A INCIDÊNCIA DO CONTRA-ATAQUE EM JOGOS DE FUTSAL DE ALTO RENDIMENTO (ARTIGO CIENTÍFICO)

RESUMO

O objetivo deste estudo foi o de analisar a incidência do contra-ataque em jogos de futsal de alto rendimento. Foi observada uma amostra de 28 jogos da Liga Nacional, transmitidos pela televisão e gravados em fitas VHS. Para a análise dos resultados, optou-se pela estatística descritiva e percentual. De um total de 521 contra-ataques, 78% foram individuais, ora precedidos da interceptação de passe, ora do desarme; 28,22% foram assistidos, ora por jogador de linha, ora pelo goleiro. Conclui-se que o contra-ataque acontece individual e coletivamente, ações defensivas o provocam e, além do jogador de linha, o goleiro participa. Sugere-se que o seu treino seja feito a partir de formações variadas, que se estimulem ações defensivas e a participação do goleiro. 

PALAVRAS-CHAVE: esporte – jogo – rendimento

Por WILTON CARLOS DE SANTANA e OMAR DE BRITO GARCIA

INTRODUÇÃO

O futsal é um esporte que se manifesta sob permanente confronto entre duas equipes, o que exige dos jogadores atuarem juntos para atacar e para defender (GARGANTA, 2002). De acordo com a classi- ficação de Hernández Moreno (1998), o futsal se encaixaria nos cha- mados esportes de oposição/cooperação, em que o espaço é comum e a participação dos jogadores sobre a bola é simultânea. À semelhança de outros esportes coletivos clássicos, como o futebol, o basquetebol e o handebol, o futsal apresenta uma sistematização interna que contempla: 

1) o ataque; 

2) a passagem do ataque à defesa ou transição defensiva; 

3) a defesa; e 

4) a passagem da defesa ao ataque ou transição ofensiva
(BOTA; COLIBABA-EVULET, 2001; PAES, 2001).

O contra-ataque se situa neste último, na medida em que exige uma passagem veloz dos jogadores da meia-quadra defensiva para a ofensiva ou ainda de uma situação defensiva para uma de ataque rápido (SANTANA, 2004a). Para Blázquez Sánchez (1986) e Hernández Moreno (1998), as fases mencionadas do jogo refletem parte da lógica interna ou traços característicos dos esportes coletivos do ponto de vista da estratégia.
Se, por um lado, há indícios de que essa fase do jogo tem sido muito utilizada por equipes de futsal de alto rendimento (BELLO JUNIOR, 1998; FERREIRA, 2004); VOSER, 2001; SILVA et al, 2004), por outro lado há uma carência de estudos que a expliquem, ratificando o fato de que a dimensão técnico-tática desta modalidade tem recebido pouca atenção dos pesquisadores em geral (SOUZA, 1999).
Isso posto, esta pesquisa se justifica em função de colaborar para que se conheça mais sobre a dinâmica interna do futsal, do ponto de vista estratégico, identificando suas peculiaridades e, por conseguinte, apontando indicadores que possam servir quando do planejamento do treino e da regulação da competição (GARGANTA, 2000).
Para tanto, elegemos duas questões centrais a serem respondidas: 

1) Com que incidência o contra-ataque ocorre em jogos de futsal de alto rendimento?; e 

2) De que forma se apresenta essa incidência?
A fim de familiarizar o leitor com o tema deste estudo, explicaremos a seguir algumas particularidades dessa fase do jogo.

CARACTERÍSTICAS DO CONTRA-ATAQUE

Santana (2004b) salienta que o contra-ataque acontece a partir de quatro situações específicas: 

a) a partir de uma interceptação de passe; 

b) a partir de um desarme; 

c) a partir de uma defesa do goleiro;

d) a partir de uma reposição rápida de uma bola parada quando
de arremesso de meta ou de arremesso lateral defensivo. 

Para o autor, o jogo de contra-ataque tem uma relação estreita com a qualidade de jogo defensivo da equipe que pode, inclusive, induzi-lo. Nesse caso, como mostram as figuras 1 e 2, a equipe (de cor escura) teria de adotar uma linha de marcação recuada, por exemplo, a partir da linha 3 ou 1⁄2 quadra ou a partir da linha 4 ou 1⁄4 de quadra, e um tipo de marcação que exercesse pressão sobre o adversário.


Andrade Junior (1999) explica que o contra-ataque pode ou não acontecer em superioridade numérica. Por extensão, o mesmo pode ser desenvolvido a partir de algumas possíveis constelações (formações nu- méricas), como por exemplo, 3×2+goleiro, 3×1+goleiro, 2×1+goleiro, 2×2+goleiro, 1×1+goleiro, 1xgoleiro, 2xgoleiro (o goleiro, em todos os casos citados, se trata do adversário).
Para Sampedro (1997), essa fase do jogo exigirá habilidades técnico-táticas dos jogadores de linha e do goleiro da equipe. Deste, quando do lançamento da bola com as mãos e com os pés. Daqueles, quando da recepção da bola em movimento, da condução, do passe, do jogo de 1×1 e do chute ao gol. O autor acrescenta que além de uma marcação recuada, favoreceriam contra-atacar as cobranças adversárias de laterais e de escanteios próximas à meta. O favorecimento se daria por dois motivos: 

a) uma vez interceptado um passe ou realizado um desarme se teria espaço para contra-atacar (cerca de 3⁄4 de quadra) e 

b) quando dessas situações, a equipe que defende se encontraria com um jogador a mais em quadra (isso porque o jogador que cobra os laterais e os escanteios se encontraria, momentaneamente, fora da quadra).

