Motivar um Plantel Curto através dos Sistemas Tácticos

Nem todos os Treinadores têm a sorte de ter à sua disposição um plantel com vinte e sete jogadores: vinte e quatro jogadores de campo e três guarda-redes. Nem todos os Treinadores têm a sorte de poder ir buscar jogadores à Equipa B sempre que necessário. E nem todos os Treinadores têm a sorte de pertencer a uma estrutura em que os jogadores do escalão abaixo podem “subir” sem restrições à sua equipa. Aliás, alguns nem sequer têm o escalão abaixo do seu para poder suprir uma eventual necessidade…

Ou seja, há Treinadores que acabam por ter de saber lidar com um plantel curto (em opções) à sua maneira, sendo certo que nunca é fácil trabalhar com plantéis parcos em opções, por muita polivaliência que exista no seio do grupo. É fácil constatar que há jogadores que se acomodam com a sua situação, seja ela a de suplente, seja ela a de titular, pois sabem que basta irem aos treinos (na realidade amadora é tão comum) para serem convocados. Nem sequer precisam de ir treinar, basta apenas irem aos treinos!

Ora, este cenário está longe de ser ideal para quem deseja fazer um bom trabalho e ser reconhecido. Mais longe ainda para quem deseja fazer um bom trabalho, ser reconhecido e chegar ao Profissionalismo, tanto em Portugal como fora de portas.

Imagine agora o leitor que é Treinador de um plantel sénior com apenas dezasseis jogadores (dois guarda-redes e quatorze jogadores de campo). O que faria para motivar um plantel que não chega a completar uma ficha de jogo? O que faria para motivar um grupo de trabalho cujos jogadores precisam apenas de ir aos treinos para conseguirem ser convocados? Como conseguir que este mesmo plantel assimile, alcance e demonstre qualidade de jogo (ou seja, qualidade de trabalho)?

Não havendo uma resposta certeira nem uma fórmula mágica, vou avançar com uma opção que, a princípio, tanto poderá parecer-vos estranha (caso nunca tenham pensado nisso) como poderá fazer sentido (caso já tenham seguido por este caminho). E essa opção é…a alternância dos sistemas tácticos da equipa.

Acredito que alguns leitores possam considerar este argumento como um ultraje ou uma infâmia futebolística. Aceito toda e qualquer leitura, mas sei que só podemos valorizar ou condenar uma ideia/um argumento depois de a/o utilizarmos e a/o tentarmos colocar em prática. E sendo certo que a cada Treinador cabe a responsabilidade de conhecer o seu grupo de trabalho ao ponto de poder decidir o que é melhor para ele…

Importa dizer que se o leitor pretende enveredar por este caminho (a alternância dos sistemas tácticos da equipa), então é porque conhece perfeitamente bem os seus pupilos e sabe que eles vão reagir positivamente aos novos estímulos apresentados por si e pela sua equipa técnica sempre que necessário. Sabe que eles estarão dispostos a aprender e a assimilar novas ideias e novos conceitos porque estão ávidos de aprendizagem. E isso é extremamente gratificante para um Treinador. Especialmente ao nível sénior…

Mas, afinal, é mesmo possível seguir este caminho? Estar sempre a alterar o sistema táctico da equipa?

Nem sempre, nem nunca, como diria o Povo. Mas eu defendo que uma boa equipa deve saber jogar de várias formas, tenham elas por base o mesmo Modelo de Jogo ou não. Acredito, e trabalho nesse sentido, que uma equipa deve saber jogar em, pelo menos, três sistemas tácticos diferentes: um com quatro defesas, x médios e um avançado (1x4x3x3, 1x4x2x3x1, 1x4x4x1x1), um com quatro defesas, x médios e dois avançados (1x4x4x2 clássico, 1x4x4x2 losango, 1x4x1x3x2) e um sistema com três defesas (1x3x5x2, 1x3x4x3 clássico, 1x3x4x3 losango).

Mesmo a nível distrital? Claro. E porque não? Mesmo a nível distrital. Não pode haver desculpas. Só se desculpa quem é preguiçoso ou quem não ousa fazer algo diferente!

E se ainda duvidam que trabalhar vários sistemas tácticos e alterná-los de quando em vez no momento de preparar o próximo jogo é benéfico para a potencialização dos índices anímicos de uma equipa, deixem-me que vos diga que é uma das melhores e mais eficazes formas de manter todos os jogadores disponíveis para o trabalho e motivados para o treino e para o jogo.

Porque nem todos se adaptam aos mesmos sistemas tácticos. Porque há uns que sobressaem mais a jogar sozinhos no corredor central do meio-campo. Porque há defesas-laterais que se destacam mais num determinado sistema que não exija demasiado apoio ofensivo da sua parte. Porque há avançados que “casam” muito bem com outros avançados. E isso leva a que todos acreditem que podem jogar. Porque, de facto, podem! E jogam! Basta que o Treinador não “trema” a partir do momento em que decida trilhar este caminho…

Tenho tido a particularidade de trabalhar sempre com plantéis reduzidos. Antes na Formação, agora nos Seniores. E com o passar dos anos dei-me conta de que os jogadores querem ganhar, mas querem essencialmente estar motivados, pois sem motivação não podem render e, consequentemente, ganhar.

Como tal, tenho aprendido que um plantel curto pode ser motivado através dos sistemas tácticos. Neste caso, da alternância dos sistemas tácticos e da riqueza que pode advir dessa mesma situação. Não é um caminho fácil, mas, se fosse, não seria para nós, pois não, caros Leitores/Treinadores?

Fonte: Futebol Apoiado por Laurindo Filho

SCOUTING NO FUTEBOL DE FORMAÇÃO – UMA ABORDAGEM SISTÉMICA

A sociedade atual atenta cada vez mais a particularidades, afirma-se muitas vezes que no desporto são os pormenores que fazem a diferença. Por que será que isso acontece? Será a banalidade de ações que faz com que os pormenores sobressaiam? Ou serão os pormenores que se evidenciam perante o “marasmo” das restantes ações?

O talento é de uma tal complexidade que por vezes a sua compreensão torna-se não compreendida, isto é, pode o talento construir-se ou ele nasce com a pessoa? A genética ou efeito da idade relativa ajudam a compreender algumas questões, mas não todo o processo de desenvolvimento do talento em si.

A imprevisibilidade do mundo atual tem implicações nas decisões do dia a dia, onde o desporto não fica imune e o futebol, face ao mediatismo que atingiu, muito menos.

