Intelligent pressing vs running

Isolated Pressing

Next time you’re playing a five aside or watching a five aside keep an eye out for the players pressing without the ball.  You’ll see it on astro parks everywhere, players pressing for the sake of pressing, no care for surroundings, setting pressing traps or timing of the press.  The five aside game is smaller, but many principles of pressing from the 11 aside game still apply.  We all know that one player who sets off to press the opposition with no team mates nearby, the ball is easily passed beyond him and suddenly what was once a 4 vs 4 outfield now becomes a 3 vs 3 or maybe even an overload of 4 vs 3 in favour of the opposition, and all because one player decides to press without any intelligent awareness considered.  You’ll see similar scenario’s in the 11 aside game also.

Isolated Pressing

Pressing Ques

A player receiving with his back to your goal in a closed body shape is considered a pressing cue, as is a ball traveling distance in the air across field or distance infield, another example could be a poor first touch, basically anytime the ball/opponent cannot effect your team with a dangerous pass while your players can gain ground is a pressing cue.  Here is some examples below from the Rep of Ireland international team.

Pressing Traps

A pressing trap is a deliberate tactical ploy designed to make the opposition play predictable. There is many ways to set up pressing traps.  Often these traps are set up to invite the opposition to wide areas where overloads are less likely.  Below you’ll see a great example of Lionel Messi setting a pressing trap.

Press High Against the Hoofers

Often a reason to press high is if you are facing a direct footballing side who have forwards very capable of bringing men into play.  By pressing high you can attempt to cut the source out and provide limited time on the ball to pick accurate long passes out.  Have a look at this analysis by Gary Neville.

Limit Space Against Pace

Often a reason to sit deep and defend one half is to limit opportunity to be exploited with balls beyond defenders.  If the team you are playing are technically good then limiting space for them to pass into and getting bodies around tight spaces is also an option.  Sitting deep and pressing deep is also a good form of counter attack if you have players with pace that can expose the opposition in transition.

Intelligent Pressing vs Running

So what is the point of this article.  When people speak about clever/intelligent footballers the references are often to players with the ball at their feet.  In a game that a player on average has three to four minutes worth of ball action, it is the eighty seven minutes without the ball that decides if he is truly an intelligent player or not, much of that time can of course be spent chasing possession.  Above are just some approaches to pressing that require thought.  Don’t be the runner without thought spending needless energy,  ‘Press with the brain and you are way more likely to regain‘.

Fonte: Keep it on the deck

O cenário ideal das categorias de base para os próximos anos

Como você vê o trabalho de formação no Brasil?

Há algum tempo o futebol brasileiro vive uma crise em todos as seus dimensões, são elas:  política, administrativa e técnica. Sem processos de gestão bem definidos e que tenham capacidade de integrar tais dimensões de acordo com as exigências atuais do mercado, vivemos de projetos e iniciativas isoladas que, como “conta-gotas”, tentam manter viva a esperança do país em retomar a hegemonia do futebol mundial.

Neste contexto de crise, tem sido cada vez mais comuns os comentários sobre a importância das categorias de base para os clubes. Os motivos são simples e seguem a premissa de qualquer prática organizacional: lucro e sustentabilidade. Lucro, pois em média, nos últimos anos, cerca de 15% das receitas dos principais clubes do país foram oriundas das transferências de jogadores (Somoggi, 2014), perdendo somente para as cotas de TV e patrocínio; e sustentabilidade, pois quem conseguir, ao longo do tempo, formar equipes competitivas com os “pratas da casa” adquirirá vantagem competitiva na seguinte combinação: equipe com menor custo, composta por atletas com maior potencial de venda e maior percentual de direitos econômicos do clube.

A construção desse processo, no entanto, passa, necessariamente, por uma prática ainda pouco considerada no futebol brasileiro, que é o investimento de longo prazo. Você já deve ter parado pra pensar que as equipes sub-11 espalhadas pelo país afora estão repletas de joias, brutas, prontas para serem lapidadas e, ao final de seu processo de formação, representarem bem o clube seja atuando na equipe principal, ou então, num clube do exterior. Vale considerarmos também os milhares de jovens garotos de 11, 12 e 13 anos, com talento, fora dos clubes de futebol, mas espalhados por diversas regiões do país, jogando futsal, futebol de areia, futebol society ou quaisquer jogo de bola com os pés, em várzeas ou competições amadoras, esperando, consciente ou inconscientemente, o olho clínico de um observador técnico.

Uma vez captados os talentos, uma tarefa que deve ser permanente, os clubes de futebol tem a missão de, a partir do investimento (e não despesa, como é considerado) estrutural, de tecnologia e de recursos humanos à serviço dos jogadores, potencializar o retorno financeiro, agregando valor a cada jogador ao longo de toda sua trajetória enquanto atleta do clube. Nos parágrafos seguintes serão debatidos alguns elementos que, sob o viés técnico, devem ser contemplados ao longo de um processo de formação. Esse processo, como a própria expressão sugere, visa moldar os futuros homens, jogadores ou não, de acordo com os valores (esportivos, morais, sociais e educacionais) da instituição.

Os atletas devem ser submetidos a um currículo que privilegie uma formação autônoma, criativa e que desperte elevados níveis de inteligência coletiva de jogo. Vale mencionar que a inteligência coletiva não abre mão ou coloca em segundo plano a individualidade; pelo contrário, pois, esta última, quando potencializada com significado coletivo, confere qualidades importantes ao sistema.

Existe um vasto repertório de conteúdos de treinamento que devem ser oferecidos aos atletas. Para exemplificar, podemos mencionar desde aspectos micro, como a capacidade técnica-decisória nas ações de domínio e passe, ou então, as ações de giro de pescoço (executadas com maestria por Toni Kroos, Xavi, Lampard, Iniesta, Thiago Alcântara)  para interpretar melhor ocupação de espaço e ação; até aspectos macro, como a capacidade de ser versátil e adaptável à diferentes sistemas e posições, bem como o domínio de ações coletivas complexas, como pressing, temporizações ou mobilidades com trocas de posição.

Para atingir a excelência e, mais do que isso, sustentá-la ao longo dos anos, transformando joias brutas (ou talentos) em pedras preciosas lapidadas (ou grandes jogadores de futebol), é indispensável uma equipe técnica de campo especializada. Tal equipe deve ser dotada das mais variadas competências, como: conhecimento científico, experiência prática como atleta, didática, liderança, conhecimento técnico específico da sua área de atuação, conhecimento técnico geral das outras áreas, conhecimento tecnológico, capacidade de inovação, de trabalho em equipe e de atualização permanente. Quanto mais competências cada membro da equipe possuir, mais qualificado serão os treinamentos dos jovens futebolistas.

