Análise de Desempenho no Futebol: indicadores de performance, ferramentas de análise e competências profissionais

Fiz um exercício de pensar em indicadores de performance para a análise de desempenho no futebol, os quais acredito que podem ser utilizados em outros esportes coletivos. Na sequência, vou indicar algumas ferramentas que podem ser utilizadas para análise de desempenho. E por fim, indico algumas competências profissionais do analista de desempenho.

Tendo como critério de seleção as análises individuais e coletivas e pautada em parâmetros quantitativos (avaliação numérica de determinadas ações) e qualitativos (perguntas que podemos fazer para observar determinados comportamentos), apresento abaixo, de forma objetiva e “fria”, sem discorrer sobre a discussão aprofundada dos dados e de sua utilização, alguns dos indicadores que podem ser usados:

Indicadores de performance quantitativos para avaliar um atleta

  • interceptação e desarme [recuperação da bola] (classificar por zona do campo, numero de jogadores, relacionar ao setor em que a bola foi perdida)
  • 1×1 positivo e negativo (ofensivo e defensivo)

Passe:

  • Completos e Incompletos
  • Distância (curto, médio, longo)
  • Para determinado alvo (zona, jogadores da ultima linha ofensiva, área, corredores)
  • Jogadores com quem mais interagem

Finalização:

  • no alvo
  • razão finalização:gol — finalização:alvo — passe:finalização
  • local
  • tipo (cabeça, chute)

Indicadores de performance qualitativos para avaliar um atleta

  • Análises individuais relacionadas a comportamentos referentes ao modelo de jogo (definir quais comportamentos quer avaliar)
  • Análise das redes de interações de Passes

Pasquarelli (2017)

O analista deve fazer perguntas sobre comportamentos individuais dos jogadores:

  • Org. Def.: cria superioridade numérica, faz coberturas, (…)?
  • Trans. Of.: retarda ou acelera, corpo perfilado, movimento vertical, movimento de apoio, passes em progressão (…)?
  • Org. Of.: recebe a bola com o corpo perfilado, desmarca e oferece como opção de passe, realiza movimento e ações verticais ou horizontais, realiza movimento de apoio, cria vantagem (numérica, posicional, cinética, funcional) (…)?
  • Trans. Def.: pressiona, retorna ou temporiza quando a equipe perde a bola(…)?

Indicadores de performance quantitativos para avaliar uma equipe

  • contra-ataques realizados e concedidos
  • recuperação + finalização com menos de X passes
  • tempo médio e número de passes de cada ataque
  • % posse de bola (total, campo de defesa/ataque
  • n e % de passes curtos, médios e longos por ataque
  • finalizações concedidas (zona da perda da bola)
  • chutão (ações de chutar a bola para fora ou para o campo adversário sem intenção de passe ou lançamento)
  • origem e destino dos passes dos adversários em zona 1 (defensiva)
  • Recuperação da bola (nº e zonas)
  • Motifs (sequências de passes que levam a chances de gol ou criam vantagens para avançar em uma zona do campo)

Indicadores de performance qualitativos para avaliar uma equipe

Agora as perguntas devem ser feitas com relação ao comportamento coletivo da equipe, de acordo com o momento da equipe no jogo:

Organização Defensiva

Qual é a posição do bloco: baixo, intermediário ou alto?

Em quais situações e zonas do campo o bloco está posicionado dessas três maneiras?

Quais jogadores participam efetivamente e quais não são tão importantes para a recuperação da bola?

Qual é a formação estrutural do bloco?

Quais são as distâncias entre os jogadores (densidade do bloco)?

Quantos jogadores tem na zona da bola?

Como defendem o corredor central e os corredores laterais?

Como direciona o adversário para longe do gol?

Como fazem as coberturas dos jogadores na mesma linha defensiva e entre as linhas defensivas?

Transição Ofensiva

Onde os jogadores estão após a recuperação?

Onde a bola chega após recuperação?

Que tipo de passe usam, preferencialmente, após recuperarem a bola: segurança, horizontal ou em profundidade?

Em que área ou situação cada tipo de passe é realizado?

Quem são os jogadores que mais participam da transição ofensiva?

Qual a função deles: equilibrar a equipe, reorganizá-la, iniciar contra-ataque?

Quais são as variantes para cada setor ou situação?

Organização Ofensiva

Qual é a formação estrutural dos jogadores atacantes? Criam vantagem numérica, posicional, cinética, funcional?

Quais são os movimentos dos jogadores pelos corredores?

Quais são os movimentos dos jogadores do centro?

Como e quando ocorrem troca de posições?

Quais são os jogadores localizados em cobertura ofensiva para passes de segurança?

Quais são os jogadores localizados em profundidade para passes de ruptura (entre as linhas defensivas)?

Que tipo de combinações são possíveis dentro deste sistema?

Transição Defensiva

A equipe pressiona ou retorna/retarda/temporiza após a perda?

Com quantos jogadores pressiona?

Em que situações ela pressiona ou retorna/retarda/temporiza?

Retorna até aonde e em qual situação?

Pressiona com quantos jogadores? Em que área?

Quantos segundos pressiona e tenta recuperar?

Em que situações é melhor cometer uma falta?

Utilização da Análise de Desempenho na Equipe Profissional

Para que os treinadores e jogadores possam utilizar as análises, algumas estratégias operacionais, como o uso de uma plataforma online, devem facilitar a visualização.

ANÁLISE COLETIVAS: GRUPOS COM ACESSO PARA OS JOGADORES E TREINADORES COM ANÁLISES DA EQUIPE E DOS ADVERSÁRIOS

ANÁLISES INDIVIDUAIS:COMPARTILHADOS COM ALGUM GRUPO DE JOGADORES OU JOGADOR ESPECÍFICO

OUTRAS ANÁLISES : COMPARTILHAR OUTROS ARQUIVOS, COMO RELATÓRIOS DE ANÁLISES COLETIVAS E INDIVIDUAIS E VÍDEOS MOTIVACIONAIS

Utilização da Análise de Desempenho em Categorias de Desenvolvimento

ANÁLISES COLETIVAS: ANÁLISES DOS JOGOS E DO MODELO DE JOGO

ANÁLISES INDIVIDUAIS: ANÁLISES DE COMPORTAMENTOS INDIVIDUAIS, POR POSIÇÃO E SITUAÇÕES DE JOGO

OUTROS: VÍDEO-AULAS E AVALIAÇÕES DO CONHECIMENTO DECLARATIVO SOBRE O JOGO

Utilização da Análise de Desempenho na Educação dos Treinadores e Staff

FORMAÇÃO DE LONGO PRAZO:TRACKING INDIVIDUAL DOS JOGADORES POR ANO E TEMPORADA PARA O ACOMPANHAMENTO DO DESENVOLVIMENTO DA INTELIGÊNCIA DE JOGO E CRIATIVIDADE

MELHORES PRÁTICAS: TAREFAS DE TREINOS ESCOLHIDAS PELOS TREINADORES (“treinoteca”) QUE MAIS SE ADEQUAM À METODOLOGIA E MODELO DE JOGO COM ANÁLISE DOS OBJETIVOS E COMPORTAMENTOS ESPERADOS

EDUCAÇÃO DOS JOGADORES: VÍDEOS PARA SESSÕES DE FEEDBACK E ANÁLISES QUALITATIVAS EM DIFERENTES SITUAÇÕES (RESULTADO DO PLACAR, DE ACORDO COM O MODELO DE JOGO DO ADVERSÁRIO, EM SITUAÇÕES (COM UM JOGADOR A MENOS OU A MAIS, COMPORTAMENTOS PRETENDIDOS EM DETERMINADAS ZONAS DO ZAMPO, BOLA PARADA, ETC.)