Sendo o scouting  um processo de observação e análise será pertinente realizá-lo a partir de que momento no futebol de formação? A perspetiva com que esta temática é abordada revela muito daquilo em que cada vez mais se transformou o futebol – um negócio. Se assim não fosse dir-vos-ia que a abordagem ao scouting seria completamente distinta, porém a “nossa” perspetiva depende de nós e da forma como abordamos as diferentes questões. Se o scouting é um processo de observação e análise por que não tirar benefícios para o processo de treino e gestão da própria equipa? Este é no meu entender a grande mais valia do scouting no domínio da formação. Mas será o futebol de formação igual em todos os períodos de desenvolvimento dos diferentes escalões? Naturalmente que não, porque de acordo com as diferentes idades onde ocorre o processo de treino procuram-se desenvolver conteúdos diferentes, e as preocupações adjacentes são também elas distintas.

No que concerne aos estágios de desenvolvimento dos indivíduos podemos aferir que eles podem ser cognitivos, motores e psicossociais podendo ser analisados de forma integrada ou desintegrada em função do que desejemos compreender. Neste sentido, esta compreensão é importante para aferir o porquê dos comportamentos serem como são. Os comportamentos na sua globalidade são um fator preditivo essencial para percebermos como pode evoluir o jogador, direi mesmo que será a base que serve de suporte para evolução do homem/jogador. Não poderemos avaliar o jogador apenas pelo seu desempenho técnico/tático, pois isso é demasiado redutor para que se consiga perceber qual a evolução do jogador e onde ele pode chegar.

Os clubes começam cada vez mais cedo a realizar o chamado trabalho de prospeção, mas será esse o melhor caminho? O melhor jogador hoje, será o melhor jogador amanhã? Essa deveria ser a principal questão a colocar na génese deste processo. Posto isto, seria essencial perceber como cada um dos diferentes jogadores observados vai evoluir ao longo do tempo, porque o melhor de hoje pode não ser o melhor de amanhã, da mesma forma que o menos bom hoje poderá não ser o menos bom amanhã. Se este for o caminho escolhido, tendo como intenção realizar um trabalho profícuo, é necessário que se tracem eficientemente parâmetros sobre o que observar, para que os fatores desviantes sejam cada vez menos perturbadores na decisão final.

Ao longo do texto coloquei muitas questões, mas tentei dar apenas algumas respostas para que também cada um de vocês pudesse refletir, interrogar-se e procurar encontrar respostas para questões sobre as quais provavelmente ainda não tinham refletido verdadeiramente.

Fonte: Futebol de Formação por André Mendes

FPF CRIA MODELO INÉDITO DE LICENCIAMENTO DE ÁRBITROS DO FUTEBOL PAULISTA

O Departamento de Arbitragem da Federação Paulista de Futebol implantará o inédito Programa de Licenciamento de Árbitros, modelo de rankeamento inédito no Brasil e no mundo, que será implantado a partir desta temporada.

O projeto substitui o modelo atual, e classificará os profissionais de acordo com o desempenho, dividindo-os nas categorias: Básico, Licença C, Licença B, Licença A e Licença Pro. No modelo atual, os árbitros são promovidos apenas com base na quantidade

Agora, o licenciamento dos árbitros será realizado mediante acompanhamento direto ao longo de toda temporada, com observadores em todas as partidas, além de 20 critérios físicos, técnicos e psicológicos avaliados ininterruptamente durante o ano.

Além de treinamentos práticos e teóricos, específicos e individualizados, os árbitros e assistentes serão monitorados por meio de um novo sistema de GPS, o mesmo que atende as principais ligas e clubes do mundo, e que fornecerá detalhes de cada profissional.

Cada uma das faixas de licença terá uma nota mínima a ser cumprida pelos árbitros e assistentes a cada partida. Apenas ao final da temporada, mediante o cumprimento de pré-requisitos, o árbitro ou assistente poderá requerer a promoção para uma licença superior.

O objetivo é trazer novas qualificações e avaliações nas diferentes áreas, para alcançar a regularidade e excelência. Teremos uma evolução por qualidade”, afirma Dionísio Roberto Domingos, diretor do Departamento de Arbitragem da FPF.

Fonte: FPF

Copinha: a bola, o espaço e os dogmas da base brasileira

Debate sobre filosofia de jogo dos clubes precisa ser travado e janeiro, mês em que os holofotes se voltam para a base, é o momento ideal para isso.

Muito presente no cenário do futebol profissional, o debate sobre filosofia de jogo também ocorre na base brasileira, que se profissionaliza cada vez mais. O binômio “Guardiola x Mourinho“, “Donos da bola x Donos do campo“, ou seja lá qual for a nomenclatura que queiram usar, faz parte do cotidiano de qualquer um que vê jogos de base. E com consequências tão ou mais perigosas do que nos jogos adultos.

Nos profissionais a cobrança por resultado é insana e o jogo de contra-ataque, direto, é justificado por isso. A ordem é correr o mínimo de risco possível, e a maioria dos times fecha a casinha. A consequência disso são jogos coletivamente ruins, pautados na qualidade individual de pontas rabiscadores, volantes rompedores e imposição física. Arthur, do Grêmio, é um raro sobrevivente nesse processo, e ainda assim, enfrentou muitas restrições no meio do caminho.

Na base, a maioria dos jogos é igualmente ruim. Ainda há espaço para exceções, como Botafogo, São Paulo e Chapecoense. O Flamengo busca uma nova filosofia de controle de jogo. No mais, times camaleônicos, que se adaptam, e não se impõem a cada jogo. Normalmente reativos contra maiores, e propõem jogo contra os pequenos. A escolha é um direito de cada treinador, e há bons profissionais que optam por essa filosofia e obtém sucesso com resultados dentro de campo. Mas as consequências na formação são potencialmente nefastas. Cada proibição em nome do menor risco possível significa a perda da possibilidade de desenvolver melhor um jogador.

Não entendeu? Então vamos a exemplos práticos. Há, ainda, no ano da graça de 2018, treinadores em times grandes na base que proibem recuos de bola aos goleiros. Naturalmente, os camisas 1 não potencializam o jogo com os pés. E naturalmente, perdem mercado no exterior, porque hoje os times grandes da Europa buscam goleiros que saibam ao menos iniciar uma saída de bola.

Aos zagueiros, algumas vezes é proibido sair jogando. O chutão é a lei. Se eles não fazem isso na base, vão fazer quando na vida? O argumento contrário diz que, se errarem, o emprego do técnico vai pro beleléu. E realmente há uma chance de ir. Mas como se forma zagueiros técnicos se eles não são estimulados a evoluir com a bola no pé?

