Um novo modelo de patrocínio baseado no desempenho

Claudio Borges detalha a nova estratégia da Anheuser-Busch InBev, dona da Budweiser, que agora irá recompensar suas propriedades esportivas com base na performance.

Publicidade baseada em desempenho é uma forma de publicidade onde marcas ou agências pagam comissões a meios de comunicação apenas quando há resultados mensuráveis.

Na área digital é um modelo possível a partir de 1994 quando os primeiros banners digitais apareceram e em 1996 quando as empresas, como a DoubleClick, surgiram no mercado com ferramentas para medir o retorno em investimentos em publicidade digital.

Desde então, plataformas como GoogleAdWords, Facebook Ads e a Amazon Associates Program vêm possibilitando campanhas mais focadas em um publico-alvo específico e criando ferramentas mais mensuráveis.

A ideia é prover um melhor retorno para marcas através da medição de ações por parte do consumidor e reduzir a incerteza na famosa frase de John Wanamaker: “metade do dinheiro que eu gasto em publicidade é um desperdício, eu só não sei qual metade”.

Enquanto a indústria de publicidade vem evoluindo rapidamente nessa direção, a área de patrocínios esportivos vem ficado para trás. Apesar da compensação por desempenho ser comum na área esportiva, entre times e jogadores (compensação por minutos jogados, bônus por classificações, títulos ou rankings), na área de patrocínios esse ainda é um modelo que está engatinhando. Na minha opinião, rapidamente se tornará norma no próximos anos.

No ultimo mês a empresa Anheuser-Busch InBev, dona da marca Budweiser, se tornou a primeira patrocinadora a adotar um modelo baseado em incentivos para seus acordos com times e ligas.

A patrocinadora surpreendeu a indústria esportiva com a anuncio de um novo modelo de patrocínios que recompensa propriedades esportivas com base na performance do time em campo e com torcedores a cada temporada.

Um dos principais responsáveis em como a empresa gasta seus U$ 365 milhões por ano em patrocínios (de acordo com a consultoria ESP properties) é o brasileiro Joao Chueiri, Vice-Presidente na área de Marketing da Anheuser-Busch InBev.

Os gatilhos de incentivo para seus patrocínios que incluem times de futebol americano (New Orleans Saints), times de baseball (Los Angeles Dodgers), times de basquete (Minnesota Timberwolves) e a NASCAR, variam desde classificação para fases classificatórias a criação de novas plataformas digitais para engajamento com o torcedor e exposição da marca.

De agora em diante todos novos acordos ou renovações de contrato da Anheuser-Busch InBev adotarão o novo modelo. Os indicadores para os incentivos serão determinados caso-a-caso.

Marcas estão a cada vez mais focadas em quantificar o retorno de seus investimentos ou demonstrar que suas parcerias alavancam seus objetivos. Essa tendência se torna cada vez mais forte a medida que marqueteiros precisam demonstrar a seus superiores e conselhos como oinvestimentos em patrocínios apoiam os resultados financeiros.

O modelo de patrocínio esportivo precisa evoluir para proporcionar marcas com maior transparência no retorno de seus investimentos na área esportiva. A adoção do novo modelo por uma das maiores patrocinadoras esportivas no mundo é um grande passo nessa direção.

Ao adotar um modelo baseado em desempenho, tanto na parte esportiva como na área de engajamento com o torcedor, marcas motivam propriedades esportivas a ter um maior interesse no sucesso do patrocinador.

Times, ligas e atletas precisarão estar aptos a adotar essa nova estrutura de pagamento e terão que usufruir da oportunidade em investir em plataformas digitais e sociais para impulsionar o engajamento com o torcedor, bem como aumentar o seu valor diante a patrocinadores.

Fonte: MKTESPORTIVO por Claudio Borges – Executivo de Marketing Esportivo

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Estrutura e objetivo (s): componentes fundamentais na construção do exercício de treino

Introdução

Numa era em que é enfatizada a importância do jogador inteligente, capaz de ler o jogo com proficiência e executar com qualidade de acordo com o contexto situacional do jogo, o tema do treinador inteligente continua a ser pouco ou nada debatido. A tomada de decisão do treinador não diz respeito apenas ao modelo de jogo da equipa, às substituições a fazer numa partida ou à gestão das expectativas dos jogadores/praticantes. Uma das tarefas mais decisivas do treinador, ou da equipa técnica se preferirem, é articular a estrutura do exercício de treino com os objetivos definidos, no intuito de promover a aprendizagem do jogo ou melhorar o rendimento em competição. Se a criatividade é fundamental para o jogador inteligente, também não deixa de o ser para o treinador inteligente. Criar um exercício adequado aos objetivos pretendidos é muito mais complexo do que encontrar um exercício «maneirinho» num dos inúmeros livros de exercícios publicados. Assim, o propósito deste artigo é instigar a reflexão sobre o exercício de treino no futebol, tendo por base as suas componentes fundamentais: a estrutura e o(s) objetivo(s).

O que distingue um exercício de treino?