PRINCÍPIOS PARA CONTRA-ATACAR

Santana (2004c) relaciona seis princípios que deveriam ser res- peitados nessa fase do jogo:

1o) a bola deve ser conduzida em velocidade sobre o adversário (quando isso for mais propício que o passe), pois tende a dificultar o retorno defensivo e deixar o marcador em dúvida;

2o) o condutor deve usar de criatividade;

3o) quando se optar pelo passe, este deve “vencer” o marcador, isto é, o passe não pode permitir ao marcador a possibilidade de re- cuperação defensiva. Para tanto, é preciso, também, que os receptores entrem em linha de passe com o condutor de bola;

4o) quem recebe a bola deve ter o apoio (o acompanhamento) de um companheiro, de modo que possa ter a opção de um segundo passe;

5o) quem ataca deve se preocupar em defender, pois a possível perda da bola implicaria no perigoso contra-ataque do contra-ataque. Logo, não se deve avançar todos os jogadores;

6o) o goleiro, à medida que os jogadores da sua equipe contra- atacam, deve se posicionar adiantado (fora da área de meta) de modo que se a sua equipe perder a bola possa se tornar um possível inibidor do chamado contra-ataque do contra-ataque.
Note-se que os quatro primeiros princípios teriam a finalidade de facilitar ações ofensivas, colocando os possíveis marcadores em dúvida. De outro lado, os dois últimos teriam o intuito de facilitar ações defensivas, como evitar a perda da bola e o contra-ataque do contra- ataque.

O sétimo e o oitavo princípios são acrescentados por Sampedro (1997), para quem a condução de bola, quando necessária, deve ser feita pelo centro da quadra, de modo a ampliar a possibilidade de passar a bola, e por Niño Gutiérrez (1991), para quem os outros atacantes devem procurar se posicionar pelas laterais.

TIPOLOGIA DO CONTRA-ATAQUE

Bello Junior (1998) classificou o contra-ataque em direto e indireto. O contra-ataque direto derivaria de uma defesa do goleiro e passe deste para o jogador de linha que, sozinho, progrediria em direção ao gol adversário para concluir o lance (finalizar). O contra-ataque indireto seria originado de um desarme e haveria a troca de passes entre os joga- dores até a conclusão à meta. Voser (2001) propôs outra classificação: sustentado, assistido e lançado. No contra-ataque sustentado o jogador contra-atacaria sozinho, conduzindo a bola até a meta adversária. Já no assistido a conclusão de quem contra-ataca seria assessorada por um passe (o que converge, em parte, com o contra-ataque indireto mencio- nado). Por sua vez, no de tipo lançado quem contra-ataca receberia um lançamento de longa distância do goleiro ou de outro jogador (convergindo, em parte, com o de tipo direto visto).
Analisando as classificações, verificamos que a de Bello Junior (1998) não contempla o fato de a origem do contra-ataque advir, também, de uma interceptação de passe. Já a de Voser (2001), além de não considerar este último fato, exclui informações em geral acerca da ação defensiva que originou o contra-ataque. Isso nos levou a optar por outro tipo de classificação:

– Contra-ataque individual (originado de interceptação de passe ou originado de desarme). Nesse caso, o jogador, após a ação defensiva de interceptar o passe ou desarmar o adversário, conduz e finaliza ao gol sem realizar troca de passes.

– Contra-ataque assistido (por jogador de linha e pelo goleiro).

Nesse caso, quando assistido por jogador de linha, a finalização a gol é precedida de um ou mais passes de jogadores de linha; quando assistido pelo goleiro, a finalização é precedida de passe ou lançamento do goleiro.

METODOLOGIA

Utilizou-se do método de observação direta extensiva mediante formulário (MARCONI; LAKATOS, 2003). Para tanto, foram gravados em fitas VHS e, posteriormente analisados, 28 (vinte e oito) jogos de diferentes fases da Liga Nacional de Futsal 2003, transmitidos pelo canal de televisão SPORTV (canal 39). Essa amostra representa 82,35% do total de jogos transmitidos. O formulário foi elaborado de modo a permitir a coleta da incidência total de contra-ataques e da incidência de cada tipo de contra-ataque. Para a análise dos dados utilizou-se da estatística descritiva e percentual.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A tabela seguinte expressa os resultados obtidos após a análise dos 28 (vinte e oito) jogos da Liga Nacional. São contemplados os tipos de contra-ataque, a freqüência e o percentual destes.


Os resultados apontaram que houve 521 contra-ataques. Evidenciamos que não foram computados aqueles que terminaram em desarme. Por conseguinte, verifica-se um apego das equipes a essa fase do jogo, traduzida pela média de 18,61±7,48 ações por partida. Observamos que a maior parte dos contra-ataques foi do tipo individual, o que representa 71,78% do número total e a menor parte do tipo assistido, representando 28,22%, revelando o fato de os jogadores optarem mais pela finalização ao gol do que pela troca de passes antes da finalização.

Verificamos que o contra-ataque do tipo individual foi precedido de ações defensivas, ora de interceptação de passe, ora de desarme, ratificando que a adoção de um sistema defensivo “ativo” influencia o contra-ataque (SANTANA, 2004c).
 

Outro ponto que chamou a atenção foi o número de contra-ata- ques assistidos pelo goleiro, evidenciando a sua participação como um atacante no futsal moderno (ANDRADE JUNIOR, 1999, COSTA; SAAD, 2001, VOSER, 2001; GARLET, 2005).
 

Se, por um lado, por não ser objeto de interesse deste estudo, não verificamos qual das variáveis analisadas influenciou mais ou menos a conversão dos gols, por outro lado foi possível constatar que o contra-ataque, além de ser incidente em jogos de futsal de alto rendi- mento e de acontecer tanto individual como coletivamente, se constitui numa fase do jogo que resulta em gols. Levantamos que do número total de contra-ataques, houve um aproveitamento de 11,52%, isto é, 60 gols foram convertidos, o que representa 2,14±1,46 tentos por partida. Alguns estudos ratificam esta última constatação: Bello Junior (1998) analisou 21 jogos do Campeonato Paulista e afirma que, de um total de 121 gols, 73 (60,33%) originaram-se de jogadas de contra-ataque. Ferreira (2004) estudou em que circunstâncias as três seleções mais bem colocadas (Ucrânia, Rússia e Brasil) do Campeonato Mundial de Futsal Universitário de 1998 finalizaram a gol. O autor observou nove jogos (três de cada seleção) e descobriu que de um total de 277 ações, 38,26% aconteceram em situação de contra-ataque. Voser (2001) analisou a ocorrência e a origem dos gols em 28 jogos de futsal profissional da Liga Nacional de 1999. Encontrou um total de 199 gols, 21,10% originaram-se de contra-ataques. Silva et al (2004) analisaram quatro jogos da Seleção Brasileira de Novos num torneio internacional e verificaram que de um total de 33 tentativas de contra-ataque, sete gols foram convertidos, sendo a efetividade de 21, 21%.