Equipamentos e softwares que podem ser utilizados

Competências profissionais de um analista de desempenho

Competências Atitudinais

Comunicação e relacionamento

Capacidade de exteriorizar ideias, pensamentos e dúvidas

Controle frente à pressão ou períodos de muita demanda de trabalho

Comportamento frente às críticas ou desafios que demandam aprendizagem de novos conhecimentos

Capacidade de introspecção e análise

Capacidade de foco e eficiência

Competências Técnicas e Habilidades

Domínio das ferramentas de análises. Quais e com qual profundidade

Habilidade de resolver problemas técnicos utilizando fontes internas (pessoas da equipe, manuais) e externas (internet, tutoriais)

Identificação das melhores práticas e domínio de ferramentas específicas de cada integrante

Competências Conceituais

Conhecimento acerca dos conceitos de jogo do clube e de outras equipes

Domínio metodológico dos processos de rotina do clube

Gestão do tempo e eficiência na entrega dos relatórios

Velocidade de progresso com relação ao entendimento do jogo e da metodologia de trabalho.

Fonte: Medium – Bruno N. Pasquarelli

Neurociências no Futebol e seu Papel Transformador na Educação e no Desenvolvimento Humano

Cada época tem sua tendência que caracteriza a gestão, o ensino e o treinamento no futebol. Há poucas décadas atrás vivíamos a expansão científica e tecnológica. Ainda sob esse efeito, estamos vivendo um período de progresso muito rápido em ciência e tecnologia, com um crescente aporte de informação e um apelo muito grande à inovação constante, seja para a utilização de materiais e ferramentas de trabalho e ensino, ou para o desenvolvimento de pessoas, que fruto desse período com elevada informação disponível, estão constantemente modificando-se em relação às habilidades adquiridas, ao perfil psicológico e a construção do funcionamento de suas mentes como um todo.

De certa forma, compreender pessoas e os ambientes sociais passa por entender o comportamento de suas mentes. Por isso diferentes disciplinas da neurociência tem ganhado atenção nas descobertas recentes. O cérebro tem esse destaque especial com toda a razão: é o único órgão capaz de conectar-se com todas as partes do corpo e na qual todo o corpo se comunica, além do mais é responsável por perceber e interpretar o que acontece no mundo fora do nosso corpo, através da comunicação dos nossos sistemas sensoriais com o ambiente externo.

Sendo assim, um clube de futebol contemporâneo deve: (1) estar atento às mais recentes descobertas das neurociências e (2) ajudar a descobrir, através da pesquisa aplicada, o desconhecido e vasto universo da mente. A medida que esta área ganha interesse e se expande dentro do clube, aumenta a necessidade de mudanças de paradigma.

Essas mudanças em direção ao que ainda é novo, pouco explorado e desconhecido requerem riscos, mas podem nos dar respostas que ainda não temos sobre o desenvolvimento humano e o desenvolvimento de treinadores e jogadores de futebol. E consequentemente, pode ajudar a pensar a gestão do clube e expandir a visão do futebol como um todo, de maneira complexa.

Como mencionado anteriormente, diferentes áreas do conhecimento convergem para a necessidade de um entendimento neurocientífico para ajudar o clube a coordenar suas ações. Na (1) Performance (Treinamento e Competição): a tomada de decisão, a aprendizagem e criatividade, o comportamento psicológico, o controle biomotor dos movimentos e o desempenho atlético são passíveis de estudos e intervenção. Na (2) Educação: o ensino, a aprendizagem conceitual, a socialização, a cognição e inteligência. Na (3) Saúde: a nutrição, o sono, o repouso, a consciência corporal, a preparação e/ou recuperação física, fisiológica e psicológica. Dentre outros tópicos que podem ser abordados neste sentido de uso do conhecimento das neurociências.

A área que mais me interessa sobre este tema é a utilização metodológica de recursos tecnológicos para jogar e, consequentemente, aprender jogando. Na minha prospecção, dentro em breve devem ganhar destaque dentro dos clubes de futebol a gamificação e a realidade virtual/aumentada.Muito se fala do tempo que os jovens passam à frente de uma tela de celular, tablet, televisão ou computador e este parece ser um cenário irreversível. Por isso, direcionar este tempo para permitir ao jogador e ao treinador que interaja com o jogos de outra forma, seja de futebol ou outra tipo de situações, como entretenimento e ao mesmo tempo como treinamento, pode ser um passo significativo para melhorar, sobretudo, o ambiente de convívio do clube e ainda afetar as áreas relacionadas à performance e educação. Acredito que isso deveria ter mais atenção e avançar rápido, para acompanhar o desenvolvimento da nossa sociedade e dos jovens que fazem parte dela.

Enfim, em tempos de exacerbadas fontes de informação e disponibilidade de conhecimento, faz-se necessária a utilização das neurociências para que as inovações possam ser transformadoras dentro do clube de futebol, no âmbito de pensar o desenvolvimento humano na mesma velocidade em que acontecem o desenvolvimento científico e tecnológico. A medida que o homem cria mais conhecimento e tecnologia, acaba por modificar também seu comportamento e influenciar suas gerações mais novas e, sobretudo, suas gerações futuras. Dessa forma, é importante incorporar as neurociências dentro dos setores técnico-científicos dos clubes e alinhar os pensamentos e a trajetória dos estudos dentro do futebol. Acredito que as neurociências e suas áreas de atuação (educação, performance e saúde) tem um significado mais amplo e um ponto de convergência: o foco na educação e no desenvolvimento humano por meio do esporte.

Fonte: Medium – Bruno N. Pasquarelli

“Prefiro treinadores estrategistas”, afirma Alex ‘Cabeção’.

Há uma enorme discussão no futebol brasileiro a respeito do treinador de futebol. Temos o estrategista, o contador de histórias, o ex-jogador que conta sua história no dia a dia, o motivador, aquele que não quer semana aberta de treinos… Enfim, as classificações são variadas.

Eu, sinceramente, prefiro o estrategista. Aquele que te oferece opções e você ganha no domingo em cima do que se treinou e foi imaginado ao longo da semana.

Fora qualquer classificação, o treinador tem de ir além do trabalho com a bola, tem de se preocupar também com a relação humana, com o sentimento dos atletas pelo jogo, pelo treino, pela profissão. Procurar conhecer o grupo dele e sentir ali no ambiente como esses jogadores vão lidar com dirigentes, imprensa, torcedores e, hoje, as redes sociais.