Aos volantes, muitas vezes o estímulo é o de só jogar para a frente. O passe de lado é sinônimo de “jogador burocrático. Qualquer um faz“. A valorização da posse de bola, no Brasil, é pouquíssimo praticada. E a circulação de bola nos times da Série A é, em regra, paupérrima, com honrosas exceções. Justiça seja feita, é muito mais fácil jogar com ratos de laboratórios na base, pois o estado de certos campos em que os jogos são realizados é quase um impeditivo para a prática do futebol.

Dos meias, se exige tudo. “Não temos mais um camisa 10 de qualidade“, é sempre uma frase que cai perfeitamente em um botequim. Ou na boca de algum ex-jogador saudosista. Jogando em estilo direto e contragolpes, a bola raramente passa com qualidade pelos pés desse meia, que se torna quase um segundo atacante por trás do centroavante.

Dos atacantes, se cobra imposição física, seja centroavante ou ponta. Arrancadas em profusão. Transições rápidas e jogo em grandes espaços para receber lançamentos longos. Muita velocidade e força para superar os zagueiros. Todos grandes atributos.

Falta, porém, o treinamento para jogar em espaços pequenos. Para criar em condições em que o adversário está fechado e não depender apenas de um lapso ou de uma bola parada. Falta, claro, muita coisa a mais. Faltam campos decentes para treinamentos de vários times grandes brasileiros. Falta qualificação profissional a quem treina times nas categorias inferiores, em muitos casos. Falta respaldo de uma série de dirigentes estatutários que adoram sair bem na foto com uma taça.

Falta também aceitar que o Brasil é um país protagonista no futebol mundial. E que num país protagonista, os clubes precisam formar jogadores para os principais mercados. Podar a evolução desses jogadores, em nome de títulos ou ascensão profissional, vai na contramão disso tudo. É urgente e fundamental melhorar a qualidade do jogador mediano da Série A, mesmo que isso custe meia dúzia de títulos no sub-13.

Fonte: Globo Esporte por Pedro Venancio

Política muda marcas nos clubes em 2018 e pode “bagunçar” mercado

Futebol pode assistir a uma troca maior de fornecedores de material esportivo.

Mudanças nos comandos dos clubes, outras no foco de atuação das empresas e ainda o término de contratos em dezembro devem fazer com que, em 2018, o futebol assista a uma troca maior na lista de fornecedores de material esportivo, dando sequência a um processo que iniciou no pós-Copa.

As próximas duas semanas serão vitais para definir os futuros fornecedores de dois grandes clubes: Santos e Vasco. O primeiro já havia decidido trocar a operação conjunta com a Kappa pelo fornecimento da Umbro. Mas a mudança na presidência, em dezembro, fez o negócio voltar para trás.

José Peres, novo mandatário santista, reclamou dos valores que serão pagos pela Umbro (cerca de R$ 2,5 milhões em dinheiro ao ano). O fornecedor, que começaria em março, pode ter o contrato rescindido antes mesmo de começar.

Já o Vasco, que ainda espera a Justiça para definir quem será o novo presidente, deve anunciar em breve a troca da Umbro pela Diadora. O negócio é baseado na experiência do Santos com a Kappa, em que o clube era o dono do negócio, comprando direto do fornecedor os uniformes e revendendo para o consumidor.

A inspiração vascaína vem do sucesso que o Paysandu tem tido no Norte do país, com o uso de uma confecção própria. O clube paraense tem obtido alta receita produzindo e vendendo o próprio uniforme, chegando a ganhar mais de R$ 5 milhões por ano.

Assim, agora, clubes de proporção nacional tentam mudar a forma como trabalham a relação com o material esportivo.

Outro clube que está prestes a anunciar novo fornecedor é o Sport. O contrato com a Adidas venceu, e o time pernambucano está próximo de anunciar um novo fornecedor. Especula-se que a Under Armour possa entrar, mas só a partir de junho. Por enquanto, o Sport deve jogar sem uma marca na camisa.

A empresa americana é outra que também pode mudar os parceiros no ano que começa. Fornecedora de Fluminense e São Paulo, a empresa corre o risco de sair do clube paulista, que publicamente já declarou tentar achar um novo patrocinador, mas não tem tido sucesso na busca por um substituto.

As mudanças que se avizinham podem ser explicadas pela forma como as marcas têm trabalhado depois da Copa do Mundo no Brasil. Adidas e Nike reduziram o apetite sobre os times do país. Under Armour e Umbro, por outro lado, ampliaram a atuação. Agora, com os novos mandatos nos clubes, a tendência é de que outras marcas apareçam no cenário nos próximos meses.

Fonte: Máquina do Esporte por Erich Beting

Domenico Tedesco, o jovem “tático” que revolucionou o Schalke 04

O treinador italo-germânico, de 32 anos, é estrela em ascensão e está em 2º lugar em ano de estreia na Bundesliga.

Domenico Tedesco é um jovem treinador de 32 anos, sem passado como futebolista profissional, que está a dar cartas no Schalke 04 na Bundesliga, em ano de estreia. Chegou a Gelsenkirchen sob um manto de desconfiança, tinha no currículo uma breve passagem pelo Erzgebirge Aue do segundo escalão alemão, depois de ter orientado os escalões de formação do Hoffenheim e Estugarda. Tedesco chegou, viu e venceu. Com um sistema de três centrais, o Schalke prima pela qualidade da circulação de bola e pela presão alta que faz. A equipa soma oito vitórias, seis empates e três derrotas, estando em segundo lugar da Bundesliga, só atrás do Bayern, na luta pelos lugares que dão acesso à Liga dos Campeões. E não perde desde 23 de setembro aquando da deslocação ao terreno do Hoffenheim de Nagelsmann, dois anos mais novo do que ele.

Natural de Rossano, o treinador da equipa que marcou quatro golos ao Dortmund depois de ter estado a perder por 4-0, jogou apenas em ligas menores antes de liderar os jovens do Estugarda. Tedesco iniciou a carreira treinando os escalões de formação do Estugarda e, posteriormente, do Hoffenheim. Na metade da última temporada, teve a primeira oportunidade numa equipa profissional. O cenário, porém, não era nada fácil: assumiu o Erzgebirge Aue na última posição da 2.Bundesliga a cinco jornadas do fim do campeonato. Com uma impressionante campanha, fez 13 de 15 pontos possíveis, Tedesco conseguiu salvar a equipa da descida de divisão.

