Mulheres no futebol? Universidade de Liverpool tem bolsa integral para MBA

O programa vai formar profissionais capazes de atuar na gestão de clubes e organizações focadas no futebol. Inscrições vão até dia 31!

A Universidade de Liverpool está oferecendo duas bolsas integrais para mulheres para seu programa de MBA em Football Industries.

O programa é voltado para formar profissionais capazes de atuar na gestão e administração de clubes e outras organizações focadas no futebol, e as bolsas, segundo a universidade, visam ampliar a presença de mulheres no futebol — não só dentro do campo. As inscrições vão até 31 de julho.

A bolsa cobre integralmente os custos de “tuition” do programa, que variam de £16.500 a £23.500 (de R$ 80.900 a R$ 115.250, aproximadamente). No entanto, as bolsistas ainda precisarão arcar com as despesas de passagem aérea e com o custo de vida na cidade de Liverpool durante a duração do programa.

Sobre o programa

Fundado em 1997, o Football Industries MBA (ou FIMBA) é o único MBA focado em futebol, segundo a universidade. Além das disciplinas tradicionais de um MBA, ele também inclui cursos sobre economia, marketing e governança focados no futebol. Seus ex-alunos trabalham em clubes, mídia especializada, agências reguladoras e empresas voltadas para futebol na Europa, Ásia, África e América.

A brasileira Camila Cunha está cursando o programa atualmente e deve concluí-lo em setembro de 2019. Segundo ela, o programa pode ser feito em um ano (estudando em tempo integral) ou em dois anos (estudando em meio-período). Nos últimos três meses, o aluno pode optar por fazer uma dissertação ou um work-based project (projeto com base em trabalho). Ela optou pela segunda opção e atualmente estagia na Liga Portugal, a liga portuguesa de futebol profissional.

“Eu gosto de esporte desde adolescente, desde 10, 12 anos, todo mundo em casa gosta, e desde então eu já tinha a ideia de que queria trabalhar com isso”, conta.

Ela concluiu a graduação em administração e passou 7 anos trabalhando na Bayer, “mas nunca tirei da cabeça que precisaria fazer essa transição”.

Então há cerca de 3 anos ela fez MBA em negócios do esporte na ESPM, em São Paulo. “E isso me preparou para essa mudança de carreira e de país.

Como já tinha feito um MBA, Camila pode fazer o curso como uma pós-graduação e cursar apenas as aulas focadas em futebol (a bolsa, contudo, é apenas para mulheres que queiram cursar o MBA).

Essas aulas abordam o direito aplicado ao futebol, e temas de marketing e estratégia de negócios para futebol. Para ela, aa parte mais legal são as aulas de “analytics”, ou análise de dados aplicada ao mercado de futebol, “porque é algo meio revolucionário para a indústria”.

Além das aulas, toda semana os alunos têm palestras e almoços com pessoas da indústria, oferecendo possibilidades de networking. “Como é um mercado ainda muito restrito, conhecer pessoas é importante para entrar na indústria e se movimentar”, considera.

Mulheres no futebol

Camila é a única mulher de sua turma de 23 pessoas no curso. “Eu já esperava que fosse fazer parte de um grupo minoritário, mas não esperava ser a única, porque em outros cursos que eu fiz no Brasil, sempre tinha mais uma ou duas”, conta.

Ser a única mulher da sala acrescentava outra dificuldade à experiência de mudar de país e de indústria. “Por mais que eu tenha me enturmado, é natural que você sinta falta de ter outra mulher ali, então você precisa sair da sua zona de conforto”, considera.

Mesmo assim, ela não vê essa dificuldade como algo que deva deixar as outras mulheres com muito receio de se candidatar à oportunidade. Ampliar a participação de mulheres no futebol, na visão dela, deve amenizar esse problema no futuro.

Ela recomenda a moças que estejam interessadas na bolsa e queiram ampliar a presença de mulheres no futebol que conversem com outras brasileiras que já tenham feito o curso, para entender melhor o que ele tem a oferecer. “O primeiro passo é entrar em contato com as pessoas, trocar ideia e entender melhor como foi a experiência delas, para tirar o bloqueio de ir para um mercado que ainda é tão masculino”, diz.

Como se candidatar

Para concorrer à bolsa para MBA em Football industries da Universidade de Liverpool, que visa ampliar a participação de mulheres no futebol, é necessário já ter concluído a graduação e ter pelo menos dois anos de experiência profissional. Mulheres sem graduação mas com mais de cinco anos de experiência profissional também podem se candidatar.

O processo de candidatura ao MBA pode ser feito online, por meio deste link, e não é necessário se candidatar separadamente à bolsa. Como parte do processo, serão solicitados os seguintes documentos:

  • Histórico acadêmico
  • Diploma da graduação
  • Comprovante de proficiência em inglês
  • Personal statement
  • Duas cartas de recomendação; uma de um professor da universidade, outra do atual empregador, em papel timbrado, assinadas e datadas;
  • CV atualizado.

De acordo com Camila, uma dica para o application é deixar claro “por que o curso é interessante e importante pro seu momento de carreira, e o que você pode oferecer para a universidade também”. As inscrições podem ser feitas até o dia 31 de julho. As aulas começam em meados de setembro.

Fonte: Estudar Fora (Fundação Estudar) via Exame, por Gustavo Sumares

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Como crear tareas en el entrenamiento de Fútbol

¿Como aumentar o disminuir la dificultad de las tareas de entrenamiento?

Las tareas en el entrenamiento son el lenguaje del entrenador para poder transmitir y producir cambios a nivel individual y colectivo sobre los sujetos con los que trabajamos. 

Uno de mis profesores en la universidad siempre decía, que las mayores herramientas que tenemos como entrenadores son la palabra y los tareas de entrenamiento. Y no le faltaba razón tras años de práctica. 

Las tareas dentro del entrenamiento son las herramientas con las que trabajamos; las herramientas con las que damos forma a las planificaciones anuales y mensuales; las herramientas para conseguir objetivos. 

Por eso, parece claro que debemos tener claro como desarrollar tareas que potencien el aprendizaje del futbolista y que muestre los comportamientos que nosotros deseamos que se produzcan. 

Sin embargo, esto es en lo que se la gran mayoría de entrenadores presentan problemas, ya que las tareas no son reflejo de una búsqueda de objetivos concretos para nuestro equipo.

En la mayoría de los casos son tareas de copia y pega  tomadas de entrenadores de elite que hemos visto en algún video o en algún libro y que seguramente no se adapten, ni sean especificas para nuestro equipo, ni modelo de juego. 

Quiero que pienses esto:

 Una tarea de 4×4 con multitud de condicionantes que podemos encontrar en algún video del Cholo Simeone con jugadores PROFESIONALES ¿Puede ser igual de válida para nuestro equipo de jugadores de 15 años que no han desarrollado aun ciertas capacidades tácticas? Espero que tu respuesta sea no. 

Hemos visto ya en el articulo sobre el Profe Ortega, como las tareas deben ser herramientas especificas y no generales, y por lo tanto esa tarea de 4×4 con 15 condicionantes tácticoss no sea la más adecuada para nuestro equipo y lo más probable es que produzca ansiedad tanto al entrenador como a los jugadores. 

Por lo tanto, si queremos resultados específicos, debemos crear situaciones especificas. Esto quiere decir no copiar situaciones generales para nuestro modelo. 

De esto hablaremos en este artículo, acerca de cómo crear tareas que se adecuen a nuestro equipo y jugadores, para poder sacar el máximo beneficio a cada tarea y conseguir el resultado deseado. 

Demandas perceptivas de una tarea

Las demandas perceptivas de una tarea son todos aquellos elementos que modifican una tarea y engloba los aspectos que pueden ser modificados para buscar uno u otro objetivo. En este sentido, podemos variar diversos elementos para dificultar o facilitar una tarea determinada. 

De esta manera encontramos que los componentes que pueden ser modificados en una tarea son:

  • Numero de jugadores que compone una tarea. 
  • El Tamaño de las tarea en cuanto a dimensiones se refiere.
  • Movilidad que se le permita a los jugadores en las zonas. 
  • La Distancia que recorren los jugadores en una tarea. 
  • La Duración de las tareas en cuento a tiempo y recuperaciones
  • La Posición en la que se situé a los jugadores
  • La luminosidad que se le de a la tarea. 

Como vemos, existen muchas variantes que harán que una tarea sea encaminada hacia un objetivo u otro, ya sea en aspectos físicos, tácticos o psicológicos. 

Una misma tarea podrá ser similar a otra, en cuanto a número de jugadores, espacio y duración, lo que seguramente tendrá un mismo efecto en la condición física. 

Pongamos por caso una tarea de 4×4 con 50×30 metros con 5 minutos de duración. 

Esta misma tarea realizada con los jugadores jugando en su posición habitual (o NO), en condiciones de poca visibilidad (jugar o no con petos de colores) y con movilidad reducida, será muy diferentes a otra en la cual los jugadores se muevan de forma libre, los equipos estén bien identificados y tengan capacidad para moverse por todo el espacio. Todo dependerá del objetivo que le queramos dar a dicha tarea. 

Umbral operante de la tarea

El umbral operante de la tarea hace referencia a la capacidad de tolerancia de la misma por parte del ejecutante, es decir, la manera en que se percibe una tarea por parte del jugador y la capacidad que tenemos como entrenadores para manipular esta tarea y por tanto su percepción. 