Uma questão premente para qualquer treinador deve ser: como se distingue um exercício fraco de outro que prima pela qualidade? Em primeiro lugar, o exercício tem de possuir uma estrutura: espaço (dimensões/funcionalidade?), recursos humanos (nº de jogadores?; cooperação/oposição?), recursos materiais (bola/balizas/sinalizadores/cones?) e finalidade estratégico-tática. Posteriormente, tem de haver um ou vários objetivos associados à estrutura. A complementaridade entre estas duas componentes é indispensável para determinar a qualidade do exercício de treino: o objetivo permite definir o que se pretende treinar e a estrutura permite dar forma e substância aos conteúdos que o treinador idealiza que se assimilem (figura 1).

Figura 1. Estrutura e objetivo: componentes fundamentais na construção do exercício de treino.

Portanto, objetivo sem estrutura é informe e estrutura sem objetivo é disfuncional. Quando a estrutura e o objetivo não estão em harmonia, o exercício de treino perde intencionalidade e o treinador demorará mais tempo para cumprir a sua missão. Se o treinador identifica lacunas em competição ou no treino, estabelece metas a atingir no microciclo semanal seguinte. A título de exemplo, imaginemos que pretende (1) aumentar a percentagem de passes precisos e (2) potenciar ações de desmarcação em crianças Sub-11, com 3 anos de experiência de prática formal. Ser criativo implica encontrar uma estrutura que induza sucesso na ação de passe e o recurso a desmarcações constantes, respeitando o nível de prática dos miúdos (figura 2).

Figura 2. Exercício exemplo: jogo 3v3 (20x15m), com balizas pequenas laterais.

Ao jogo reduzido/condicionado 3 contra 3 (3v3), em que propomos uma área de jogo individual de 50 m2, incluiríamos os constrangimentos de realizar um mínimo de 3 passes consecutivos para finalizar o ataque, no intuito de fomentar a execução da ação de passe, e a obrigatoriedade de marcação individual, de forma a proporcionar desmarcações constantes. De facto, grande parte do sucesso de um treinador de futebol passa por gerar concordância entre a estrutura e o(s) objetivo(s) do exercício de treino.

A motivação: o extra na qualidade do exercício

A motivação não está exclusivamente dependente da ação do treinador, contudo, é uma variável passível de aumentar os efeitos do exercício de treino. Por isso, o treinador não pode ignorar o impacto que o exercício tem nos seus praticantes. Se é verdade que a lógica do exercício deve assentar na filosofia e na ideia de jogo do treinador, a necessidade de cativar os jogadores para o mesmo é impreterível, pois por muito bom que seja o exercício proposto, se os jogadores não estiverem motivados para concretizar os objetivos, torna-se perfeitamente banal (figura 3).

Figura 3. A motivação potencia os efeitos do binómio «Estrutura – Objetivo(s)» do exercício.

Nos anos 2003 e 2004, quando José Mourinho atingiu pela primeira vez o auge no futebol europeu, era comum ver atribuído o seu sucesso à capacidade psicológica de motivar e de mobilizar os seus jogadores para um determinado fim. Claro que não foi apenas a enorme motivação dos jogadores do FC Porto a determinar o fantástico rendimento em competição, mas decerto que potenciou imenso as opções metodológicas de Mourinho e da sua equipa técnica no processo de treino. Deste modo, quer numa perspetiva de aprendizagem, quer numa perspetiva de rendimento, a motivação dos jovens praticantes ou jogadores para cumprirem o exercício de treino é um extra de inegável valor. O treinador inteligente, ao equacionar a complementaridade das componentes estrutura e objetivo(s), está também a adequar o exercício de treino às características e às necessidades dos jogadores. Em suma, pensar e criar o exercício em função dos praticantes é estimular a motivação para aprender o jogo, desenvolver competências específicas e alcançar, progressivamente, um nível de rendimento superior em competição.

«Por muito bom que seja o exercício proposto, se os jogadores não estiverem motivados para concretizar os objetivos, torna-se perfeitamente banal».

Fonte: Futebol de Formação por Carlos Almeida

Aprendizagem tradicional vs Aprendizagem diferencial

Atualmente, vivemos num mundo cada vez mais tecnológico, cada vez mais desenvolvido, em que é muito mais apetecível para uma criança/jovem ficar fechado em casa a jogar computador ou playstation do que vir para a rua jogar futebol com os amigos. No entanto, não só pelas tecnologias se deixou de ver tantas crianças na rua, mas também pelo facto de terem uma grande sobrecarga escolar (além das aulas, ainda vêm cheios de trabalhos de casa), a qual não lhe retiro qualquer importância, no entanto, esta deveria ser repensada e transformada em algo mais produtivo para o desenvolvimento intelectual das crianças/jovens.

Este fator é muito visível no desenvolvimento, principalmente técnico, dos atletas da formação. Aquela “peladinha” jogada com amigos no mítico ringue da aldeia, que já foi palco de mais finais de Ligas do Campeões do que aquelas que a verdadeira prova conta…aquela “peladinha” que era jogada em terrenos irregulares…aquela “peladinha” com bolas deformadas…aquela “peladinha” com as regras que nós queríamos, aquela “peladinha” que mesmo que estivesse 20-0, quem marcasse ganhava…aquela “peladinha” que faz tanta falta.