E foi assim que chamou a atenção do Schalke. Com um curriculum que poderia caber numa note de post-it, o terceiro maior clube da história do futebol alemão entregou a Tedesco a missão de recuperar o prestígio abalado depois de um 10º lugar em 2016/17 sob a orientação de Markus Weinzierl. Após uma temporada frustrante, as expetativas do Schalke não eram altas mas Tedesco impôs a sua marca. Um sistema tático de três centrais (3-1-4-2, 3-4-3 ou 3-4-1-2) baseado num jogo de posse de bola e que melhorou a performance individual e colectiva dos jogadores. Tedesco recuperou para o melhor nível atletas como o avançado Konoplyanka, o central Naldo, o médio Stambouli, assim como o ala direito Caligiuri, todos eles que já estavam no plantel em 2016/17. Resultado: a equipa está em segundo lugar, a lutar por um acesso à Champions da próxima temporada.

Como um lutador de boxe

Domenico Tedesco trouxe para o Schalke 04 uma forma de jogar própria. “Quero que as minhas equipas dividam bem os espaços. Gosto de comparar isso a um lutador de boxe, que nunca pode baixar a guarda. Acima de tudo, queremos recuperar a bola tanto quanto seja possível porque amamos atacar, ainda que com um certo balanço e estrutura para sermos capazes de controlar as transições“, afirmou o treinador do Schalke 04 ao site do clube.

Ele trabalha muito a tática. Tem sempre coisas novas para surpreender o adversário. Na Alemanha, ele é estrela em ascensão, como foi o Nagelsmann“, analisou o Fussball Transfers. “Tedesco criou um excelente espírito de equipe nos primeiros meses no Schalke, como já havia feito em Erzgebirge Aue. O 4-4 contra Dortmund mostra a força e a confiança que deu à equipa. E os jogadores dizem que ele os faz sentirem os melhores. Trabalha para o clube 24 horas por dia, 7 dias por semana e traz muitas idéias novas. Será interessante ver onde o caminho dele o guiará“.

O clássico com o Dortmund, em novembro último, ainda está na memória dos adeptos de futebol. A equipa azul esteve a perder por 4-0 aos 25 minutos contra a equipa de Raphael Guerreiro mas na segunda parte operou uma recuperação épica chegando à igualdade. E o que fez o “tático” Tedesco? O treinador italo-germânico reconheceu que a estratégia para o jogo estava errada e, ainda na primeira parte, promoveu mudanças que resultariam numa grande reação do Schalke que empataria aos 90+4′ por Naldo. Uma das melhores reações que o futebol internacional conheceu em 2017 e a confirmação de Domenico Tedesco, depois de Nagelsmann, como um dos treinadores mais promissores da Europa.

Fonte: Bancada.pt por Gomes Ferreira

Vale (muito) ouvir o que diz Aimar sobre o futebol e seus conceitos – e, assim, sobre a vida

Pablo Aimar começa uma nova etapa de sua carreira. Vai treinar a seleção argentina sub-17. Vai tentar transmitir a muitos garotos aquilo que viveu ao longo de seus tempos como jogador – o peso da responsabilidade em ser uma promessa e se cumprir. Talvez pela imagem que deixou em campo, como um meia arisco e técnico, o veterano gere certas desconfianças sobre a nova empreitada. Puro preconceito. Basta abrir os ouvidos (ou, neste caso, os olhos) para o que pensa Aimar. Suas palavras transmitem uma lucidez imensa. Mais do que um técnico, passa a impressão de um filósofo da bola. Uma postura importante para quem vai viver de ensinar muitos pupilos na Albiceleste.

Abaixo, reproduzimos trechos da entrevista que Aimar concedeu a Sebastián Varela del Río e Ezequiel Scher, publicada na Página 12. Uma conversa de 70 minutos, em que o ex-meia abriu sua mente. E, como diz a abertura da matéria, o veterano fala em duas velocidades: uma mais ligeira e dinâmica; a outra, conceitualizando, aparecendo no esplendor de quando ia dar um passe genial. Alguém para se ouvir. Em tempos tão superficiais, visões profundas.

O coletivismo do futebol

A equipe de futebol que consegue evitar o pensamento individual, prevalece. Há uma bola e 22 jogadores, e cada um fica com ela por três minutos em 90. Ou seja, cada um joga 87 minutos sem a bola. Então, se você consegue se mover para que um companheiro faça um gol, você é um gênio. Se você consegue dar a solução para que um companheiro saia na capa do jornal e você nem apareça, bárbaro, jogas para a equipe. Ao final, os melhores jogadores de futebol são os que fazem o outro jogar bem. E eu conheci caras assim, que não dizem nada, mas te fazem melhor. Você pode ter o melhor lateral direito do mundo, rápido como Usain Bolt e com técnica. Mas quando se tira a bola, se torna o pior do mundo. Assim, o que faz jogar bem, esse é um grande, ainda que não saia na capa do jornal.

Para aprender essa ideia de jogo coletivo, você precisa gostar do jogo. Você pode ter o melhor professor de guitarra, mas se não gosta de tocar… Quanto menor você pega o jogador, se tem essa paixão, melhor pode ter seu comprometimento. Eu gosto muito dessa parte do esporte. Porque teve gente que me ensinou e agora devo seguir esse caminho com as gerações mais jovens. Eu vivi com José Pékerman e é no dia de hoje que me lembro de seus ensinamentos. Parava o treino e me dizia: ‘Onde está a solução?’.

A fama e o dinheiro

Digo aos garotos que isso não é mau. Querer melhorar como jogador não se contrapõe a tudo isso. Eu me arrependo de não ter desfrutado mais do lugar que ocupava. Imaginava que ia ficar sem dinheiro aos 60 anos e não me dava conta que estava com 20, que ali importava, porque depois a vida passa. O treino te leva três ou quatro horas, o dia tem 24. Depois, se apenas te importa o dinheiro, você está com problemas. Mas isso pode acontecer também com um advogado. Se apenas quer mudar de carro, não vai ser muito melhor no que faz. […] Não gosto desses que dizem ‘porque os garotos de agora..’. Talvez os garotos de agora vivam melhor que a gente. Vai saber. Não gosto do dogmatismo. Quantas vezes vão viver? Uma, igual a você. Depois, para trabalhar, me dá os que sentem a dor da derrota. Isso sim, jamais diria a alguém: ‘Cara, você está vivendo mal’.

