Inter oferece curso ‘Futebol Moderno: Tendências’


O Sport Club Internacional está lançando o Programa de Excelência e Aperfeiçoamento no Futebol. O módulo inicial será o curso ‘Futebol Moderno: Tendências’. Ministrado pelos professores Júlio Garganta (Universidade do Porto-Portugal) e Israel Teoldo (Universidade Federal de Viçosa-MG), o painel terá carga horária de 20h e será realizado nos dias 3 a 4 de novembro (sexta-feira e sábado), no Salão Nobre do Conselho Deliberativo do Clube, localizado no Estádio Beira-Rio.
Trazendo referências do futebol internacional e nacional (ver currículo abaixo), o curso é aberto ao público em geral com descontos para sócios, estudantes e professores. 

As vagas são limitadas! Dúvidas pelo email: sgq@internacional.com.br

Inscrições podem ser feitas de duas formas:

* PAGAMENTO À VISTA (via depósito bancário) -> CLIQUE AQUI

ATENÇÃO: nesta opção deve ser incluída a razão social e o CNPJ: Sport Club Internacional/928945000001-32

* PAGAMENTO COM CARTÃO DE CRÉDITO (em até 2x, mais 10% de taxa do site) -> CLIQUE AQUI

Valores:

> Sócios colorados e estudantes: R$ 250,00

> Público em geral: R$ 450,00

> Professores (mediante confirmação): R$ 300,00 

> Funcionários (mediante confirmação): R$ 200,00

Programação do curso:

Módulo 1 – Programa de Excelência e Aperfeiçoamento no Futebol

Professores responsáveis: Júlio Garganta e Israel Teoldo

Conteúdo teórico:

1. Futebol, Jogo de Saberes Táticos

2. Princípios Táticos no Futebol – Conceito e aplicação

3. A construção do Talento no Futebol

4. Avaliação da Performance no Futebol

5. Conhecimentos e competências para o ensino e o treino do Futebol

> Será fornecido um certificado digital ao final do curso

Horários do curso (ALTERADO EM VIRTUDE DA MUDANÇA DA DATA DO JOGO DO INTER)

Credenciamento: sexta-feira (3/11) das 12h às 13h15

Curso – Sexta (3/11): das 13h30 às 20h e 13h30 – Abertura oficial

Curso – Sábado (4/11): das 8h30 às 12h30 e das 14h às 18h30

Currículos dos palestrantes:

Júlio Garganta


  • Professor Doutor em Ciências do Desporto da Universidade do Porto, possui doutorado na área de modelação tática no futebol;
  • Uma das referências mundiais no meio acadêmico e prático desenvolvendo projetos e pesquisas sobre identificação de talentos, modelagem tática e analise do jogo;
  • Responsável pela observação e análise de jogo Porto em 1999-2001 e Sporting em 2002-2004;
  • Analista de desempenho da Seleção Portuguesa na Copa do Mundo 2014;
  • Coordenador do gabinete de futebol da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto;
  • Membro do grupo de investigação de Designs Observacionais na Faculdade de Psicologia da Universidade de Barcelona;
  • Membro do Comitê Científico do Jornal de Pesquisas sobre a Educação Física e Esporte pela Universidade de Franche-Comté (Besançon);
  • Membro do Comitê Científico Internacional da Revista Coaching e Sport Science, entre outras 11 revistas internacionais que versam sobre o tema;
  • Mais de 250 trabalhos científicos apresentados em congressos nacionais e internacionais, orientou/orienta mais de 130 alunos, sendo que desses 30 no programa de mestrado e 6 no programa de doutorado da Universidade;
  • Co-autor de 160 artigos e 12 livros publicados internacionalmente. Co-autor do livro: Para um futebol jogado com ideias;
  • Convidado para lecionar em mais de 60 cursos nacionais e internacionais na área do futebol;
  • Responsável pela coordenação de algumas áreas nos cursos de treinadores de futebol – IV nível, PRO UEFA, promovidos pela Federação Portuguesa de Futebol.

Israel Teoldo


  • Pós-Doutorado – Ciências do Esporte – Brunel University London – Inglaterra;
  • Doutorado – Ciências do Esporte – Faculdade de Desporto da Universidade do Porto – Portugal;
  • Mestrado – Treinamento Esportivo – Universidade Federal de Minas Gerais – Brasil;
  • Graduação – Educação Física – Universidade Federal de Viçosa – Brasil;
  • Professor Adjunto – Universidade Federal de Viçosa (desde 2010) – Brasil;
  • Coordenador Geral do curso de Especialização em Futebol – Universidade Federal de Viçosa – Brasil;
  • Coordenador do Núcleo de Pesquisa e Estudos em Futebol (NUPEF) – Universidade Federal de Viçosa – Brasil;
  • Professor-Orientador do Programa de Pós-Graduação em Educação Física (Mestrado e Doutorado) – Universidade Federal de Viçosa – Brasil;
  • Consultor para o Projeto de Elaboração do Curso de Treinadores – Escola Brasileira de Futebol/ Confederação Brasileira de Futebol – Brasil;
  • Professor do Curso de formação de Treinadores – Escola Brasileira de Futebol/ Confederação Brasileira de Futebol – Brasil.

Fonte: SC Internacional

Anúncios

Grêmio FBPA e CEPERF trazem curso da World Football Academy com Raymond Verheinjen


Curso ‘Periodização no Futebol’ ocorre na Arena nos dias 5, 6 e 7 de dezembro.

O Grêmio, em parceria com o Centro de Excelência em Performance de Futebol, CEPERF, traz ao Brasil o holandês Raymond Verheijen, mentor e fundador da World Football Academy e consultor de diversos clubes europeus, como Barcelona, Chelsea, Manchester City, além de seleções de diferentes países. Verheijen irá ministrar o curso ‘Periodização no Futebol’ – módulos básico e avançado – que ocorre na Arena nos dias 5, 6 e 7 de dezembro.