Aí estamos falando de um grupo de pessoas com várias misturas. Podemos ter nordestinos, gente do centro do país, do interior do Brasil, de metrópoles… São várias educações e perspectivas diferentes dentro do mesmo ambiente. E o treinador tem de ter uma belíssima leitura daquele quadro que se desenha à frente dele. Às vezes uma palavra no meio de um discurso lindo acaba se perdendo e o contexto todo vai embora. O treinador tem de ter um pouco de PSICÓLOGO ao lidar com tantas cabeças diferentes dentro de um mesmo vestiário.

Uma vez, estávamos com um time muito desorganizado e nosso treinador reuniu o grupo no meio do campo e disse assim: “Estou cansado de treinar uma coisa na semana e chegar no jogo e ver meu time como kamikazes. Não suporto mais isso”. Aí o treinador virou as costas e começou o burburinho. “O que esse louco acabou de dizer? Quem são esses?”.

O treinador, então, separou os dez que iriam jogar. Aí eu pedi a palavra e disse ao treinador: “Explique o que é kamikaze porque esse treino não vai render. Muitos aqui não conhecem a história”. A partir daquele dia, ele sempre perguntava no final se todos sabiam e tinham entendido o que ele acabara de dizer.

O treinador também precisa de muita disposição física e, principalmente, mental para lidar com palpites de todos. A linha de equilíbrio dele tem de ser fantástica. Porque ele ouvirá de esposa, pai, mãe, irmão, da comissão, daquele amigo de infância que bebe cerveja com ele, do torcedor com quem ele cruzar por onde andar… Todos entendem mais do que ele, todos sabem de bola mais do que ele, todos mexem com o time e no time melhor do que ele. Ainda terá de dar a sorte no domingo de que, ao mexer no time, as trocas sejam positivas. Correndo o risco de pegar aquele comentarista que diz: “Se eu fosse o treinador, tirava o volante e abria o time”. Ou: “É momento de tirar o fulano que não está bem e fechar o time”.

O que não sabemos do lado de fora é que o volante citado é aquele líder por natureza. Que mesmo mal no dia exerce uma liderança tão grande e natural que apenas a presença dele causa um rendimento maior de outros jogadores. Que aquele fulano citado é um jogador tão confiante que emana isso ao time e o time acredita naquilo. E isso faz com que mesmo mal no jogo o treinador o mantenha porque ele é importante de qualquer forma.

Para chegar ao ponto de ter esse feeling de olhar para seu time e ver que muitos fazem um trabalho invisível mais importante do que muitos que têm uma visibilidade maior, leva bastante tempo e vários contragostos. Porque quem está fora não observa isso.  A observação é simplória. Linha de quatro, de três, quatro em um meio mais pesado, mais leve ou ainda três, e aí abrem dois com velocidade, fazemos dois em cima de um e está criada a superioridade numérica, e em cima dessa  situação nosso time será melhor e ganhará o jogo. Em cima da frieza, é assim o futebol.

Mas, no calor do jogo, da semana, das expectativas criadas pelo clube, pelos sonhos de crianças que se tornaram adultos e hoje são jogadores de futebol, não é tão simples e frio assim. E ainda temos de lidar com dirigentes que acham que sabem de bola e, porque gastaram de maneira desequilibrada, cobram sem razão algum resultados, sem olhar o trabalho da semana. Só por gastar acham que formaram uma boa equipe. E ainda lidar com torcedores e a imprensa, que tratam muitas vezes uma equipe de futebol como um robô de última geração que tem um botão de liga e desliga. Quem dera fosse simples assim.

O treinador tem de lidar todos os dias com essas expectativas de todos os lados e ainda lidar com uma situação que, para mim, é a pior coisa em um vestiário: a alienação do grupo.

Convivi com vários jogadores que não sabiam o regulamento da competição que jogavam. Com “atletas” que não tinham a mínima preocupação em melhorar, em buscar se aprimorar no dia a dia. Aqueles que na quinta-feira estão ligando para a família e para os amigos dizendo assim: “O filho da puta do treinador não vai me levar de novo pro jogo. Mas tá legal! Sábado à tarde tô aí e fazemos aquele churrasco”. Sem imaginar que na semana seguinte ele poderia ser decisivo. E o treinador fica de mãos atadas porque tentará vender uma ideia, mas, sem o conhecimento e a perspicácia para lidar com esse desejo individual, e mostrar ao jogador que ao colocá-lo a favor de um coletivo realmente o objetivo individual será alcançado, torna-se cada vez mais complicado.

Independentemente da característica principal do treinador, ele tem de lidar bem com o ser humano, e fazer disso um bom pedaço do seu trabalho diário. E, no mundo de hoje, onde o virtual vale mais do que qualquer coisa, o trabalho desses treinadores aumentou um pouco. Os grandes nomes do nosso futebol sempre tiveram um relacionamento pessoal com seu grupo muito bem feito. Nada era perfeito, mas era muito bem feito.

Fonte: Chuteira F. C. por Alex

A importância das emoções no treino…

Sabemos desde sempre que as emoções estão ligadas às nossas memórias.

Quantos de nós tem maior facilidade em se lembrar mais de uns eventos ou de outros, de acordo com o nível emocional que esse evento teve?

Segundo entrevista a Francisco Mora, especialista em Neuroeducação, temos o seguinte texto

(poderás ver toda a entrevista em: https://www.revistaprosaversoearte.com/o-cerebro-precisa-se-emocionar-para-aprender-francisco-mora/)

ENTREVISTA

Sobre a Mudança no Ensino

Hoje estamos começando a saber que ninguém pode aprender qualquer coisa se não estiver motivado. É necessário despertar a curiosidade, que é o mecanismo cerebral capaz de detectar a diferença na monotonia diária.

Presta-se atenção àquilo que se destaca. Estudos recentes mostram que a aquisição de conhecimentos compartilha substratos neuronais com a busca de água, alimentos e sexo. O prazeroso.

Por isso é preciso acender uma emoção no aluno, que é a base mais importante sobre a qual se apoiam os processos de aprendizagem e memória. As emoções servem para armazenar e recordar de uma forma mais eficaz.”

Sobre Estratégias para ter mais Atenção

Deve-se começar a aula com algum elemento provocador, uma frase ou uma imagem que seja chocante. Romper o esquema e sair da monotonia. Sabemos que para um aluno prestar atenção na aula não basta exigir que ele o faça.

A atenção deve ser evocada com mecanismos que a psicologia e a neurociência estão começando a desvendar. Métodos associados à recompensa, e não à punição. Desde que somos mamíferos, há mais de 200 milhões de anos, a emoção é o que nos move.

Os elementos desconhecidos, que nos surpreendem, são aqueles que abrem a janela da atenção, imprescindível para a aprendizagem.

Sobre o Tempo de Duração da Atenção

(…) os professores devem quebrar a cada 15 minutos com um elemento disruptor: uma anedota sobre um pesquisador, uma pergunta, um vídeo que levante um assunto diferente…

Há algumas semanas, a Universidade de Harvard me encarregou de criar um MOOC (curso online aberto e massivo, na sigla em inglês) sobre Neurociência. Tenho de concentrar tudo em 10 minutos para que os alunos absorvam 100% do conteúdo. Nessa linha irão as coisas no futuro.