Concluímos que o contra-ataque é incidente em jogos de futsal de alto rendimento. A análise dessa incidência nos permitiu diagnos- ticar que o de tipo individual se mostrou mais incidente do que o de tipo assistido; que as ações defensivas de interceptação de passe e de desarme originam contra-ataques; que o goleiro se revelou como um participante nessa fase do jogo.

Por extensão, sugerimos para os treinadores que o contra-ataque seja sistematicamente treinado; que o seu treino seja feito a partir de cons- telações variadas; que aconteça precedido de ações defensivas de intercep- tação de passe e desarme; que se introduza o goleiro como participante.

Esperamos que outras pesquisas sejam feitas a fim de que as possíveis lacunas aqui deixadas sejam supridas.

REFERÊNCIAS

ANDRADE JUNIOR, J. R. O jogo de futsal técnico e tático na teoria e na prática. Curitiba: Expoente, 1999.

BELLO JUNIOR, N. A ciência do esporte aplicada ao futsal. Rio de Janeiro: Sprint, 1998.

BLÁZQUEZ SÁNCHEZ, D. Iniciación a los deportes de equipo. Barcelona: Martínez Roca, 1986.

BOTA, I; COLIBABA-EVULET, D. Jogos desportivos colectivos: teoria e metodologia. Lisboa: Instituto Piaget, 2001.

COSTA C. F.; SAAD, M. A. Futsal: movimentações ofensivas e defensivas. Florianópolis: BookStore, 2001.

FERREIRA, P. Caracterização da finalização em equipas de futsal. Dis- ponível em <http://www.futsalportugal.net/monografia.pdf&gt;. Acesso em: 10 nov. 2004.

GARGANTA, J. O treino da táctica e da técnica nos jogos desportivos à luz do compromisso cognição-acção. In: BARBANTI, V.; BENTO, J.; MARQUES, A.; AMADIO, A. Esporte e atividade física: interação entre rendimento e qualidade de vida. São Paulo: Manole, 2002. p. 281- 306.

____. O treino da táctica e da estratégia nos jogos desportivos. In: ____. Horizontes e órbitas no treino dos jogos desportivos. Porto: FCDEFUP, 2000. p. 51-61.

GARLET, F. P. O goleiro como quinto jogador ofensivo no futsal. Disponível em <http://www.ferrettifutsal.com&gt;. Acesso em: 6 set. 2005.

HERNÁNDEZ MORENO, J. Análisis de las estructuras del juego deportivo. 2. ed. Barcelona: Inde Publicaciones, 1998.

MARCONI, E. V.; LAKATOS, M. A. Fundamentos de metodologia cientifica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

NIÑO GUTIÉRREZ, S. Táctica. In: ESCUELA NACIONAL DE ENTRENADORES DE FUTSAL. Curso de monitores de futsal. Madrid: FEFS, 1991. p. 29-36.

PAES, R. R. Esporte competitivo e espetáculo esportivo. In: MOREIRA, W. W., SIMÕES, R. Fenômeno esportivo e o terceiro milênio. Piracicaba: UNIMEP, 2001. p. 33-39.

SAMPEDRO, J. Futbol sala: análisis metodológico de los sistemas de juego. Madrid: Gymnos Editorial Deportiva, 1997.

SANTANA, W. C. A lógica interna do futsal e o jogo de transição. In: ____. Futsal: apontamentos pedagógicos na iniciação e na especialização. Campinas: Autores Associados, 2004a. p. 73-75.

____. Princípios do jogo de contra-ataque. In: ____. Futsal: apontamentos pedagógicos na iniciação e na especialização. Campinas: Autores Associados, 2004b. p. 80-83.

____. A indução do contra-ataque. In: ____. Futsal: apontamentos pedagógicos na iniciação e na especialização. Campinas: Autores Asso- ciados, 2004c. p. 83-89.

SILVA, M.; COSTA, F.; SOUZA, P.; GRECO P. J. Ações ofensivas no futsal: uma comparação entre as situações de jogo organizado, de contra-ataque e de bola parada. Revista Portuguesa de Ciências do Despor- to, Porto, ano 4, n. 2, p. 199. 2004. (Suplemento).

SOUZA, P. R. C. Proposta de avaliação e metodologia para o desenvolvimento do conhecimento tático em esportes coletivos: o exemplo do futsal. In: INSTITUTO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DO DESPORTO. I Prêmio INDESP de literatura desportiva. Brasília: INDESP, 1999. p. 289-340.

VOSER, R. C. Futsal: princípios técnicos e táticos. Rio de Janeiro: Sprint, 2001.

Fonte: Pensar a Prática 10/1: 153-162, jan./jun. 2007

Bayern Munich 3.0 – Las últimas innovaciones de Guardiola


Por Julián Genoud 

En su tercera temporada al frente de Bayern Munich, Guardiola ha sabido introducir una serie de innovaciones (o mejor dicho, para ser realistas y justos, evoluciones) tácticas, que lo acercan al conjunto bávaro a su máximo potencial (aunque, claro, el factor clave serán los duelos críticos de Champions en marzo/abril/mayo). No son ni las únicas ni son permanentes, pues los equipos de Pep (y el propio Pep) son la muestra fidedigna de un organismo en constante cambio.

Douglas Costa y la fuerza del lado débil

La llegada de Douglas Costa a Munich ha traído un verdadero aire fresco para Pep. El brasileño es un especialista en el 1v1. Pero la diferencia no es esa capacidad (Robben y Ribbery son jugadores que ya lo hacían), sino su búsqueda constante por finalizar.

A diferencia de Robben, Douglas Costa finaliza absolutamente todo lo que toca: la jugada siempre termina en centro, en remate al arco o en corner. Además, puede desbordar para ambos perfiles. Thomas Müller es el más beneficiado, pues captura todo lo que centra Douglas Costa, en primera o segunda jugada (rebote). En este sentido, el Bayern se ha alemanizado, sacrificando cierta pausa en zonas de finalización en pos de mayor velocidad.


A diferencia de Robben, Douglas Costa finaliza absolutamente todo lo que toca: la jugada siempre termina en centro, en remate al arco o en corner.

Entonces, ¿cómo explotar a Douglas Costa? ¿Cómo generarle las condiciones para que pueda desequilibrar? En estos primeros meses de competencia, la búsqueda estriba en volcar el juego en el lado fuerte (a veces por derecha, a veces por izquierda), para permitir a Douglas Costa buscar el 1v1 en el lado débil.

