, infatti, aiuta a controllare la palla negli spazi stretti, a migliorare i passaggi e gli 1-contro-1 sia in attacco sia in difesa, e forma giocatori tatticamente più duttili, costringendoli a muoversi in maniera fluida per il campo. Poi ci sono alcune peculiarità del calcio a 5, come controllare la palla con la suola, spostarla sempre con la suola per cambiare direzione, o tirare di punta – come ha fatto Dybala contro il Sassuolo, sabato 16 settembre – che nel calcio possono servire come armi sorprendenti e molto vantaggiose. E poi c’è la palla, più pesante e più piccola, che allena il passaggio rasoterra e soprattutto il controllo, perché nel futsal, uno sport in cui la partita si consuma in 40 minuti di ritmo altissimo, proprio il controllo è un’arma letale.

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La cultura sportiva inglese è parte integrante della questione e non può rimanere fuori da un discorso di questo tipo. Partendo da lontano, in Inghilterra l’autunno è sinonimo di pioggia pressoché costante ogni giorno, e freddo, e quindi campi da calcio rovinati. E l’inverno è anche peggio. Il futsal – che non deve essere preso come la panacea di tutti i mali, ma uno strumento da usare saggiamente – vuole trovare una soluzione anche a questo: uno sport indoor non risente delle condizioni atmosferiche, e i ragazzi potrebbero praticarlo dodici mesi all’anno senza preoccupazioni. Ma la cultura sportiva britannica poggia – ancora – su uno stereotipo machista, come dimostrò il divieto, da parte di Alex Ferguson, di utilizzare calzamaglie e scaldacollo negli allenamenti. Negli ultimi anni, tuttavia, è diventata meno impermeabile. Si è fatta ammaliare dalle qualità di talenti “latini” sbarcati in Premier League come Juan Mata e David Silva, e sente il desiderio di mettersi al passo. D’altra parte il futsal nasce in America Latina negli anni ‘30, più precisamente in Uruguay, e con il mondo anglosassone ha pochi legami. Non è un caso che le Nazionali più forti in questo sport siano Brasile, Spagna, Portogallo, Argentina.

Solo gli Stati Uniti, nel mondo anglosassone, hanno raggiunto buoni livelli, e grazie a una programmazione attenta che ha portato alla costruzione di un’architettura radicata nella geografia locale. In un articolo del 2016 su Goalnation, il portale dedicato al soccer giovanile, si descrive la suddivisione su più livelli del calcio giovanile statunitense: «La Us Youth Futsal ha stilato un programma in cui i giocatori provenienti da tutto il Paese si riuniscono in piccoli Camp regionali, poi i giovani più talentuosi avanzano ai nazionali. Lì, i migliori vengono scelti per rappresentare gli Stati Uniti a livello internazionale». Recentemente anche la Germania sta raggiungendo buoni risultati nelle competizioni internazionali di futsal. Passi avanti che hanno il 2012 come data di riferimento: anno in cui la federazione calcistica tedesca ha deciso di rivoluzionare il calcio a 5 del Paese. I calciatori del futuro, a quanto sembra, cresceranno anche nei campi indoor.

Fonte: Rivista Undici – Lettera 43 por Alessandro Cappelli