Concomitante à formação técnica, é missão dos clubes que trabalham com categorias de base oferecerem uma formação integral, que é também (e não unicamente) esportiva. Sendo assim, não basta somente as comissões técnicas de campo serem altamente capacitadas mas também toda a equipe de trabalho interdisciplinar, composta por fisioterapeuta, médico, psicólogo, assistente social, nutricionista, fisiologista e pedagoga. Toda esta equipe deve estar em constante comunicação e interação com as comissões técnicas e cada atleta do clube. Do sub-11 ao sub-20, cada jogador pode ser devidamente monitorado através de indicadores de desempenho de cada departamento. Exemplificando, é preciso ser identificado o nível de competitividade de cada um dos jogadores, o percentual de gordura, os desvios posturais, bem como as condições sociais e familiares. Estas avaliações devem compor um Radar Individual do Atleta. A partir dele, fica evidente quais são os planos de ação necessários para cada um dos jogadores.

Vale mencionar também as condições estruturais de moradia, treinamento e alimentação. Moradias confortáveis (mesmo que simples), qualidade dos campos e dos materiais de trabalho e boas refeições compõem, somadas à qualidade do sono dos atletas, o treinamento invisível. Com grandes efeitos sociais e esportivos no longo prazo.

Foi discutido que a formação exclusivamente técnica já não é mais suficiente para formar jogadores que atendam às exigências atuais do mercado. Discutimos também que a composição de uma equipe de apoio interdisciplinar atuante pode maximizar o desenvolvimento dos jogadores, que devem receber condições estruturais, de treinamento e de alimentação ótimas. Podemos, então, afirmar que este cenário idealizado basta para o sucesso de um trabalho de formação?

A resposta é não!

Se voltarmos ao início do texto, sobre as três dimensões do futebol afirmaremos que todas as práticas supramencionadas dizem respeito à dimensão técnica da modalidade. Qualquer projeto da área técnica que não esteja devidamente vinculado às dimensões política e administrativa já inicia com os dias contados.

Por exemplo, um projeto administrativo de futebol que entende o poder estratégico das categorias de base sabe quando deve evitar uma contratação de risco na equipe principal para direcionar os recursos ao departamento de formação. Sabe, também, o momento de fazer a transição de uma jovem promessa para a equipe principal. Um projeto político de um clube de futebol, voltado aos interesses da instituição, tem diretrizes e processos bem definidos e executados mesmo que se altere o mandato.

Projetos políticos e administrativos desvinculados da área técnica tornam o que se passa nas categorias de base praticamente imperceptível. Um “crime”, contra o próprio patrimônio, se considerarmos o investimento realizado.

E agora você deve estar se perguntando se existe algum clube no Brasil que consegue desenvolver, da base ao profissional, um projeto devidamente alinhado nas três dimensões. Voltamos ao início do texto e o que podemos afirmar é que existem tentativas e iniciativas isoladas. Basta acompanhar os noticiários esportivos ou fazer um breve resgaste da memória e você se lembrará de inúmeras incoerências de ordem técnica, política e/ou administrativa que retratam a incapacidade dos clubes em agir planejada e sistemicamente.

Para cada clube que investe em categorias de base, seja ele grande, médio ou pequeno, existe um distanciamento entre o contexto ideal do futebol de formação e o contexto atual. Para alguns clubes, ajustes em alguns processos podem aproximar os dois cenários. Para outros, no entanto, a distância é um abismo e somente com reformas significativas, que partam do nível hierárquico mais alto do clube, encontrarão as soluções. A boa notícia é que não se chega a um cenário ideal sem passar por um cenário atual, repleto de desafios, dificuldades e limitações.

O futebol do amanhã está sendo praticado hoje, pelos nossos jovens futebolistas. Pela nossa decadência nos últimos anos, passou da hora de investirmos de verdade no futebol e nas pessoas em formação. Se não quisermos, temos que assumir que, de fato, chegaremos ao fundo do poço. Seria muito triste ao futebol brasileiro adormecido como pentacampeão mundial.

Fonte: Universidade do Futebol por Eduardo Barros

Quando a pressa do resultado trama o processo de evolução

Olá caro leitor!

A sociedade atual, seja qual for a geração que a engloba, vive num contexto “Millenium”, onde a tecnologia e o acesso rápido á informação dominam o quotidiano de qualquer atividade. Estas características trazem, claro está, bastantes aspetos positivos, como a rapidez na busca por informação/conhecimento, ou mesmo uma capacidade para gerações mais velhas desdobrarem as suas valências para se adaptarem a este contexto… o contexto do aqui e agora… do “tudo á distância de um clique”.

No entanto, há outras características que, com o varrer dos anos se estão a diluir… falamos da falta de consciência para o fator “tempo” ou na vontade de se obter resultados imediatistas, sendo este tipo de orientação predominante… o resultado! Como sabemos, o foco excessivo no resultado acrescenta instabilidade e stress a um individuo, ou no contexto desportivo, a uma equipa! Por isso, e como disse Sérgio Conceição numa entrevista recente a uma estação de televisão ”Eu sei que há valores que já não se usam… mas sabem? Eu não me privo deles no meu trabalho!”.

Portanto, podemos perceber de uma forma simples que esta cultura obsessiva pelo resultado, não advém apenas do contexto desportivo, mas sim de uma sociedade que parte para uma busca incessante pelo alcance rápido, pelo crescimento sem ter em consideração o mais importante… a aquisição e consolidação de conhecimentos e habilidades… do respeito pelo tempo!

Mais uma vez a velha máxima pode ser utilizada… “no desporto como na vida!”.

Cultura Focada nos Resultados

Todas as equipas, independentemente do seu escalão ou nível competitivo, procuram resultados! Ouvimos muitas vezes falar em treinar para recriar. Mas vamos pensar, que motivos levam as crianças a praticar a modalidade x ou y, ou o treinador de iniciar o seu percurso? Ter sucesso, aprender, evoluir, mas acima de tudo marcar golos… ganhar! Ou seja, a génese está em ganhar… no marcar mais golos e sofrer menos e… se possível que seja eu a marcar o golo da vitória. Esta é a génese comportamental. Que com o processo de formação tem de ser ajustada aos princípios e valores coletivos. Mas desses ajustes falaremos mais para a frente.

A Psicologia do Desporto não considera os resultados uma palavra má para o processo de evolução e aprendizagem. Bem pelo contrário, é uma consequência com base em tudo o que é trabalhado. No entanto, é essencial determinar o peso que essa palavra terá no processo.