Esto ya ocurría cuando era Robben quien desequilibraba por lado derecho. La diferencia, ahora, es que la finalizaciones terminan siendo más efectivas por la comunión Costa-Lewandoski-Müller, y por la presencia de tantos jugadores en zonas de ataque, que hacen posible capturar incluso hasta centros que sean un tanto defectuosos.

  • Pase largo a Douglas Costa:

A pesar de que las distancias de relación no lo sugieran, Boateng y Douglas Costa se coordinan perfectamente. Bayern agrupa oponentes en un lado para buscar el pase largo hacia Costa.

  • Juego de posición para generar contextos:

Bayern Munich va desarmando a su rival jugando posicionalmente, hasta encontrar el pase entre líneas que le permita abrir la pelota a sus extremos y dañar.


Fonte: Rondos Fútbol

CBFS rompe parceria, muda de sede e procura novo técnico para seleção


Acordo de gestão com a CBF é encerrado e selecionado canarinho volta para o comando da CBFS. PC de Oliveira deixa o cargo, e novo treinador deve ser anunciado em julho

Por Emilio Botta 

Durou menos de seis meses a parceria entre a Condeferação Brasileira de Futsal (CBFS) e o Grupo Águia, avalizado pela CBF, que faria a gestão da seleção brasileira de futsal, sendo responsável pela organização e gerenciamento de eventos. O rompimento foi informado pelo presidente da CBFS, Marcos Madeira, em entrevista ao GloboEsporte.com. Além disso, a Confederação trocará o local de sua sede, deixando Fortaleza e ficando em São Paulo.

Com problemas financeiros, a Confederação resolveu ceder a gestão da seleção brasileira de futsal para a CBF, que indicou uma empresa de marketing esportivo para explorar a marca e gerir tudo relacionado ao time principal. O acordo não envolvia a seleção de base, nem a organização de competições como a Taça Brasil de Clubes e a Superliga – a Liga Nacional de Futsal (LNF) se tornou independente em 2014. Porém, pouco menos de seis meses depois o acordo foi encerrado, segundo o presidente, em comum acordo.

A parceria com a CBF terminou, eles devolveram a seleção. Não houve problema nenhum, recebemos amigavelmente e continuamos tendo apoio administrativo da CBF em competições internacionais e na organização. A situação não é das melhores, mas estamos contornando tudo isso. Mudamos para São Paulo justamente para ver se conseguimos maior dinamismo na administração. Em Fortaleza não acontece nada, as coisas realmente acontecem em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Por isso mudamos, para ficarmos mais perto do que acontece. A situação não é das melhores, mas sabemos a real situação e os problemas existentes. Era uma terra arrasada, colocamos a casa em ordem e temos uma administração transparente. Esse é o nosso lema – explicou Madeira.


O término da parceria atingiu também a comissão técnica. Com a mudança no planejamento, o técnico PC de Oliveira e outros membros deixam a seleção. A justificativa dada por Madeira é o compromisso firmado pelo agora ex-treinador da seleção brasileira com a Ferroviária, time da cidade de PC e que se livrou do rebaixamento no Paulistão deste ano sob seu comando. A nova comissão técnica deve ser anunciada até o fim de julho.

Uma comissão técnica virá substituir a que estava. Não podemos deixar de ressaltar o bom desempenho que essa comissão teve, dando mais uma Copa América para o Brasil. Hoje temos uma nova direção. Com a devolução da seleção nós temos uma nova visão. O PC assumiu compromisso com a Ferroviária e seria difícil ter as duas coisas, por isso teremos uma nova comissão técnica. Todos eles prestaram um bom serviço, agradecemos eles, mas com essa devolução tivemos que reformular nossas metas. Até o dia 20 (julho) devemos escolher uma nova comissão técnica, essa é a nossa meta. Inagurando o escritório em São Paulo e dando a comissão técnica da equipe adulta e a sub-17 – revelou.

“A situação não é das melhores, mas sabemos a real situação e os problemas existentes. Era uma terra arrasada, colocamos a casa em ordem e temos uma administração transparente”, disse Marcos Madeira.

Sem jogar desde abril, quando foi campeã da Copa América, a seleção brasileira deve voltar a entrar em quadra só em agosto. Segundo Madeira, o novo calendário será definido pela comissão técnica que irá assumir o comando técnico no fim do próximo mês. Por conta dos problemas na entidade, a seleção chegou a ficar 284 dias sem jogar entre 2014 e 2015.

Estamos fazendo um calendário. Talvez em agosto tenhamos um jogo, mas em setembro temos o Desafio Internacional e o calendário será montado pela nova comissão técnica que está chegando. Teremos o Grand Prix em janeiro, mas vamos caminhar devagar para que tudo possa dar certo – disse.

No próximo mês, além do novo treinador e membros da comissão técnica, a CBFS deve anunciar a chegada de dois patrocinadores e a mudança nos rumos do marketing e planejamento para as próximas temporadas, já visando a disputa da Copa do Mundo de 2020.


Fonte: GloboEsporte.com

El control orientado


El deporte del fútbol en su desarrollo puede llegar a decidirse por pequeños detalles, una acción del juego o incluso un partido se verá decantado por uno u otro bando dependiendo del buen desarrollo de ciertos aspectos que pueden resultar de poca importancia, pero que sin duda adquieren una importancia crucial para el buen desarrollo del fútbol.

Dentro de esos pequeños detalles que tienen poder para cambiar el fútbol en algún momento, se encuentra el correcto manejo del balón a través de un buen control del mismo.

Todos sabemos que un buen control del balón, sea cual sea el momento del juego en el que se produzca facilita mucho la tarea a cumplir y el objetivo marcado por el equipo que posee la pelota.  
Para conseguir perfeccionar esta acción técnica se debe de conseguir una mejora en la orientación del control, pues un control de balón con la orientación deseada y correcta es sin duda un detalle que puede decidir un partido.

Teniendo claro que un control orientado es toda acción que nos permite con un solo toque de balón controlarlo y orientarlo adecuadamente para ser jugado en las mejores condiciones posibles, es fácil deducir la enorme importancia que adquiere un buen perfeccionamiento de esta acción técnica pues puede llegar a ser decisiva en muchos tiempos del partido.