A paixão

Eu creio que só há uma maneira de conseguir a melhora de um jogador, e é a paixão. Sem isso, não há possibilidade de aproveitar. Sem paixão, no futebol não há nada. Precisamos desse espírito amador. Não se pode ir a um treino cumprir expediente. Por isso me custa acreditar nos bons jogadores que dizem que não gostam de futebol.  […] Conservar o amadorismo não significa não ter estratégias. Significa treinar com um sorriso. É filosófico, não de sistema.

O tempo cada vez mais fugaz para acompanhar futebol

Há algumas partidas lindas para ver, mas cada vez menos. Somos a última geração que vê partidas inteiras. Porque estão mais acostumados ao efêmero. O jogo no PlayStation dura cinco ou sete minutos, apenas. Estão acostumados aos melhores momentos. A ver no celular os gols de todo o mundo. São vítimas desse estímulo. E nós seguimos vendo as coisas do jogo. Seguimos esperando uma jogadinha. Quando acontecem jogos divertidos, aí sim, aí se faz mais fácil.

Sobre imprensa e o tratamento ao outro

É preciso falar do jogo. Tudo o que se possa. Mas, para falar do jogo, é preciso amá-lo. É preciso jogá-lo. E não creio que isso implique em uma preparação acadêmica, porque realmente existem tantos lugares para entrar, que podemos estar todo o dia. Quem é que sabe de futebol? O que ganha? Eu creio que não. Eu creio que é o que sabe é aquele que mais ensinamentos deixa. Aí, começa a mãe de todas as conversas. Mas se fala de outras coisas. Menores, se você quiser. Mas que vendem mais.  As pessoas nunca mudam de canal ou fecham o jornal se aparece um escândalo. Talvez leiam primeiro isso. Não só no esporte.

Para sair disso, você precisa tratar de entender, mas é difícil. Como você pede a uma pessoa que trabalhou por dez horas que trate de entender a lógica disso? Se, ao final, ele quer sentar-se um pouco para descansar e que o entretenham. E, olha, eu também consumo alguma besteira. Acontece com todo mundo. Não há consciência do dano da mídia, porque as pessoas não incorporam o outro. Vivemos desconhecendo que existe o outro. Morrem de rir do outro. São poucos os que dizem: ‘Vou deixar atravessar a rua aquele cara, porque está parado há duas horas e vem passando 200 carros’. E quando deixa atravessar, há outro que tira sarro. Mas isso não ocorre só na imprensa ou só no futebol. O mundo é assim. O ser humano é um bicho complicado.

Messi, seu fã declarado

É provável que o último Messi seja sempre o melhor. Você via uma partida dele aos 20 anos e não podia se distrair um segundo, porque driblava quatro de repente. Agora, mais velho, talvez não passe por um montão de rivais dez vezes por jogo. Faz duas vezes. Ou uma. Mas faz no momento que tem que fazer, no lugar em que tem que fazer. Toca quando tem que tocar. Recebe quando tem que receber. Você pode me perguntar qual era o melhor para ver. Eu vou te dizer que é o de 20. Mas o que joga melhor é o de agora. Depois, para dizer quem foi o melhor da história, há coisas que não posso medir, como as arbitragens, a grama, os rivais. Mas o Messi de agora, o que provoca a falta no lugar que quer para cobrar o tiro livre, esse é espetacular.

Fonte: Trivela UOL por Leandro Stein

Steven Gerrard: ‘I’m definitely feeling it – I’ve aged about two years in six months’

Liverpool legend says his first taste of coaching in the club’s academy has been challenging but has done nothing to stop him wanting a long career as a manager.

It took Steven Gerrard five months to accept the end of his time at LA Galaxy was also the conclusion of his 19-year career as a professional footballer. The void will never be filled completely but the addiction continues and must be satisfied. That is why, despite feeling he has aged considerably during six months in charge of Liverpool Under-18s, nothing has doused his ambition to descend into “the madness” of top-level management.

The cravings clearly remain in the 37-year-old as he laments the absence of training from his Christmas Day routine. “I actually miss it,” he says, sipping an orange juice on a miserable December day at Liverpool’s academy in Kirkby. “It only used to be an hour and I only like Christmas Eve anyway. The rest is too long. I’d hate it if there was no football now for a few weeks.” What is also clear is that Gerrard’s appointment as under-18s manager came without privileges. The job is not about Liverpool indulging their illustrious former captain but, with Jürgen Klopp’s instruction, ensuring he has the best possible grounding before returning to the spotlight as a manager, wherever that may be. It has been a challenging, rewarding introduction.

“I’m definitely feeling it,” Gerrard says. “I’ve aged about two years in six months. Jürgen’s advice when I came back was: ‘I only want you to shadow for a short time because you need to have a couple of years of making mistakes, of picking your own team, of deciding tactics. You need to find your philosophy, a way of playing, you need to deal with individual problems, you need to praise individuals, help individuals, you need to feel disappointment and setbacks and then after a couple of years you’ll know if this gig is for you.’ He painted a real picture of how it is.

“For the last five months I’ve felt all the highs and lows and experienced all the daily stuff that managers deal with, albeit at youth-team level. It will definitely prepare me for wherever I end up. It is not scaring me or putting me off. I know the further I go there is more scrutiny, more attention, more opinions, more criticism, more praise. I get all that. For me it was important to get a taste of it away from the cameras and experience all these things before you go into the madness.”

The latest chapter in Gerrard’s Liverpool career consumes him, just like the one before. He works six days a week at the academy – “I had to show the players my work ethic was right and get their trust,” he explains – and the demands have been an eye-opening experience. Top of that list is, he says: “The hours you have to put in.”

Gerrard explains: “As a player I could switch off when the game was done. That is very difficult as a coach. That has been the main difference. Now after a game I’m thinking what went well, what didn’t go well, what individuals do I need to work on this week, who do I need to praise, who do I need to speak to, who’s been naughty at school? Having to handle that side of it has been very different for me, not that I was an angel at school, but we have a guy here, Phil Roscoe, who works on the education and welfare side of things and he is brilliant, absolutely brilliant. I would be lost if I didn’t have Phil’s help and support. The staff have been a huge help.

For the last five months I’ve felt all the highs and lows and experienced all the daily stuff managers deal with.

“There is a lot more to it than you think when you’re a player. I have more respect for coaches and managers now even though as a player I always respected the ones I worked with. I didn’t realise how much was involved in their roles until I tried it myself.”