Vamos então perceber algumas características que englobam os resultados desportivos:

• É a interação entre o desempenho do atleta/equipa e o ambiente (condições físicas e atmosféricas do local, adversário, árbitro…)

• É a consequência do que é realizado (é o resultado final do conjunto de comportamentos realizados pela equipa durante o jogo);

• É uma variável repleta de fatores externos (logo que, acrescenta instabilidade emocional)

Vamos agora perceber as características que englobam o desempenho/processo desportivo:

• Representa o nível de desempenho do comportamento desportivo do atleta/equipa no treino/jogo;

• Representa uma razão para o desempenho (basicamente é a causa… a estratégia ou plano de ação);

• É uma variável independente de fatores externos (se nos concentrarmos só no desempenho, estamos a promover estabilidade á equipa pois são aspetos que estão dentro do controlo para trabalharmos)

Podemos resumir os pontos em cima descritos com esta frase: A equipa aumenta a probabilidade de obter os resultados desejados caso oriente a sua atenção para o desempenho! Ou seja, para os aspetos que a equipa tem a manter, consolidar, eliminar e acrescentar. Isto sim, os elementos da equipa controlam.

No entanto, sabemos que a realidade actual nem sempre é assim. Por vezes, não direcionamos nem orientamos a nossa atenção para o crescimento e consolidação da equipa… que consequentemente nos aproximará dos resultados que pretendemos. E deixamo-nos levar pela avaliação dos comportamentos no jogo pelo resultado. De tudo se tratar de ganhar ou perder. Seja na formação ou no contexto sénior torna-se muito possível que a orientação excessiva para o resultado limite a experiência no desporto, pela pressão de ganhar ou medo de perder.

A Pressa do Resultado na Formação Desportiva

O treinador só pensa nos resultados ao treinar miúdos de 11 anos!! E a aprendizagem?” Quantas vezes não ouvimos este tipo de comentários pelos corredores de estádios e pavilhões, ou até mesmo em formações, Workshop’s e Forum’s.

Sim de facto é algo que acontece na formação seja de que modalidade for. Essa orientação para o resultado, limita o respeito pelas fases de desenvolvimento do atleta, a sua criatividade e procura guiada por soluções positivas que o processo tentativa e erro tão bem ajuda a evoluir, através da aprendizagem espontânea. Ou seja, estamos a falar de que a cultura do resultado afeta o próprio processo de formação.

Vamos então tentar perceber algumas razões para que tal se suceda:

• Existem pessoas especializadas em todos os clubes para avaliar o trabalho dos treinadores de acordo com o programa de formação estabelecido?

• Que conhecimento desportivo têm grande parte dos dirigentes para avaliar as competências do treinador, para além do fator resultado.

• O que pretendem os grande parte dos pais no processo de formação dos seus filhos (quais as expectativas, quais os motivos, como avaliam, sabem qual o seu papel?) Neste campo posso dar apenas um exemplo que dou nas minhas formações: já vi pais a estabelecerem objetivos de dinheiro a cada golo marcado. O miúdo não atingiu, saiu a chorar, mesmo jogando bem. Fica para reflexão.

• A projeção de carreira do treinador. Aqui recorro-me da entrevista recente de Luís Castro para citar “Os treinadores hoje são muito inquietos, naquilo que é a sua escalada. Olham sempre para cima, nunca para baixo. É perigoso para o futebol de formação”. Isto acontece como reflexo da sociedade… o atingir sem ter em consideração a linha natural e maturacional do tempo. Se calhar também pelo fator financeiro… O tempo…. sempre o tempo!

A Pressa do Resultado no Alto Rendimento Desportivo

Orçamentos, investimentos, patrocínios, influência de massas sociais, objetivos de carreira individuais, egos ou maus resultados. Tantas são as razões que nos podem fazer sair daquilo que todos, como técnicos em desporto, sabemos que é prioritário, o processo! A tal filosofia, o modelo de jogo, o treino, a estratégia, o feedback.

Aqui tenho de destacar Pep Guardiola “Só me preocupo com o jogo, a qualidade de jogo da minha equipa. Eu sei que se conseguirmos estar perto do que sabemos fazer… estamos sempre mais perto de ganhar.”

Independentemente dos fatores externos que em cima referi Pep Guardiola orienta todo o seu trabalho para os aspetos que controla. É a partir daqui que trabalha o seu modelo, ajusta o seu modelo á estratégia para cada jogo e estrutura o seu microciclo. A avaliação, tendo em conta estas características, acredito que a faça direcionada para o comportamento, independentemente do resultado obtido.

Um dos principais fatores e neste caso o único que vou destacar é a influência da avaliação do treinador após os jogos. Um treinador que esteja  orientado para o resultado, sendo esse o seu foco total na preparação e avaliação do jogo, tem tendência a generalizar comportamentos, pois vai considerar tudo bem após a vitória ou tudo mal após a derrota. Esse tipo de abordagem acrescenta na equipa enorme instabilidade, pois avaliam-se desempenhos com uma variável que não é controlada… o resultado.

Independentemente do momento da época ou de potenciais influências externas – sejam de que ordem for – o treinador deve manter uma coerência sobre o seu processo de trabalho. Sempre orientado para aspetos dentro de controlo, que promovam evolução e consolidação de comportamentos da equipa. Desta forma, a equipa bem como o treinador (na construção do seu trabalho) sentirá uma maior estabilidade, visto que trabalha na ausência de influências de fatores externos. Preocupando-se só com o que interessa… a produtividade da sua equipa!

Caro Leitor,

Até breve!

Fonte: Futebol de Formação por Luis Parente

A ideia de jogo do técnico Alexandre Seichi (treinador do sub-11 e sub-13 do Santo André SP)

Antes de iniciar essa publicação, gostaria compartilhar com vocês duas frases “No futebol não existe uma verdade absoluta” e “No futebol não existe apenas uma forma de ganhar”. Com o passar do tempo e com a maturidade eu percebi que essas frases são corretas e as minhas ideias não são melhores que as dos outros, são apenas diferentes!  Guardiola nunca será um Mourinho e Mourinho nunca será um Guardiola, mesmo com ideias diferentes os dois são grandes treinadores e vitoriosos do futebol mundial.

Extremos dando amplitude( City buscando jogo por dentro e a procura do 1×1 nos corredores laterais), laterais buscam ficar por dentro em alguns momentos, se preocupando com o pós perda e a ajuda na criação com Fernandinho, Silva e Bruyne e Mourinho sendo Mourinho – seu bloco baixo, compacto, buscando o ataque rápido ou o contra ataque

Nesse texto vou passar o modelo de jogo que eu Alexandre Seichi pratico nas categorias de base do Esporte Clube Santo André, nas Categorias Sub 11 e Sub 13.