Contudo, para colmatar a falta que o futebol de rua deixou, houve a necessidade de criar diferentes estratégias que possibilitem aos atletas de “receber” diferentes estímulos daqueles que recebiam com a aprendizagem tradicional e lhes permitam um melhor desenvolvimento. Ou seja, podemos entender por aprendizagem tradicional uma prática repetitiva do mesmo gesto/movimento durante algum tempo, até que os mesmos sejam interiorizados. Com isto, Wolfgang Schöllhorn, “professor alemão da Universidade de Johannes Gutenberg e “pai” da Teoria da Aprendizagem Diferencial, defende que o atleta não aprender pela repetição e correção dos erros, mas pela adaptação da sua técnica, de forma intuitiva, a um vasto conjunto de problemas e dificuldades.”

Portanto, podemos entender a aprendizagem tradicional como sendo o método repetitivo, onde há uma sistemática repetição de movimentos e gestos pretendidos. Por exemplo, os atletas fazem passes frente a frente, durante 5 minutos, ou os atletas fazem condução de bola entre os cones durante 5 minutos, ou há repetição de uma jogada padronizada durante 5 minutos. Podemos também entender a aprendizagem diferencial como sendo a não repetição do mesmo movimento, em que com o erro, o atleta vai começar a perceber e adaptar, de modo a reduzido o mesmo. Por exemplo, fazer condução de bola durante 3’, sendo que a cada 20’’ se muda o pé, ou a zona de contacto com a bola. Nesta aprendizagem há uma grande variabilidade de movimentos, sendo que se podem manipular algumas variáveis como os objetos, o padrão corporal ou o ambiente.

Na minha opinião pessoal, há vantagens e desvantagens associadas a ambas as aprendizagens. No que respeita à aprendizagem tradicional, a principal vantagem é a aquisição das bases do movimento. Ou seja, se estou a repetir o mesmo movimento durante 5’, deverei conseguir após isto, realizar o mesmo com alguma facilidade. As grandes desvantagens serão que se aprender mal, vou estar sempre a repetir mal e vou ter uma execução errada do movimento/gesto. Também, devido à falta de motivação que uma repetição de movimentos/gestos durante um período longo de tempo provoca, vai ser mais fácil o atleta “desligar” disto e, passados uns minutos, estar a fazer por fazer ou mesmo a não fazer. Para mim, serão estas as principais vantagens e desvantagens da aprendizagem tradicional.

Em relação às vantagens e desvantagens da aprendizagem diferencial, e começando pelas vantagens, serão que devido à grande variabilidade de movimentos, será difícil o atleta “desligar” do exercício, pois há uma grande estimulação cerebral, uma vez que os atletas têm que estar sempre a mudar padrões, formas de colocar o pé, estar atentos à mudança de direção da bola, etc… proporcionando assim um maior número de tempo em atividade do que o proposto na aprendizagem tradicional. Também o facto de proporcionar estímulos aproximados a realidades do jogo ou mesmo a possibilidade de se aproximar de contexto semelhantes aqueles que o futebol de rua oferecia. Em relação às desvantagens, como é uma aprendizagem que se procura que haja erro para que o atleta o percecione e corrija, poderá também o mesmo não ser percecionado pelo atleta e este aprender a fazer de forma errada ou em casos extremos, o atleta não conseguir fazer nenhum transfer daqueles movimentos para o jogo de “futebol normal”.

Portanto, acho que não se deva só aplicar uma aprendizagem tradicional no treino dos escalões de formação, nem só uma aprendizagem diferencial. Acho sim que se deva encontrar um equilíbrio entre ambas as aprendizagens para um melhor desenvolvimento dos atletas.

Na minha perspetiva, a aprendizagem diferencial será o caminho mais correto a seguir no futebol de formação, porque são estímulos de circuito abertos e não fechado. Ou seja, a aprendizagem diferencial proporciona-nos diferentes respostas para o mesmo problema, sendo que a aprendizagem tradicional proporciona uma resposta para um problema. Por exemplo, se um atleta só está habituado a jogar com o pé direito, no momento que tiver que utilizar o pé esquerdo, não irá conseguir ou irá realizar mal o movimento. Outro exemplo poderá ser a tradicional realização de passes frente a frente, coisa que raramente deverá acontecer num jogo, pois há sempre jogadores à volta e o ambiente é diferente de treino para jogo.

Não querendo dizer que a aprendizagem tradicional será um método errado para implementar, no entanto, como supra mencionado, a aprendizagem diferencial poderá ser mais benéfica para aplicar no futebol de formação por oferecer outros estímulos que a aprendizagem tradicional não oferece.

Como todos nós sabemos, o Ajax desde sempre foi uma das melhores escolas, senão a melhor escola de formação da Europa. Então, pegando nesta analogia, recentemente saíram algumas notícias de que o Ajax estava a mandar os atletas da formação para as rotundas e para a rua jogar futebol com vista a proporcionar diferentes estímulos. No entanto, não só o Ajax aplica este tipo de aprendizagem, mas também Liverpool e Borussia Dortmund têm vindo a aplicar nos escalões séniores.