(…) Nada pode substituir o lento e difícil processo do trabalho e da disciplina quando se trata de aumentar as capacidades intelectuais. Além disso, o cérebro utiliza todos os seus recursos a cada vez que se depara com a resolução de problemas, com processos de aprendizagem ou de memória.

Sobre o MITO dos 2 Hemisférios : Direito e Esquerdo

(…) extrapolou-se a ideia de que há crianças com predominância de cérebros direitos ou esquerdos e criou-se o equívoco, o mito, de que há dois cérebros que trabalham de forma independente, e que se tal separação não for feita na hora de ensinar as crianças, isso as prejudica.

Essa dicotomia não existe, a transferência de informações entre os dois hemisférios é constante. Se temos talentos mais próximos da matemática ou do desenho, isso não se refere aos hemisférios, mas à produção conjunta de ambos.

ADAPTANDO À PERIODIZAÇÃO DO TREINO,

À METODOLOGIA E AO ENSINO DO TREINO

Resumo de ideias principais para a #periodizaçãoSituacionaleTransformacional, com aplicação prática:

  • “ninguém pode aprender qualquer coisa se não estiver motivado”

PST | Aplicação de um modelo eficaz de comunicação antes de iniciar o treino definindo qual a convição que se vai treinar. Convição ligada aos Valores da Equipa que está incluída no Objetivo de Época.

  • “despertar a curiosidade”

PST | Aplicação de um modelo eficaz de comunicação antes de iniciar o Exercício que estimula problemas concretos da prática através de perguntas.

  • “as emoções servem para armazenar e recordar de uma forma mais eficaz”

PST | Aplicação de uma estratégia de treino eficaz para assimilar competências, treinando para ganhar, treinando sobre pressão de tempo/ espaço, com condicionantes de urgência e de escassez, entre muitas outras.

  • “começar a aula com algum elemento provocador”

PST | Aplicação de um modelo eficaz de exercício que provoca problemas nos quais os atletas terão que resolver.

  • “métodos associados à recompensa, e não à punição.”

PST | Aplicação de um conjunto eficaz de condicionantes nos exercícios que favoreçam a recompensa do comportamento e não a punição (como por exemplo: dar mais de 2 toques a bola vai para a outra equipa.)

  • “quebrar a cada 15 minutos com um elemento disruptor”

  • “concentrar tudo em 10 minutos para que os alunos absorvam 100% do conteúdo”

PST | Aplicação de um modelo de transição entre exercícios de forma eficaz que proporcione o ciclo de treino comportamental:

  1. sub-sub-problema-»prática -» reflexão -» repetição -» QUEBRA-TRANSIÇÃO

  2. sub-problema -»prática -» reflexão -» repetição -» QUEBRA-TRANSIÇÃO

  3. problema -»prática -» reflexão -» repetição -» QUEBRA-TRANSIÇÃO

    • “o cérebro utiliza todos os seus recursos a cada vez que se depara com a resolução de problemas”, “o mito, de que há dois cérebros que trabalham de forma independente”

    PST | Aplicação de uma estratégia de treino manuseando os constrangimentos ambientais e os constrangimentos da equipa adversária, provocando em vez de respostas, descobertas e insights.

    IDEIAS GERAIS

    As emoções funcionam como “receptivas e fixadoras” de conteúdos que queremos que sejam fáceis de assimilar.

    Então torna-se importante não treinar a tática pela tática, nem a estratégia pela estratégia, o físico pelo físico, mas antes treiná-los em regimes emocionais ajudando a “incorporar essa memória conteúdo-corpo” que os leva a assimilação muitas vezes sem consciência.

    Cabendo depois ao treinador, tornar essa consciência “viva”, através de insights, para que o atleta possa fazer a escolha de reproduzir as “memórias incorporadas” nos momentos em que a sua percepção durante a competição, associe essa resposta como ACÇÃO

    no ciclo de PE(E)RCEPÇÃO –» ACÇÃO.

    Fonte: TreinadorPro.Com por Carlos M Silva

    Jogar o próximo instante

    Uma das atitudes mais promissoras para um jogador de futsal é antecipar mentalmente o que ainda não aconteceu. Trata-se de jogar o “próximo instante”. Isso lhe dá uma enorme vantagem competitiva. Por exemplo, quem joga “no futuro”, antecipando as intenções dos seus colegas e dos adversários, seleciona o momento e lugar certos para concluir um ataque ou evitar um gol, recuperar uma bola ou interceptar um passe, dar um passe decisivo ou de contenção…

    Se há uma virtude que me impressiona é esta! Em alguma medida, todos os jogadores de bom nível jogam antevendo. Mas há alguns que são proeminentes nisso.

    Isso posto, fica a questão: é possível treinar essa atitude ou ela nasce com o jogador? Ela é treinável, adquirida, consequência de treino, de envolvimento, de experiências. Muitas horas de treino serão necessárias para aprimorá-la.

    Perceber é agir

    Aliás, as capacidades de perceber-antever são singulares, porque alicerçadas na experiência. Daí os jogadores perceberem-anteverem distintamente. Por que um jogador percebe mais que o outro? Por que um jogador antevê mais que o outro? Precisamos olhar para sua biografia para compreender. Retrospectivamente.

    Aliás, perceber, o mesmo que identificar, já é antever, o mesmo que antecipar, que já é decidir, o mesmo que selecionar, que já é agir.

    Mauro Maldonato, num belíssimo livro intitulado “Na hora da decisão: somos sujeitos conscientes ou máquinas biológicas?” (Editora Sesc São Paulo), que você deveria ler, reporta que “… a percepção, mais do que uma elaboração de nossas sensações, seria uma simulação antecipada da ação”.

    Cérebro prospectivo

    Esse mesmo autor nos lembra que embora seja “[…] opinião comum que no esporte as melhores performances estariam associadas à técnica, ao talento, à resistência ou à força do atleta. Hoje, pesquisas cada vez mais numerosas mostram o papel central desempenhado também pelas velocidades de percepção, reação, decisão e, sobretudo, antecipação”. Concordo intuitivamente com isso (embora acredite nas pesquisas!). Isso porque constato o quanto os jogadores que antecipam mais e melhor ganham vantagens competitivas para as suas equipes. Não duvide: o nosso cérebro atua no futuro. Para o Maldonato: “Mais do que uma máquina reativa, nosso cérebro revelou-se uma máquina preditiva, que formula hipóteses, prevê as consequências das ações, joga por antecipação”.

    Treinar o próximo instante

    Um dos desenhos de treino que adoto com crianças, a partir dos 8,9 anos, para provocar esse comportamento, inclui dividi-las em dois grupos (3X3) e estabelecer que a meta, que será defendida por dois goleiros, corresponda a extensão da linha de fundo. Isso mesmo! A meta terá entre 17 e 20 m, dependendo da largura da quadra.

    Joga-se 3×3. O gol pode ser feito por toda a extensão da linha de fundo, ou seja, de um escanteio ao outro.

    Nesse tipo de jogo, e em outros dessa natureza, por conta de se poder fazer o gol numa “meta tão larga”, os jogadores que atuam na última linha defensiva são “obrigados” a anteciparem a trajetória da bola para terem chances de evitar o gol. Jogar o próximo instante. Essa é a atitude e a resposta ao maior desafio do jogo, que seria adivinhar/antever/prever “aonde a bola será chutada”.