Ventajas de un buen control orientado

· Influye claramente en la velocidad del juego obligando a nuestro adversario a abrir huecos y, por lo tanto, ganando nuestro juego en fluidez ofensiva de cara a portería rival.

· Un buen control orientado puede permitir a los defensas librar líneas de presión del rival, haciendo la salida de balón desde el inicio más clara y con más posibilidades de llegar a portería rival.

· Tener una correcta técnica en el control orientado permitirá al equipo poseedor del balón hacer más fluida su circulación cuando este quiera jugar a proteger la posesión del mismo.

· Si un buen control orientado va acompañado de una velocidad de ejecución correcta y una buena movilidad de los futbolistas sin balón, podemos lograr que los jugadores adversarios aumenten su desgaste físico persiguiendo la pelota.

· Un buen control orientado puede ser la acción definitiva para que un jugador con mucha habilidad técnica se libre de la marca de un defensa.

Inconvenientes de un mal control orientado

· La necesidad de dos o más acciones técnicas para tener buen manejo y orientación del balón resta fluidez al juego y elimina el efecto sorpresa de la jugada permitiendo al rival organizarse más rápido.

· Facilita que la línea de presión rival pueda ganar espacios y por lo tanto restárselos al poseedor de la pelota.

· No saber orientar un control correctamente puede permitir al rival anticiparse a nuestras jugadas o acciones con el balón, debido a la necesidad de contacto que tendríamos para poder manejar la pelota con la fluidez necesaria.

Cada etapa de la vida del futbolista requerirá una metodología diferente y un desarrollo de tareas distintas, pero en todas ellas hay que tratar de conseguir que el futbolista desarrolle una correcta capacidad para orientar el control del balón bien, sin dejar de pasar por alto el trabajo de la lateralidad en el manejo de balón

La historia de este deporte llena y ha llenado los terrenos de juego de talentosos jugadores como Ronaldo, Kiko Narvaéz, Zidane, Luis Suarez, Xavi, Xabi Alonso, Iniesta, Messi, Luka Modric…etc, que han demostrado y demuestran lo que facilita el juego orientar el balón correctamente en un control.

De esta manera dejamos claras las ventajas que aporta al juego un buen control orientado, por lo que la necesidad del trabajo de aprendizaje y perfeccionamiento en clubes deportivos y escuelas de fútbol se hace más que necesaria, pues aumentan las posibilidades de hacer el deporte del futbol más bonito.

Ejemplo de ejercicio de control orientado


** Ejercicio recomendado para edades de iniciación: Prebenjamín, Benjamín e, incluso, Alevín.

Descripción

Se delimita un cuadrado de 10×10 metros con cuatro jugadores en los lados y uno en el medio que irá recibiendo pases y deberá jugar con el compañero que tiene a la espalda (prolongación). Ejemplo: 1 pasa a 5, 5 realiza un control orientado y prolonga a 3. A continuación, 2 pasa a 5 y éste juega con 4 y así sucesivamente.

Cada jugador realizará dos repeticiones (vueltas) y en cada serie se modificarán los ejercicios para trabajar distintas formas de controlar:

  • Control y pase con la misma pierna (interior o planta)
  • Control con una pierna y pase con la otra (exterior)

Fonte: Fotos y Banquillo

Formação Desportiva da Criança e do Jovem

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Por Afonso dos Santos

Atualmente atribui-se ao desporto uma importância como nunca visto porque este é um fenómeno global, integrado e independente da modernização, quer local, quer nacional ou, até mesmo, internacional.

A prática desportiva é fundamental na formação da pessoa, enquanto atleta e ser integrante numa sociedade moderna. Não obstante, não basta praticar desporto para que exista uma garantia de que o processo de formação desse individuo promova também o seu desenvolvimento.

O desporto torna-se fundamental para o desenvolvimento da pessoa, em que a atividade física é um fenómeno social que reflete os valores, as atitudes e opiniões da sociedade em que é praticada.

A formação desportiva das crianças e dos jovens tem a responsabilidade de se opor à simples reprodução do desporto adulto, devendo caracterizar-se por um processo que contribua para a sua formação global, através de atividades físicas e desportivas que sejam favoráveis ao desenvolvimento das capacidades e qualidades físicas, ou como fator necessário à realização individual do ser humano.

Na mesma linha de pensamento, saliento que o trabalho de formação desportiva não é somente uma tarefa centrada na aprendizagem das habilidades técnicas de uma modalidade, mas também no desenvolvimento das condições físico-desportivas que permitam ao jovem, na idade adulta, “a expressão máxima de rendimento no domínio dessas técnicas. No entanto, a vontade de ganhar faz com que variadíssimas vezes se utilizem formas de ensinar e treinar incorretas, favorecendo a assimilação de “erros” técnicos-táticos que posteriormente custam muito a corrigir e que se vão refletir na competição, onde se procuram objetivos imediatos.

Contrastando esta referência, é necessário compreender que a formação deverá anteceder a especialização, a qual, para ser bem-sucedida no futuro, pressupõe a existência de “alicerces” adquiridos durante o período de formação dos atletas. A sustentabilidade destes “alicerces” devem ser o mais cedo possível, tendo por base a qualidade do processo de treino e da intervenção das pessoas que orientam o processo de formação. A iniciação precoce do processo de treino não é necessariamente sinónimo de especialização precoce. Reforço que “O facto de em todas as modalidades desportivas se iniciar a preparação desportiva cada vez mais cedo revela-se positivo, constituindo um processo permanente de vários anos, com objetivos claros e distintos para cada uma das fases do processo”.

Na minha opinião “desde que sejam respeitadas as leis do treino e o processo de desenvolvimento do atleta”, torna-se importante uma introdução à modalidade cada vez mais cedo. Deste modo surgiram as escolas de futebol sem competição formal e com preocupações muito para além do resultado desportivo, mas sobretudo com a formação do atleta.

Assim, a formação desportiva da criança e do jovem constituí um aspecto fundamental na globalidade da sua preparação desportiva, revelando-se muito importante a definição de objetivos em cada uma das etapas do processo de formação, para que o seu desenvolvimento ocorra de forma harmoniosa.

“A formação de um jogador é uma história interminável”.

Horst Wein

Horst-Wein

Por Ricardo Ferreira

Penso que não há melhor forma de dar o primeiro contributo a este projecto, com uma homenagem. Uma homenagem merecida a uma referência mundial no Futebol de Formação.