Exemplos de variações:

Variações corporais (jogar com os braços cruzados, jogar com um braço à frente e outro atrás, jogar com as mãos dentro dos calções, jogar a ser agarrado por um colega, etc…);

Variações dos objetos (jogar com bolas mais pequenas, bolas de râguebi, bolas furadas, garrafões de água, caixas, etc…)

Variações do ambiente (jogar em terra batida, jogar na praia, jogar em terrenos com descidas/subidas,etc…)

Qual será então o verdadeiro transfer que isto poderá ter para um jogo de futebol 7×7, 9×9 ou 11×11? Vamos supor que numa disputa de bola, o atleta ganhou e está a ser puxado pelo braço. Então, como em treino o atleta já teve uma experiência idêntica a esta, será mais fácil para ele responder positivamente a este estímulo. Jogar com uma bola mais pequena fará com que tenha que aprender a conduzir melhor a bola e a ter mais contactos com a mesma, por exemplo. Portanto, há também que pensar no que é que as alterações poderão ajudar o atleta a melhorar.

No entanto, a aprendizagem diferencial não virá resolver todos os problemas, nem a sua aplicação será sempre tão linear quanto o pretendido. Será preciso implementar, experimentar, criar hábitos e por fim, obter o pretendido.

Por fim, e para terminar, a minha opinião será que o atleta deverá receber estímulos tanto pela aprendizagem tradicional como pela aprendizagem diferencial, no sentido de obter algumas bases com a aprendizagem tradicional e, posteriormente, ter sucesso com a aprendizagem diferencial.

Fonte: Futebol de Formação por Pedro Pinho

Envolvimento parental na prática desportiva

O problema da coordenação e da articulação clube (treinador / dirigentes) – pais – atletas é uma temática atualíssima, sem que isto signifique que seja um problema novo. O principal objetivo é contribuir para alertar os pais para a importância da família em participar na prática desportiva, uma vez que toda a inovação e mudança podem favorecer a vida de seus filhos.

A participação dos pais é atual, pertinente e importante. O mundo não é estático e as sociedades sofrem mutações. Os clubes viveram no final do Século XX algum deslumbramento que levou à falência de muitos e não criaram condições que lhe permitam hoje serem autossustentáveis. Com a indisponibilidade que existe nos tempos de hoje, para se ser dirigente associativo, os clubes abdicaram das suas responsabilidades e criaram a figura do «pai pagador» sem qualquer tipo de regulação da atividade na prática desportiva do atleta-filho.

A experiência como treinador da formação, durante quinze anos, permitiu um contacto estreito com esta problemática Clube (treinador) / Família dos atletas. A interação entre a família, escola e a prática desportiva é que permite a evolução sustentada e o sucesso do jovem.

Correntemente, a utilização do conceito de participação, quando aplicado ao envolvimento das famílias nas questões extra escolares que as respetivas crianças e jovens frequentam, não levanta dúvidas significativas e parece corresponder a um significado claro. Contudo, uma análise mais profunda revela geralmente importantes diferenças de conteúdos de utilização do conceito, as quais correspondem, mais ou menos implicitamente, a perspetivas diferentes acerca do que é o que deve ser, a referida participação.

A “relação clube- família” inclui as noções de parceria, de partilha de responsabilidades e de participação, assentes na ideia de que o sucesso de todos só é possível com a colaboração de todos, mas na maioria dos casos, a preocupação primordial centra-se nos treinadores e nos árbitros, esquecendo-se os “atores principais”, enquanto razão de ser desta problemática. Ambas servem as mesmas crianças e jovens. Filhos num lado, atletas no outro, são os mesmos seres humanos. Tanto o clube como a família se preocupam com o seu bem-estar. Aparentemente estariam perante uma aliança natural. No entanto, basta ouvir pais e treinadores para percebermos que existe, muita das vezes, uma relação conflituosa.

Quando os pais têm uma relação positiva com os outros intervenientes desportivos, eles podem ajudar aos filhos a terem um comportamento assertivo na atividade desportiva. A dessincronização entre o clube e a família é, sem dúvida, um obstáculo ao sucesso dos jovens mais em risco. Os efeitos positivos do envolvimento dos pais no aproveitamento desportivo fazem-se sentir em todos os escalões etários e competitivos.

Não há uma única maneira correta de envolver os pais. Os clubes devem procurar oferecer diversas formas de participação. A intensidade do contato é importante e deve incluir, não só regulamentos, mas também reuniões gerais e comunicação escrita, através dos canais de comunicação existentes nos dias de hoje. Os jovens atletas são, pois, o ponto comum entre o clube e a família. Uns e outros têm papéis específicos. O desempenho adequado destes é absolutamente necessário, para uma melhoria do sucesso formativo dos atletas.

Os atletas querem sempre os pais nos jogos a apoiar a sua equipa.

* Vítor Santos (Treinador de futebol de formação)

Fonte: Futebol de Formação por Vitor Santos

Sonhei, lutei, não alcancei…

Tenho conversado com um número considerável de atletas que estão desiludidos com o seu percurso. Sonharam, lutaram, mas não alcançaram o que queriam, por alguma razão.