    Adicione aí que os defensores não são “goleiros” de fato e que todas as crianças deveriam passar por essa função no jogo. Há aí um apelo à atitude de realizar coberturas. Mas ela é tanto mais possível quanto mais assertiva for a atitude de antecipar mentalmente aonde a bola poderá ser chutada. Ou seja, a “habilidade está toda na cabeça”. Jogadores que antecipam, que anteveem, costumam obter êxito nesse jogo na difícil tarefa de proteger a meta.

    Esse jogo aguça, igualmente, o sentido defensivo dos jogadores de linha, que sabem que é bastante provável que tomem o gol se não pressionarem a bola ou forem driblados, e o sentido ofensivo dos jogadores de linha, que sabem da vantagem que têm para finalizar, mas que se perderem a bola dificilmente deixarão de tomar o gol na transição defensiva.

    Fortaleça a diferença

    Prepare seus jogadores, desde cedo, para jogarem o próximo instante. Isso é essencial para quem compete. Não se engane: “é em situações extremamente competitivas que o jogo por antecipação faz diferença”.

    Fonte: Pedagogia do Futsal por Wilton Santana

    Crianças se aposentam da carreira esportiva em campanha contra pressão extrema para o sucesso

    Comerciais da ESPN chamam atenção do público para a informação de que cada vez mais crianças estão largando o esporte por excessos na busca pelos próximos astros e gênios esportivos

    Astros do esporte hoje nascem cedo no meio, e clubes, patrocinadores e – principalmente- pais sabem muito bem disso. Não à toa, vemos em todos os lugares do mundo milhares de crianças sendo inscritas em diversos tipos de programas esportivos para desenvolver habilidades que quem sabe se convertam num novo prodígio em que modalidade for, mas é claro que apenas alguns irão se revelar um gênio da bola, natação, corrida e etc. enquanto outros… bem, outros irão se mostrar apenas crianças normais com uma saúde pra lá de boa.

    O problema é que tem pai e mãe que não percebe isso e resolve dobrar a aposta no filho para ele estourar no meio esportivo, e aí chega-se neste cenário do mundo de hoje onde é normal ver atletas explodindo perante tanta pressão para ser um sucesso. E de acordo com um estudo do Aspen Institute, este processo faz com que cada vez mais crianças entre 6 e 12 anos larguem a prática esportiva, seja por um colapso mental perante um esforço contínuo para se superar ou (o que talvez seja pior) lesões físicas.

    É a partir das pesquisas feitas pelo instituto que a ESPN e a Arnold Worldwide resolveram criar junto da entidade uma nova campanha que alerta para os excessos desta pressão para achar novos astros esportivos. É uma ação que consiste uma jogada muito simples, recriando uma coletiva de imprensa cujo ponto de interesse é um astro que está prestes a anunciar sua aposentadoria ao mundo. O problema é que ao invés de ter lá seus 40 ou 30 (ou até mesmo 20) anos, a estrela que entra na salinha para conversar com os jornalistas é nada mais que um garoto, com não mais que dez anos de vida. Confira acima a “coletiva”.

    A ideia é a mesma para todos os vídeos da campanha “#DontRetireKid”, que além de uma peça mais “bruta” com a declaração da criança ainda conta com comerciais de um minuto, 30 segundos e 15 segundos – confira abaixo. Os quatro materiais trazem dados da pesquisa do Aspen Institute e redirecionam o público para as páginas oficiais da campanha e do Project Play, onde pais podem encontrar maiores informações sobre as modalidades juvenis do esporte e declarações de atletas famosos como Kobe Bryant, Wayne Gretzky e Sue Bird sobre a importância de praticar esportes na infância enquanto forma de manter a saúde, não buscar o sucesso a qualquer custo.

    De acordo com o presidente da ESPN Jimmy Pitaro, a razão para a realização da campanha está no descolamento das práticas esportivas desta forma de exploração da saúde mental infantil. “Nós acreditamos que os esportes deveriam estar disponíveis para toda criança. Nós queremos jogar luz sobre este assunto importante para que crianças possam de fato usufruir dos benefícios do esporte, desde melhoras na saúde até melhorar sua performance nos estudos”declara o executivo.

    Fonte: B9 por Pedro Strazza

    Treinadores de Formação

    Treinadores de Formação

    Defendo que os melhores treinadores devem estar na base dos clubes, a trabalhar com aqueles que poderão ser os futuros jogadores dos planteis seniores.

    Defendo que os melhores treinadores devem estar na base dos clubes, a trabalhar com aqueles que poderão ser os futuros jogadores dos planteis seniores.

    Estes treinadores devem ser os que têm mais conhecimentos e experiencia, porque é nas idades mais baixas que os jogadores aprender melhor os conhecimentos que vão ser importantes para o futuro.

    Com esta mudança no pensamento da formação, os clubes podem começar a alimentar as suas equipas seniores com os jovens ali formados, e essencialmente da zona do clube.

    Para isto acontece, todo o clube deve estar ligado e deve haver comunicação desde as equipas técnicas dos Traquinas aos Seniores. Porque se cada treinador seguir as próprias ideias, que nada têm a ver com a ideia e modelo do clube, não será possível colher os melhores resultados. Se a escolha do treinador dos Seniores não tiver em conta a filosofia do clube e não respeitar o que se faz na base do clube, todo o trabalho de muitos anos de formação de um jogador, pode ser completamente ignorado e deitado ao lixo.

    Mas esta ideia de colocar os melhores treinadores na formação dos clubes é praticamente utópica. Cada vez mais os treinadores que trabalham com jovens querem mostrar todo seu conhecimento a um grupo de miúdos. Mas se esse conhecimento não for o adequado para um grupo daquela idade, apenas estaremos a deformar. Todas as teorias e metodologias que se aplicam nos seniores e que vemos nos treinadores de referencia da alta competição não serão as melhores para um grupo de jogadores que ainda estão a iniciar a pratica desportiva.

    Geralmente, muitos destes treinadores utilizam estes escalões de formação para ganhar e para dar nas vistas para que alguém os convide para as equipas seniores. Porque os treinadores da base raramente são reconhecidos pelo seu trabalho, são mal renumerados e normalmente têm de resolver todo o tipo de situações com os pais e familiares dos jovens.

    Faça o que fizer, o treinador de formação é quase sempre criticado. Porque os pais entendem que os filhos são os melhores e não jogam tanto como os outros, porque entendem que o treino não é o adequado, porque viram na TV um treino de uma equipa sénior e não era nada daquilo que eles faziam, porque o treinador não fala ou grita muito durante os jogos, etc. 
    Mas a principal critica é de não ganhar jogos.

    Há uns treinadores melhores do que outros. Uns com verdadeiro espirito de formadores e outros mais focados nos resultados. Todos eles têm valor. Não podem ser todos formadores. Mas quem trabalha na formação deve deixar os êxitos e as vitorias imediatas para trás. Em vez de se pensar apenas em vencer, o pensamento devia ser como vencer. Vejo jogos de equipas de formação onde há eternos titulares e eternos suplentes, jogam quase sempre os mesmos. Aqueles que são considerados os melhores. Mas com os devidos estímulos os que jogam menos não poderão chegar ao nível dos outros? Devem os treinadores destes escalões reclamar e insultar árbitros e adversários? São estes os formadores que os pais querem para os seus filhos? Evidentemente que não!