Horst Wein

Faleceu Horst Wein, antigo seleccionador de Hóquei em campo, treinador de Futebol de Formação, formador de treinadores, e autor de várias obras dedicadas ao ensino do jogo, das quais destacamos “Fútbol a la medida del niño” publicado pela Federação Espanhola, “Developing Game Intelligence in Soccer“. Detentor de um impressionante currículo, destacamos porém, as ideias que procurava transmitir.

Em entrevista à revista DOZE em 2010 explicou que no Futebol “tudo começou quando me encontrava  a estagiar com a selecção de hóquei em campo, perto do Nou Camp, o estádio do Barcelona. Carlos Rexach – antigo jogador, treinador e director-técnico dos “blaugrana”, n.d.r. – viu os treinos, começámos a falar e acabei por estar uma semana a ensinar os meus métodos aos treinadores do clube.  Os meus livros são publicados pela Federação Espanhola há 20 anos. O antigo treinador de Xavi, actual jogador do Barcelona, reconheceu o meu trabalho e fiquei satisfeito quando me ligaram a contar que Guardiola tinha comprado os meus livros”. Wien na mesma entrevista, relatou ainda que ficou também muito feliz “quando Arrigo Sacchi – treinador de clubes como o AC Milan, n.d.r – recomendou o “Futebol a la medida del niño”, um dos meus livros, e isso é sinal que o meu trabalho é importante”.

Participou em várias acções de formação em Portugal, mas faz agora precisamente dez anos, que falou na Universidade Lusófona num seminário internacional dedicado ao treino de jovens futebolistas. Acoplado ao recém sucesso de José Mourinho, vivia-se um momento de ruptura na história do treino dos Desportos Colectivos no qual a essência da Periodização Táctica do professor Vítor Frade finalmente conquistava a confiança de  muitos treinadores e aspirantes à função. Paralelamente a Frade, vários autores como Wein, travavam a mesma batalha ideológica, na qual elegiam a decisão, a inteligência, consequentemente a táctica como dimensão estruturante do jogo e do treino dos desportos colectivos. No entanto, muitos agentes desportivos e até consagrados professores universitários, não perceberam naquele momento a mensagem do autor alemão, o que revelou o carácter transgressivo das suas ideias face ao paradigma vigente.
escalera

Modelo competitivo proposto por Horst Wein.

Horst Wein teve a particularidade de dedicar a sua obra à especificidade do Futebol de Formação. Entre muitas ideias centradas no desenvolvimento da inteligência táctica e da criatividade da criança, salientamos a defesa dos valores do Futebol de Rua, a sua proposta de progressão formativa e competitiva do jovem futebolista, o treino orientado para o jogo, a defesa do protagonismo do jogador no treino e no jogo e a apresentação de problemas e não de soluções pelos treinadores, ao que a Periodização Táctica chamou Descoberta Guiada. Neste enquadramento foi também o criador do jogo reduzido que denominou por Mini-Futebol, jogado originalmente em situação de 3×3 sobre 4 mini-balizas, o qual propunha maior contacto com a bola, permanente participação do jogador no centro de jogo e o consequente desenvolvimento da inteligência e lateralidade.
Mini-Futebol

Jogo de Mini-Futebol proposto por Horst Wein.

Passados dez anos, ideias que parecendo hoje óbvias para muitos, foram na realidade de uma importância tremenda pela ruptura que manifestaram e evolução que proporcionaram ao treino do Futebol. Outras ideias, aguardam no entanto, uma ainda maior mudança de mentalidades, nomeadamente ao nível de quem define a filosofia, organização geral e os modelos competitivos do Futebol de Formação. No fundo, orientadoras das prioridades no desenvolvimento da criança em geral, e no jovem futebolista em particular.


“No futebol, um grama de tecido cerebral pesa mais que cem gramas de músculo.” Horst Wein


“O miúdo deve ser o maestro, o descobridor. Um bom professor deve ajudar os seus alunos a descobrir o que eles pretendem. O jogo é que deve ensinar-te: não o treinador.” Horst Wein


“A natureza decreta que as crianças devem ser crianças antes de se tornarem adultos. Se tentarmos alterar esta ordem natural, elas vão chegar prematuramente a adultos, mas sem conteúdo nem força.” Jean-Jacques Rousseau citado por Horst Wein

www.horstwein.net

Fonte: Futebol de Formação

Um olhar sobre o futebol de formação: O antes e o agora

Por Carlos Almeida

«O futebol jogado na rua constitui o ambiente mais natural de aprendizagem.» (Rinus Michels; treinador do Século XX para a FIFA)

Introdução

Parece ser consensual que o paradigma do futebol de formação sofreu mudanças significativas nas últimas décadas. Na década de 90 do século passado ainda era vulgar encontrarmos muitos miúdos a jogar futebol na rua. Três contra três (3v3), 4v4, 6v5, não importava, e dependia de inúmeras variáveis como o número de jogadores que apareciam (independentemente do escalão etário), do espaço disponível e do regime de competição acordado entre nós (até aos 10 golos, muda de campo aos 5; bota-fora ao golo marcado/sofrido). Atualmente, é uma raridade encontrar crianças/jovens a jogar à bola na rua. O paradigma mudou e é outro: a era dos clubes e das escolas de futebol. O presente texto tem como propósito tecer algumas considerações sobre esta mudança de paradigma e o que isso implica na aprendizagem do jogo, no interesse pela modalidade e na longevidade da prática desportiva.

O Antes…

Antigamente, e não há muito tempo atrás, raros eram aqueles que começavam a jogar futebol nos clubes ou em escolas de futebol. A figura 1 exibe a organização da prática de futebol, em idades infantojuvenis, até finais do século XX.

 

Fig.-1-O-antes

Fig. 1: O futebol nas idades infanto-juvenis até finais do séc. XX

 

Inicialmente, e desde muito cedo (5 anos), o futebol era predominantemente praticado na rua. A transição para o futebol federado ocorria entre os 11 e os 17 anos de idade, sendo essa transição variável em função do contexto sociocultural em que a criança/jovem estava inserida. O jogo na rua constituía uma base sólida de suporte à prática federada. Curiosamente, inúmeros jogadores de elite confirmaram que essa prática informal prévia foi fundamental para a aquisição e desenvolvimento de competências específicas da modalidade em tenra idade (Fonseca & Garganta, 2006; Abernethy, 2008; Araújo et al., 2010).