Além de ensinar em detalhes como desenvolver a aptidão para o futebol de alto rendimento, o curso apresenta conceitos inéditos, inovadores, assim como temas provocativos da cultura do futebol.

Esta é a terceira edição no Brasil. Gestores esportivos, treinadores, médicos, fisiologistas e cientistas do esporte, assim como analistas de desempenho, jornalistas esportivos, estudantes de Educação Física e similares estão convidados a participar. 

As inscrições podem ser realizadas no site www.ceperf.com.br, ou pelo telefone (31) 99104-9620.

Investimento:

R$1.500,00 (PREÇOS PROMOCIONAIS para inscrições realizadas até 31/10).

R$1.700,00 (PREÇOS NORMAIS para inscrições realizadas após 31/10).

– Curso Básico (1 dia: 05/12): R$600,00 até 31/10; R$700,00 após 31/10;

– Curso Avançado* (2 dias: 06 e 07/12): R$1.100,00 até 31/10; R$1.250,00 após 31/10: *Obrigatório ter cursado o básico como pré-requisito;

– Cursos Básico & Avançado (3 dias: 05, 06 e 07/12): R$1.500,00 até 31/10; R$1.700,00 após 31/10.

Valores incluindo: curso, material, coffee-breaks, certificado.

Haverá tradução inglês/português.

Conceito:

A chamada “Periodização no Futebol”, pesquisada e desenvolvida por Raymond Verheijen, mentor e fundador da World Football Academy, é uma teoria verdadeiramente revolucionária, imprescindível e acessível a praticamente todos os profissionais que militam no futebol, seja em nível de alto rendimento profissional, em categorias de base ou amador: Gestores, treinadores, assistentes técnicos, preparadores físicos, fisiologistas, fisioterapeutas, médicos, analistas de desempenho, jornalistas esportivos, cientistas e pesquisadores do esporte, acadêmicos, fãs do futebol.

Fotos: Divulgação Facebook Raymond Verheijen


Fonte: Grêmio FBPA

Superar uma pressão


Por Pedro Lampert 

Desde que pressionar em campo rival se tornou algo comum no futebol mundial, superar este trabalho defensivo por parte do adversário através de uma saída de bola elaborada sempre esteve relacionado com uma busca pelo controle dos acontecimentos. Afinal, alcançar este objetivo significava estabelecer um ataque na metade contrária do terreno de jogo e obrigar com que o inimigo recuasse suas linhas, fazendo com que a partida passasse a ser disputada bastante mais próxima de seu propósito e distanciando o rival de sua finalidade. O caso é que, atualmente, pressionar em campo contrário se tornou algo praticamente imprescindível dentro da elite mundial, sendo que, inclusive, no Brasil se relacionada este conceito com treinadores modernos. Sem ir mais longe, dificilmente é possível encontrar equipes que não pressionem nas instâncias mais decisivas da Liga dos Campeões da Europa, o torneio mais exigente do planeta.

Na última edição da Copa das Confederações, a insistência em realizar uma saída de bola elaborada mesmo pressionada por parte da Alemanha no duelo contra o Chile acabou recompensada através da anotação do avançado Lars Stindl depois de que uma perda proibida do zagueiro Shkodran Mustafi gerasse o gol do extremo Alexis Sánchez.

Porém, enquanto os sistemas defensivos se dirigem cada vez mais nesta direção, as intenções na hora de atacar buscam reforçar a ideia de trabalhar uma saída elaborada desde os primeiros passes. Ao final, mais do que a intenção de estabelecer um ataque na metade contrária do gramado que gere o controle dos acontecimentos, superar uma pressão alta por parte do adversário normalmente está resultando de maneira direta em uma ocasião para marcar. Como cada vez mais a porcentagem de equipes que avançam suas linhas sem a bola aumenta ao mesmo tempo em que a agressividade defensiva é incrementada, ser capaz de eliminar uma pressão está oferecendo metros para correr em campo aberto ao invés de estabelecer um cenário de ataque posicional. Isto está ficando especialmente claro na Espanha, que se trata do futebol mais tático de todo o mundo e onde tanto a pressão como a saída de bola são trabalhadas exaustivamente.

Contra o Girona, na última rodada do Campeonato Espanhol, o Celta de Vigo marcou dois gols superando pressões altas do rival. O primeiro com o extremo-esquerdo dinamarquês Pione Sisto e o segundo com o jovem atacante uruguaio Maxi Gómez.

Um exemplo sintomático neste sentido é o Real Bétis de Quique Setién, que vem marcando boa parte de seus gols justamente desta maneira. Porém, outro caso nesta direção está sendo o Celta de Vigo de Juan Carlos Unzué. Por mais que os riscos assumidos ao sempre procurar uma saída elaborada através de passes curtos também tenham resultado em perdas proibidas que geraram gols para os rivais, o objetivo vem estando claríssimo: insistir ao máximo contra pressões altas porque a recompensa será a mais elevada possível. Em uma direção similar também se encontra o Real Madrid do francês Zinédine Zidane, que ganhou os títulos mais importantes da temporada passada no futebol europeu se aproveitando de sua capacidade para sempre superar os agressivos trabalhos defensivos dos adversários estando liderado por autênticos especialistas nesta matéria como o zagueiro Sergio Ramos e o interior alemão Toni Kroos.