En este sentido hablamos sobre la generación de ansiedad en una tarea o no. Por eso debemos tener en cuenta en que punto se encuentran nuestros jugadores y plantear una tarea en función de si queremos aumentar el RETO o la HABILIDAD. 

  • Si queremos aumentar la habilidad, debemos ser capaces de aumentar de forma progresiva la dificultad de una tarea para que el jugador se vea capaz de realizar esta misma. 
  • Si queremos amentar el reto, debemos aumentar la dificultad para poner a prueba las habilidades del jugador o de los jugadores. 

Generalmente lo recomendable es aumentar las habilidades del jugador y dotar de herramientas para que se sienta seguro y posteriormente plantearles un reto para que sea capaz de ponerse a prueba con las habilidades aprendidas. 

¿De que nos sirve esto en la practica?

 Pues bien como hemos dicho antes, las tareas no solo sirven para mejorar la condición física, sino que sirven principalmente para implantar o mejorar comportamientos que nosotros buscamos en el juego. 

Ante situaciones en las que el equipo esta tocado psicológicamente por una mala racha de partidos, será recomendable plantear tareas de menor dificultad con el principal objetivo de aumentar la confianza en sus propias habilidad así como también sumar y dotas de nuevas habilidades a estos jugadores para enfrentar retos que se encontrarán en la competición. 

En este caso, plantear retos difíciles lo único que producirá serán ansiedad y falta de confianza si las tareas no no son ejecutadas de forma correcta. 

Por otro lado en equipos con una alta confianza en sus habilidades como individuos y colectivos, será recomendable plantear retos que hagan mejorar las habilidades que ya tienen de forma que se produzca una mejora de los comportamientos ya adquiridos. 

La inclusión de dificultad o la disminución de ella en las tareas será una de los factores que debemos tener en cuenta siempre según el estado de cada equipo en cada momento de la semana.

¿Como incrementar o reducir la dificultad de las tareas? 

Para incrementar o reducir la dificultad de una tarea debemos tener en cuenta como estructurar una tarea. 

En primer lugar debemos identificar un objetivo primario y algunos segundarios. En segundo lugar identificar los comportamiento núcleos de las tareas o añadir diversas subtareas antes, después o en los dos momentos. 

La tarea núcleo será la tarea que queremos que nuestro jugador o jugadores realicen de forma correcta y las subtareas serán condicionantes que colocaremos al principio o al final (o al principio y al final) para facilitar o reducir la dificultad de la misma. 

Como vimos antes, todo dependerá de la situación. 

  • Si se quiere reducir la dificultad se debe simplificar o reducir  el número de tareas, no modificar la tarea núcleo.
  • Si la tarea resultad fácil y se quiere aumentar la dificultad, se deben incrementar el numero de subtareas. 

Veamos un ejemplo para terminar. 

Pongamos por caso que en la tarea que teníamos antes de 8×8 de 50×30 con 5 minutos de duración.

El objetivo es buscar la movilidad rápida de balón y la movilidad de los jugadores. 

De esta manera la tarea núcleo será que consigan realizar 10 pases de forma seguida. 

Este objetivo puede facilitarse o dificultarse de la siguiente manera:

  • Hacer 10 pases permitiendo que el equipo contrario pueda llegar a tocar el balón hasta 2 veces, de manera que se sigan contando los pases (tarea facilitadora). 

Añadir dificultad:

  • Hacer 10 pases sin que ningún jugador contrario toque el balón. 
  • Empezar a contar los pases cuando el jugador comodín de el primer pase  + Hacer 10 pases 
  • Empezar a contar los pases cuando el jugador comodín de el primer pase  + Hacer 10 pases + el jugador comodín debe tocar el balón 3 veces durante los 10 pases. 

Como vemos existen multitud de ejemplos para modificar una tarea. Todo dependerá del objetivo que tengamos con nuestro equipo y del punto emocional y psicológico en el que estemos.

Ahora te toca a ti crear tus propias tareas.

Fonte: Efficient Football

Los Medios Resistidos y el Sprint

Hoy en día, los profesionales del Strength and Conditioningdeben conocer la metodología y planificación del entrenamiento de cualquier contenido de fuerza y velocidad. En este caso, nosotros nos vamos a centrar en revisar y exponer los principales componentes que rodean a los Medios Resistidos.

Concepto “Medios Resistidos”

Los Medios Resistidos son un método o forma de entrenamiento basados en aplicar una resistencia/sobrecarga a un movimiento o gesto deportivo a través de un trineo, paracaídas, chaleco lastrado, arena de playa y cuestas (1,2,3,4).

El Sprint

Con respecto al concepto del “Sprint“, comentar que está formado por dos fases:

  • Fase de Aceleración (expresada en m/s o m/s2): definida como el ratio de cambio en la velocidad de carrera, partiendo esta misma desde una posición estática o dinámica y que incrementa su velocidad en un corto período de tiempo (3,5,6).
  • Fase de Velocidad Máxima(expresada en m/s): determinada como el periodo en el cual se alcanza la máxima velocidad de carrera con una mínima o nula aceleración (3,5,6).

Demandas

En relación a los requerimientos durante la carrera de velocidad, se destaca lo siguiente:

  • Alta producción de fuerza horizontal hacia delante (7,8).
  • Combinación de movimientos: flexión-extensión cadera y rodilla.
  • Generación (aceleración) de grandes magnitudes de fuerza(horizontal) de reacción contra el suelo (7,8).
  • Fase de Máxima Velocidad : RFD, producción asimétrica de fuerza y fuerza máxima relativa(5).
  • Uso eficiente del CEA (5).
  • Coordinación intermuscular, los patrones de reclutamiento intramuscular y el control neuromuscular del torso (1,2,3,4).
  • Habilidad técnica para aplicar fuerza horizontal (ángulo de aplicación del GRF) (6).

Métodos de entrenamiento

Como consecuencia a lo comentado anteriormente, surgen varias propuestas de entrenamiento para mejorar y optimizar este medio de trabajo.

  1. Método basado en la relación Fuerza-Velocidad de acortamiento muscular (5): basado en la especificidad del método y su similitud con la técnica del sprint.
  2. Modalidades de entrenamiento para las cualidades de velocidad (9): sprint resistidos, sprint asistidos, sprint libres, trabajos de fuerza y pliometría.
  3. Petrakos et al., (6) enfocan dos métodos generales para la mejora del rendimiento del sprint:
    • Programas orientados haciala Fuerza y el Output de Potencia 
    • Programas orientados hacia el Output Físico (Ej, incrementando la producción de la triple extensión fuerza/potencia) y la Eficiencia del Output Físico (Ej, incrementando la aplicación de fuerza horizontal).
  4. El enfoque para aumentar la velocidad de Leyva et al. (3): entrenamiento de sprint específico junto con métodos no específicos. Entrenamiento Overload o Asistido y Overspeed o Resistido.

Tipos de Medios Resistidos

Trineo

En primer lugar, el arrastre con trineo consiste en un pequeño medio que se engancha a través de una cuerda a un arnés, y que el atleta sujeta a su cintura u hombros durante la carrera.Arrastres de Trineo

Paracaídas

El paracaídas es un elemento que se coloca tras el deportista, enganchado a la cintura del mismo.

Paracaídas

Chaleco lastrado

Los cinturones o chalecos lastrados son dispositivos que se colocan sobre el cuerpo del deportista, incrementando ligeramente el peso del mismo durante el sprint.

Chaleco lastrado

Carreras sobre arena de playa

En breves palabras, esta forma de entrenamiento se basa en desarrollar carreras de velocidad de corta distancia sobre la arena.

Carreras sobre arena

Cuestas

Por último, desarrollar carreras de velocidad de media y corta distancia sobre superficies inclinadas corresponde a los trabajos en cuesta.

Cuestas

Perfil fuerza-velocidad y fuerza-tiempo

Por un lado, el perfil fuerza-velocidad es la valoración de la manifestación de la fuerza mediante el pico de fuerza conseguido y el tiempo necesario para llegar a alcanzarlo en una acción dinámica (10).

Por otro lado, el perfil fuerza tiempo es la valoración de la manifestación de la fuerza mediante el pico de fuerza conseguido y el tiempo necesario para llegar a alcanzarlo en una acción estática o dinámica. Hablar de la curva f-t es lo mismo que hablar de fuerza explosiva o Ratio Force Development (10).

Importancia del perfil potencia-fuerza-velocidad

En relación a lo anterior, surge un concepto que se basa en relaciones de fuerza-velocidad y velocidad-potencia (11). Este perfil potencia-fuerza-velocidad lo forman una serie de variables claves (figura 1) para la optimización del rendimiento:

Árbol de decisionesFigura 1. Variables del perfil potencia-fuerza-velocidad (Morín y Samozino, 2016)
  • Los perfiles verticalesproporcionarán información sobre las capacidades físicas que se deben desarrollar para mejorar el rendimiento balístico de empuje y sobre los niveles máximos de fuerza y velocidad del sistema neuromuscular del atleta (11).
  • Los perfiles horizontalesproporcionarán información sobre el movimiento de aceleración de sprint específico y sobre qué características físicas o técnicas subyacentes limitan principalmente el rendimiento de sprint de cada individuo (11).