Figura 2. Um dos palcos do «nosso» futebol de rua.

A figura 2 mostra uma das ruas em que jogávamos à bola, um palco de inúmeras «peladas» entre amigos, como podem imaginar. E o contexto que nos oferecia! Uma baliza bem delimitada de um lado (portão); do outro lado utilizávamos pedras. As paredes das casas funcionavam como tabelas e, dependendo do número de crianças/jovens presentes, adaptávamos as regras e o tipo de jogo. O jogar na rua permite que o aprendiz explore as soluções mais adequadas às circunstâncias, sem imposições exteriores e sob uma base de motivação intrínseca assinalável. Isso favorece a espontaneidade das ações, estimula a criatividade para descobrir soluções para os problemas contextuais do jogo e, as crianças, porque estão altamente motivadas para jogar, perdem a noção do tempo, aumentando substancialmente o volume de prática (i.e., o tempo útil de prática). Inadvertidamente, trata-se de uma perspetiva ecológica de ensino/aprendizagem totalmente centrada no indivíduo, surgindo a autonomia como uma característica basilar (figura 3).

Figura 3. Autonomia: característica basilar do futebol de rua.

Refiro-me à autonomia da criança/jovem para:

  • Estruturar… a tarefa, o jogo, adaptando/modificando as regras em função dos seus interesses e das suas possibilidades;
  • Decidir… no jogo, sem imposições exteriores (treinador, estratégia, etc.) e com liberdade para errar;
  • Executar… as ações técnicas pretendidas (de calcanhar, as bicicletas, as trivelas, as letras, etc.), o que potencia o desenvolvimento do repertório motor, garantindo a possibilidade de inovar e de «fugir» ao convencional;
  • Refletir… sobre o jogo. O que correu bem? O que correu mal? O que devo fazer para marcar golo? Como lidar com a velocidade e/ou os dribles do adversário?

Entidades que governam o futebol em Portugal ou na Alemanha, por exemplo, perceberam a importância deste fenómeno e implementaram os programas «Hat-trick» (FPF – Federação Portuguesa de Futebol em parceria com a UEFA) ou «Em busca do talento» (DFB – Federação Alemã de Futebol), visando construir numa série de campos de futebol acessíveis a toda a comunidade. Alguns anos após a introdução destas medidas, as seleções nacionais destes países obtiveram resultados de destaque em competições internacionais de futebol. Não é que os títulos conquistados tenham sido uma consequência direta destes programas, mas pode ter havido algum tipo de contributo indireto. Fica para a nossa reflexão.

O Agora…

Como no poema de Luís Vaz de Camões, «mudam-se os tempos, mudam-se as vontades». Hoje em dia, em pleno século XXI, o paradigma no futebol de formação é totalmente diferente. O futebol evoluiu e adaptou-se às novas exigências da sociedade. Os pais passam mais tempo no trabalho e os clubes/escolas de futebol, percebendo novas (e boas) oportunidades de negócio, acompanharam a evolução do mercado laboral. Por sua vez, a noção de segurança diminuiu drasticamente e o nível de proteção das crianças nunca foi tão elevado. Com isto, o futebol de rua tornou-se uma prática em vias de extinção, ao contrário do futebol federado (figura 4).

Figura 4. O futebol nas idades infantojuvenis no século XXI.

A maior parte dos clubes/escolas de futebol já adotaram a organização estrutural demonstrada na figura 4. A questão que se impõe é a seguinte: não estaremos nós a promover a «especialização precoce»? A especialização precoce é definida como o início prematuro: (i) no desporto, sobretudo, num só desporto; (ii) na prática/treino formal de alta intensidade; (iii) em contextos de elevada competitividade. Quem quiser colocar em causa esta constatação, que assista a um torneio de Petizes (Sub-7) ou Traquinas (Sub-9) e observe, criteriosamente, os comportamentos de treinadores, de pais e do público em geral. É o envolvimento típico de um jogo de seniores. Chegámos ao ridículo de ouvir o árbitro ser vaiado antes de o jogo começar, para não mencionarmos episódios de discussão entre treinadores ou de pancadaria entre pais. Nos dias de hoje, jovens com 16 ou 17 anos chegam aos Juvenis (Sub-17) literalmente fartos de futebol, acabando por procurar outras atividades mais lúdicas e menos exigentes. Mais uma vez, fica para a nossa reflexão.

Conclusão

Na balança do futebol de formação, os pratos «jogar para aprender» e «aprender a jogar» devem ser bem ponderados. Será ingénua a medida tomada por alguns clubes/academias de elite de facultar o «treino livre» aos seus jovens praticantes? A meu ver, descobrir/explorar por si (futebol de rua) e a prática deliberada/formal (futebol federado) são complementares e não autossuficientes para alcançar bons níveis de rendimento desportivo no futuro. Não reclamo que a sociedade reinvente o futebol de rua, apenas que os clubes e as escolas de futebol proporcionem às crianças/jovens tarefas que incutam autonomia, responsabilidade e prazer pela prática do jogo de futebol. Designadamente em idades mais jovens (até aos 10/11 anos), é imperativo que o ensino/aprendizagem da modalidade deixe de estar focado na equipa, nos princípios e nos subprincípios de um suposto modelo de jogo, e passe a estar centrado no jovem aprendiz, concedendo primazia ao crescimento e ao desenvolvimento da individualidade.

«O melhor conselho que se pode dar às crianças é que, nos seus tempos livres, desfrutem jogando e não se deixem fechar na caixa que os adultos fabricaram para elas.»

Michael Jordan (in Fonseca & Garganta, 2006, p. 13)

Referências

Abernethy, B. (2008). Introduction: Developing expertise in sport – How research can inform practice. In D. Farrow, J. Baker and C. MacMahon (Eds.), Developing Sport Expertise (pp. 1-14). London: Routledge.

Araújo, D., Fonseca, C., Davids, K., Garganta, J., Volossovitch, A., Brandão, R., & Krebs, R. (2010). The role of ecological constraints on expertise development. Talent Development & Excellence, 2(2), 165-179.

Fonseca, H. & Garganta, J. (2006). Futebol de rua: Um beco com saída. Do jogo espontâneo à prática deliberada. Lisboa: Visão e contextos.