Fonte: CentroCampismo

Ajax é o time que mais revela jogadores na Europa; na elite, Real Madrid lidera


Levantamento do Observatório de futebol do Centro Internacional de Estudos Esportivos (CIES Football Observatory, em inglês) mostra que o Ajax é o clube que mais revela jogadores na Europa. Considerando apenas as cinco maiores ligas do continente, porém, a liderança é do Real Madrid.

O critério para estabelecer o ranking é o lugar onde os jogadores passaram, ao menos, três anos entre os 15 e 21 anos. Com essa base, o Ajax contou com 71 atletas que estão em ação nas 31 ligas europeias consideradas pela pesquisa – há um ano, em outubro de 2016, esse número era de 72.

A segunda colocação é do Dínamo Zagreb, da Croácia, com 67, seguido pelo Partizan Belgrado, da Sérvia, com 61. O Real Madrid aparece no quarto lugar geral e no primeiro levando em conta apenas os campeonatos Espanhol, Inglês, Italiano, Francês e Alemão.

No critério da pesquisa, o Real revelou 41 jogadores para o futebol europeu, sete a mais que o segundo colocado, o Barcelona, com 34. O terceiro lugar é do Lyon, com 31.

O levantamento também mostra quantos dos atletas revelados seguem nos clubes. O Ajax, por exemplo, segue com sete dos 71 jovens que contou por três anos entre os 15 e 21. Já dos 41 com passagem pela base do Real, oito ainda vestem a camisa merengue.







Fonte: ESPN / UOL

Momentos e Sub-Momentos do jogo… uma proposta


Por Ricardo Ferreira

Como prometido no passado, publicamos a nossa interpretação do jogo de futebol e proposta para a sua sistematização.

Em primeiro lugar poder-se-á questionar a relevância de sistematizar o jogo de e interpretá-lo teoricamente. Apesar do próprio jogo mostrar caminhos e promover a auto-aprendizagem, potenciar essa aprendizagem com outras ferramentas, é para nós fundamental, nomeadamente no papel de treinador. Neste sentido, um modelo simples que explique os momentos do jogo e a sua ligação, garantirá uma enorme ajuda à compreensão do jogo e ao seu ensino aos jogadores.

Isto, independentemente da idade e nível de jogo em que trabalhamos, uma vez que vão surgindo diversos exemplos de alto e baixo conhecimento do jogo em todos os escalões etários e níveis competitivos. Porém, o jogador não se constitui como o único destinatário deste trabalho. Todos os que gostam do jogo, e desejam compreender um pouco mais a sua complexidade e dinâmica, acreditamos que vão encontrar nesta sistematização um caminho acessível.

Para o próprio treinador, não só permite, a partir daqui, uma organização mais complexa das suas ideias de jogo (princípios, comportamentos, acções, etc.) dentro de cada sub-momento do jogo, como também lhe permite categorizar exercícios de treino face à interpretação da sua dominância. Consequentemente, esta proposta, possibilita ainda ao treinador ou ao analista catalogar videos de acções de jogo da sua equipa ou de terceiras de forma acessível. Este tem sido um trabalho que temos desenvolvido, o qual já nos possibilitou uma biblioteca que ultrapassou o milhar de vídeos, e que entre outros objectivos, servirá para ilustrar os comportamentos de jogo defendidos no tema do nosso projecto, a publicar futuramente – Modelo de Jogo Idealizado.

A sistematização do jogo de Futebol já leva uma considerável história. Desde o momento em que outras modalidades contribuíram para o desenvolvimento da teorização do jogo, destacando-se os trabalhos de Friedrich Mahlo, Leon Teodorescu e Jean-Grancis Grehaigne, passando pelo contributo fundamental em Portugal de Carlos Queiroz e Jesualdo Ferreira, quando em 1983 apresentaram uma proposta de sistematização do jogo de Futebol, à actual visão do jogo sob quatro momentos fundamentais: Organização Ofensiva, Transição Defensiva, Organização Defensiva e Transição Ofensiva, que entretanto se generalizou.


Momentos do jogo

A nossa proposta surge, não só de uma necessidade de desconstruir os momentos de organização para que sejam mais facilmente entendidos e treinados, como principalmente explicar os momentos de transição, os quais, apesar de actualmente aceites e reconhecidos pela sua importância capital no jogo, geram no entanto, ainda muitas dúvidas e por vezes interpretações erradas.

Explicando-a concretamente, a partir dos quatro grandes momentos de jogo, criámos três sub-momentos para cada um deles. Nos momentos de Organização, sentimos que a proposta de Queiroz e Jesualdo continua a garantir resposta para as necessidade desses momentos do jogo. No entanto, necessitámos de distingui-los de forma mais objectiva, uma vez que nos fomos apercebendo de visões muito díspares do que seriam a construção, criação, finalização e em oposição, o impedir a construção, impedir a criação e impedir a finalização.

Assim, no momento de Organização Ofensiva, identificado, entendemos os três sub-momentos:

  1. Construção: quando ambas as equipas se encontram dentro da sua organização para atacar e defender e quando a bola se encontra fora do bloco da equipa que defende.
  2. Criação: quando a equipa que ataca consegue penetrar no bloco da equipa que defende e surge perante a última linha adversária ou a última linha e mais um médio em contenção. A excepção é quando a equipa que ataca procura um jogo mais directo, de ataque à profundidade, ou seja, de passe directo para o espaço entre a última linha de quem defende e o seu Guarda-Redes, o que acaba por se configurar como uma situação de último passe, independentemente do grau de dificuldade superior da acção. Neste sub-momento, integram-se também todas as situações de bola parada ofensivas que poderão permitir um último passe ou cruzamento e finalização. Devemos referir que compreendemos as opiniões que distinguem as situações de bola parada como um quinto momento do jogo, porém a nossa interpretação é que, independentemente do jogo estar parado ou em movimento, se uma equipa está organizada para defender essas situações e a outra para atacar, então estarão dentro da sua Organização Defensiva e Organização Ofensiva, respectivamente.
  3. Finalização: todas as acções que visam o momento final de ataque à baliza adversária, portanto, a acção individual ofensiva de remate, independentemente da superfície corporal envolvida. Aqui também se integram as situações de bola parada ofensivas que poderão permitir um remate directo à baliza. Importa ainda referir que a finalização pode até surgir quando a equipa que ataca tem pela frente todo o bloco adversário ou parte do mesmo. Contudo, se quem ataca conseguiu chegar ao remate, esses momentos de organização defensiva adversários falharam de alguma forma.