Claves del entrenamiento de los Medios Resistidos

  • La carga de entrenamiento debe ser similar a la usada en el entrenamiento estándar para el desarrollo de la máxima velocidad (1).
  • Los Medios Resistidos tienen características diferentes, por lo tanto, distintas adaptaciones (1,13).
  • La dirección de la resistencia aplicada al atleta es diferente dependiendo del medio resistido (diferentes efectos sobre la velocidad del atleta y la mecánica del sprint) (13).
  • Desarrollo de la Fase de aceleracióntrineo con cargas elevadas y sprint en cuesta (14).
  • Mejora de la Fase de máxima velocidad = arrastre de trineo con cargas bajas, chaleco lastrado y paracaídas (14).
  • Aumento de VTC-Pmax y/o disminución de FVimb.
  • Programa de entrenamiento diseñado para mejorar el rendimiento de la aceleración = HZT-Pmax (HZT-F0 y HZT-V0)(11).

Conclusiones de los Medios Resistidos

Para empezar, los Medios Resistidos son un método o forma de entrenamiento basados en aplicar una resistencia/sobrecarga a un movimiento o gesto deportivo a través de trineo, paracaídas, chaleco lastrado, arena de playa y cuestas. Por ello, el sprint(fase de aceleración y de velocidad máxima) será parte de estos movimientos entrenables a través de esas formas de trabajo.

Por otro lado, el sprint demanda una serie de requerimientos que deben ser organizados y planificados correctamente. Como consecuencia, surgen varias metodologías de entrenamiento: métodos basados en el perfil f-v; trabajos mediante sprints resistidos-asistidos-libres, fuerza y pliometría; programas generales orientados hacia la Fuerza y el Output de Potencia, el Output Físico y la Eficiencia del Output Físico; entrenamientos de sprint específico junto con métodos no específicos.

Finalmente, el perfil potencia-fuerza-velocidad nos proporciona información clave para la mejora del rendimiento deportivo. No obstante, revisar y organizar las demandas de cada método resistido, así como las mejores metodologías de trabajo, proporcionarán un punto de apoyo importante a los perfiles verticales y horizontales.

webinar medios resistidos

Bibliografía

  1. Alcaraz, P. E., Elvira, J. L., & Palao, J. M. (2009). Características y efectos de los métodos resistidos en el sprint. Cultura, Ciencia Deporte,4(12), 179-187.
  2. Martínez-Valencia, M. A., González-Ravé, J. M., Navarro Valdivielso, F., & Alcaraz, P. E. (2014). Efectos agudos del trabajo resistido mediante trineo: Una revisión sistemática. Cultura, Ciencia Y Deporte9(25).
  3. Leyva, W. D., Wong, M. A., & Brown, L. E. (2017). Resisted and Assisted Training for Sprint Speed: A Brief Review. Journal Physical Fitness, Medicine & Treatment in Sports, 1(1).
  4. Cross, M. R., Lahti, J., Brown, S. R., Chedati, M., Jimenez-Reyes, P., Samozino, P., … & Morin, J. B. (2018). Training at maximal power in resisted sprinting: Optimal load determination methodology and pilot results in team sport athletes. PloS one13(4).
  5. Alcaraz, P. E., Carlos-Vivas, J., Oponjuru, B. O., & Martínez-Rodríguez, A. (2018). The effectiveness of resisted sled training (RST) for sprint performance: a systematic review and meta-analysis. Sports Medicine, 1-23.
  6. Petrakos, G., Morin, J. B., & Egan, B. (2016). Resisted sled sprint training to improve sprint performance: A systematic review. Sports Medicine46(3), 381-400.
  7. Morin, J. B., Petrakos, G., Jiménez-Reyes, P., Brown, S. R., Samozino, P., & Cross, M. R. (2017). Very-heavy sled training for improving horizontal-force output in soccer players. International Journal of Sports Physiology and Performance12(6), 840-844.
  8. Morin, J. B. (2018). Improving acceleration performance in football players. JBMorin. Recuperado de https://jbmorin.net/2018/08/11/improving-acceleration-performance-in-football-players/
  9. Rumpf, M. C., Lockie, R. G., Cronin, J. B., & Jalilvand, F. (2016). Effect of different sprint training methods on sprint performance over various distances: A brief review. Journal of Strength and Conditioning Research30(6), 1767-1785.
  10. González-Badillo, J. J. y Ribas-Serna, J. (2002). Bases de la programación del entrenamiento de la fuerza. INDE: Barcelona.
  11. Morin, J. B., & Samozino, P. (2016). Interpreting power-force-velocity profiles for individualized and specific training. International Journal of Sports Physiology and Performance11(2), 267-272.
  12. Alcaraz, P. E., Palao, J. M., Elvira, J. L. L. & Linthorne, N. P. (2008). Effects of three types of resisted sprint training devices on the kinematics of sprinting at maximum velocity. Journal Strength Conditioning Research, 22(3), 890-897.
  13. Martínez-Valencia, A. (2013). Efectos agudos del entrenamiento resistido con arrastre de trineo. (Tesis Doctoral). Universidad de Castilla-La Mancha.

Fonte: Mundo Entrenaniento por Iván Sotelo Besada

O imediatismo e a crise técnica/tática do futebol brasileiro

Todo ano é a mesma história. Reportagens e reportagens em todos os veículos de comunicação com as estatísticas atualizadas do número de técnicos demitidos por rodada dos campeonatos estaduais, regionais, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro. É de domínio público as consequências econômicas da dança dos técnicos nos cofres dos clubes brasileiros. Clubes quebrados, grande parte do seu endividamento resultado do inchaço das folhas de pagamentos com treinadores já demitidos e jogadores trazidos por estes que já não se encaixam nos planos da nova comissão técnica. Há casos de clubes pagando salários para 2-3 treinadores ao mesmo tempo. Esse entra e sai de jogadores e treinadores eleva salários, luvas e premiações já que cria-se uma cultura onde naturalmente estes tentam se proteger, amarrando contratos que tragam algum tipo de garantia financeira no caso de uma possível, ou melhor, provável demissão. A face mais feia desse fenômeno, porém não é a penúria financeira dos clubes mas a ausência de algo que poderia ser.

Muito se questiona a qualidade do futebol brasileiro. No geral tende-se a uma generalização nos seguintes termos. Num misto de realismo, pessimismo e saudosismo se conclui que já não produzimos jogadores como antigamente. Jogadores já não demonstram o domínio e predileção pelo drible como recurso técnico dominante. Pontas mais preocupados em defender que atacar. Atacantes que não sabem fazer gol. Os poucos bons representantes de um passado distante dos tempos áureos do futebol brasileiro, onde jogadores bons tecnicamente nasciam em árvores (às pencas), tomam os rumos da Europa precocemente, ao menor lampejo de algo que indique um futuro promissor, muitos antes mesmo de atingirem o nível profissional em solo brasileiro. Ainda que fruto de generalização não se pode negar que essas afirmações não representem a percepção corrente da realidade futebolística atual. Em suma, continuamos bons produtores de matéria prima, porém a qualidade do futebol praticado no Brasil piorou substancialmente. Difícil apontar o gênesis do problema. Porém, é inegável o fato de que não há o menor incentivo para que treinadores busquem a prática de um futebol mais ofensivo. Um futebol onde equipes lancem-se ao ataque com números; busquem a posse de bola a todo custo; invistam na prática de construção de jogadas; enfim joguem para ganhar e não para não perder. O imediatismo leva ao conservadorismo e simplismo no que se refere a como os técnicos visualizam e promovem a prática do futebol. E o resultado e a falta de qualidade do espetáculo apresentado as terças, quartas, sábados e domingos.

Nos últimos anos, principalmente depois da Copa do Mundo do Brasil em 2014, acentuou-se o questionamento sobre o preparo e atualização dos treinadores brasileiros. Resultado prático dessa dinâmica é a verdadeira caça a bruxa a treinadores, principalmente aos veteranos, gradativamente escanteados no mercado e substituídos por uma nova geração de treinadores “estudiosos”. Nesse sentido vale mencionar um reflexo positivo dessa dinâmica pós-Copa que é o surgimento de uma cultura onde o preparo acadêmico e conhecimento teórico entre treinadores de futebol é valorizado, e oportunidades de aperfeiçoamento profissional no conhecimento tático do jogo, metodologia e pedagogia estão disponíveis. A criação de uma escola para treinadores na CBF foi um marco. Isso em si é um imenso passo na evolução do nosso futebol, uma vez que, com algumas décadas de atraso, o Brasil se equipara a vários países europeus, a Argentina e aos EUA, que já propagam e celebram o “coaching education” há tempos. De qualquer forma, apesar dessa renovação no quadro de treinadores não conseguimos ver uma melhora significativa na qualidade do futebol apresentado. Evidentemente estamos analisando um período curto de tempo mas já não seria razoável esperar uma melhora na qualidade do jogo dada a substancial renovação no quadro de treinadores e a presença da nova geração nas principais divisões do nosso futebol? Ainda que para muitos a resposta seja um gritante sim, o fato é que por melhor que seja o treinador, o instinto de sobrevivência é da natureza humana, e esse instinto (na grandíssima maioria dos casos) se sobrepõe a qualquer aspiração ou filosofia de um jogo mais ofensivo.