Gerrard also manages the under-19s in the Uefa Youth League where, in both matches against Spartak Moscow this season, he had to deal with Liverpool players being racially abused; Bobby Adekanye in Moscow, Rhian Brewster in the return at Prenton Park. “I’ve had experience in my playing career of team-mates being subjected to that abuse,” he says, “but when it is your player and you are leading the team it is a real eye-opener and a learning experience. I care for these kids, they are playing for my club, they are playing for my team. I need to show them support and I will do.”

What Liverpool’s former midfielder does not show players is footage of himself in action. Gerrard is acutely aware of the pitfalls that can await top players who turn to management and discover, to their detriment, that the next generation are not up to their own exalted standards. He therefore made a conscious decision to separate Gerrard the Champions League-winning captain from Gerrard the fledgling coach.

“I never bring up my playing days and I never bring up footage of when I was involved,” he says. “If I want to show them something tactically I’ll always use Liverpool’s first team now or someone else’s first team now. I don’t think it’s right to say: ‘Look at this’ and I’m running around. Don’t get me wrong, if there’s something blatantly obvious that happened to me – good or bad – and I thought it’d benefit them, then I’m not going to hide it from them. But I just don’t think it’s right to be saying: ‘Look at what I done and look what we did’. My career as a player is gone. It’s about what’s happening tomorrow, not yesterday.”

The approach has paid dividends though Gerrard is wary of premature praise. As he points out: “You get nothing at Christmas apart from a pat on the back.” At least a pat is deserved. Liverpool sit top of the Premier League under-18s table having maintained their unbeaten campaign with a 2-1 win at Wolves. They trailed 1-0 with five minutes to go before staging a Gerrard-like recovery. “I made a mistake in that game that nearly cost us points,” he admits. What was it? “I can’t tell you. One of the reasons I decided to take this job was that I could make mistakes without getting judged in every newspaper and social media site.” Gerrard’s under-19s topped their Uefa Youth League group with five wins from six games, cruising into the last 16 with a seven-point advantage over Spartak in second.

There is a lot more to it than you think when you’re a player. I have more respect for coaches and managers now.

Gerrard says: “I’m not one of those academy people who say it is all about development and results don’t matter. You’ve got to teach players about winning, about what you’ve got to do to win and create that attitude and that mentality that surround the club. You can’t say to a player at 18 years of age: ‘It’s all about winning now, it wasn’t from seven to 17.’ Of course it is about winning. If you asked me whether I wanted to win the league or get two players through to the first team, I’d say getting the players into the first team. Really I want both.”

Liverpool’s decorated academy graduate believes it is harder for today’s generation to succeed as Premier League players. “Clubs are a lot richer so can go out and buy players for big money,” he says. “Ten or 15 years ago you could get through if you were a decent footballer. Now you’ve got to be sensational to get in and stay in. I look at the players on the fringes like Brewster, [Manchester City’s Phil] Foden and [Dominic] Solanke. They are good but can they go to the next level so that when they get in, they stay in? The standards are higher than they were all those years back.”

As for his next step, Gerrard will explore options with Klopp, academy director Alex Inglethorpe and others at the end of the season. “I’m not sitting here thinking I’ve done it for five months so bring the job interviews on,” he says. “In six months or a year or two years’ time there might be an opportunity where I think I’m much better prepared than I was five months ago. The MK Dons job, for example, which came up just after I had finished playing, was like a smack in the face. There was no way I was ready to lead a club or a team. Am I closer to that now? Of course, but I am happy where I am right now.

“I could get a first-team job and get sacked after four or five games. It might put me off for life. I might take my first job and win a league and that might set me up for the next 10 or 20 years. I can’t predict the future. All I can do is make myself as prepared as I can be for whatever roles I take down the line. In a year’s time I might have three opportunities and three of them might not be here. I can’t sit here and say ‘Oh no, I only want to work for Liverpool Football Club’. In an ideal, perfect world everyone knows what I want but right now it’s not worth thinking about.”

Fonte: The Guardian por Andy Hunter

Pep Guardiola: my debt to Andrés Iniesta and how he opened my eyes on tactics

In an extract from a new book, Guardiola reveals the backing he got from Iniesta during a tough start at Barcelona and describes him as a ‘master of space and time’.

Late summer 2008. Barcelona lose 1–0 in Soria against little Numancia on the opening day of the league season. A tough baptism for the debutant coach, Pep Guardiola, made all the harder when the result isn’t much better in their second game against Racing Santander, a 1–1 draw at the Camp Nou. Two weeks into Guardiola’s career in charge of Barcelona’s first team and they still haven’t won.

Pressure builds, the criticism is intense. But Guardiola remains steadfast. Sergio Busquets and Pedro Rodríguez, then two virtually unknown players from Tercera División, Spain’s fourth tier, are in the team. There are doubts, of course. Concerns.

In the media, it seems that only one voice defends the manager, but at least it is the voice: Johan Cruyff. That softens the blow, his authority alone enough to challenge the doomsayers, but still they prophesise doom. “This Barcelona looks very, very good,” Cruyff writes in his weekly column for El Periódico de Catalunya. “I don’t know what game the rest of you watched; the one I watched was unlike any I have seen at the Camp Nou in a long time.” Cruyff, the great ideologue of the Catalan club, its philosopher king, had seen Guardiola coach the B team and was impressed; now he stands against the tide, alone in defending him. “The worst start to a season in many years. Just one goal scored, and that was a penalty. That’s an inescapable truth, numerically speaking,” he admits. “But in footballing terms, this must be read a different way. And Guardiola is the first to read it differently. He’s no novice, lacking expertise, and he is not suicidal. He watches, he sees, he analyses and he takes decisions.”

Guardiola himself agonised over those decisions too. He was holed up in his Camp Nou office, down in the basement where there was no natural light, going over the situation again and again, rewinding and replaying the videos, re-reading his notes, wondering what to change but convinced of one thing: his idea, Cruyff’s idea, had to be maintained. He would persevere, however hard it became. And support was about to come from an unexpected source.

He was still going over it, endlessly, when he heard a knock at the door. “Come in.”

“Hello, míster.”

A small figure poked his head around the door, and spoke calmly. “Don’t worry, míster. We’ll win it all. We’re on the right path. Carry on like this, OK? We’re playing brilliantly, we’re enjoying training. Please, don’t change anything,” said Andrés Iniesta.

Guardiola couldn’t believe it.

The request was short, but heartfelt, deep. It caught Guardiola off guard, barely able even to respond. If it was a surprise that anyone should seek him out to say that, it was even more of a surprise that it was Iniesta, usually the silent man. It came as a shock, even more so when Iniesta closed by saying: “¡Vamos de puta madre!”