    A formação do treinador é fundamental. Tem de estar preparado para educar e orientar. Tem de estar preparado para perceber que todas as crianças são diferentes. O porquê de uma criança não evoluir, o porquê de certas reações e comportamentos…

    O importante é indicar e orientar o caminho para a vitória. Não gritar com um jogador por causa de um erro, ajuda-lo a resolver os problemas que o jogo vai colocando em vez de dar a resposta. A vitoria, nestes escalões, não é apenas o que diz o marcador no final. Devemos valorizar mais a evolução técnica e a conduta dos jogadores.

    O futebol jovem cria a base dos jovens jogadores, é a base do conhecimento do jogo e do desportivismo, ajuda a eliminar e afastar vícios, ajuda no rendimento escolar, em resumo ajuda a ser melhor pessoa.

    Porque nem todos os jovens jogadores irão jogar nas equipas seniores. Muitos vão desistir ao longo dos anos, outros vão escolher outro desporto, etc… Mas certamente que nos anos em que jogaram futebol se tornaram melhores pessoas, o que os irá ajudar na sua vida futura.

    Um treinador de base trabalha para o futuro do clube, dos jovens jogadores e da comunidade. É muito mais do que apenas um treinador. É um educador. E deverá retirar satisfação pessoal por esse processo.

    Treinar é muito fácil, mas treinar bem é muito difícil. Ser bom profissional é conhecer a fundo a profissão que praticamos, é ser responsável e serio, preocupar-nos todos os dias com a evolução dos jovens, manter a confiança com os jovens… Mas um bom profissional também ajudar e passar a sua experiencia e conhecimentos aos outros. Só assim haverá evolução. O fator X nos treinadores de formação é a capacidade de transmitir conhecimentos, com a finalidade que eles sejam aquilo que podem ser e não aquilo que nós queremos que eles sejam.

    Fonte: Wi Coach

    Jose Mourinho, Vitor Frade and the influence of tactical periodisation

    Jose Mourinho revolutionised training in England thanks to the ideas of Vitor Frade and that legacy lives on this pre-season. With the help of one of Frade’s famous students in Carlos Carvalhal, Adam Bate examines the roots of tactical periodisation and why the ideological debate about it is still having an impact in the Premier League right now…

    For many players, pre-season means running. The fitness work feels endless. Keep going until you feel sick then go some more. As for the ball, forget about it. All in good time.

    That was the old way but most of the top clubs do things very differently these days. Some are even following a methodology that was formulated not on the green fields of England but inside the classrooms of Portugal. These clubs are led by coaches who are inspired by ideas devised by the Portuguese academic Vitor Frade at the University of Porto.

    Frade is no household name but his reputation within the game is huge and his influence can hardly be overstated. Jose Mourinho was a high-profile early advocate, transforming the nature of training ground preparation in English football as a result. Frade is routinely described as a genius and his impact is everywhere in the modern Premier League.

    Compatriots Marco Silva and Nuno Espirito Santo have been inspired by his methodology. Leicester manager Brendan Rodgers picked up on it during his time at Chelsea. Liverpool assistant Pep Lijnders is an admirer too. Similar approaches are used by Pep Guardiola and Mauricio Pochettino, meaning that his fingerprints are all over the country’s top teams.

    “Vitor Frade is the brain of it all,” Carlos Carvalhal tells Sky Sports. “He is the brain of a thing called tactical periodisation. You could call him a kind of scientist but he is a very practical scientist because he worked at Porto under Sir Bobby Robson and he did his work on the pitch. At the same time, he was very academic and clever. He is a fascinating man.”

    Carvalhal’s relationship with Frade dates back to his youth.

    “He was my teacher at the University of Porto,” he explains. “When you go to the classes you must learn about genetics and complexity theory. I was 27 when we started tactical periodisation. I studied for five years, three of them just doing football under him, and it was during that time that I gave my contribution to tactical periodisation with my thesis.”

    What is tactical periodisation?

    Explaining tactical periodisation can be complicated but the premise is relatively simple. A good starting point is to completely reject the notion of physical training in isolation.

    Speaking at a coaching conference in 2005, Mourinho said: “Many clubs do fitness work separately sending players for 45 minutes with a fitness coach, but I don’t believe in this. I do not believe in practising skills separately. You have to put together all these aspects in a match situation. There are exercises that can improve your physical qualities using the ball.”

    His success helped transform how teams prepare so totally that it is worth noting this was not the accepted wisdom at the time. “For our generation, it was unheard of to get footballs out in the first pre-season session,” John Terry told Monday Night Football. “He told us that you never see a pianist running around a piano, you see a pianist work on the piano.”

    Carvalhal offers an analogy about building a house before opting for a simpler explanation of the thinking that guides this methodology. “We understand the importance of the physical, the technical and the psychological,” he says, “but in this periodisation what controls everything is the tactical. This is why it is called tactical periodisation.

    “We look at our players. We decide the system that we want to play, the idea that we want to create, and from there, from the very first day of pre-season, we draw up exercises to follow our idea. So, from the beginning, we work with high intensity with more time to work. Day by day we progress the intensity to prepare for the first game of the season.”

    Mara Vieira, executive director of Tactical Periodisation by Vitor Frade

    The importance of Jose Mourinho…

    “Jose Mourinho was the first world-renowned coach that used this methodology and publicly declare his belief in it, so his importance has been huge,” Vieira tells Sky Sports.

    “This methodology is now spread all over the globe because people who have been influenced by the professor are coaching now in many different countries. Hundreds of people have already travelled to Porto to meet and discuss football with Vitor Frade.”

    The future for tactical periodisation…

    “First of all, it’s still an unknown methodology for most people. And people are always afraid of new things, especially if they become fashionable. For example, one of the most common misunderstanding is to think tactical periodisation is just training with the ball.

    “Also, the fact that tactical periodisation has a different understanding of the game and the human body, fitness coaches and all the sport science staff tend to see it as a threat to their role. But there are no objective reasons for that. Under tactical periodisation everyone can participate. It’s just a different approach. One that we believe leads to better football.”

    Carvalhal is reluctant to boil down 30 years of study into a 30-minute conversation. Given that Frade himself recently concluded a conference on tactical periodisation with a lengthy outburst detailing everything that tactical periodisation is not, perhaps that is understandable. His former student is anxious to stress that true understanding takes time.

    “There are very few people who understand the theory 100 per cent because to learn this you must go more deep than just reading one or two books,” says Carvalhal. “I studied three years just on football with Vitor Frade to understand the theory but there are some people who talk about tactical periodisation who do not understand tactical periodisation.

    “Some people think that just by integrating their pre-season training they are automatically doing tactical periodisation, but they are not. It’s not like that. You can’t really understand it unless you understand complexity theory. We learnt a lot of things outside of football. When you have this all in your brain, it all starts to become clear to you. But it takes study.”

    Why does this methodology help?