Por instinto treinadores jogam para não perder, assim podem manter seu emprego pelo maior tempo possível. Propaga-se então a prática de um futebol reativo, onde equipes, como estratégia fundamental, se especializam em posicionar 10 ou 11 jogadores atrás da linha da bola em sua metade defensiva do campo, na expectativa de roubá-la ou interceptá-la, e numa transição rápida para o ataque, criar chances de gol. Mas e se dois oponentes são adeptos desse mesmo tipo de jogo??? Reside aí a essência da falta de qualidade no futebol brasileiro. A rigor, quando focadas a jogar um futebol propositivo, equipes que não dominam essa capacidade, praticam um futebol inconsistente quando em posse de bola, o que significa incapacidade de reter a bola por longos períodos de tempo (principalmente posse de bola em direção ao gol adversário na metade e terço ofensivos do campo), incapacidade de penetrar linhas defensivas compactas, assim criando chances de gol – frutos de jogadas construídas. Mas o que é o futebol propositivo? É o futebol onde uma equipe tem como estratégia fundamental o domínio da posse de bola para construção de jogadas (build up), seja no seu terço defensivo, no terço central ou no terço ofensivo, evidentemente dependendo do tipo da marcação imposta pelo adversário. Recentemente escrevi um artigo que discute importantes elementos do futebol propositivo (“Quebrando as linhas de quatro”). Que fique claro que a prática do futebol propositivo não significa um completo desprezo pela fase defensiva ou por um jogo de contra ataque (alternativa para situações específicas – não regra). Nesse sentido vale mencionar que uma equipe que propõe o jogo e consequentemente domina a posse de bola no campo do adversário, precisa desenvolver mecanismos para defender o grande espaço disponível a um contra ataque adversário, ou seja, ajustes táticos são imperativos. Pode-se argumentar que esse tipo de tática defensiva leva muito mais tempo para ser implementada quando comparada a estratégia de se defender no seu terço defensivo, tempo que os treinadores não possuem…

É fato que destruir é mais fácil que construir. Nessa lógica, o desenvolvimento de um jogo construtivo é muito mais complexo, requer tempo, novamente o tempo que a dinâmica do futebol moderno não oferece. Em um mundo ideal, mais paciência e coerência na gestão do futebol (convergência entre filosofia do clube e do treinador, entre outras coisas) criariam condições para que treinadores, hipoteticamente com mais tranquilidade para desenvolverem seu trabalho, tivessem mais propensos a prática de um futebol mais propositivo, o que potencialmente resultaria num futebol mais agradável aos olhos. Isso posto, não seria justo por 100% do ônus da questionada qualidade do futebol na conta de dirigentes e gestores e da precária macro estrutura dos clubes. Treinadores têm sua parcela de culpa. A noção de que a baixa capacidade técnica dos jogadores não permite um jogo mais ofensivo é uma espécie de muleta para os treinadores. A opção por um jogo de contra ataque é ancorada na premissa de que “não se faz limonada sem limões”. Mas essa corrente de pensamento desconsidera uma das funções primordiais de um treinador, que é a de professor. E professor ensina ou deveria ensinar. Já ouvi muitas referências ao mestre Tele Santana, adepto da constante prática de repetições de fundamentos técnicos em treinamentos. Mas pode-se ensinar técnica no nível profissional? Questionável. No máximo se aprimora. E mesmo o aprimoramento é limitado nesse estágio de desenvolvimento motor e cognitivo do ser humano. Se um treinador porém consegue criar situações em treinamentos onde haja oportunidades de repetir uma técnica no contexto do jogo, onde estejam presentes pressão e direção, o aperfeiçoamento da técnica se torna plausível, pois nessa dinâmica não está em questão a técnica em si mas a aplicação dela num contexto tático. Futebol não é ginastica olímpica onde a técnica é a razão de ser do esporte, onde a técnica é o fim. No futebol a técnica é o meio através do qual se atinge o fim, o objetivo final, o gol.

Absolutamente não desmerecendo ou descontando a importância da técnica no futebol profissional, as lições a que me refiro no caso do treinador/professor são mais de cunho tático. Tática no sentido de fazer entender os elementos de ataque (penetração, suporte, mobilidade, lateralidade, profundidade/amplitude e improvisação), defesa (pressão, cobertura, equilíbrio e compactação) e transição, e especialmente do papel do treinador em auxiliar os jogadores na tomada de decisões em caráter individual e coletivo. Esse tomada de decisão se eficiente concede a um jogador a dádiva do tempo e espaço. Um jogador que sabe se posicionar bem (em relação ao gol, adversários imediatos e periféricos, e companheiros imediatos e periféricos), necessariamente ganha segundos ou milésimos de segundo a cada jogada, ganha metros ou centímetros a cada jogada, o que em larga escala compensa a limitação técnica. Essa equação aplicada em uma equipe tem um efeito multiplicador, uma vez que sinergias são criadas e um mais um se torna mais que dois.

O caminho de reconstrução do futebol brasileiro como espetáculo passa por uma revisão dessas dinâmicas.

*Paulo Canineu Neto é um dos diretores técnicos da Pennsylvannia West Soccer Association, braço estadual da Federação Americana de Futebol (United States Soccer Federation). Neto é Bacharelado em Educação Física e Gerenciamento Esportivo (Union College) com Mestrado em Administração (Lincoln Memorial University). Neto possui a Licença “A” da USSF e a Licença “A” da UEFA. Antes de mudar para os EUA, Neto jogou profissionalmente pelo EC Sao Bento (Sorocaba) e nas categorias de base de Corinthians (pré-infantil aos aspirantes) e Fluminense (juniores e profissional).

Fonte: Universidade do Futebol por Paulo Canineu Neto*

O treino psicológico… como podemos incluí-lo no treino

sem título

Bom dia caro Leitor,

Treino, quando falamos nesta palavra, muitas vezes o nosso pensamento direciona-se predominantemente para conteúdos referentes à vertente física técnica e tática. Bem… se o treino desportivo é constituído por quadro áreas complementares e integradas – Físico, Técnico, Tático e Psicológico – como poderemos então integrar no Programa de Treinos Anual, esta última vertente?  É aplicável? Como se Aplica? Em que momentos? Fazemos de forma integrada no treino ou individual? Mas então o Psicólogo não é só no gabinete a dar consultas? Como forma de responder ás questões, desafio-me a criar um possível diálogo entre um Técnico em Psicologia do Desporto que está integrado na equipa e o Treinador.

Para isso começo com a citação de Buceta (1998),“A intervenção psicológica no mundo dos desportos competitivos pode ajudar a optimizar o desempenho do atleta em sessões de treino, garantindo que o tempo gasto no treinamento seja aproveitado ao máximo possível.”

A intervenção Psicológica, como uma das áreas do treino desportivo, melhora e prepara o atleta para corresponder de forma mais eficaz e completa aos estímulos presentes na competição. E para que assim se suceda, é necessário treino de:

  • aprendizagem;
  • repetição;
  • exposição aos estímulos da competição.

Exatamente da mesma forma que o treino técnico, físico e tático. Porém, ainda existe alguma relutância por parte de alguns treinadores e até mesmo atletas, sendo a sua principal causa o desconhecimento do trabalho e das consequências favoráveis do mesmo. Vamos então criar aqui um diálogo com entre um consultor em Psicologia Desportiva e um Treinador que apresenta alguma relutância ao trabalho Psicológico. O cenário tem como pano de fundo a modalidade de Basquetebol, tratando-se de um caso real.

A Reunião decorre no período da manha antes do treino e o objetivo do consultor passa por expor a importância do treino alternativo como um método eficaz para a melhoria das capacidades do atleta.

Treinador: Bom dia! O que temos hoje de novo? Na sessão a anterior acabámos o programa para eu melhorar as minhas capacidades Psicológicas. Gostei. Sinto-me mais capaz, essencialmente em momentos de tensão, em que estamos a perder. Antes revoltava-me e perdia capacidade de observar e tomar as melhores decisões para a equipa. Ah e passava o stress para eles. Agora tenho as ferramentas que definimos para manter o meu foco no presente e regular a ativação. Espectáculo. Que temos mais?

Técnico Psicologia Desportiva: Bom dia Coach!! Vejo que está cheio de motivação e fico muito satisfeito por essa evolução. Através dos meus registos de observação e análise de vídeos da competição consegui verificar que de facto está com um nível de controlo superior. Parabéns por todo o seu compromisso! Hoje falo-lhe de conteúdos associados ao planeamento de treino. Sabe, já trabalho com  a equipa á algum tempo e uma das situações que considero importante implementarmos são os treinos complementares. Ou seja, aquelas atividades individuais que permitam o atleta incorporar, melhorar, eliminar ou consolidar comportamentos que consideramos relevantes para o seu rendimento. Isso fará com que haja um aumento de adesão do atleta a todo o processo pois, ele sente-se útil, com conteúdos de desempenho para treinar e percebe que pode evoluir. Quando abordo isto falo não apenas de ações técnicas, mas também de treino de habilidades Psicológicas.

Treinador: Bem, não estou a perceber bem. Estamos a falar de sessões fora do treino coletivo em que definirei, individualmente necessidades que pretendo incorporar, melhorar, eliminar e consolidar? Essa avaliação já fizemos em equipa técnica e trabalhamos sobre isso no treino coletivo. Não vejo qual a necessidade de estarmos a dar mais este momento. Percebe, entre o útil e o agradável, não sei se me compensa acrescentar isso. Por exemplo, o Peter… que queres que lhe acrescente se a nivel técnico ele tem tudo. Olha-me aquele tiro exterior!!!! Sabes disso.