Nunca duvidei de uma coisa, podemos chegar a qualquer lugar que nos proponhamos a chegar, então comecei a “investigar” o porquê de tanta gente com muita vontade, ter falhado em alcançar os seus objetivos.

Nesta “investigação” encontrei 3 tipos de comportamentos que estes atletas tiveram, que lhes afastou dos seus sonhos:

OBJETIVOS FORA DE TEMPO

Por vezes o problema não é o objetivo que traças, é o tempo que te dás para alcançá-lo. Querer chegar a determinado patamar fora de tempo, faz com que, quando chegue esse tempo, em vez de estares motivado porque já conseguiste alguma coisa, ficas desiludido porque não estar onde achas que deverias estar.

QUEREM MAIS, MAS NÃO FAZEM MAIS

Todos querem ser o Cristiano, o Jordan ou o Phelps… Poucos querem fazer o que eles fizeram. Poucos querem ser os primeiros a chegar, os últimos a sair, os que treinam nas folgas, os que correm o quilómetro extra…

Ou aumentas o teu processo, ou diminuís o teu sonho.

FIZERAM MAIS, MAS NÃO FIZERAM MELHOR

Por último, temos os que até decidiram fazer mais, mas não necessariamente melhor. Em algum momento as suas estratégias não estavam a funcionar, e em vez de redefini-las, insistiram com mais intensidade nela.

Já Einstein dizia que a definição de insanidade é fazer as mesmas coisas e esperar resultados diferentes.

Como dizia ao início, acredito que conseguimos fazer tudo a que nos proponhamos, mas não só porque acreditamos e queremos. A habilidade mental para sabermos o como, o quando, e o quê, na medida certa, na hora certa, da forma certa, é tão importante como a intensidade, paixão e determinação que colocamos no que fazemos.

O equilíbrio entre o treino e o descanso é o que constrói o físico do atleta.

O equilíbrio entre a ação e a reflexão é o que constrói o desenvolvimento dos nossos processos em excelentes resultados.

Fonte: Nádia Tavares / odesportista.net por Futebol de Formação por Nadia Tavares

O feedback no futebol de formação

Nota Prévia: Esta crónica não é, de forma alguma, uma crítica ou algum tipo de desrespeito a qualquer treinador de futebol. Apenas servirá de debate a quem o pretender fazer.

Engane-se quem pensa que só perceber de tática é quem vai ter sucesso no mundo do futebol. Acima de tudo, estamos a treinar ou a liderar homens e, no futebol de formação, ainda com crianças. O feedback dado no timing certo é uma peça chave para se alcançar o sucesso.

Quando se lida com crianças entre os 6 e os 12 anos de idade (casos com os quais eu já passei) é necessário que os atletas vejam o treinador como alguém que é um amigo, que estes possam sempre contar não só no futebol como também em questões pessoais. Tudo isto começa no feedback que se aplica no treino, que transmitimos para o jogo e que nos vai aproximar cada vez mais do atleta.

Nos momentos de falha, de frustração e de tristeza por parte de um jogador, é quando o treinador tem de aparecer e dar o feedback no timing certo. Saber o que vai dizer, como vai dizer, ter uma sensibilidade necessária para conseguir que numa situação futura as coisas vão correr melhor e que o resultado, nestas idades, não é o mais importante. Claro que as vitórias trazem motivação, a motivação leva-nos para uma melhor qualidade e empenho nos treinos e jogos. Só que há várias maneiras de motivar uma criança. Um atleta a quem o jogo tenha corrido mal é aquele que tem de receber mais feedback no treino e mais incentivo por parte do treinador. Sem hipocrisias: os jogadores não são todos iguais, o “Mister” tem de saber diferenciá-los de uma maneira discreta, e tem de saber como lidar com um atleta que tem um ego muito elevado e com um atleta que seja mais “tímido”. Num simples exercício de passe, é quando tem de haver um tipo de instrução mais dinâmico, de forma a que o exercício flua, seja intenso e onde os jogadores com uma melhor capacidade técnica têm de ser mais “vigiados” pois o excesso de confiança pode atraiçoá-los.  Todavia, há situações em que o feedback por parte do treinador tem de ser “agressivo”. Não vejo problema quando o orientador fala de forma mais “bruta” com o atleta, é sinal que o treinador está a demonstrar a sua autoridade e não quer dizer que não gosta do menino, muito pelo contrário, é sinal de preocupação e se estes têm regras no contexto familiar, também têm de o ter no contexto desportivo.

Acima de tudo, é importante que o treinador, no futebol de formação, tenha uma sensibilidade muito grande para ter os jogadores todos do seu lado e que, ao mesmo tempo, consiga ensinar e transmitir os maiores valores, comportamentos e gestos de um futuro adulto exemplar. O futebol de formação é, tal como o nome indica, de FORMAÇÃO das crianças do hoje que serão os Homens de amanhã.