Modelo de jogo são conceitos básicos estabelecidos pelo treinador, que servem como referencia para as decisões dos jogadores durante diversas situações que ocorrem no desenvolvimento do jogo, condicionando a organização da equipe (Garganta,1997). Costumo dizer que o modelo de jogo são as ideias que cada treinador tem para sua equipe, é aquilo que existe em ternos estruturais e funcionais e sempre procurando respeitar as características dos seus atletas.

Dentro das ações do jogo, divido o jogo em quatro momentos (Organização Ofensiva, Organização Defensiva, Transição Ofensiva e Transição Defensiva)

Os princípios táticos são à base das ações que os atletas precisam ter a fim de resolver os problemas que o jogo apresenta. O jogo é muito complexo e os atletas necessitam ter ferramentas necessárias para tomar as melhores decisões em cada lance ou em cada momento da partida. Esses princípios eu divido em jogo ofensivo e jogo defensivo.

Os métodos de jogo estabelecem a forma de organização geral da equipe. Dentro dos métodos de jogo ofensivo temos o contra ataque, ataque rápido e ataque posicional. A minha equipe tem como predominante o ataque posicional, porém a equipe precisa entender bem o jogo e dependendo das circunstancias utilizar outro método ofensivo. Dentro dessa forma de pensar o jogo vem em primeiro momento as equipes do Pep Guardiola,Thomas Tuchel, Juan Manuel Lillo, Julian Nageslsmann, Sampaoli, Osorio entre outros.

A ideia está clara nos vídeos que iremos demonstrar: Constantes apoios, coberturas ofensivas, passes curtos, desmarques de apoio, ter sempre a participação de muitos atletas, circulação mais em largura do que em profundidade

Toda a atividade proposta precisa ser bem clara para que os atletas possam entender e bem definida dentro do planejamento de conteúdos do técnico – buscando a evolução individual e coletiva para chegar a excelência no seu jogo

Sessão de treino

Procuro dividir a sessão em três partes: Parte Inicial, Parte Principal e Parte Final

Parte Inicial: Rondos, Exercícios Técnicos e Exercícios Físicos( de preferencia tudo com bola)

Parte Principal: 1 momento – Procuro montar 2 ou 3 atividades( assim mantenho todos vivenciando o jogo, dando intensidade, volume e buscando os princípios que pretendo passar na sessão) e no 2 momento procuro manter essas duas ou três atividades, porém variando o tamanho dos campos, o números de atletas e os princípios feitos.

Parte Final: Feedback da atividade realizado e complemento dependendo do dia

Duas atividades desenvolvidas na Parte Principal

Atividade 1: Jogo de posição 4(3)x4(3)+4A

A equipe com posse fica em amplitude dentro do quadrado, podendo se mover nas linhas laterais verticais e horizontais, os apoios ficam divididos em dois grupos: dois apoios por dentro do campo e dois apoios fora do campo e a equipe sem posse procura recuperar a bola e buscar os golzinhos posicionados no campo de jogo. Toque livre para quem está marcando e para quem posse 3 toques.

Objetivo: Retirar a bola da pressão, troca de centro, criação de linhas de passe, superioridade numérica e posicional, pressão pós-perda, pressão ao portador da bola, fechamento de linhas de passes curtos, bloco próximo e a busca pelo gol.

Atividade 2: Jogo de 1×1(duelos e busca da progressão no campo do adversário) + Retorno de 1( podendo virar 2×1)

Dividimos os atletas em duas equipes e alternamos quem sai com a bola e quem retornar, caso o que está defendendo recupere a bola, poderá fazer 2×1

Objetivo: É Progredir no campo adversário (ultrapassando linha), “cuidar” das costas, buscar ajustar os comportamentos ofensivos e defensivos de cada atleta e fazer o atleta andar para trás(retorno).

Eu particularmente, devido as minhas ideias de jogo gosto muito de jogos de progressão dentro das sessões de treino e procuro sempre colocar na parte principal esse tipo de atividade (quem sabe em uma próxima postagem eu falo um pouco mais sobre isso)

Jogo Santo André x GEOsasco

Saída de bola com a utilização do goleiro – Sempre em busca de um jogo apoiado.

Em fase ofensiva, dentro da plataforma inicial – buscando sempre os triângulos.

Fase Ofensiva – Posse alta com a mesma organização, extremos por dentro e laterais dando a amplitude.

Chegada ao ultimo terço do campo – entrada com pelo menos 3 dentro da área, cobertura ofensiva, vigias e os triângulos.

A busca do overlap, passe na profundidade, ruptura, cobertura ofensiva, vigias e entrada com três na área.

Comparação com do Pep Guardiola – Manchester City

Saída de bola no sistema 1x4x3x3

Outra partida que mostra a mesma característica em relação ao sistema, porém eu sei que o Guardiola varia demais as formações e os sistemas de jogo.

Dentro da partida a equipe procura variar sua plataforma inicial de jogo do 1x4x1x4x1 para o 1x3x4x3, principalmente se o adversário procura pressionar a nossa primeira linha com 2( criamos uma vantagem numérica em cima disso), porém esse  assunto é para um próxima postagem.

Foto de um treino

Comparação com a equipe de Pep Guardiola – Bayern de Munique

Xabi Alonso entrando na linha de 3, para criar vantagem numérica em cima dos dois adversários

Linha de 3 – Criou superioridade numérica buscando a saída limpa

Créditos das fotos ao meu amigo Ricardo.

Agradeço a oportunidade de mostrar um pouco do meu trabalho no MWFUTEBOL e assim conseguir atingir profissionais da área, pessoas que gostam de futebol e que isso possa se tornar um habito (troca de conteúdos, informações e grandes debates), isso sem duvida nenhuma é a evolução do nosso futebol.

Deixo uma frase para reflexão “Viver sem riscos é triunfar sem gloria”.

Fonte: MWFutebol por Alexandre Seichi

Por dentro dos padrões de jogo do Liverpool

O futebol heavy metal de Jürgen Klopp.

*Créditos: BeanyMan Sports

“Arséne Wenger (então treinador do Arsenal)gosta de jogar futebol, de ter a posse da bola… É como uma orquestra, mas é uma música silenciosa. Eu gosto mais de heavy metal. Eu não posso treinar o Arsenal porque sou um cara diferente. Se você me olhar durante um jogo, eu comemoro quando pressionamos o adversário e a bola vai para fora. (…) Se o time do Barcelona (do Guardiola) fosse o primeiro que eu vi jogar quando tive quatro anos de idade… ganhando de 5 a 0, 6 a 0… eu teria jogado tênis. Desculpe, mas isso não é o suficiente para mim. Não é o meu esporte. Eu não gosto de ganhar com 80% de posse de bola.