Técnico Psicologia Desportiva: Sem dúvida, o Peter é um óptimo exemplo, tem o gesto técnico perfeito como diz o Coach e a sua eficácia sem oposição/ com oposição passiva (aprendizagem) ou com oposição activa ( aproximação do treino aos estímulos do jogo) é elevada. Porém pense nos jogos decisivos que tivemos. Nas fases finais dos jogos foi sempre ele o decisor, a equipa passou-lhe a bola para ele decidir e ele não conseguiu ser eficaz!

Perdeu a capacidade técnica nesse momento? Claro que não, o jogo é que apresenta variáveis que são necessárias ser treinadas juntamente com a vertente técnica. Este treino alternativo de repetições pode ser no caso do Peter. Repetir a ação técnica em que é forte. Para manter a habilidade! Porém este treino… que terá objetivos de desempenho e resultado trará algumas variáveis como:

  • frustração,
  • desconcentração,
  • stress

E isso também pretendemos treinar! O Peter já aprendeu as habilidades Psicológicas. Agora necessita de repeti-las para consolidar, aproximá-las do contexto de competição para  estar apto para as aplicar em competição.

Treinador: Estou a perceber. Ou seja. Do treino Psicológico que fizeste com eles pensas que é mais eficaz apresentar um treino complementar que vá individualmente ás necessidades do atleta e criar conteúdos… mesmo que o conteúdo técnico esteja consolidado para ajudar a consolidar as estratégias que trabalharam contigo na fase de aprendizagem.

Técnico Psicologia Desportiva: Nem mais!

Treinador: Como fazemos isto?

Técnico Psicologia Desportiva: O treino complementar divide-se em quatro momentos específicos. Mas atenção isto tem de ser um processo onde o nosso conhecimento dos comportamentos a manter, consolidar, eliminar e incorporar estejam muito bem identificados e isso já temos.

Como estava a dizer são 4 os momentos:

  • Aprendizagem  de habilidades e comportamentos relevantes;
  • repetição desses comportamentos;
  • prática e exposição ás condições desportivas
  • preparação especifica.

Vamos dar o exemplo do Peter.

A fase de aprendizagem do lançamento exterior (técnico), bem como das habilidades Psicológicas fundamentais estão apreendidas).

Vamos agora passar para a fase de repetição… temos de refletir sobre quantos momentos semanais… um talvez? Temos de falar com o preparador físico. Aqui vamos potenciar os conteúdos em que ele é forte tecnicamente mas colocando objetivos de desempenho e variáveis que possam provocar desconcentração, stress e frustração para que ele consolide as técnicas aprendidas na fase anterior comigo . Atenção nesta fase é importante termos em conta que:

  1. os objetivos de desempenho são prioritários mas temos de colocar também de resultado, para termos alguma aproximação aos estímulos emocionais do jogo;
  2. devemos usar gravações (para basearmos as análises de desempenho através de factos);
  3. ter em conta o feedback através do reforço e punição;
  4. trabalhar a tolerância á dor e fadiga este é um processo que desafia e exige superação por parte do Peter, por isso é essencial direcionar a atenção para a execução e instrução e não para a dor e fadiga;
  5. e algo que considero essencial: Os registos de informação: perceber qualitativamente o que o atleta sentiu no decorrer do treino e a percepção do mesmo perante o processo.

Após este processo de repetição, em que temos de planear o número de sessões, sendo o mesmo adaptável no decorrer do processo, passamos para a prática em condições de competição.

Esta fase já integrada no programa de treinos de grupo. Pois as habilidades já foram consolidadas estando em condições de serem aplicadas nos momentos que já temos nesta fase da época, como:

  • Treino conjunto com atletas de um ambiente diferente (convidar equipas de fora ou de outro escalão do mesmo clube);
  • simulação de competições em treinos normais;
  • aproximação a situações de competição através de situações análogas (exercícios reduzidos mas que aproximem os comportamentos aos da competição);
  • prática de visualização mental para antecipar cenários de competição.

Por fim, a preparação para a competição que ja fazemos. Com o primeiro momento fora do campo, analisando a competição, avaliar o adversário, os nossos recursos e definir a estratégia e o segundo periodo dentro do campo, ou seja, a prática. Como vez, este processo de treino psicológico  dá para ser integrado  tudo o que já fazemos.

Treinador: Falamos com o Preparador físico, desenvolvemos o programa e vamos a isso!

Considerações Finais: Vou ser muito breve pois o único aspecto que pretendo destacar ao leitor é que, com este diálogo pretendi dar a conhecer o que um técnico em Psicologia do Desporto faz integrado numa equipa técnica, ou num clube. O objetivo é trabalhar de forma integrada, incluindo no programa de treino os seus conteúdos de trabalho. Para isso é necessário que haja total abertura de toda a equipa técnica para um trabalho que deve ter como base a Multidisciplinaridade. Todo este trabalho como qualquer outro, seja técnico físico ou tático deve incluir sempre as seguintes fases: Aprendizagem das habilidades; Repetição das habilidades; Aproximação das habilidades ao contexto de competição e Preparação para a competição.

Fonte: Futebol de Formação por Luis Parente

A importância dos treinamentos realizados na pré-temporada

No período de férias dos jogadores são verificados efeitos negativos na composição corporal (por exemplo, aumento do percentual de gordura e redução da massa livre de gordura) (1), no desempenho de sprints com e sem mudanças de direção, e na potência muscular. Os efeitos de destreinamento também são evidentes para os resultados de parâmetros fisiológicos e de desempenho relacionados à resistência, com decréscimos no consumo máximo de oxigênio (V̇O2máx) e no desempenho da corrida intermitente (2). Os autores dessa revisão sistemática defendem que o período de férias precisa ser percebido como uma janela de oportunidade para os atletas se recuperarem e se “reconstruirem” para o início da temporada seguinte, que é iniciada com uma pré-temporada (2).

Sendo assim, um recente estudo avaliou prospectivamente o efeito do nível de condicionamento físico adquirido na pré-temporada sobre a taxa de lesões que ocorriam durante a temporada competitiva de jogadores de futebol profissional. As avaliações de desempenho no salto vertical, teste de flexibilidade, sprintsrepetidos e V̇O2máx foram realizadas antes e após 6 semanas de pré-temporada. Os atletas foram monitorados nas 40 semanas seguintes durante a temporada competitiva por 2 anos consecutivos. Com isso, os atletas que não se lesionaram tiveram melhorias significativas no VO2máx durante o período de treinamento na pré-temporada (10% ± 7%, p < 0,05; tamanho do efeito grande = 0,99), enquanto que os atletas lesionados tiveram alterações de 1% ± 6% (tamanho do efeito pequeno = 0,19). Os autores enfatizam a importância do treinamento de alta qualidade na pré-temporada de jogadores profissionais de futebol, não apenas para melhorar o condicionamento físico, mas também (entre outros fatores) para prevenir lesões durante a temporada que está para iniciar (3). Concordando com esses achados, outro estudo, agora com jovens jogadores de futebol da NCAA Division I, verificou que os níveis de capacidade aeróbica da pré-temporada foram preditores das lesões que ocorreram durante a temporada competitiva (VO2máx dos lesionados = 57,7 mL·kg·min Versus VO2máx dos não lesionados = 63,4 mL·kg·min; p < 0,05) (4).

Devido à natureza de condicionamento físico concomitante do esporte, as abordagens para treinamento de força com abordagens combinadas de treinamento intervalado de alta intensidade podem constituir uma boa estratégia dentro de um processo periodizado no futebol (5). Estes autores ainda sugerem que os jogadores profissionais precisam aumentar significativamente sua força para obter pequenas melhorias em certas ações baseadas em corrida (sprint e velocidade com mudanças de direção). Sendo que o treinamento de força e potência induz maiores melhorias de desempenho nas ações de salto do que nas atividades baseadas em corrida, e esses resultados variam de acordo com a tarefa motora [por exemplo, maiores melhorias na aceleração (10 metros iniciais de um sprint) do que na velocidade máxima (atingida próxima do final ou no final de 40 metros de sprint) e salto agachado (SJ) do que em ações baseadas em salto com contra-movimento]. No que diz respeito aos métodos de treinamento de força e potência, o treino de musculação de alta intensidade parece ser mais eficiente que o treino com intensidade moderada (hipertrófico). A partir de uma perspectiva de frequência de treinamento, duas sessões semanais de treinamento de força e potência são suficientes para significativa melhora durante a pré-temporada, com os programas de treino incorporando exercícios visando a eficiência de atividades do ciclo alongamento-encurtamento e ações baseadas na força específica do futebol (5).

Desta forma, os achados da literatura apontam para a importância dos treinamentos realizados na pré-temporada ao gerar resultados relacionados a redução do risco de lesão e a otimização do rendimento esportivo.

Como buscar esses resultados diante de um calendário que disponibiliza um tempo insuficiente para uma pré-temporada, eis a questão.!?

REFERÊNCIAS:

  1. Requena B, García I, Suárez-Arrones L, Sáez de Villarreal E, Naranjo Orellana J, Santalla A. Off-season effects on functional performance, body composition, and blood parameters in top-level professional soccer players.  J Strength Cond Res 2017 Apr;31(4):939-946.
  2. Silva JR, Brito J, Akenhead R, Nassis GP. The transition period in soccer: a window of opportunity. Sports Med 2016 Mar;46(3):305-13.
  3. Eliakim E, Doron O, Meckel Y, Nemet D, Eliakim A. Pre-season fitness level and injury rate in professional soccer – a prospective study. Sports Med Int Open 2018 Aug;2(3):E84-E90.
  4. Watson A, Brindle J, Brickson S, Allee T, Sanfilippo J. Preseason aerobic capacity is an independent predictor of in-season injury in collegiate soccer players. Clin J Sport Med 2017 May;27(3):302-307.
  5. Silva JR, Nassis GP, Rebelo A. Strength training in soccer with a specific focus on highly trained players. Sports Med Open2015 Apr;1(1):17.