    Even so, Carvalhal believes that coaches at all levels can find a way to utilise this methodology. “Maybe the theory is complex but the practice is very simple,” he adds. “You are training every day to play better football and improve the players and the team. We are training the game. And because we are training the game, we start by playing the game.”

    The result is that teams adopting tactical periodisation have the chance to focus more on game preparation, giving them the opportunity to be more tactically sophisticated as they are not wasting precious training ground time in a fragmented way. This is much more than just training without the football, it is a holistic approach to the game of football.

    The physical work still gets done but it gets done in other ways.

    “It changes the role of the fitness coach a lot,” explains Carvalhal, now coaching Rio Ave in the Portuguese top division. “Rui Faria was not a fitness coach under Jose Mourinho. I do have someone at Rio Ave who is a fitness coach. He does the warm-ups but he is not there to improve the physical part of the players, he is not there for that.

    “The physical part is very important but look at the GPS of our players. They run a lot with high intensity both with and without the ball but they run differently because they are running with an idea of how to help the team. They don’t run around the pitch or up the mountain. They run playing football. They probably run more than if there wasn’t a ball.”

    This is a point that Terry, the long-time Chelsea captain, made about Mourinho’s sessions. “We probably covered more distance with the ball than we would have done without it,” he said. The difference is that players tend to enjoy this more than if they were on the running track or in the classroom watching videos. Bringing it together makes for a happier squad.

    “Players enjoy this way of working,” says Carvalhal. “When I first went to England with Sheffield Wednesday, the reaction from the players was amazing. It was very hard but it was more attractive to them to train in the way that we wanted to play. They were excited about it, especially in the first year, when it was new to them, and they received the ideas well.”

    Is this the future of football coaching?

    This question of player satisfaction is an interesting one given the noises coming out of the Manchester United camp. Ole Gunnar Solskjaer has made fitness a priority in pre-season with Marcus Rashford and Scott McTominay speaking positively about the experience. McTominay has suggested that many of the squad have never done work like it before.

    However, there have also been reports of unhappiness from unnamed players because of the amount of running in pre-season. Understandably, there is little sympathy among supporters. The idea of the team working hard in pre-season appeals to the public. But are they working smart? That’s the question that interests advocates of tactical periodisation.

    “With so many teams doing it so well, what becomes difficult is what happens afterwards when you leave and another manager comes in with different ideas,” says Carvalhal. “This is very difficult for some players because they were working to improve their game and if they smell this improvement I don’t know any player who doesn’t want to become better.

    “In Porto, because we have the culture of this methodology, if you don’t follow it then, let me tell you, the players will not follow it. They will not understand you. They will ask you why they are being told to run around a pitch when they are footballers. Portuguese managers work with the ball. Mourinho was working like this a long time ago.

    “This is the Portuguese way.”

    It might not be the Manchester United way right now but the direction of travel in football coaching suggests that there are more and more believers in tactical periodisation. More and more who believe in the methodology of a man called Vitor Frade.

    “They come from Japan and United States, from Spain and England to talk with him and try to learn,” says Carvalhal. “A guy came from Brazil to study tactical periodisation and wrote a very good book on it. I can tell you that I have had more than 100 people asking to see our training sessions, more than 100. A lot of people are still curious about it.”

    Frade might not be famous, but he continues to have a big impact on how the game is being coached – and what the game’s greatest players are being asked to do this pre-season.

    Fonte: Sky Sports por Adam Bate

    Jogo preliminar amplia potencial do ‘produto’ futebol

    Comecei a frequentar os estádios de futebol quando estava com mais ou menos 12 anos, em companhia de amigos do bairro e do meu primo José Luiz.

    Todo domingo eu pegava bandeira e almofada – que me ajudava a isolar o frio da arquibancada de concreto -, punha alguns trocados no bolso e rumava de bonde para o antigo Estádio dos Eucaliptos, que ficava localizado no bairro do Menino Deus, em Porto Alegre (RS). Era dia de ver o Internacional jogar para tentar quebrar a hegemonia do arquirrival Grêmio, que, àquela época, na segunda metade dos anos 60, acumulava títulos regionais, aproveitando-se dos investimentos feitos pela diretoria colorada na construção do Gigante da Beira-Rio.

    Como hoje, as partidas começavam às 16h. Mas eu e meu primo costumávamos chegar bem mais cedo para assistir à preliminar dos aspirantes, que geralmente era disputada pelas mesmas equipes que se enfrentariam no duelo subsequente.

    Esses jogos preliminares eram uma grande oportunidade para a torcida conhecer os talentos da base, meninos que um dia iriam envergar o manto sagrado do clube como profissionais.

    Para nós, que também guardávamos no íntimo o desejo de defender as cores do time do coração, era quase a comunhão de um sonho. Foram nesses jogos que tive a oportunidade de ver despontar, ao vivo, nomes como Paulo Roberto Falcão, Escurinho, Jangada e Sérgio Galocha, entre tantos outros, que pouco tempo depois se consagraram campeões no supertime multicampeão do Inter nos anos 70.

    Lamentavelmente, essas preliminares foram proibidas em nome da preservação dos gramados e da dinâmica do evento – este último argumento, confesso, sem muito sentido em minha opinião.

    O fim dessas partidas deixou uma enorme lacuna no âmbito da revelação de talentos à torcida – ainda que, com o advento das mídias sociais, neste século, o conhecimento do(a) torcedor(a) sobre os meninos da base de seu time do coração não tenha sido efetivamente prejudicado. Basta lembrar da euforia da torcida do Santos quando, em 2009, Neymar despontou na lateral do gramado para entrar em campo no segundo tempo de um jogo do Campeonato Paulista e fazer sua estreia pela equipe profissional de Vila Belmiro, aos 17 anos: o Brasil já sabia quem era aquele jovem e esperava por aquele momento.

    De qualquer forma, permitir que outros Neymares possam jogar para a torcida mesmo antes de ascenderem ao profissional é dar a eles uma experiência que, para mim, hoje, faz-lhes alguma falta.

    Isso sem falar, claro, que um “combo” de dois jogos pode aumentar a atração do produto, antecipar a entrada da torcida no estádio – e, por consequência, ampliar o potencial de receita de clubes, fornecedores e parceiros comerciais – e fomentar outras estratégias de matchday, tornando o dia de jogo uma festa ainda mais atraente (para a torcida) e lucrativa (para os players envolvidos).

    Vou além: jogos preliminares também poderiam ser uma ótima maneira de incentivar os clubes a criarem equipes de futebol feminino, de base e/ou principais.

    E é importante deixar claro, aqui, que não vejo o futebol feminino apenas como um “esquenta” do masculino. Penso que aproveitar o formato da partida preliminar seria abrir uma nova porta para aproximar ainda mais a modalidade da torcida – que, definitivamente, já a acolheu, haja vista a grande audiência da recém-concluída Copa do Mundo – e de parceiros comerciais em potencial.

    Cumprida essa missão, dando ao time das meninas sustentabilidade econômica enquanto produto e viabilizando-o como negócio ao clube, nada mais justo que fomentar a criação de competições específicas, com calendários próprios e condições justas, que permitam a elas viverem do esporte. Seria um golaço para elas, para a modalidade, para as agremiações e para as marcas apoiadoras.