Treinadores vão dizer que não é importante para o time deles correr mais e preferem fazer os jogos da maneira certa. Eu quero fazer jogos somente no jeito certo e correr 10 quilômetros a mais. Se você não precisa dar tudo e ainda ganha, o que seria isso? Você não gosta desse jogo? É como se fosse assim (Klopp boceja). Não é a estatística mais importante, mas eu adoro ler que corremos mais que o adversário. Você pode obter o respeito se fizer isso e você tem mais chance de ser bem sucedido”.

Poucas entrevistas definem tão bem um treinador e uma filosofia quanto esta que Jürgen Klopp concedeu, quando ainda era treinador do Borussia Dortmund, em 2013[1].

No Liverpool, Jürgen Klopp dirige jogadores que se encaixam e conseguem dar vida ao seu estilo de jogo heavy-metal: uma linha defensiva sólida e agressiva (Van Dijk, Lovren, Robertson e Arnold); um trio de meio-campistas de incansáveis trabalhadores (Milner, Wijnaldum e Henderson) e um ataque simplesmente avassalador composto por Salah, Firmino e Mané, que já entraram para a história da Liga dos Campeões por serem o trio de ataque mais goleador de sempre (29 gols até o momento). O Liverpool ainda conta com o melhor ataque da competição com 40 gols marcados (contra 30 do Real Madrid), sofrendo 13 (contra 15 do Real Madrid).

Jogando um futebol agressivo, de poucas pausas, verticalidade e muitos gols, o Liverpool leva o caos aos seus adversários de diferentes maneiras, sendo capaz de estar nas zonas de finalização após trocar apenas 3 ou 4 passes.

Baseado numa posse de bola curta, busca agredir os espaços centrais e as costas da linha defensiva adversária no menor tempo possível, com ataques rápidos e diretos: tanto pelo chão, tanto com bolas longas, utilizando a velocidade do seu trio ofensivo, o preenchimento de espaços e a capacidade física do seu trio de meio campistas.

Mestre em contra-atacar após recuperar a bola estando organizado defensivamente, Klopp deixa mesmo sua marca nas transições defensivas – extremamente agressivas e sufocantes que visam recuperar a bola no menor tempo possível: o chamado gegenpressing.

Gegen, em alemão, significa “contra”. Em uma tradução livre, podemos definir como “contrapressing”, uma pressão ao contra-ataque adversário.

Quando o Liverpool perde a posse da bola, a intenção da equipe é, sempre que possível pressionar prontamente o portador da bola, no intuito de recuperá-la no menor tempo possível. Em caso da recuperação ocorrer, logo após a própria perda, teoricamente apanhará o adversário saindo em contra-ataque, ou seja, haverá espaços para contra-atacá-lo imediatamente. Em termos práticos, esta é a essência do Gegenpressingpara Jürgen Klopp.

Por visualizar sempre o contra-ataque, a equipe de Klopp busca na organização defensiva uma maneira de potencializar o seu trio de ataque para este momento, fazendo com que, na medida do possível, eles não precisem voltar tanto para marcar, especialmente Salah.

Assim, há momentos em que conseguem ter solidez defensiva e um bom contra-ataque após roubar a bola. Porém, há momentos em que, por conta do papel que os extremos exercem, assumem alguns riscos e podem se expor defensivamente.

Outra arma do Liverpool são as bolas paradas, com destaque para o escanteio ofensivo, com bons cabeceadores e bons cobradores.

Após longos 11 anos de espera, e sem protagonismo no cenário europeu, o Liverpool voltará a disputar uma final de Liga dos Campeões. Isso por si só, já é um motivo de sobra para tentarmos entender como esta equipe joga.

Por isso, eu e Jorge Sáez[2], após analisarmos os jogos das quartas-de-final e semi-final, preparamos um material mais detalhado, com mais informações, fotos e vídeos que ilustram nossas percepções sobre os padrões de jogo da equipe treinada por Jürgen Klopp.

Clique aqui para ter acesso ao material completo.

Foto: Reprodução Web

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[2]Jorge Sáez: Mestrando na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (Portugal), com ênfase em Futebol Alto Rendimento.

[1]http://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/futebol-alemao/noticia/2013/11/klopp-diz-que-futebol-do-borussia-e-como-heavy-metal-e-critica-barcelona.html

O tripé da violência: a culpa não é só das torcidas organizadas

No dia 14 de maio de 2018, os jogadores do Sporting Club de Portugal passaram por maus bocados no centro de treinamento da equipe, que fica na pequena vila de Alcochete, próximo a Lisboa. Quando estavam no vestiário, foram surpreendidos por membros da maior torcida organizada do clube que invadiram o recinto e partiram para a agressão contra os atletas e o próprio treinador. A descrição das cenas dá uma pequena ideia do pânico pelo qual jogadores e treinador passaram naquele dia. O acontecimento chocou a sociedade portuguesa e, de certo modo, os amantes do futebol ao redor do mundo.

Primeira página do jornal O Jogo: Terror

Os ataques geraram uma nova onda de discussões na imprensa esportiva e junto daqueles que gostam do futebol sobre o papel que as torcidas organizadas ocupam dentro deste esporte. Os motivos que levaram às agressões teriam a ver com os resultados da equipe portuguesa e o desenrolar da não classificação para a Champions League da próxima temporada. O presidente do clube, após o revés contra o Marítimo na última rodada, afastou verbalmente o treinador Jorge Jesus. Mesmo com a equipe classificada para a final da Taça de Portugal. Esta foi apenas mais uma das rusgas entre presidente (Bruno de Carvalho), treinador e jogadores. Bruno de Carvalho chegou a fazer postagens em seu Facebook falando mal dos jogadores na sequência uma reunião realizada entre eles após a derrota do Sporting para o Atlético de Madrid, pela Liga Europa.

Primeira página do jornal A Bola: data marcante na história do clube. Foto: Reprodução.

Tal atitude não agradou os jogadores, que passaram a dar declarações públicas de seu descontentamento para com o afastamento de Jorge Jesus e com as atitudes intempestivas do presidente. O próprio treinador declarou que só voltaria a treinar a equipe se o Bruno de Carvalho renunciasse ao cargo. Mesmo em um país pequeno como Portugal, a imprensa esportiva consegue comportar três jornais desportivos diários (A Bola, O Jogo e o Record). Estes e outros periódicos deram ampla repercussão para o caso, citando até mesmo uma possível greve dos jogadores às vésperas da decisão da Taça de Portugal.

Primeira página do jornal Record: Terror. Foto: Reprodução.