Fonte: Load Control por João Gustavo Galdino

Lesões no futebol: estaria inadequado o volume de treinamento com distâncias percorridas em alta intensidade?

A carga de treinamento aplicada no atleta tem sido relatada como um potencial fator de risco para uma lesão subsequente no futebol (1). Por outro lado, essa mesma carga de treinamento é a responsável por desenvolver mecanismos protetores contra lesões e pelo desenvolvimento da performance esportiva (2). Diante dessa situação paradoxal, podemos adicionar o fato do calendário competitivo apresentar uma alta frequência de jogos onde os jogadores são frequentemente obrigados a jogar partidas consecutivas com intervalo de recuperação de 3 dias. Essa frequência de jogos aumentada, também conhecido como calendário congestionado, pode aumentar o risco de lesões (1). Além disso, um elevado número de dias de treino e jogos perdidos devido às lesões demonstrou ser prejudicial para o sucesso dos clubes nos campeonatos disputados (3, 4).

Nos últimos anos tem ocorrido um aumento notável da quantidade de distâncias percorridas em alta velocidade nas partidas de futebol, mesmo com a manutenção ou a redução das distâncias totais percorridas (5). Paralelamente, as lesões nos isquiotibiais aumentaram 4% ao ano no futebol, resultado de uma análise longitudinal de 13 anos nos clube de elite da UEFA (6). Dentro do contexto específico do futebol, outro fator que teve um crescimento notado foi a utilização nas sessões de treinamento dos jogos com campo reduzido (7). Diante da interação desses vários fatores, um recente estudo abordou a relação da corrida de alta intensidade com o risco de lesão no futebol (8), colocando a seguinte questão: qualidades físicas bem desenvolvidas podem reduzir o risco de lesão?

Os autores responderam essa pergunta ao executar um estudo prospectivo observacional ao longo de 48 semanas em uma temporada competitiva na elite do futebol europeu (2015/2016; Liga Nos, Portugal). Todos os 37 jogadores profissionais participantes tiveram as suas cargas de treinamento quantificadas nos treinos e jogos pelas distâncias percorridas em alta intensidade (coletada por dispositivo GPS; > 14,4 km/h e > 19,8 Km/h) e pela percepção subjetiva de esforço (PSE) (coletada por um sistema online; PSE x duração da sessão), sendo analisadas de forma semanal. A capacidade aeróbica dos jogadores foi avaliada durante cada fase da temporada pelo teste de aptidão intermitente 30-15 (30-15TAI). Os principais resultados foram: os jogadores que completaram volumes MODERADOS de distâncias percorridas em alta intensidade apresentaram risco de lesão reduzido em comparação ao grupo com volumes BAIXOS de distâncias percorridas em alta intensidade. Além disso, o risco de lesão foi maior para os jogadores que tiveram grandes incrementos de volumes semanais nas distâncias percorridas em alta intensidade. Os jogadores que tiveram cargas crônicas de treinamento (a média da carga de treino de 21 dias) mais elevadas (≥ 2584 unidades arbitrárias; UA) apresentaram risco de lesão significativamente menor quando percorreram distâncias em alta intensidade 1 vez por semana de 701 a 750 metros em comparação ao grupo com menos de 674 metros percorridos. Os jogadores com baixa capacidade aeróbica no teste 30-15TAI tiveram um maior risco de lesão do que os jogadores com melhor desempenho. Os autores concluíram que o risco de lesão era aumentado para os atletas que apresentavam: 1) um rápido incremento semanal nas distâncias percorridas em alta intensidade; 2) elevadas cargas crônicas, mas com volumes BAIXOS de distâncias percorridas em alta intensidade; 3) baixa capacidade aeróbica. No presente estudo as qualidades físicas bem desenvolvidas reduziram o risco de lesão em jogadores profissionais de futebol, sendo ainda requerido um volume ótimo de treinamento, pois os autores sugeriram a existência de uma curva em forma de U entre a carga de treino com distâncias percorridas em alta intensidade e o risco de lesão. Adicionalmente, recomendaram que os Treinadores devem procurar expor seus atletas a períodos de treinamento que ofereçam a possibilidade de atingir as altas velocidades de sprint, por meio de; jogos com campo reduzido de grandes dimensões ou de exercícios de corrida em linha reta com potencial para os atletas atingirem essas velocidades (8).

Como estão os volumes de distâncias percorridas em alta intensidade dos seus atletas?

REFERÊNCIAS:

  1. Malone S, Owen A, Newton M, Mendes B, Collins KD, Gabbett TJ. The acute:chonic workload ratio in relation to injury risk in professional soccer. J Sci Med Sport 2017 Jun;20(6):561-565.
  2. Gabbett TJ. The training-injury prevention paradox: should athletes be training smarter and harder? Br J Sports Med 2016 Mar;50(5):273-80.
  3. Arnason A, Sigurdsson SB, Gudmundsson A, Holme I, Engebretsen L, Bahr R. Physical fitness, injuries, and team performance in soccer. Med Sci Sports Exerc 2004 Feb;36(2):278-85.
  4. Hägglund M, Waldén M, Magnusson H, Kristenson K, Bengtsson H, Ekstrand J. Injuries affect team performance negatively in professional football: an 11-year follow-up of the UEFA Champions League injury study. Br J Sports Med2013 Aug;47(12):738-42.
  5. Barnes C, Archer DT, Hogg B, Bush M, Bradley PS. The evolution of physical and technical performance parameters in the English Premier League.  Int J Sports Med 2014 Dec;35(13):1095-100.
  6. Ekstrand J, Waldén M, Hägglund M. Hamstring injuries have increased by 4% annually in men’s professional football, since 2001: a 13-year longitudinal analysis of the UEFA Elite Club injury study. Br J Sports Med2016 Jun;50(12):731-7.
  7. Djaoui L, Chamari K, Owen AL, Dellal A. Maximal Sprinting Speed of Elite Soccer Players During Training and Matches. J Strength Cond Res 2017 Jun;31(6):1509-1517.
  8. Malone S, Owen A, Mendes B, Hughes B, Collins K, Gabbett TJ. High-speed running and sprinting as an injury risk factor in soccer: can well-developed physical qualities reduce the risk? J Sci Med Sport 2018 Mar;21(3):257-262.

Fonte: Load Control por João Gustavo Claudino

Futebol Feminino: os jogos com campo reduzido não permitiram alcançar estímulos de alta intensidade similares aos de jogos internacionais.

O Futebol Feminino que tanto nos orgulha desde 1986, participando de todas as edições da Copa do Mundo e dos Torneios de Futebol dos Jogos Olímpicos. Coroando isso tudo, temos a Rainha Marta, a melhor jogadora do mundo de todos os tempos, nossa camisa 10 foi eleita por 5 anos consecutivos pela FIFA (de 2006 a 2010) como a melhor jogadora de futebol do planeta, conquistando agora em 2018 o título pela sexta vez (1). Outra grande conquista para nossas atletas, a partir de 2019 todas as equipes que disputam as competições da Conmebol terão suas equipes femininas, o que levou aos clubes Brasileiros a ampliarem o investimento ou até mesmo a criarem as suas equipes femininas (2).

Na área científica também estamos em crescimento, onde podemos destacar 2 estudos publicados pelo grupo liderado pelo Fisiologista da Seleção Brasileira Principal, o Prof. Dr. Guilherme Passos Ramos, que verificaram o perfil de atividades (3) e o padrão de movimento (4) de atletas das Seleções Brasileiras Femininas. No estudo que verificou o perfil das atividades das atletas, os dados foram coletados por GPS em partidas oficiais internacionais das categorias Sub17, Sub20 e Principal. Neste estudo foram analisadas as seguintes variáveis: distância total percorrida, distâncias percorridas em alta intensidade (15,6 – 20 km/h e > 20 km/h), número de acelerações (> 1 ms2), desacelerações (> -1 ms2) e o Player Load. Os autores reportaram que  geralmente ocorreram aumentos na magnitude das variáveis analisadas com o aumento das faixas etárias (resultados da Sub17 foram menores em relação a Sub20 que por sua vez, foram menores que da Principal). No segundo estudo, mais uma vez utilizando GPS foi analisado o padrão de movimento das atletas (agrupadas por posição) durante o Campeonato Sul-Americano Sub20. Os autores verificaram que as atletas percorreram em média 8675 ± 663 metros durante os jogos internacionais, sendo que as laterais e as atacantes percorreram uma distância total e as distâncias em alta intensidade maior do que as zagueiras e as meio-campistas. Desta forma, esses achados podem ser utilizados para estabelecer exercícios de condicionamento específicos de acordo com categorias (faixa etária), bem como das posições das atletas (3, 4).