Em oposição, o momento de Organização Defensiva, sub-divide-se em três sub-momentos que irão procurar garantir oposição aos anteriores comportamentos ofensivos:

  1. Impedir a construção: os momentos em que a equipa que defende procura não permitir a entrada da bola no interior do seu bloco. Os comportamentos de pressing, quer seja alto, médio ou baixo, são um bom exemplo para este sub-momento defensivo.
  2. Impedir a criação: quando a equipa que defende não consegue impedir que a bola entre no interior do seu bloco e a sua última linha é a penúltima barreira entre si e a sua baliza. Ou então as acções que visem impedir ou interceptar um passe longo e directo para o espaço entre a última linha da equipa e o seu Guarda-Redes.
  3. Impedir a finalização: quando toda a equipa, menos o Guarda-Redes, foi ultrapassada. Portanto, contrapondo ao sub-momento ofensivo de Finalização, aqui, a última barreira é o Guarda-Redes e os seus comportamentos de defesa da baliza.

Esta proposta de distinção entre os momentos de construção e criação, parece-nos altamente pertinente. Durante muito tempo apercebemo-nos que muitos autores e treinadores identificavam estes sub-momentos / fases pelo espaço do campo onde as equipas atacavam e defendiam. Essa interpretação parece-nos errada, uma vez que uma equipa pode estar em construção junto à sua área ou perto da área adversária, pois nos dois casos, perante por exemplo adversários que respectivamente defendam com o seu bloco, posicionado alto ou baixo no campo, poderá estar com todos os jogadores adversários ainda por bater. Por outro lado, uma equipa que posicione a sua última linha alta no campo, um momento de ruptura ou último passe de quem ataca pode surgir ainda no meio-campo de quem ataca. Deste modo, a correlação dos sub-momentos ofensivos e defensivos com espaços no campo está para nós desfasada da realidade que é o jogo. Então, a relação entre as duas equipas, e se quem defende ainda está usar toda a sua organização defensiva ou apenas parte da equipa, e se ao contrário, quem ataca ainda tem duas / três linhas adversárias para ultrapassar ou apenas uma, parece-nos uma visão mais aproximada da interacção e realidade dinâmica que o jogo promove, e assim um melhor caminho para distinguir esses sub-momentos ofensivos e defensivos do jogo.

Mas será nos momentos de transição que a nossa proposta pretende ir mais longe. Independentemente da interpretação dos sub-momentos / fases, da Organização Ofensiva e Defensiva, já Carlos Queiroz e Jesualdo Ferreira procuraram sistematizar essas estruturas complexas do jogo. Há cerca de 15 anos atrás, com a difusão e aceitação dos momentos de transição, surgiram então mais dois momentos do jogo para compreender. Neste âmbito tem surgido alguma confusão de conceitos, e simultaneamente sentimos a necessidade de interpretar a Transição Defensiva e a Transição Ofensiva de forma a encaixar-lhes comportamentos e acções, para posteriormente explicar a sua lógica aos jogadores e trabalhá-los pelo Modelo de Jogo que cada treinador idealiza. Neste sentido, sentimos ainda a necessidade de lhes atribuirmos uma lógica sequencial teórica, tal como sucede nos dois momentos de Organização.

Desta forma, para o momento de Transição Defensiva, propomos os três sub-momentos:

  1. Reacção à perda da bola: os instantes, ainda no centro de jogo, imediatos à perda da bola. Os comportamentos defensivos a adoptar nessa situação. Para a maioria dos treinadores, o objectivo fundamental será não só tentar de imediato a recuperação da bola, mas não permitir ao adversário a possibilidade de contra-atacar. Portanto, impossibiltá-lo ou atrasá-lo em sair com a bola dessa zona de pressão e procurar espaços para desenvolver o contra-ataque.
  2. Recuperação defensiva: na tal lógica sequencial, se o adversário conseguiu sair da zona de pressão, independentemente dos jogadores fora do centro de jogo (primeira zona de pressão) já deverem está a fechar a equipa e a recuperar o seu posicionamento defensivo, neste sub-momento, torna-se ainda mais importante a recuperação do máximo número de jogadores, contemplados pela organização defensiva da equipa, para trás da linha da bola. Alguns poderão até estar a compensar companheiros, mas a urgência é não permitir espaço nem número vantajoso ao adversário para desenvolver situações de contra-ataque. A própria falta táctica pode ser contemplada neste sub-momento do jogo.
  3. Defesa do contra-ataque: se ambos os sub-momentos anteriores da transição defensiva falharam, então, antes das acções de defesa da baliza do Guarda-Redes, a equipa tem ainda a possibilidade de defender o contra-ataque adversário. Perante relações numéricas diferentes, poderão ser adoptados comportamentos que poderão reduzir as possibilidades de sucesso de quem ataca. Tal como, em oposição, o contra-ataque, estas são situações muito trabalhadas no Futsal, dada a quantidade de situações deste género que surgem nesse jogo. Porém, se no Futebol elas não só surgem, como são decisivas nos desfechos dos jogos, porque não devem também ser alvo de treino?