A PIRÂMIDE ESTRUTURADA DO FUTEBOL E AS SUAS IMPLICAÇÕES COMPETITIVAS

Por José Carlos Correia Loureiro

Com a divulgação recente da pirâmide do futebol, por parte da UEFA, e mesma vêm sensibilizar todas as suas federações, e por consequência todas as associações de futebol, os seus clubes, dirigentes, agentes desportivos, jogadores, pais e espectadores, para uma correta articulação da idade do jogador com o nível competitivo exigido ao mesmo.

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Insistir, em metodologias de treino e formatos de competições, ser ter em conta com a realidade documentada, e na evolução natural do jogador desde a sua iniciação até à sua maturação, irá continuar a ter como resultados, a abandonos excessivos prematuros de jovens da pratica desportiva, bem como a enormes tensões entre todos os agentes desportivos por excessivas expectativas e pressões descontextualizadas em escalões do futebol infantil e mesmo em alguns escalões do futebol júnior.
Urge deste modo que todos os envolvidos, falem a mesma linguagem e percebam de uma vez por todas da importância de um crescimento tranquilo e gradual em cada fase do futebol.
É neste momento, em função o atrás descrito, cada vez mais consensual, baseado em estudos concretos sobre a maturação física e psíquica da criança, bem como na sua capacidade de aprendizagem, que o crescimento atrás referido é feito através de etapas bem definidas em longo de cada área, como é demonstrativo a figura seguinte.

 

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Fig. 2: Hierarquização dos formatos de jogo* Documento elaborado pelo prof. Valter Pinheiro Docente do Ensino Superior no Instituto Superior de Ciências Educativas 

 

Após um longo debate nos últimos anos em Portugal, finalmente as Associações e os seus clubes, têm vindo a tomar consciência desta evolução, e como tal, pouco a pouco vão implementado nas suas competições, esta visão na defesa do jogador e do seu crescimento sustentado e tranquilo, para se conseguir obter ainda melhores resultados no top da pirâmide do futebol.
Por exemplo na AFL , na próxima época desportiva e depois de aprovação por maioria qualificada dos clubes presentes , pela primeira vez na história associativa , teremos competições estruturadas conforme a hierarquização da fig.2 , por idades desde os 8 aos 16 anos .
Concluindo, é evidente para todos que o topo não pode funcionar bem, sem uma base sólida e coerente, mas querer implementar nessa base metodologias específicas do topo, não será de certeza o melhor método de trabalho para os “ jovens jogadores “.

Fonte: Futebol de Formação

(PALESTRA) “Liderança em ambientes de pressão” – Ney Franco


O Núcleo de Pesquisa e Estudos em Futebol (NUPEF) da Universidade Federal de Viçosa realizará no dia 28 de junho de 2017 a palestra intitulada “Liderança em ambientes de pressão” no auditório do Departamento de Economia Rural – UFV, às 16h. 

O evento terá como palestrante o professor Ney Franco que abordará como exerce sua liderança em ambientes de extrema pressão por resultados, como o futebol profissional. 

As inscrições podem ser realizadas pelo e-mail: nupef.ufv@gmail.com, com valores de R$ 5,00 (sem certificado) e de R$ 10,00 (com certificado digital) até o dia 27/06. As inscrições realizadas no dia do evento terão os valores de R$ 15,00 (sem certificado) e R$ 20,00 (com certificado digital). 

Para maiores informações, entrar em contato com Matheus através do número (31) 98379-6843 (WhatsApp).

Não percam a oportunidade!

Fonte: NUPEF

O Jogador “Moderno” – Jogar em Várias Posições?

Por Tiago Botelho

JogadorModerno

Hoje em dia, assisto a jogos de clubes de TOP e observo que existe uma flexibilidade táctica sem precedentes. Os treinadores mudam a estrutura táctica várias vezes durante o jogo. Ou seja, os treinadores dessas equipas procuram jogadores que sejam capazes de, durante 90 minutos, jogar em mais do que uma posição.

Lembro-me de ver no mesmo jogo o Lahm jogar em três posições diferentes.  O mesmo aconteceu com Xabi e Mascherano.

Esta tendência leva a que os treinadores de formação tenham de ter atenção a esta evolução, de forma a prepararem os jovens para esta nova realidade. Para terem sucesso no futuro, os jovens jogadores terão de ganhar experiência em jogar em várias posições e estarem mentalmente preparados para aceitar a mudança.

A academia do Ajax – “De Toekomst”, já se preparou para esta mudança. As equipas de formação são compostas por apenas 16 jogadores, o que propicia que os jogadores joguem numa época pelo menos em 3 posições de forma bem definida.

Outra alteração é o método de selecção rigoroso. Baseiam-se no TIPS, sigla que significa Technique, Intelligence, Personality e Speed, porque consideram que são as condições que um jogador precisa para vingar no futebol moderno.

Uma das grandes diferenças que observo em outros clubes, menos preparados para formar, é a tendência para especializar desde muito cedo um jogador a uma posição. Já ouvi um jovem de 12 anos dizer que jogou mal porque sempre foi avançado e o treinador mudou-o para médio e não sabe jogar nessa posição.

Outra grande diferença é a selecção dos jogadores para as posições, com base no tamanho, nível de agressividade, velocidade e capacidade técnica. Os mais fortes e mais altos vão ser centrais, os mais rápidos vão jogar nos corredores laterais, os mais habilidosos vão ser avançados, etc… O problema disto é que os treinadores tomam estas opções para ganhar jogos, em vez de o objectivo ser desenvolver jogadores.

Os jogadores precisam de ser capazes de se adaptarem a várias posições, para terem o máximo de vivências e estímulos possíveis durante a fase onde ainda se pode errar. E assim aprendem o jogo, descobrem novas formas de resolver os problemas em campo e não apenas as funções de uma posição especifica.

Por exemplo, um jogador que seja avançado durante todo o processo formativo, nunca vai beneficiar da experiência de jogar a médio centro ou defesa central e de ver todo o jogo de frente.

Normalmente quando vemos uma equipa de jovens, sabemos à partida que os defesas são os jogadores com menos “qualidade”, o que pode criar problemas ao desenvolvimento motor e psicológico do próprio jogador.

Penso que a preparação Holística do jogador, só vai beneficiar o futebol no futuro. Vão aprender o jogo de forma integral e estarão mais preparados para o sucesso neste “novo” futebol.

Fonte: Futebol de Formação