Fonte: Futebol de Formação por Rafael Castro

Formar pelo exemplo

Após a final da Taça de Portugal conversava com um amigo que me dizia ter visto uma criança, de uns 5 ou 6 anos, a chorar copiosamente pela derrota do Sporting nesse jogo. Lembro-me de ter pensado Que andamos a passar às crianças que as leva a chorar a derrota do seu clube num jogo de futebol?. De seguida, lembrei-me de um anúncio que passou na TV nacional há uns anos. Neste anúncio, apareciam vários adultos com crianças a seu lado, quais fotocópias, a imitar todos os gestos que os adultos faziam. Estamos a falar de exemplos como fumar, agredir verbal ou fisicamente outra pessoa, etc.

De facto, as crianças absorvem tudo o que dizemos ou sentimos e, sobretudo, o que fazemos. Podemos dizer 100 vezes a uma criança que não pode fazer algo, mas se numa única situação, ela nos vir a fazer isso mesmo, o exemplo vai lá ficar e tudo o que foi dito antes irá quase desaparecer.

É importante que, tanto pais como treinadores, tenham presente a importância do exemplo na formação da criança, quer na vertente desportiva como na vertente pessoal. Quando um pai insulta, a partir da bancada, um treinador ou árbitro, quando um treinador insulta, do banco, um árbitro, é esse o exemplo que está a passar para a criança e, por mais que diga fora do jogo que isso não se deve fazer, é isso que vai ficar registado na criança… o que fizemos, não o que dissemos.

Claro que podemos alegar que os exemplos, neste campo, aparecem também de outros lados e, no futebol profissional, aquele que tem mais visibilidade e impacto, abundam exemplos negativos. Estamos a falar de comportamentos incorrectos e da não penalização desses mesmos comportamentos. A Comunicação Social também tem a sua responsabilidade, devido à quantidade de programas que falam de tudo menos do jogo. No entanto, a responsabilidade maior é, sem dúvida para mim, dos pais e treinadores que são quem tem a responsabilidade máxima de filtrar toda esta informação que chega à criança. Como? Pelo exemplo.

Também quando se definem os objectivos da época, seja para o clube, para a equipa ou para o jogador, estamos a passar mensagens para as crianças. Se o que interessa é vencer, então o que estamos a ensinar é que isso é o mais importante na vida: vencer. Atenção, neste caso, não estamos a formar, mas apenas a ensinar. Ou, se quiserem, a deformar.

A palavra de ordem aqui é Coerência. O nosso comportamento, seja como pai ou treinador, tem que ser coerente com o que dizemos.

Numa nota final, pais e treinadores, lembrem-se que, vencendo ou perdendo domingo a domingo, aquilo que fizerem irá ecoar na pessoa que essa criança será para o resto da vida.

Fonte: Futebol de Formação por Jorge Boim

Futebol de 9 – Uma etapa necessária no futebol de formação

Optei nesta crónica por falar de algo que não tem tido muito ímpeto. A necessidade de existir o futebol de 9 no futebol de formação. Sou suspeito a falar disto, não só porque treino uma equipa nestes “moldes”, como também sou um sério admirador do princípio da progressividade.

Acho que, como em tudo na vida, o futebol tem de passar por um processo de progressão da idade em que se começa (normalmente nos 6/7 anos) até à idade sénior (18/19 anos). Na minha ideia acho que um atleta deverá passar pelas seguintes etapas no futebol de formação: Futebol de 3 (4/5 anos), futebol de 5 (6/7/8 anos), futebol de 7 (9/10/11 anos), futebol de 9 (12 anos) e, por fim, futebol de 11 ( 13 anos até ao fim da carreira desportiva). E porquê? É simples. Se queremos que um atleta chegue à idade sénior minimamente preparado, ele tem de conhecer todos os contextos de jogo, desde o relacionamento com bola no futebol de 3, à adaptação de uma maior dimensão de espaço em futebol de 5, a uma pequena demonstração tática em futebol de 7, à importância de saber a lei do fora-de-jogo em futebol de 9, e, por fim, à junção de todos estes princípios que são aplicados no futebol de 11.

O futebol de 9 surgiu, na AFPorto, na época 2014/2015. Desde então, cada vez surgem mais equipas interessadas e, com isto, vai surgir uma maior competitividade (saudável) entre os atletas o que vai permitir uma maior evolução. Relativamente às suas regras e que o diferencia do futebol de 7 é, obviamente, a inclusão de mais 2 jogadores e também a existência do “fora-de-jogo”, só a partir das áreas (se bem que já há alguns campeonatos de futebol de 7 onde esta lei já existe).  As substituições continuam a ser ilimitadas e, também, o “time out” está presente. As dimensões do campo são, na minha opinião, o factor que mais defendo para que todas as equipas implantem o futebol de 9 nos seus escalões. Joga-se, normalmente, com a largura total do campo de futebol de 11 e o comprimento de futebol de 7. É importantíssimo para um atleta saber posicionar-se em campo e, se já o aprendem em futebol de 7, no futebol de 9 ainda melhor têm que se saber posicionar. Não havendo este escalão será muito mais complicado para os atletas se adaptarem às dimensões do campo de futebol de 11. Penso que não tem de haver pressa para que o atleta vá competir em futebol de 11, sendo que vai fazê-lo, no mínimo, a partir dos 14 anos. À cerca de 10 anos atrás nem futebol de 7 existia (em termos competitivos), e era absurdo uma criança de 8 anos jogar futebol de 11 num campo tão extenso e acabava por nem sequer ter a oportunidade de tocar na bola. Existindo agora o futebol de 7 e futebol de 9 vai permitir que o atleta tenha contacto com a bola, permita fazer golos, desarmes, defesas e tudo mais. É assim que o jovem jogador evolui.