Em oposição ao momento de Transição Defensiva, surge então o momento de Transição Ofensiva, e ao qual propomos três sub-momentos:

  1. Reacção ao ganho da bola: em oposição à reacção à perda da bola, surgem neste sub-momento os comportamentos e acções de quem recuperou a bola, e a procura de sair da primeira zona de pressão adversária. Seja ela realizada por um jogador ou por mais. Se possível, alcançá-la no sentido da baliza adversária, porém, em muitos momentos, esses espaços encontram-se fechados e portanto será necessário garantir outras soluções e uma boa decisão do jogador com bola. A eficácia na reação ao ganho da bola e na saída da zona de pressão influenciará os sub-momentos seguintes da transição ofensiva, que aqui, provavelmente, já não surgem numa lógica sequencial, mas sim como alternativas de decisão.
  2. Contra-ataque: se a equipa conseguiu sair com eficácia e rapidamente da zona de pressão, poderá encontrar espaço e / ou uma relação numérica com o adversário interessante para optar pelo contra-ataque. Nesse caso, é nosso entender que deverá explorá-lo na larga maioria das situações, procurando as suas vantagens, pois parece-nos mais difícil ultrapassar uma boa organização defensiva adversária. As excepções irão surgir por influência da dimensão estratégica. Neste caso, por exemplo, quando uma equipa se encontra com uma vantagem mínima no resultado ou numa eliminatória, está a poucos minutos do final do jogo, e não lhe interessa explorar uma situação de contra-ataque, que em caso de insucesso irá, provavelmente, lhe retirar na resposta do adversário alguns jogadores da sua organização defensiva, e mais importante, porque privilegiando a posse de bola, não só poderá descansará com bola, como retirará a possibilidade de atacar ao adversário.
  3. Valorização da posse de bola: se após a saída da zona de pressão a equipa não encontrar espaço e / ou uma relação numérica interessante para atacar a baliza adversária, deverá evitar a decisão de contra-atacar numa situação desvantajosa e possivelmente perder a bola. Ao invés, deve assim garantir a sua posse, ganhando tempo para se reorganizar para atacar, procurando esse momento seguinte do jogo para criar desequilíbrios na organização adversária.

Pelas ideias apresentadas, propomos a seguinte representação gráfica dos momentos e sub-momentos do jogo:


Momentos e Sub-Momentos do jogo.

Interpretando o jogo desta forma, para nós não faz sentido catalogar uma equipa como “uma equipa de contra-ataque” ou uma “equipa de ataque organizado“. Todas as equipas têm de saber jogar em todos os momentos e sub-momentos, para que possam responder às necessidades circunstanciais que o jogo lhes vai apresentando. Contudo, partindo deste modelo, cada treinador, acreditando nas suas ideias, procurando uma adaptação à qualidade, cultura e características individuais dos jogadores com quem irá trabalhar, poderá desenvolver o jogo idealizado, de forma a responder a estes momentos e sub-momentos, o que consequentemente potenciará o seu jogo para mais ou menos tempo nalguns destes momentos e sub-momentos. Assim, procurando ir aos extremos, acreditando num jogo curto e apoiado ou longo e directo, na defesa zona ou na defesa individual, todas as ideias podem ser concebidas a partir deste modelo.

Sentimos ainda que a nossa proposta não se esgota no jogo de Futebol e que poderá ter transfer para outros desportos colectivos, nomeadamente os com características de invasão do meio-campo adversário.

Fonte: Lateral Esquerdo

Quais as diferenças entre modelo e proposta de jogo?


Por Caio Gondo

Além dos aspectos táticos de determinadas fases do jogo com a bola rolando, há aspectos dos quais englobam mais de uma fase de jogo, como a intensidade que foi vista em um dos textos anteriores (perdeu? Veja aqui). Além da intensidade, há um termo do tatiquês o qual envolve mais de uma fase de jogo, que tem sido falado cada vez mais ultimamente, que é o modelo de jogo. Afinal, o que seria esse modelo jogo de uma equipe? Ele é diferente de proposta de jogo?

Antes de mostrar o que é um modelo de jogo, uma rápida passagem pelas quatro fases de jogo com a bola rolando é necessária para ter uma maior compreensão do que seria realmente um modelo de jogo.

As quatro fases de jogo com a bola rolando

Para quem me acompanha há algum tempo, já notou de que no jogo de futebol há quatro fases de jogo com a bola rolando e de que elas se conectam formando um ciclo. Sim, elas formam um ciclo, pois quando uma termina, a outra começa. Assim sendo, o fim de uma fase de jogo está diretamente relacionado com o começo da fase seguinte, pois as quatro fases formam um ciclo!


Por termos a consciência de que as quatro fases de jogo formam um ciclo, haver um conjunto de ideias como fonte de absorção de ações conjuntas e tomadas de decisões de cada jogador, se faz necessária no futebol atual. E o modelo de jogo é justamente isso: a unidade de ideias que gera o ciclo que a equipe faz nas quatro fases de jogo com a bola rolando.


Modelo de jogo

Por ser um conjunto de ideias, não tem como transformar o modelo de jogo em uma só prancheta tática (respondendo a pergunta da primeira imagem do texto). Já que o modelo de jogo está no campo abstrato das ideias. Assim sendo, o modelo de jogo é a ideia que sobressaía do time no ciclo das quatro fases de jogo com a bola rolando. É o que é predominante.


Entretanto o modelo de jogo não é só a ideia que sobressaia, mas, também, o como, as maneiras e os meios como a ideia predominante é buscada e realizada. Para facilitar a compreensão, voltarei a utilizar do Barcelona como exemplo.