Após o acontecido, as manchetes dos jornais portugueses retratavam o caso: “Terror”, “O dia mais negro da história do Sporting” e ”A Guerra de Alcochete” foram alguns dos títulos dos jornais portugueses no dia seguinte. O conteúdo das matérias são aquelas que estamos bastante acostumados: vândalos, bandidos, terroristas e toda uma série de adjetivos direcionados não apenas aos que foram os responsáveis pelas ações, mas dirigidos principalmente às torcidas organizadas como um todo. As soluções levantadas são sempre imediatistas e que, sabemos desde há muito tempo, não surtem efeito: acabar com as torcidas organizadas, tirar o apoio que os clubes dão às mesmas, impedir a entrada da torcida organizada nos estádios e por aí vai.

O caso ganha ingredientes complexos quando se levantam suspeitas de que o próprio presidente do clube teria incentivado membros das torcidas organizadas a realizarem o ato para dar uma “lição aos jogadores”. Tais acusações têm sido negadas pelo presidente Bruno de Carvalho.

Capa do jornal Sol (Sapo On Line) a acusar o presidente do Sporting de dar aval para as agressões.

Nesta segunda-feira, 23 suspeitos de participarem do ato de agressão foram detidos preventivamente. O Sporting, no último domingo, 20 de maio, perdeu a final da Taça de Portugal para o pequeno Desportivo das Aves por 2 a 1.

O caso leva-nos mais uma vez a tentar refletir sobre os problemas da violência no futebol causado pelas torcidas organizadas. E nos remete a perguntas que parecem não ter resposta. Como acabar com este tipo de violência? Que motivos levam os torcedores a tomarem atitudes como estas? Quais as causas da violência entre torcidas organizadas no futebol?

Particularmente, não acredito nas soluções imediatistas. Em nenhuma delas, pois todas já se mostraram absolutamente ineficazes. Posso recordar das iniciativas do sr. Fernando Capez, nos anos 1990, de simplesmente tentar acabar com as torcidas organizadas de São Paulo, caçar seu CNPJ e tentar impedir a entrada de uniformizados nos estádios. As torcidas mudaram levemente de nome e se cadastraram com outro CNPJ. A Mancha Verde, por exemplo, virou Mancha Alvi Verde. A Torcida Independente passou a se chamar Torcida Tricolor Independente. Não levavam seus uniformes e bandeiras, mas entravam no estádio, se dirigiam para o mesmo setor e cantavam as mesmas músicas.

Podemos nos lembrar da solução mirabolante do “clássico de torcida única” e seus resultados paliativos e as mortes que seguem acontecendo fora dos estádios em dias de clássico, como já destaquei nesta mesma coluna. E o que fazer?

A resposta a um problema que me parece estrutural não pode ser com medidas que não sirvam para justamente alterar a estrutura. Neste caso, vai nos ajudar se refletirmos sobre a violência como um espectro mais ampliado da sociedade e pensar que a mesma não está ligada exclusivamente às torcidas organizadas.

Faça o download do livro.

Para os que realmente querem pensar o problema, uma obra recente publicada por Guilherme Palhares e Gisele Schwartz é um bom começo. O livro “Não é só Torcida Organizada: o que os torcedores organizados têm a dizer sobre a violência no futebol?”, publicado em 2015, se propõe a fazer uma análise da violência no futebol usando como referencial teórico as abordagens do sociólogo norueguês Johan Galtung.

Basicamente, Galtung propõe reflexões sobre três tipos de violência: a direta, a estrutural e a cultural. Palhares e Schwartz adotaram este triângulo da violência para refletir sobre os atos das torcidas organizadas, e para chamar a atenção que os mesmos seriam os responsáveis pela violência direta. Já a violência estrutural estaria ligada à toda a estrutura que envolve a organização do futebol de alta competição e que também deve ser considerada uma violência: o monopólio de determinadas organizações, os jogos em horários inadequados, as péssimas condições de alguns estádios, os ingressos a preços abusivos, a falta de transporte público adequado, o tratamento dado pela polícia a todo e qualquer membro de torcida organizada, a proibição de bandeiras e sinalizadores e por aí vai. A violência cultural estaria ligada aos aspectos culturais que podem contribuir para que os atos violentos sejam legitimados e considerados aceitáveis pela sociedade. Neste caso, o discurso da imprensa esportiva, direcionando quase que exclusivamente sua análise para a violência direta da torcida organizada, contribui para que se perpetue uma abordagem sobre o fenômeno que podemos considerar no mínimo incompleta e que não ajuda a resolver o problema. Muito pelo contrário. Se torcedor organizado é “vândalo travestido de torcedor”, justifica-se que o mesmo seja tratado indiscriminadamente com violência.

Este tipo de abordagem pode nos trazer algumas reflexões interessantes a respeito das perguntas que fizemos anteriormente. Primeiramente, há que se reconhecer que existem vários tipos de violência, não só a direta. E que se existem vários tipos de violência, todas elas devem ser condenadas. Há que se combater os aspectos da violência estrutural e cultural com a mesma veemência que se combate a violência direta. Há que se pensar em como os torcedores se sentem violentados quando têm que assistir um jogo que começa às 22h e que sabem de antemão que não terão transporte público para voltar para casa. Há que se pensar que ingressos a 120 reais são uma violência contra pessoas das classes populares, um processo aberto de exclusão dessas camadas dos estádios. Há que se pensar que se os torcedores organizados forem tratados de maneira violenta, vão agir de maneira violenta.

Mas e as soluções? Passar os jogos para horários mais adequados e cobrar ingressos mais baratos vão resolver o problema? Creio que não. Estas medidas devem ser tomada em conjunto com outras que devem ter por objetivo fazer os torcedores perceberem que os mesmos são importantes para o espetáculo e para o clube em si. Um dos exemplos que mais me chama a atenção vem da Alemanha. Neste país as torcidas organizadas promovem festas lindas dentro do estádio. Existem clubes que cedem para estas torcidas espaços dentro do próprio estádio para guardar seus materiais e até mesmo desenvolverem atividades comerciais dentro deles, com a condição de que não se envolvam com atos de violência. As bandeiras, os mosaicos, os sinalizadores, as fumaças, os instrumentos são permitidos durante os jogos, bem como o consumo de bebidas alcoólicas.

Isto garante que a violência acabe? Obviamente que não. Vivemos em uma sociedade permeada de violência, de desigualdades, de exploração, de ódios direcionados a grupos populacionais específicos (homossexuais, imigrantes, negros). Não seria no esporte que move multidões e paixões exacerbadas que teríamos um conto de fadas.

No entanto, tais atitudes de aproximação entre os clubes e suas torcidas organizadas podem trazer um novo modo de operação, uma concepção de pertencimento e de responsabilidade do clube e da torcida. Se o Estado intervir de maneira menos violenta, sem usar o Ministério Público como mero proibidor da festa e caçador de torcedores, talvez possamos melhorar a relação das torcidas com a polícia, por exemplo.