“De puta madre,” roughly translated as, “We’re in fucking great shape, we’re playing bloody brilliantly.”

“This year we’re going to steamroller them all,” he added.

And then he closed the door and left.

That’s Andrés. He doesn’t say much, only what he really has to. It’s like scoring goals: he doesn’t score often, either. But when it’s needed, there he is.

Guardiola will never forget Cruyff defending him in print. And he will never forget Andrés appearing at his door. He’ll never forget that they were right, too. At the end of the 2008–09 season, Barcelona had won six titles. All six.

“People usually think that it is the coach who has to raise the spirits of his players; that it is the coach who has to convince his footballers; that it is his job to take the lead all the time,” says Guardiola. “But that’s not always the case. It wasn’t the case at the Camp Nou for me, and in my first year at Bayern Munich something similar happened as well. It’s not often things like that happen and when they do, they rarely come to light. People always think the coach is the strongest person at a club, the boss, but in truth he’s the weakest link. We’re there, vulnerable, undermined by those who don’t play, by the media, by the fans. They all have the same objective: to undermine the manager.

“You start, you lose at Numancia, you draw with Racing, you just can’t get going, you feel watched and you feel alone and then suddenly, there’s Andrés telling me not to worry,” Guardiola continues. “It’s hard to imagine, because it’s not the kind of thing that happens and because it’s Iniesta we’re talking about, someone who doesn’t find it easy to express his feelings. And after he’d gone, I asked myself: how can people say that coaches should be cold when they make decisions? Impersonal? That’s ridiculous! How can I be cold, distant, removed with Andrés? Sorry, no way. Eighty-six per cent of people didn’t believe in me [according to an online poll]. Lots of people wanted Mourinho. We hadn’t won, hadn’t got going. And then Andrés comes and says that! How am I supposed to be cold? It’s impossible. Sod that! This goes deeper. This isn’t cold, calculated, and nor should it be. There’s no doubt: Andrés will play with me, always. Because he’s the best. And because things like that don’t get forgotten. Why did he come to my office? I don’t know.”

Lorenzo Buenaventura is a part of Guardiola’s coaching staff, in charge of physical preparation. He has followed Pep from Barcelona to Bayern and from there to Manchester City. He shares this memory with Pep now, offers up an answer too.

“Why? I suppose because that’s the way he felt; I suppose because it mattered to him,” he says. “Andrés doesn’t do anything he doesn’t truly believe in; he does it because it feels right to him. He’s genuine, always.” Guardiola concedes: “Maybe he spoke out because he could see that there was a method we were following, that everyone was training well, that we explained to them why we did things the way we did, and above all because that was the kind of football that he had been brought up on, ever since he was little.”

“There were other players who sent us little messages,” Buenaventura insists. “That’s true,” Guardiola admits. “But Andrés’ message was powerful. How could I forget that? I can still see him standing there at the door, looking at me. ‘De puta madre.’ And then he left. I thought: ‘Well, if Andrés says so …’”

Andrés and Cruyff were proven right; Guardiola’s decision to maintain that philosophy was vindicated. In week three Barcelona scored six against Sporting Gijón and never looked back; everything fell into place, it all worked so smoothly. Within a few months, they had become a model to aspire to. Not just because of the results – no one had won a treble in Spain before, still less six trophies from six – but because of the way they played, the way they treated the ball, fans, even opponents. Theirs was a different approach, a way of seeing and expressing football that was embodied by players like Iniesta.

“We never seem to treat Andrés the way we should; we don’t seem to recognise him. He’s the absolute business as a player,” Guardiola says. “He never talks about himself, never demands anything, but people who think he’s satisfied just to play are wrong. If he thought he could win the Balon d’Or one year, he’d want to win it. Why? Because he’d say to himself: ‘I’m the best.’

“I think Paco defined him perfectly,” Guardiola says. Paco Seirulo was Barcelona’s former physical coach, the man from whom Lorenzo Buenaventura learnt; now Guardiola makes Seirulo’s description his own. “Andrés is one of the greats. Why? Because of his mastery of the relationship between space and time. He knows where he is at every moment. Even in a midfield where he’s surrounded by countless players, he chooses the right path every time. He knows where and when, always. And then he has this very unique ability to pull away. He pulls out, then brakes, then pulls out again, then brakes again. There are very few players like him.

“There are footballers who are very good playing on the outside but don’t know what to do inside. Then there are players who are very good inside but don’t have the physique, the legs, to go outside. Andrés has the ability to do both. When you’re out on the touchline, like a winger, it is easier to play. You see everything: the mess, the crowd, the activity is all inside. When you play inside, you don’t see anything in there because so much is happening in such a small space and all around you. You don’t know where the opposition is going to come at you from, or how many of them. Great footballers are those who know how to play in both of those environments. Andrés doesn’t only have the ability to see everything, to know what to do, but also the talent to execute it; he’s able to break through those lines. He sees it and does it.

“I’ve been a coach for a few years now and I have come to the conclusion that a truly good player is always a good player,” Guardiola says. “It’s very hard to teach a bad player to be a good one. You can’t really teach someone to dribble. The timing needed to go past someone, that instant in which you catch out your opponent, when you go past him and a new scenario opens up before you … Dribbling is, at heart, a trick, a con. It’s not speed. It’s not physique. It’s an art.”

Lorenzo Buenaventura says: “What happens is that Andrés brakes. That’s the key, the most important thing. People say: ‘Look how quick he is!’ No, no, that’s not the point. It’s not about speed, about how fast he goes; what it’s really about is how he stops and when, then, how he gets moving again.”

Guardiola adds: “Tito Vilanova defined him very well. Tito used to say: ‘Andrés doesn’t run, he glides. He’s like an ice hockey player, only without skates on. Sssswishhh, sssswishhh, sssswishhhh …’ That description is evocative, very graphic, and I think it’s an accurate one. He goes towards one side as if he was skating, watching everything that’s going on around him. Then, suddenly, he turns the other way with that smoothness he has. Yes, that’s it, Andrés doesn’t run, he glides.”

Guardiola adds: “Sometimes in life, it’s first impressions that count and the first impression I have of Andrés was the day my brother Pere, who was working for Nike at the time, told me about Iniesta. I was still playing for Barcelona myself and he said: ‘Pep, you’ve got to come and see this kid.’ It was before the final of the Nike Cup. I remember getting changed quickly after training and rushing there, dashing to the stadium. And yes, I saw how good he was. I told myself: ‘This kid will play for Barcelona, for sure … he’s going to make it.’ I told myself that, and I told Pere that too.