O Barcelona tem em sua essência do clube a posse da bola (eis a ideia predominante). Para conseguir essa posse da bola, o time rapidamente pressiona o adversário logo após da perda dela e, para mantê-la, o time realiza triângulos de passes para o portador da bola, movimentações no espaço vazio, ultrapassagens, opção (ões) de retorno, amplitude, profundidade, jogo na(s) entrelinha(s) adversária (eis as maneiras para que o modelo de jogo seja atingido!) e entre outros. Viu como a ideia do ciclo das fases de jogo guia a maneira como a equipe e cada jogador reagem nelas? Isso é modelo de jogo.


Mas como fazer com que os jogadores realizem os aspectos de jogo que formam o modelo de jogo da equipe? Através do treinamento.

A maneira para se alcançar o modelo de jogo

O modelo de jogo também é buscado mais através do treinamento, já que um time deveria passar mais tempo treinando do que jogando (não é mesmo calendário brasileiro?). Mas não pode ser um treinamento driblando cone ou finalizando ao gol após receber a bola após partir de uma fila, mas, sim, através de um treinamento com oposição, intensidade e com objetivos que busquem algum aspecto que faça parte do modelo de jogo da equipe, ou seja, um treinamento induzido.


Não foi só você que pensou o que estava escrito na legenda da foto acima. Muitas pessoas leigas ou até profissionais do futebol também pensam assim. Mas será que sabem mesmo?

No treinamento induzido, há oposição, intensidade e um objetivo que formará o modelo de jogo da equipe. Desse modo, temos que deve estar claro na cabeça do técnico qual vai ser o modelo de jogo da equipe para que, então, forme os seus treinos e busque cada aspecto tático que formará o tal modelo. Além disso, oposição e a intensidade devem estar presentes também. Ou seja, uma atividade na qual seja o mais próximo possível da realidade do jogo onde tenha adversário, intensidade e a busca da aplicação do seu modelo de jogo.

Por buscar situações mais próximas possíveis da realidade do jogo, atualmente, cada vez mais profissionais do futebol aplicam menos treinos driblando cones (há cones no jogo?), com filas enormes (há filas no jogo?) e “rachões” (com o ambiente amistoso e sem ou pouca intensidade), pois eles fogem do que é o jogo em si e, assim, fugindo da busca do modelo de jogo da equipe.

Para facilitar novamente o que seria uma atividade em um treino de futebol atualmente, coloco abaixo um vídeo do sub-11 do São José Esporte Clube de 2013, clube o qual busca o mesmo modelo de jogo do Barcelona: a posse da bola. Veja como é uma atividade do treino desse clube:


Agora que o modelo de jogo está bem claro, quais são as suas diferenças em relação a proposta de jogo de uma equipe?

Modelo de jogo x proposta de jogo

Assim como foi visto, o modelo de jogo é a ideia que sobressaía do ciclo das quatro fases de jogo e que é formado por aspectos táticos que convergem para a unidade do modelo de jogo. Já a proposta de jogo é o que o time se propõe a fazer em campo (jura que a proposta é o que o time propõe?). Devido a isso, na proposta de jogo não está embutido o como ela é buscada, mas, sim, somente o que a equipe procurou fazer na partida.

Como a proposta de jogo é somente uma indicação do que é buscada, ela pode ser propositiva (quando o time propõe o jogo e dita o ritmo da partida), reativa (quando a equipe se encolhe para jogar no contra-ataque) ou equilibrada (que é forma mais buscada atualmente).



Como a proposta de jogo está vinculada com o que o time fez no jogo, não necessariamente ela está ligada ao modelo de jogo da equipe. Já que em uma partida, um time pode ter um modelo de jogo, mas devido às circunstâncias do jogo (jogo fora, jogador a menos, vantagem no placar, desvantagem no placar, clima e etc), teve que aplicar uma proposta de jogo a qual não está habituado a fazer.

Fonte: Caio Gondo (Medium)

CURSO DE DETECÇÃO, SELEÇÃO E PROMOÇÃO DE TALENTOS


O Curso: Apresentar ao aluno o contexto que envolve o processo de iniciação esportiva, o treinamento a longo prazo e o talento esportivo. Serão abordados e discutidos temas como: modelos de desenvolvimento do esporte infanto-juvenil; fatores de busca, adesão e resiliência; forças de apoio familiar e social; aspectos desenvolvimentistas e biológicos da criança e do adolescente; idade ideal; iniciação esportiva X especialização esportiva precoce; o papel da competição. O curso enfatizará aspectos teóricos assim como pesquisas recentes realizadas sobre os temas selecionados.

Público alvo: Alunos e profissionais da área de educação física e esporte, bem como outros profissionais que atuam no contexto do esporte de base.

Conteúdo:1. Modelos de desenvolvimento de habilidades e competências.

2. Modelos de desenvolvimento do esporte.

3. A iniciação esportiva e as fases do treinamento a longo prazo.

4. Crescimento, maturação e desenvolvimento.

5. Idade ideal para a iniciação esportiva.

6. Iniciação esportiva X especialização esportiva.

7. Prontidão para a competição infanto-juvenil.

8. Aspectos psicológicos da iniciação esportiva.

9. Aspectos sociais da iniciação esportiva.

10. A pesquisa em iniciação esportiva.

11. Síntese e perspectivas futuras de investigação científica.

Local: Sede Unisport

Rua Cláudio Soares , 72 Conjunto 910. Bairro: Pinheiros – São Paulo – SP. CEP 05422-030 

Investimento: R$ 300,00 

Forma de Pagamento

Em até 10x nos cartões de Crédito ou Boleto Bancário

Carga Horária: Das 9h às 18h 

A UNISPORT fornece Certificado de Participação. 