A única certeza que tenho, após anos e anos frequentando arquibancadas das mais diferentes e estudando um pouquinho sobre o tema, é que o assunto é muito complexo. E para problemas complexos, soluções simplistas não levam a lugar algum. Pior, podem levar a potencializar os casos de violência direta, aquela mais visível e que fica direcionada inteiramente às torcidas organizadas.

Fonte: Ludopédio por João Malaia

Qual pedagogia te formou?

Quando insisto que na prática a teoria não é outra, quero reforçar a ideia de que a teoria fundamenta a ação docente. O professor e o treinador vão à prática com suas teorias, mesmo que, muitas vezes, não saibam explicar quais teorias são essas que sustentam suas intervenções, motivações e tomadas de decisão.

O professor João Batista Freire logo na introdução de seu clássico livro “Pedagogia do Futebol”, já afirmava: “O professor não pode entrar na escola despido de uma pedagogia, mesmo que ele não saiba qual é.

Os cursos superiores destinados à formação de professores/treinadores deveriam iniciar o processo exatamente por esse ponto. A pergunta desencadeadora da formação dos professores deveria ser: qual pedagogia te trouxe até aqui?

A formação de quem ensina deveria se iniciar pela descoberta de como foi ensinado.

É preciso desvendar o processo pelo qual foi vítima. Entender, por exemplo, porque eram tão difíceis de serem respondidas, perguntas como: qual o motivo de aprendermos isso ou aquilo? Isso ou aquilo poderia ser uma silepse, produtos notáveis, isótopos, spin, gimnospermas…

Ou, sendo mais específico: por que fomos alfabetizados pela cartilha Caminho Suave? – estou me referindo especificamente àqueles que têm curso de datilografia, um eufemismo simpático em relação à idade.

Por exemplo, respondendo essa indagação no início da formação profissional, o futuro professor/treinador entenderia facilmente a existência do método analítico/tecnicista, seus porquês e suas consequências, entre elas a mais grave, o analfabetismo funcional.

Ao compreender o nexo das cartilhas, compreende-se a didática do professor e, ao mesmo tempo, as teorias que justificam tudo.

Nas cartilhas impera a lógica da fragmentação, advinda em certo período histórico pelo avanço da ciência positiva, que, resumindo, apregoa a necessidade de separar o todo em partes, de modo que,com o domínio qualificado das partes, sua somatória permitiria uma acurada compreensão do todo.

Sendo assim, no processo de alfabetização nada mais coerente do que começar pelo reconhecimento das letras (vogais e consoantes). Essas ao se unirem formam sílabas (ba, be, bi, bo, bu…); juntando sílabas temos palavras (baba, bebê, vovô, uva…); reunindo palavras temos frases (Vovô viu a uva), orações, períodos, que se agrupam em parágrafos e assim, temos um texto.

Ao fim desse processo atendia-se as determinações da lei, no que tange a universalização do processo de alfabetização. Isto quer dizer que quem decodificava esses símbolos gráficos era considerado alfabetizado. Mesmo desconsiderando a necessidade de, nas sequências dos anos, ainda de forma fragmentada, aprender no antigo primário sobre preposições, advérbios, pronomes, e no remoto ginásio, ter aulas sobre figuras de linguagem, orações adverbiais, análises sintáticas… Estes conteúdos eram o módulo “avançado”, pois a meta já foi conquistada, a da alfabetização.

Mas graças aos avanços da ciência – que nunca cessam – descobriu-se que esse processo apresenta uma falha logo de início, a qual gera uma consequência nefasta. Os alfabetizados pelas cartilhas (e também pela fragmentação do que chamei de módulo “avançado”), têm grande dificuldade em compreender a funcionalidade da língua e da escrita. Decodificam facilmente as letras e as palavras, leem os pequenos textos, mas não interpretam o que estão lendo com a mesma facilidade. A isto se convencionou chamar de analfabestismo funcional, pois não se entende a funcionalidade da escrita, com seus magníficos subterfúgios e meandros que expressam ideias e ideologias, conteúdos implícitos e discurso em meio aos enunciados, as dissertações e as narrativas.

Outra consequência desse processo, diz respeito à didática do professor, explicitamente instrumental e prescritiva. Para ensinar algo que ninguém está entendendo direito, muitas vezes até o próprio professor (que apenas aprendeu a técnica para ensinar), somente por meio de uma postura autoritária, dando azo ao aparecimento de pérolas como: faça porque estou mandando; porque está no livro, logo é importante, senão não estaria ai; isto é importante porque vai cair no vestibular; lá na frente você vai entender o porquê estamos estudando isso; algum dia você poderá usar na vida…ou seja, os fins imprecisos justificam os meios mais que evidentes.

Antes de prosseguirmos devemos fazer uma reflexão complementar. Apesar do destaque às mazelas advindo do uso da cartilha como meio no processo de alfabetização, essas não se dão por causa e efeito direto. Não podemos cair no otimismo ingênuo, como adverte Cortella. A escola não é uma panaceia e não está a parte da sociedade, ao contrário, por ser sociedade todo o ambiente – social, econômico, afetivo, espiritual, moral… – interfere decisivamente no processo de escolarização. Ou seja, o instrumento cartilha isoladamente não é o responsável direto ou isolado pelo analfabetismo funcional. E para entender melhor isso, a Pedagogia complementando a formação dos professores/treinadores, necessita das importantes contribuições da Sociologia e da Psicologia.

No caso do treinador tradicional ensinando esportes não é em nada diferente. Como na cartilha, ele fragmenta o jogo em movimentos específicos. No caso do futebol, o treinador ensina de forma fragmentada, separada e descontextualizada de sua função (funcionalidade) no jogo, o drible, o passe, o chute, a condução, o controle (pare um pouco de ler e imagine os treinos analíticos que lhe vem à mente sobre esses fundamentos…).

Continuando esse exercício de ativação da memória, muitas vezes afetiva, como eram as frases que o treinador dizia quando, na imensa fila, os jogadores começavam a fazer bagunça? Seria algo como: sei que é chato repetir os fundamentos, mas sem eles vocês não poderão começar a aprender o jogo, ou então, se continuar esta bagunça não vai ter jogo no final.

A parte principal do treino era dedicada ao lapidar os fundamentos, como acontecia com o caderno de caligrafia. Vejam que a ideia por trás é a mesma: letra bonita é sinônimo de aluno inteligente, técnica perfeita é o mesmo que ser um bom jogador, independente se entende a funcionalidade de língua escrita ou da linguagem do jogo, sua lógica e funcionalidades, pois sempre se terá alguém que pensará por ele.