Dando continuidade ao tema que apresentamos na semana passada, temos um estudo realizado com atletas australianas de elite onde investigaram o padrão de movimento de treinamentos realizados com jogos em campo reduzido e compararam esses com jogos em competições de nível regional, nacional e internacional (5). O padrão de movimento analisado foi composto pela demanda de sprints repetidos em relação à duração dos sprints, número de repetições de sprint, duração da recuperação e intensidade da recuperação. Os jogos em campo reduzido foram de três contra três e cinco contra cinco, os jogos regionais contra times masculinos (n = 10), os jogos da liga nacional australiana (n = 9) e os jogos internacionais (n = 12). Os resultados deste estudo demonstram que o treinamento com jogos em campo reduzido podem ser usados para simular efetivamente os padrões gerais de movimento da competição nacional, nacional e internacional. No entanto, o treinamento com jogos em campo reduzido não simularam as demandas de alta intensidade e sprints repetidos da competição internacional. De uma perspectiva prática, o treinamento com jogos em campo reduzido devem ser complementados com treinamento específico para que simule as demandas de alta intensidade e sprints repetidos da competição. Ressaltando que embora o treinamento com jogos em campo reduzido utilizado neste estudo não tenha alcançado as demandas de alta intensidade e sprints repetidos conforme solicitado em jogos internacionais, deve ser reconhecido que o treinamento com jogos em campo reduzido (aplicados neste estudo) foram projetados especificamente para desenvolver habilidades técnicas e uma maior compreensão e consciência tática, ou seja, captura, passagem e manutenção de posse em pequenos espaços de trabalho e compreensão tática, sendo que várias bolas poderiam utilizadas para garantir a continuidade do jogo. Os autores sugerem ainda que os treinadores podem modificar o conteúdo e a natureza do treinamento com jogos em campo reduzido (por exemplo, modificando as dimensões do campo e regras, números de jogadores e número de bolas) para aumentar as demandas fisiológicas e mecânicas do estímulo de treinamento. Além disso, o uso de “um-contra-um” e de estratégias em que os defensores marcam continuamente o mesmo atacante podem aumentar as exigências de sprint repetidos no treino, levando os jogadores a correrem na defesa, se recuperem rapidamente e, em seguida, montarem um contra-ataque efetivo (5).

Continuemos ampliando essa discussão e para finalizar, vamos dar um salve para o nosso futebol feminino…

 

REFERÊNCIAS:
  1. https://pt.wikipedia.org/wiki/Sele%C3%A7%C3%A3o_Brasileira_de_Futebol_Feminino
  2. http://www.conmebol.com/pt-br/futebol-feminino
  3. Ramos GP, Nakamura FY, Penna EM, Wilke CF, Pereira LA, Loturco I, Capelli L, Mahseredjian F, Silami-Garcia E, Coimbra CC. Activity profiles in U17, U20 and senior women’s Brazilian National soccer teams during international competitions: Are there meaningful differences? J Strength Cond Res 2017 Jul 31. doi: 10.1519/JSC.0000000000002170.
  4. Ramos GP, Nakamura FY, Pereira LA, Junior WB, Mahseredjian F, Wilke CF, Garcia ES, Coimbra CC. Movement patterns of a U-20 National women’s soccer team during competitive matches: influence of playing position and performance in the first half. Int J Sports Med 2017 Sep;38(10):747-754.
  5. Gabbett TJ, Mulvey MJ. Time-motion analysis of small-sided training games and competition in elite women soccer players. J Strength Cond Res 2008 Mar;22(2):543-52.

Fonte: Load Control por João Gustavo Claudino

Bullying no futebol de formação

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O bullying é um problema sério e bastante frequente no desporto jovem, nomeadamente no futebol de formação.  Antigamente, os treinadores, e até os pais, encaravam o bullying como “coisas de miúdos”. Felizmente, os tempos mudaram e, hoje em dia, todos concordam que não há lugar para tal, no desporto.

O que é o bullying?

Bullying é o comportamente agressivo, intimidativo e repetido, entre crianças, e jovens, de idade escolar, que envolve um desequilíbrio de poder, real, ou percebido, tendo como finalidade causar um dano físico, ou psicológico, a outra pessoa.

Existem três tipos principais de bullying. No futebol de formação, e no desporto jovem, em geral, as formas mais comuns de bullying verbal são o insulto, chamar nomes e ameaça de violência a outro jogador. O bullying social inclui a exclusão de outro atleta, de forma propositada, boatos, conversas que prejudicam e magoam, e envergonhar o atleta, em frente aos outros. O bullying físico inclui murros, chapadas, tropeções, bater na cabeça, bater com a toalha, cuspir, roubar e fazer gestos com as mãos.

Quais os efeitos do bullying?

Independentemente da forma como acontece, o bullying tem um impacto físico, e emocional, terrível nos mais jovens. As vítimas de bullying sentem-se magoadas, zangadas, com medo, isoladas, envergonhadas e sem esperança.

As vítimas de bullying correm um risco maior de desenvolver problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade. Além disso, as cicatrizes causadas pelo bullying podem persistir durante muito tempo, no futuro, e podem predispor um jovem a desenvolver problemas psicológicos, na vida adulta.

Quem são as vítimas de bullying?

Imagem: http://feszulos.blog.hu/2017/08/29/ne_sportoljak_mert_kover_vagyok

Alguns fatores colocam as crianças num risco maior, mas nem todas, com essas características, sofrerão bullying. Geralmente, os jovens jogadores que sofrem bullying são encarados como diferentes dos seus colegas de equipa (por exemplo, com excesso de peso, ou abaixo do peso, uso de óculos ou orientação sexual) e são percebidos como fracos ou incapazes de se defenderem. Eles também tendem a ter baixa auto-estima, são menos populares, do que os outros, têm poucos amigos, não se dão bem com os outros e são vistos como irritantes ou antagónicos.

Quem são os autores de bullying?

Nenhum fator isolado coloca uma criança em risco de se envolver no bullying, mas alguns jogadores, que são mais propensos a intimidar os outros, estão bem ligados aos seus colegas de equipa, têm poder social, estão excessivamente preocupados com a sua popularidade e gostam de dominar, ou comandar, os outros. Outros, são mais isolados dos seus colegas de equipa, têm baixa auto-estima e não se identificam com as emoções, ou sentimentos, dos outros. Tendem a ser agressivos, ou facilmente frustrados, têm problemas em casa, ou na escola, têm dificuldade em seguir regras, vêem a violência de maneira positiva e têm amigos que intimidam os outros.

O que os treinadores devem ensinar aos jovens jogadores, sobre o bullying?

Imagem: http://www.vancourier.com/sports/pledge-to-stop-bullying-in-sport-1.8547826

Como parte das suas responsabilidades de segurança desportiva, os treinadores devem assumir um papel proativo na redução da probabilidade de ocorrência de bullying. Além disso, os treinadores devem dedicar tempo, e esforço, para educar os jovens jogadores sobre o bullying o que inclui ensinar-lhes:

(a) o que é o bullying,

(b) o que fazer, se eles forem alvo de bullying

(c) o que fazer, se eles forem testemunhas de bullying

As reuniões de equipa, que geralmente são curtas e realizadas regularmente, oferecem uma excelente oportunidade para a educação. Nas reuniões, os treinadores podem implementar as recomendações para promover o entendimento dos atletas sobre o bullying, o que acabará por ajudar a sustentar os esforços de prevenção ao longo do tempo.

É aconselhável proporcionar uma oportunidade para os atletas se expressarem promovendo, por exemplo, discussões sobre o bullying através de perguntas abertas, como as seguintes:

  • O que é, para ti, o bullying?
  • Já tiveste medo de ir a um treino, ou jogo, porque estavas com medo do bullying? O que fizeste para tentar mudar as coisas?
  • Tu, ou os teus colegas de equipa, deixaram outras crianças de fora das atividades, de propósito? Achas que isso foi bullying? Porquê ou porque não?
  • Já assististe a jogadores da tua equipa a serem intimidados? O que sentiste?
  • O que costumas fazer, quando assistes a situações de bullying?
  • Já tentaste ajudar alguém que estava a ser intimidado? O que aconteceu? O que farias se acontecesse outra vez?

Ao liderarem as discussões, os treinadores devem garantir aos jogadores que estes não estão sozinhos, ao abordar quaisquer problemas que possam surgir.

Os jogadores devem ser incentivados a falar com o treinador, se sofrerem de bullying, ou virem outros a serem intimidados. O treinador pode dar conforto, apoio e conselhos, mesmo que eles não consigam resolver o problema imediatamente.

Ajudar os jogadores, a lidarem com o bullying:

Falar sobre como enfrentar os bullies. Dar dicas, como:

  • Olhar para o bully e dizer “pára” com uma voz calma e clara
  • Tentar usar o humor e rir, o que pode fazer com que o bully seja apanhado desprevenido
  • Se a fala parece muito difícil, ou não é segura, a vítima não deve reagir. Em vez disso, deve ir embora e ir ter diretamente com o treinador

Falar sobre estratégias para se manterem em segurança. As estratégias podem incluir:

  • Falar com os treinadores sobre o problema, para que eles possam ajudar os jogadores a fazer um plano para parar o bullying
  • Evitar situações em que o bullying ocorra
  • Ficar perto dos treinadores, já que a maior parte do bullying acontece quando os adultos não estão por perto

Incentivar os jogadores a ajudarem outras pessoas que sofrem bullying. A assistência pode envolver:

  • Deixar o bully saber que tal comportamento é uma violação da política de tolerância zero do treinador
  • Criar uma distração ou concentrar a atenção noutra coisa
  • Ajudar o jogador, que está a ser intimidado, a escapar da situação
  • Encontrar o treinador, ou pedir a um colega para encontrar o treinador, o mais rapidamente possível
  • Ser gentil com o jogador intimidado, o que ajuda muito para que ele saiba que não está sozinho

Fontes:

Rosinski, Allan, 4 Ways to Prevent Bullying in Youth Sports

Smoll, Frank, What to teach young athletes about bullying, Psychology Today, 2017

Smoll, Frank, Disciplinary Problems and Bullying in Youth Sports, Psychology Today, 2015

Fonte: Futebol de Formação por Vera Moreira

O Talento no Desporto – Da Identificação à Qualidade da Exposição

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Bom dia caro Leitor,

O desporto é o reflexo da sociedade em que estamos inseridos. No contexto social de hoje, onde o imediatismo predomina, muitas são as vezes em que utilizamos a palavra “talento” para classificar um individuo que demonstra um conjunto de aptidões para o desenvolvimento de uma atividade especifica. A própria sociedade parte em busca desse talento – vejamos por exemplo, os mais diversos programas de “caça talentos” que encontramos nos écrans da televisão – querendo que o mesmo seja de rápida identificação, pois a cultura do “aqui e agora” não permite esperas.