Professor: Dr. Marcelo Massa

Possui Mestrado (1999) e Doutorado (2006) em Educação Física pela Universidade de São Paulo na Área de Biodinâmica do Movimento Humano. É Professor Doutor da Universidade de São Paulo (USP) na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) – Curso de Educação Física e Saúde (EFS). Tem experiência na área de Educação Física e Esporte, com ênfase em Esporte de Alto Rendimento, atuando principalmente nos seguintes temas: (i) detecção, seleção e promoção de talentos esportivos, (ii) crescimento e desenvolvimento humano, (iii) desenvolvimento motor, (iv) esporte infanto-juvenil, (v) treinamento a longo prazo. É Líder do GEPCHAM (Grupo de Estudo e Pesquisa em Capacidades e Habilidades Motoras- EACH/USP), Vice-Líder do GABEF (Grupo de Pesquisa em Adaptações Biológicas ao Exercício Físico – EACH/USP) e Coordenador Administrativo do LABCAF (Laboratório de Ciências da Atividade Física) da EACH-USP. Palestrante com experiência e participação em provas de Corrida de Longa Distância e Triathlon – sobretudo IRONMAN, Maratona e Ultramaratona. (Fonte: Currículo Lattes)

Fonte: UniSport Brasil

Manias do Pep: Guardiola cobra que atletas do City estudem inglês, diz Otamendi

Em entrevista, zagueiro da equipe inglesa afirma que técnico é “bastante exigente” com estudos e alimentação; depois, elogia o profissionalismo do espanhol.

Para se manter entre os principais treinadores da atualidade, Guardiola controla mais do que os aspectos esportivos. Protagonista de algumas curiosidades, como dar instruções a um gandula, o espanhol teve outros métodos revelados em entrevista dada pelo zagueiro Otamendi. O defensor afirmou que o técnico é rígido em relação a alimentação, e que cobra bastante dos jogadores para que aprendam inglês.

Depois das partidas, é obrigatório comer no clube. A alimentação e o descanso são importantes porque os jogos são muito próximos. Pep é bastante exigente com a comida e também para que a gente estude o inglês, porque as reuniões são nesse idioma. Em dezembro tenho uma prova – disse o argentino.


No entanto, a metodologia de Pep Guardiola começa a ter efeito. Após sua chegada ao clube, em fevereiro de 2016, o treinador espanhol vive seu melhor momento no comando dos Citizens. São oito jogos no Campeonato Inglês, com sete vitórias e um empate. Na Liga dos Campeões, três resultados positivos em três partidas, que colocam a equipe bem próxima de uma vaga nas oitavas de final.

Diante do cenário positivo, Otamendi disse que Guardiola deixa “tudo de bandeja” para que os jogadores entrem em campo e deem o máximo. Além disso, destacou, mais uma vez, o caráter do técnico, que busca acompanhar o lado pessoal dos atletas, mesmo em assuntos que não envolvam o time.

Pep te dá tudo de bandeja para que, quando chegar a hora da partida, tudo saia perfeito, para que o funcionamento da equipe flua. Ele está sempre em cima, mas não falando tudo sobre futebol. Te consulta sobre a família e essas coisas – complementou.

Fonte: Globo Esporte

Colher antes de semear

Pertencer a determinado universo custa um preço, será que todos estão dispostos a paga-lo?

Por Danilo Benjamim

Uns 80% dos jogadores vivem em uma bolha. Sem dúvidas. Sobretudo os mais jovens, que passam a querer imitar seus ídolos. Estes acreditam que se usarem uma nécessaire de marca debaixo do braço, um sapato de 400 euros e oito tatuagens já serão estrelas e, por isso, serão respeitados. Se esquecem do mundo real. A bolha clássica em que vive um jogador: chegar ao profissional e comprar um ‘carrão’ com o primeiro salário

A coluna desta semana foi, em muito, motivada pela recente declaração acima do jogador brasileiro Filipe Luís, lateral de 32 anos que defende a seleção brasileira e o Atlético de Madrid, numa entrevista ao jornal “El mundo”. A entrevista pode ser lida na integra AQUI.

Acredito que grande parte daqueles que, dê alguma forma, tem contato com o futebol no Brasil, seja ele amador ou de rendimento, já se deparou com essa imagem, do “boleiro”, que tem as roupas da moda, a chuteira do craque da UEFA Champions League, a nécessaire de grife e tatuagens pelo corpo. Que fique claro aqui, não sou contra a utilização de nenhum destes adereços, acredito que todos têm o direito, dentro de suas convicções, de ter o estilo que achar conveniente, a questão ao meu ver, é o indivíduo acreditar que o simples fato de ter o estilo de se vestir/portar de determinado grupo, já lhe concede o direito de fazer parte deste grupo. Pertencer a determinado universo custa um preço, será que todos estão dispostos a paga-lo?

Os caras estão esquecendo de jogar futebol

Esta frase do ex-jogador Tinga (entrevista completa AQUI), que atualmente trabalha no futebol do Cruzeiro, abordando a mesma temática que Filipe Luís, a alienação de muitos jogadores, sejam eles profissionais ou não.

Pesquisas apontam que no Brasil, o percentual dos jogadores das categorias de base que conseguem se tornar atletas profissionais, é muito baixo, e que destes, cerca de 96% recebem até no máximo 5 mil reais mensais, sendo que mais de 80% recebem até 1 mil reais. Isso sem falar no alto índice de desemprego pela falta de calendário anual para a grande maioria dos clubes.

Talvez estes sejam temas “batidos”, mas será que entre os aspirantes a jogadores, tais assuntos são amplamente discutidos?