“On my way out of the ground after that final when Andrés was the best player on the pitch, I came across Santiago Segurola, the football writer. I said to him: ‘I’ve just seen something incredible.’ I had this feeling that what I’d just witnessed was unique. That was my first impression of Andrés.

“But later,” Guardiola admits, “I came to really value something else Andrés does, something that he had made me see with time: the importance of attacking the centre-backs. No one does it. But watch and you see it. If the central defender has to step out, everything opens up; the whole defence becomes disorganised and spaces appear that weren’t there before. It’s all about breaking through lines to find space behind them. Open, then find.

“For example, we set up our attack so that Leo Messi could attack the central defenders,” Guardiola explains. “We had to attack in such a way as to get the ball to Andrés and Leo so that they could attack the central defenders and that opened them up. When we managed that, we knew that we would win the game because Leo scored goals and Andrés generated everything else: dribbling, numerical superiority, the ability to unbalance the game, the final pass, both to the outside and filtered through the middle. He sees it all and he has that gift for dribbling that’s so unique to him. That dribbling ability is everything today. And it was Andrés who opened my eyes to the importance of an inside forward or midfielder being able to dribble too. If he dribbles, if he carries the ball and goes at people, everything flows. With time, I saw that.”

Fonte: The Artist: Being Iniesta (published by Headline on 8 September) por The GuardianMarcos López e Ramón Besa

“Estrelas” na Formação? Não, obrigado!

Não se preocupem porque no nosso campeonato vocês (defesas) não vão encontrar avançados com a qualidade do Chico (nome fictício)”, diz um Treinador aos seus jogadores sub-15. Ou o Chico é um mini-Messi em potência a militar nos Distritais ou então há aqui alguém que está a agir de forma menos correcta. Duplamente.

Sendo certo que um mini-Messi em potência não estaria a jogar nos distritais de sub-15, resta-nos então perceber quem é que está a agir de forma duplamente incorrecta…

Ora, não é difícil concluir que o erro se encontra nas palavras e na atitude do Treinador. Primeiramente porque está a menosprezar os seus próprios jogadores (os outros avançados), levando a que os restantes elementos do plantel possam questionar se essa opinião não poderá vir a ser extensível a si mesmos. E em segundo lugar porque, ao “endeusar” o Chico, o Treinador está a dar demasiada “moral” a um jovem de 13/14 anos, precisamente numa das fases mais sensíveis da sua vida, no que diz respeito à formação e definição de personalidade.

Se o primeiro erro é um erro crasso em termos de Liderança e Gestão de Grupo, o segundo erro é aquele que, na minha opinião, mais irá influenciar negativamente o atleta no seu percurso enquanto futebolista, tanto individual como colectivamente. E é sobre a tipologia do segundo que vos quero falar hoje.

Um Treinador, quando decide “endeusar” um jogador, deve ter em conta que esse género de comportamento irá ter o seu reflexo directo no próprio comportamento do jogador. E quanto maior for o grau de sintonia, amizade e compatibilidade entre ambos, maior será a influência negativa que esse “endeusamento” vai exercer sobre o jogador em questão.

Neste caso de que vos falo, o Chico é claramente um jogador acima da média…tendo em conta o contexto em que está inserido. E isso faz toda a diferença. Porque naquele contexto específico, inserido única e exclusivamente naquele grupo de trabalho, o Chico destaca-se. Só por isso. Apenas e só por isso. Dúvidas?

Sejamos sinceros: quantos “Chicos” já nos passaram pelas mãos ao longo das nossas carreiras de Treinador? Quantos “Chicos” já não foram tema de conversa em tertúlias ou reuniões entre Treinadores? Quantos “Chicos” não nos serviram já de exemplo para debates, colóquios ou palestras sobre Liderança e Gestão de Grupo?

Pois bem, é precisamente quando um Treinador se esquece do contexto em que trabalha com o Chico que o erro surge. Um erro de avaliação. Não tanto de avaliação em relação ao potencial existente no jogador, mas antes um erro de avaliação do contexto e de todas as suas especificidades. E é aqui que o “endeusamento” começa a ser falível…

Porque o “Chico” não vai estar sempre inserido no mesmo contexto. Mesmo que permaneça no mesmo clube até concluir a sua Formação, mesmo que continue a jogar com os mesmos colegas, mesmo que continue a trabalhar com o mesmo Treinador, mesmo que continue a ver e a conviver com as mesmas pessoas, dia após dia, até ao último treino em idade júnior… o “Chico” não vai ser sempre o mesmo.

Alguns dos seus colegas vão evoluir, alguns adversários vão evoluir, as dimensões cognitivas, técnicas, tácticas, físicas e psicológicas do jogo, do grupo em que está inserido e dos adversários serão forçosamente diferentes…e aquilo que hoje faz do “Chico” um “Deus”, aos olhos do seu Treinador, nos sub-15 do “Arrebimba o Malho FC” não será suficiente para que o “Chico” mantenha esse estatuto até aos sub-19.

E se o “Chico” trabalhar com um novo Treinador daqui a um ano, o qual não “endeusa” ninguém e que, apesar de compreender as características únicas de cada um, é apologista de um outro tipo de Liderança? E se até ao final da sua Formação o “Chico” vier a trabalhar com um novo Treinador por ano?

Será que o “Chico” vai saber lidar com um outro género de tratamento? Será que o Chico vai perceber que quando perde a bola deve procurar recuperá-la rapidamente? Será que ele vai perceber que deve fazer parte do Processo Defensivo da sua equipa? Será que ele vai entender a importância de um Sistema de Compensações? Será que ele vai compreender que a tabela é a melhor finta e que a finta é o “Plano Z” a ser utilizado? Só para dar pequenos exemplos do que poderá vir a ser o seu futuro…

Hoje o “Chico” que é “endeusado” pelo seu Treinador nos sub-15 é o mesmo “Chico” que vai chegar aos Seniores e desistir às primeiras não-convocatórias, às primeiras idas ao banco sem utilização e às primeiras reprimendas. Hoje o “Chico” que é “endeusado” pelo seu Treinador nos sub-15 é o mesmo “Chico” que vai chegar aos Seniores sem o mínimo de sentido e responsabilidade de grupo. E nos Seniores, quem não sabe sentir e agir enquanto grupo não pode fazer parte do grupo. Tão simples quanto isto…

Estrelas na Formação? Não, obrigado. Por tudo isto e muito mais…

Fonte: Futebol Apoiado por Laurindo Filho