É isto que defendo, a tal progressividade que foi falada anteriormente. Se um atleta passar por todos estes contextos ao longo da sua “carreira” desportiva, vai acabar por chegar à idade sénior com uma capacidade enorme de ser um jogador mais completo. São pequenos factores que podem decidir um jogo de futebol, fatores esses que podem ser assimilados passando por todos estes cenários.  Eu defendo claramente o futebol de 9 no futebol de formação.

Fonte: Futebol de Formação por Rafael Castro

A importância dos pais no momento do jogo

É inquestionável que os pais têm uma importância fundamental no crescimento do jogador jovem. Também não há dúvidas que ao longo da formação desportiva, os pais podem e devem acompanhar os seus filhos nos momentos altos e baixos que todo o processo de formação desportiva envolve.

Das vitórias às derrotas, do golo falhado ao golo marcado, da titularidade à ausência na convocatória, são os pais que muitas vezes são confrontados com as consequências dos acontecimentos anteriormente referidos e são também eles que têm que gerir expectativas nos momentos de alegria e tristeza, de frustração e prepotência, de altruísmo e egoísmo.

Por sua vez, os clubes, na sua globalidade promovem o desporto de formação como um meio para adquirir competências específicas da modalidade e valores que pretendem que sejam “para o resto da vida”.

Mas quando a bola começa a rolar, muitas vezes, falta coerência entre o discurso e o percurso de ambas as partes ao longo do processo de formação comprometendo a evolução do jovem desportista na sua globalidade (como jogador e como futuro adulto inserido na sociedade).

Mas se ambos (pais e clube/treinador) pretendem o melhor para a formação do jovem desportista e se existe de ambas as partes uma grande preocupação ao longo do processo de ensino desportivo, qual é o motivo para que este conflito tão frequente entre pais e clube/treinadores se verifique? Porque é que não se verifica uma maior e melhor colaboração entre as partes?

Parece-me que a questão está na definição dos limites de cada uma das partes e na forma como essa informação é transmitida no inicio de cada época desportiva. É um facto que existem vários tipos de pais e que temos muitos clubes a trabalhar com preocupações e caminhos diferenciados para chegar ao mesmo fim: a formação desportiva do jovem jogador. No entanto sentimos muitas vezes incompatibilidade entre o que o clube pretende e o que os pais pretendem. Porquê?

A existência de um regulamento interno com definição de valores e filosofia do clube e do Treinador permite caracterizar o contexto em que o jovem desportista vai crescer e permite definir também:

– Regras de funcionamento e organização do grupo;

– Expectativas do Treinador em relação aos jogadores / equipa;

– Calendarização da época, local e os horários de treinos e jogos;

– Regras de participação na equipa (n.º de treinos semanais, equipamento, atividades nas férias, compromissos e consequências da quebra das regras estipuladas); Direitos e deveres de pais e jogadores.

Uma definição clara e coerente dos direitos e deveres deste triângulo Pai – Jogador – Clube vão permitir uma maior e melhor compreensão e cooperação de ambas as partes solidificando a dinâmica existente no grupo e minimizando o desgaste normal da época desportiva com atritos que muitas vezes surgem devido a uma inexistente (ou insuficiente) definição de limites de intervenção ao longo do processo de ensino da modalidade.

Não definir funções e limites de intervenção pode gerar conflitos, pode influenciar negativamente o rendimento alterando mesmo a dinâmica de jogo da própria equipa.

O treinador deve tomar decisões em função do potencial do jogador, e dos objectivos do clube para o jogador (e para a equipa) e não se deve preocupar em gerir o tempo de utilização no jogo de cada jogador ou a estratégia da equipa para agradar aos pais.

Os pais devem ir ver os jogos, apoiar (reforço positivo), respeitar as regras e dar o exemplo, ao invés de criar expectativas elevadas sobre os filhos, forçar a prática desportiva ou tecer comentários negativos sobre outros jogadores, outros pais, árbitros e treinadores.

O clube deve definir o caminho e os limites para pais, jogadores e treinadores. Os pais, “jogando” dentro destes limites contribuem (indirectamente) na dinâmica global da equipa e permitem que jogadores e treinadores se foquem naquilo que mais gostam, os momentos do jogo.

Fonte: Futebol de Formação por Vasco Guerra

Xavi: “Aprimorar o talento é a próxima evolução do futebol bonito”

Espanhol discorre sobre o futebol contemporâneo: “Atingimos um limite de desenvolvimento físico”.