Dentro da frase de Filipe Luís, a afirmação de que “Uns 80% dos jogadores vivem numa bolha” traz ainda outra questão interessante a se discutir: até que ponto os jogadores sabem usar o caráter simbólico que possuem? Esta semana, o ex-melhor jogador do mundo (1995), George Weah, foi eleito presidente da Libéria na primeira eleição democrática do país em 73 anos, Cristiano Ronaldo rotineiramente divulga em suas redes sociais os momentos em que se dedica a doação de sangue. Ao mesmo tempo, são muitas as imagens de jogadores ainda em atividade, bebendo, fumando, envolvidos em casos de sonegação de impostos. Qual a responsabilidade destes jogadores com seus atos, visto a repercussão e influência que possuem na vida daqueles que os admiram?

Vivemos em uma sociedade onde cada vez mais as aparências contam muito, as pessoas a cada nova situação que vivem, seja a degustação de um prato, ou a leitura de um livro, tem um ímpeto quase que insaciável em divulgar seus atos, nem sempre com o devido critério, relevância e oportunidade para isso. Todos querem reconhecimento, mas nem sempre, possuem atos e condutas que de fato sejam condizentes com esse desejo pelo reconhecimento.

Fatalmente, tal situação, se observa em nossos potenciais jogadores. Desejam reconhecimento simbólico e financeiro dos clubes, mesmo que, em muitos casos, não entreguem o mínimo que os clubes deles esperam: performance esportiva. “Orientados” por empresários, agentes, ex-professores das escolinhas e “amigos”, muitos destes jovens (e até seus pais) criam um mundo de fantasia em torno de si, pensando que por terem conquistado um espaço dentro de uma categoria de base, já percorreram sua jornada, e basta o clube reconhecer sua capacidade, lhes concedendo espaço para jogar e ótimos contratos. Estão querendo colher antes de semear. Se preocupam com a marca da chuteira, em postar fotos nas redes sociais, em ter o estilo do boleiro, mas na mesma proporção, será que estão preocupados em avaliar seu desempenho, evoluir suas deficiências e potencializar suas qualidades? E que ambiente de desenvolvimento integral os clubes têm propiciado a seus jogadores? A que nível de reflexão os tem conduzido?

Notoriamente, estes não são problemas exclusivos do futebol, a raiz deles está em nossa sociedade, em sua construção histórica. É preciso educar melhor, formar melhor, pois nossos jovens, estejam nas categorias de base ou não, estarão mais propensos a mudarem de atitude, a mudarem de perfil, quando lhes for proporcionado um contexto social diferente, quando a educação for realmente valorizada, quando os meios de comunicação/formação de opinião conscientizarem melhor seu público, e sobretudo, no que tange ao futebol, quando as comissões técnicas, também utilizarem o poder simbólico que possuem, não somente no intuito de extrair vitórias de seus jogadores, como se fossem “cavalos de corrida”, mas sim, para também lhes incutir valores e senso crítico, que os permitam sair da bolha onde insistem em os fechar.

No jogo, as máscaras caem” Prof. Dr. Alcides Scaglia

Fonte: Universidade do Futebol

Principais mudanças táticas de Alberto Valentim no Palmeiras

Por Leonardo Miranda

3 jogos, 3 vitórias e o desejo (ainda distante) do bi-campeonato Brasileiro ficou mais real no Palmeiras. Apesar de certa surpresa, era de se entender a demissão de Cuca: alto investimento, contratações que não trouxeram o (alto) retorno esperado, como Deyverson, e muitas eliminações. Ao planejar 2018 já em outubro, a diretoria do Palmeiras optou por dar o comando a Alberto Valentim, auxiliar do clube desde 2014.

Apesar do pouco tempo de treino, Valentim deu uma ênfase mais moderna aos treinos e ao modo de jogo do Palmeiras. Cobrando intensidade e buscando organizar e manter um time, já é possível ver 3 comportamentos muito diferentes da época de Cuca.

Linha de defesa posicionada

Talvez a mais importante mudança realizada por Valentim foi no modo de jogar sem a bola: ao invés de “encaixar” no adversário e acompanhar até o fim, o Palmeiras agora marca por zona, ocupando um espaço. O encaixe, agora, só acontece num determinado setor e sempre com cobertura (como Tchê Tchê fez várias vezes). Tudo isso com um intuito: não dar espaços para o adversário correr se o encaixe sai errado, como acontecia com Cuca.


Mobilidade e busca pelo jogo apoiado

Outra mudança gritante no Palmeiras é a busca por colocar a bola no chão e jogar. Ao invés da busca pelo jogo direto, sempre com um pivô de costas (quase sempre Deyverson), o Palmeiras tenta sair com passes, aproximações e mobilidade. É o que se chama de “jogo apoiado”: na imagem, Tchê Tchê tem a bola e Borja e Moisés se aproximam para fazer a jogada com ele. Veja que Borja, o tão criticado camisa 9 do Palmeiras, rende mais assim, fazendo parte dessa mobilidade e ocupando a área para receber a bola no chão. No chão…


Pressão na saída de bola

Traço marcante do Brasileirão do ano passado, o Palmeiras de 2017 não funcionou muito pela falta de mais agressividade na frente. Como Cuca prefere uma equipe reativa, era normal ver Gabriel Jesus e Dudu pressionando e forçando o adversário ao erro. Valentim resgatou isso, mas de forma organizada. Veja no frame como 6 jogadores do Palmeiras se situam no campo do Grêmio, buscando fechar as opções de jogo do adversário. Assim, Paulo Vitor só tinha o chutão como saída.


É pouco tempo e muita pressão (e empolgação) para analisar o trabalho de Valentim. Mas, num primeiro momento, o Palmeiras vem apresentando ideias mais modernas e a possibilidade de fazer um ano muito melhor do que previsto. Dessa vez sem calça vinho e santinha e com treino e ideia.

Fonte: Painel Tático