    Assim, fosse num híbrido de jogos masculinos e femininos ou num outro modelo que eventualmente fizesse mais sentido para o produto futebol e seus(suas) protagonistas, o interessante seria ver a volta dos jogos preliminares.

    Recuso-me a acreditar que tal medida prejudique o espetáculo ou seu palco, tampouco esvazie torneios e competições que hoje, de alguma forma, tentam cumprir o papel de revelar à torcida seus futuros ídolos.

    Ao contrário, só posso crer que estreitar os laços entre o prestador de serviço (clube) e seu(sua) cliente (torcedor/a) é tudo o que de mais certo poderia ser feito, sobretudo num momento de entrada agressiva e maciça de clubes estrangeiros no País, ávidos pelo coração – e pelo dinheiro – das jovens gerações de torcedores.

    Reconquistar – ou conquistar – essa meninada pelo compartilhamento de um possível sonho, como outrora aconteceu comigo, aproximando-a de outros meninos e meninas que já envergam camisas de peso do futebol brasileiro, a mim parece muito mais frutífero do que duvidoso. Por que não, então?

    Fonte: MKT Esportivo por Jorge Avancini

    A rua e o futebol: um caso de amor que NÃO poderia ter fim

    Muito se fala na formação de jogadores de futebol atualmente, em especial sobre os jogadores brasileiros. Mas o que eles têm de diferente dos outros?

    Os brasileiros ficaram marcados, merecidamente, como os mais habilidosos, capazes de realizar lances plástico e incríveis com a bola. Fatos estes ligados à cultura do país, ao clima favorável às práticas na rua e também a miscigenação da população brasileira. Neste sentido, muitas críticas surgiram sobre o fato do futebol brasileiro não formar jogadores como antigamente. Seria inteligente da nossa parte dizer que não formamos mais jogadores como antigamente? Será que podemos comparar os tempos?

    Para enriquecer a discussão e tentar encontrar uma possível solução para este suposto problema encontrado no futebol pentacampeão, não podemos deixar de citar Alcides Scaglia, um dos mais famosos pedagogos do esporte no Brasil. Segundo Scaglia (2007) a cultura futebolística do brasileiro foi tecida em meio a um rico ambiente de aprendizagem de jogo, construindo uma teia de conhecimento de pequenos jogos/brincadeiras de bola com os pés, as quais eram criadas para resolver o problema de se jogar futebol, o que direta e indiretamente colaborou na construção de um modo todo particular de se jogar futebol no Brasil. Para Freire (2003) “a rua tem a pedagogia da liberdade, da criatividade, do desafio e até da crueldade. (…) No tempo em que havia fartura de espaço e de brincadeira, nem se fazia sentido falar de Escolinhas de Futebol. Dos campinhos de pelada saiam os Didis, os Garrinchas, os Gersons, os Romários”. Os tempos mudaram e não podemos negar. Os grandes espaços ao ar livre que tínhamos, hoje não se encontram mais na mesma disponibilidade e tamanho. As crianças não são vistas mais jogando nas ruas conforme antigamente. Alguns fatores que podem ser relacionados à diminuição destas práticas informais nestes ambientes, serão mencionados aqui, mas não serão discutidos: as construções aumentaram; o número de carros também; o avanço da tecnologia pode ser fator importante neste quesito, se pensarmos em vídeo games e celulares; a violência aumentou. Com essa mudança, o número e a importância das escolas de futebol aumentaram. Mas será que nas escolas de futebol os alunos aprendem os mesmo que aprenderiam nas ruas? Será que ele é capaz de criar as regras de um jogo previamente planejado pelo treinador? O aluno tem a capacidade de tomar a decisão de forma autônoma com o treinador o instruindo ao que deve ser feito? O treinador que coloca regra de 2 toques na bola está estimulando o jogador a dar um drible característico do futebol brasileiro? Os questionamentos levantados servem para nossa reflexão sobre a REALIDADE das escolas de futebol (sem generalização). Visto isso, levantemos a bola para os clubes de formação. Há relatos que clubes grandes do país separam uma parte do treino para realizar alguns “jogos na rua”, para que os jogadores pudessem experimentar a rua. Mas esse treino é liderado por alguém? Se sim, já está descaracterizado. Será que a inclusão dos jogadores nos processos de treinamento não tem sido de forma precoce? Como são realizados os treinamentos das equipes mais jovens em um clube?Mais do que isso, pensemos na utilização de algumas práticas da pedagogia de rua no futebol profissional. Será que daria certo? Os treinamentos possuem espaços para este tipo de atividade? Os treinos no futebol profissional são específicos para determinados contextos que envolvem todas as capacidades de uma forma sistêmica. A pedagogia da rua não seria melhor utilizada nas idades menores? Será que os jogadores que forem formados nesta abordagem chegam mais desenvolvidos no profissional? Seria um processo interessante a se aplicar, se os processos funcionassem como processo no Brasil. Para finalizar, devemos nos atentar a importância de se entender o seguinte ponto: a rua, por ela mesma, não é a responsável por formar o exímio jogador brasileiro. Muitos jogadores jogaram na rua e nunca foram profissionais. Mais do que isso, a superfície em que os jogadores costumavam jogar (o asfalto, o paralelepípedo e/ou a terra) não são os formadores de jogador. Não basta colocar um jogador para jogar descalço no asfalto do estacionamento. Devemos compreender que o ambiente que envolve o futebol de rua, como já citado acima, é o grande “responsável” pelo rico aprendizado obtido nele. Aprendizado este que era desenvolvido através das relações sociais com os amigos, da criação das regras para o jogar, da resolução de problemas, da “tabela” com a parede para vencer o adversário, da autonomia de poder tomar uma decisão sem alguém o guiar, do aprender com os erros das decisões tomadas de forma equivocada, da inteligência necessária para vencer jogadores mais velhos e mais fortes, da liberdade, da felicidade e entre outras capacidades que poderiam ser potencializadas direta ou indiretamente, de forma intencional ou não. Não há tempo para lamentações. Não podemos apenas colocar a culpa na falta de espaço para a realização destes tipos de jogos. Não podemos nos omitir do processo, enquanto formadores de jogadores. Então, cabe à nós, profissionais envolvidos na formação destas crianças (inteligentes e com capacidade de tomar boas decisões), produzirmos práticas e ambientes de aprendizado que consigam potencializar os indivíduos, não como o ambiente da rua (porque ele é insubstituível!), mas como um cenário rico, com estímulos adequados e capazes de se adequar ao mundo atual. Afinal, também somos responsáveis pelas mudanças (ditas ruins) no mundo. Que sejamos pelas boas daqui para frente.

    Referências:

    Fonseca, H., & Garganta, J. (2006). 

    Futebol de rua: um beco com saída: do jogo espontâneo à prática deliberada. Lisboa: visão e contextos.Freire, J. B. (2003). 

    Pedagogia do futebol. Autores Associados.Scaglia, A. J. (2007). 

    A criança, a pedagogia da rua e o estilo do futebol brasileiro? Disponível em: Universidade do Futebol. Acesso em: 26 abril, 2018.

    Fonte: Ciência da Bola por Italo Resende