Ex-jogador do Barcelona e atualmente no Al Sadd, do Catar, Xavi demonstra em entrevistas um conhecimento ímpar de futebol. Não à toa, fez história com as camisas do Barça e da seleção espanhola – e pretende ir adiante como treinador. Aos 38 anos, o volante discorreu sobre o atual momento do futebol em um artigo escrito em primeira pessoa e enviado com exclusividade ao GloboEsporte.com.

Confira:

Aprimorar o talento é a próxima evolução do futebol“.

Vinte anos depois de fazer minha estreia como jogador profissional no F.C. Barcelona, o futebol ainda incute em mim a mesma emoção, paixão e alegria de quando eu entrei em campo pela primeira vez. Em entrevistas, muitas vezes me perguntam onde acredito que o próximo desenvolvimento do jogo bonito acontecerá; qual é o futuro do futebol? Para mim, a resposta é tão simples quanto empolgante: talento.

O futebol atingiu um incrível nível de desenvolvimento físico. A maioria dos dados que recebemos pela televisão ou pela imprensa está relacionada ao desempenho físico; um jogador correu 12 ou até 13 quilômetros, uma certa velocidade máxima foi atingida. Claro que isso é importante. Mas acredito que atingimos um limite de desenvolvimento físico. O jogador não pode correr mais, a intensidade não pode ser maior – chega a quase meia maratona em dois jogos. Eu acho que o lado do talento, assim como o conhecimento técnico e tático, é onde ainda podemos melhorar.

Eu acredito que esta pode ser a próxima evolução do futebol. Talento é o que faz a diferença em um jogo de futebol. Semanalmente, eu acompanho jogos em países de todo o mundo, muitos jogos, provavelmente jogos demais se você perguntar a minha esposa. Em todos os países e todas as ligas, procuro times que jogam o futebol ofensivo e jogadores com talento. Para mim, o fator decisivo não são os jogadores com presença física, mas aqueles que dão significado e estrutura ao jogo.

Neste verão, vamos ver muitos jogadores fantásticos. Estou ansioso para assistir e aproveitar a Copa do Mundo de 2018 na Rússia, porque uma Copa do Mundo é algo realmente incrível. Tive a sorte de jogar em quatro edições e a honra de erguer o troféu na África do Sul junto com meus companheiros de equipe. Este ano marca a primeira vez desde adolescente que poderei viver uma Copa do Mundo como torcedor.

Também estaremos na Rússia com o Generation Amazing, o programa de desenvolvimento do futebol dos organizadores do Qatar 2022, que promove a inclusão social e oferece oportunidades de desenvolvimento esportivo e social para a próxima geração no Catar e em toda a região. Entre outras atividades, levaremos trabalhadores do Catar para o jogo de abertura da Copa do Mundo na Rússia, enquanto continuamos com nossos esforços para retribuir àqueles que estão ajudando a construir este país.

É também uma fase importante da temporada com o meu clube no Qatar, o Al Sadd, quando entramos na reta final da temporada com as duas competições do Qatar – a Copa do Catar e a Copa do Emir – para defender, e tendo nos classificado para a próxima fase da Liga dos Campeões da Ásia, depois de um excelente esforço de equipe até agora. Como queremos ir o mais longe possível na competição continental, eu concordei em continuar jogando por mais seis meses.

Há um ano conseguimos uma memorável vitória diante de um estádio lotado na final da Copa do Emir, no primeiro palco pronto do Qatar 2022, o Khalifa International Stadium. O Catar é um país que dado uma experiência fantástica para mim e minha família. Todos os dias há mais cultura do futebol ao seu redor, especialmente com a Copa do Mundo aqui, a apenas quatro anos de distância.

O país está crescendo em geral, mas especialmente em termos de futebol e esportes. É um prazer estar aqui, e isso tem sido perfeito para mim. Eu tenho tempo para me concentrar nos estudos de treinador, vendo diferentes metodologias de treinamento na Aspire Academy, onde eles estão trabalhando muito bem e de uma maneira altamente profissional.

Neste mês, estou começando meu curso em Madri e gostaria de expressar minha gratidão à Federação Espanhola de Futebol (RFEF) e aos meus colegas que se juntarão a mim neste curso intensivo. Será um prazer dividir a sala de aula com grandes ex-jogadores e bons amigos, tendo compartilhado tantos encontros importantes em campo ao longo dos anos. Também gostaria de expressar meus agradecimentos ao meu clube e aos principais dirigentes de futebol do Qatar por agilizar esse acordo, o que me permitirá continuar jogando pelo Al Sadd Club enquanto me preparo para o meu futuro de treinador.

Alguns dos valores que aprendi ao longo de muitos anos em Barcelona são os de ser altruísta e compreensivo, e olhar para os outros. Quando visitei jovens como Hadeel e outras meninas que só queriam jogar futebol em um campo de refugiados na Jordânia há alguns anos, o Generation Amazing ajudou-os a jogar o jogo que amam em ambientes seguros. Estou inspirado pela paixão pelo jogo que presenciei nesta região. Ser treinador é uma oportunidade para mim de retribuir aos jovens jogadores, ajudando-os a melhorar o talento que, acredito, irá moldar o futuro do nosso jogo.”

Fonte: Globo.com