Vivemos, portanto, num contexto de procura por um resultado rápido e de uma orientação motivacional que também nos leva nesse sentido, onde o fator tempo nem sempre é respeitado como deveria ser. Será que essa pressa não poderá condicionar o desenvolvimento do talento, ou mesmo precipitar a sua identificação?

Direcionando a atenção para o contexto desportivo, percebe-se desde logo, que esta atividade torna-se num reflexo de representação da sociedade em geral. Encontramos por vezes nas páginas dos jornais, crianças (de 8/10 anos) a serem alvo de destaque, tendo como manchete “O novo Messi”, ou como sendo uma garantia de futuro para o clube, onde com a idade que tem, ainda deveria apenas estar a brincar á modalidade, que de facto tanto adora.

Outro aspeto a ter em consideração é a origem do talento. Será inato? Será desenvolvido mediante um conjunto de fatores em que o contexto e as suas condições também terão de entrar nesta equação?

E em relação ao tempo. Devemos partir em busca do talento e rotular desde cedo os mais aptos? Ou permitir o máximo de exposição á prática por parte da criança?

Qual o papel dos diferentes agentes desportivos, como treinadores, pais e dirigentes neste processo de identificação e desenvolvimento do talento?

Vamos então debruçarmo-nos sobre o tema.

O Talento

Coyle (2012), num dos seus livros sobre a temática associada ao talento, destaca um fator que na atualidade é consensual para o desenvolvimento do talento – A motivação. Referindo que o talento começa em pequenos e poderosos encontros que estimulam a motivação e vinculam a nossa identidade a uma pessoa ou grupo de alto desempenho. Isso é chamado de ignição, e consiste num minúsculo pensamento de mudança do mundo e que ilumina a nossa mente inconsciente dizendo-nos: eu poderia ser eles.

Este momento de pertença por parte do individuo ao contexto onde está inserido e a correta perceção das suas habilidades, indicam que poderá então caracterizar-se como a tal ignição que promoverá uma visão de futuro e um compromisso ajustado com o nível de exigência necessário para que o talento se desenvolva.

Porém esta visão do individuo como ser biopsicossocial, onde as suas habilidades são resultado das suas características biológicas,mas também das suas capacidades psicológicas e sociais – Isto é, a relação entre o individuo e todo o contexto onde está inserido – nem sempre esteve presente nos estudos que se fizeram no decorrer do tempo.

Vamos então perceber como foi a evolução do pensamento sobre tema…

Recorrendo a uma breve pesquisa sobre a palavra “talento”, pode perceber-se que esta palavra tem origem na Grécia antiga, sendo uma palavra para designar uma unidade de moeda. Á posteriori foi integrado no sistema monetário romano, sendo esta composta de ouro ou prata. Ou seja, esta palavra sempre esteve associada a valor, a algo distinto e com substrato de significância, mantendo sempre consistente este significado que desde a Grécia Antiga lhe foi atribuído.

Já no decorrer do Sec. XX, entre as décadas de 50 a 70, o talento era identificado e justificado pela grande influencia da genética, favorecendo exclusivamente as determinantes biológicas, Esta linha de pensamento veio a concluir-se como ineficaz, pois este fator não permitia predizer com a precisão desejada que os atletas no futuro obteriam desempenhos de destaque.

O final do seculo XX constituiu uma mudança de paradigma no que ao estudo e aplicação de programas de deteção de talento diz respeito. Deixou-se de parte a exclusividade do fator hereditário, onde o talento era considerado inato e começou a considerar-se o fator “contexto”. O contexto onde ocorre a exposição da prática, sendo este essencial para o desenvolvimento da performance do individuo.

Neste período já percebemos a lógica do desenvolvimento, da evolução, da importância dos programas de treino e de todo o contexto ambiental que está como base no desenvolvimento do talento.

Mais do que negar a existência de eventuais influências genéticas, destacava-se, nesta fase,  um papel determinante para o contexto onde ocorre o desenvolvimento para explicar as diferenças intra-individuais no desempenho.

Esta linha de pensamento foi decisiva na forma como se passou a perceber e conceber o talento, sendo que as variáveis, contexto (treino e prática), social (influência de pais, treinadores, colegas, entre outros) e psicológica (ex. tipo de motivação), ganharam claro destaque nesta temática.

Após esta breve viagem sobre as linhas de pensamento traçadas no decorrer do tempo vamos a algumas questões práticas que estão associadas ao talento, nos nossos contextos de atuação prática

Talento: Inato ou Adquirido

Para começar, destaco a frase de Garganta (2006) , cada individuo é diferente dos demais, sobretudo na forma como responde aos processos de formação. Ao acreditar-se no inatismo do talento põe-se em causa o papel da aprendizagem, do treino e da capacidade transformadora que, por definição, os qualifica.

Vamos então colocar isto na prática. Apesar da objetividade da frase, nem tudo o que se encontra cientificamente validado tem o devido transfere para o contexto prático nas atividades que realizamos. Por isso, no contexto desportivo, ainda é muito usual ouvirmos de treinadores, dirigentes e demais agentes expressões como “O talento? Ou tem ou não tem.”. Conduzindo-nos de novo para as décadas de 50 a 70. Todo este pensamento base irá sem dúvida influenciar a qualidade de exposição da criança á pratica desportiva, bem como na sua motivação, confiança e compromisso, colocando-os  precocemente com o rótulo do mais ou menos apto.

Esta linha desajustada de pensamento pode fazer com que  muitos jogadores ou candidatos a jogadores vejam as suas possibilidades comprometidas ou reduzidas quando os treinadores não lhes reconhecem talento suficiente e não apostam confiadamente neles.

O Fator Tempo

Vivemos numa sociedade com pressa de resultado, de rotular e categorizar elementos essencialmente ligados ao sucesso, não só no desporto como em outra qualquer área de atividade. Será esta pressa propulsora ou limitadora no que concebe o desenvolvimento e exposição adequada da criança em contexto de treino?

Vamos de novo ao pensamento de Garganta (2009), que refere que numerosos programas de deteção de talentos, baseados na ideia de que as competências para jogar consistem na presença ou ausência de determinados atributos inatos ou aptidões naturais, esgotam-se no esforço de identificação precoce dos mais capazes, na esperança de que os melhores de hoje sejam também os mais aptos no futuro. Tais práticas têm levado a que, não raras vezes, se negligencie o processo essencial de desenvolvimento dos praticantes ao longo da sua vida desportiva.

O que poderemos e retirar daqui? Sem duvida que esta  é uma abordagem considerada imutável, desacreditando-se nas respetivas possibilidades de evolução e menoriza-se a importância da imprescindível atualização de habilidades e competências através do processo de formação.

Com esta rotulagem, os considerados mais aptos terão consequentemente acesso a uma estimulação superior, influenciando também os seus níveis de motivação compromisso e confiança.

Cada individuo tem a sua individualidade e deveremos ter isso em consideração, pois a função dos treinadores é ter perceber os conteúdos dos modelos teóricos em cima enaltecidos. Enriquecendo o contexto e as tarefas, de modo a que a exposição á pratica seja o mais rica possível. Sempre com o fator tempo como base.

Desenvolvimento do Talento

Enriquecer o contexto de prática com conteúdos e tarefas que favoreçam a evolução do atleta, tendo em consideração a linha do tempo e o princípio da individualidade. Onde a qualidade de conteúdos promovam no atleta uma exposição enriquecedora, ajudando no seu processo de crescimento com algumas competências essenciais ao desenvolvimento do talento.

Competência – Assimilação e acomodação de padrões comportamentais que permita ao atleta desenvolver a sua percepção de competência e habilidades para fazer face aos estímulos do jogo… o tal aprender o jogo, aprender a jogar.

Autonomia – Indicar caminhos mas essencialmente expor o atleta numa busca pelas tomadas de decisão mais eficazes para aquilo que o contexto pede no momento.

Relacionamento – Promoção de habilidades de integração, adaptação e envolvimento humano dentro do contexto desportivo.

Falamos então do enriquecimento do contexto que envolve as várias áreas do treino, sendo esta capacidade de desenvolvimento de habilidades estimulada por um conjunto de técnicos que, planeiam, avaliam e monitorizam o processo de treino. Numa abordagem que deve ser multidisciplinar.

Fonte: Futebol de Formação por Luis Parente