Em decorrência do espaço desta crônica pedagógica, vamos tentar descrever de forma breve as possíveis teorias pedagógicas presentes, ou seja, as intenções conscientes ou não que sustentam essas intervenções.

O uso da cartilha e do treino tradicional de esportes se pautam na teoria do conhecimento empirista, como salienta Jean Piaget, a qual em síntese defende a perspectiva de que o conhecimento é transmitido, sendo o professor o centro do processo e único detentor do conhecimento (entenda também como poder), já o aluno é apenas receptor passivo que deve ser preenchido com ensinamentos (crenças), modelados e mecanicamente organizados, pois ele é considerado uma tábula rasa.

A abordagem desse processo, segundo Mizukami, é tradicional e comportamental (sofrendo forte influência da psicologia behaviorista), refletindo uma teoria pedagógica denominada tecnicista. Entendendo o tecnicismonão pelo ensino exclusivo da técnica no esporte, mas por essa teoria ter como princípio disseminar o conhecimento técnico como o necessário para formar mão de obra servil qualificada, que não precisa entender o porquê das coisas – sua funcionalidade -, mas deve apertar os botões corretos com resignada disciplina.

No que tange as teorias da educação, José Carlos Libâneo, vai entender que essas intervenções refletem uma teoria não crítica da educação, calcada por princípios liberais, alienando as massas, reforçando as desigualdades sociais e a subserviência, mantendo forte o verdadeiro aparelho ideológico do estado, como salienta Althusser.

Talvez, depois desse percurso interpretativo os adeptos à manutenção do tecnicismo, percebam que talvez estejam defendendo algo equivocadamente, ou então, no mínimo sem a devida amplitude reflexiva. Pois o fim do tecnicismo não significa, em hipótese alguma, o fim do ensino da técnica, mas sim o fim de intenções que facilitam a formação de jogadores alienados, que não sabem ler e reescrever o jogo, sendo totalmente dependentes de treinadores que ditam de forma unilateral o que deve ser feito.

O fim do tecnicismo deve se configurar no sepultamento de mazelas que fazem do futebol o reflexo de uma sociedade conservadora e elitista, que não se sustenta pela competência de seus atores, mas sim por “amizades” e conchavos para a manutenção da realidade, mesmo que esta reflita, em território nacional, um futebol que há muito deixou de ser a arte do improviso, para se manter como a reprise previsível de um jogo encenado, que afasta a plateia (pior de tudo isso é que não se percebe a autofagia, ou a analogia com a figura dos samurais cegos que lutam em direção ao precipício).

Por fim, para ampliarmos e delinearmos uma intervenção para desencadear esse processo de reflexão, com a ajuda e o imbricar da Universidade com o campo profissional, poderíamos pensar: como na prática desvelar a teoria que sustenta a intervenção docente? Entrevistando o professor? Questionando e criticando o treinador?

Minha resposta é: Não! Não é possível entender a práxis docente sem participar, sem se envolver, ou melhor, sem pesquisar em ação (pesquisa-ação). Justamente porque essa práxis carrega consigo uma carga de intencionalidade singular, manifestada nas ações educativas e carece de (re)conhecimento sobre as teorias explícitas e implícitas que fundamentam essa ação.

Para revelar a teoria na prática, é preciso investigar o professor em ação. Se faz necessário observar participando, perguntando os motivos das intervenções em meio ao contexto específico e social, confrontando tomadas de decisões com suas devidas explicações, permitindo e ajudando ao professor e ao treinador refletirem sobre suas atitudes, (des)construindo saberes pedagógicos ao cruzar ações, motivações, intenções e contextos, permitindo que a teoria emerja, e todos os atores do processo possam a partir de então conceituar suas ações, emancipando-se e provocando emancipações, visualizando a teoria que sustenta sua prática,com fim explícito de ampliar e potencializar seu saber/fazer pedagógico. E assim, poder ser, a cada nova reflexão, um professor e um treinador muito melhor!

Fonte: Universidade do Futebol por Alcides Scaglia

“Treinador, mas afinal como posso me concentrar?”

Olá caro leitor!

Hoje vamos falar sobre um tema que serve para justificar muitos sucessos e fracassos mas que poucas vezes é alvo de integração na melhoria de habilidades no decorrer de uma época desportiva. Estamos a falar, claro está, da concentração!

Ouvimos muitas vezes os treinadores referirem o seguinte, nas conferencias de imprensa após os jogos:

• “Conseguimos ganhar porque mantivemos a concentração até ao último minuto! Soubemos sempre o que tínhamos a fazer!“;

• “Depois do golo que na nossa opinião foi mal anulado, desconcentramo-nos, foi pena, não conseguimos sair com o resultado que queríamos, mas vamos levantar a cabeça!

• “Acabámos por vacilar nos penaltis. Não acredito em sorte… talvez o adversário estivesse melhor preparado para este momento.”

• “Sei que era obrigatório ganhar hoje e o adversário era teoricamente mais frágil… mas entrámos distraídos… pouco concentrados!”

Se esta habilidade é tão identificada, tão alvo de justificações – por vezes até com maior ressalva que aspetos técnicos e táticos – porque é que em muitos casos, não se inclui no processo anual de treino? Porque é que os atletas –  individualmente e a equipa – coletivamente não treinam de uma forma consciente e sistematizada estes conteúdos?

É natural ouvirmos também, tanto no processo de formação desportiva, como a nível de alto rendimento, os elementos da equipa técnica referirem muitas vezes para os atletas se concentrarem. De facto o feedback de instrução está dado. Porém temos de perceber que uma das principais funções de uma equipa técnica, e no patamar mais elevado, o treinador, é direcionar os atletas para o plano de jogo, para a ação… para a tarefa. Ao referirem aos atletas para se concentrarem, têm de dar pistas que os direcionem para onde é essencial os atletas gastarem energias… sendo neste caso, os comportamentos facilitadores/apetitivos, para o alcance do rendimento desportivo, e como consequência dos objetivos de performance e resultado definidos.

Por isso, sempre que um elemento de uma equipa técnica direcione o feedback de instrução para a concentração é essencial que tenha total conhecimento sobre:

• O que é a concentração?

• Quais os tipos de concentração?

• Qual a direção e amplitude da concentração?

• Como pode ser treinada a concentração.

Só desta forma é que a resposta por parte do atleta poderá atingir níveis de performance elevadas nesta habilidade. Assim sim, o treinador estará a direcionar corretamente o comportamento do atleta para os estímulos importantes para o seu jogo.

Vamos então explorar este tema. Vivemos atualmente numa sociedade considerada digital, onde tudo está á distancia de um clique. Podemos mesmo referir que o contexto da sociedade atual vive perante um híper-estimulo. Sendo determinante a pessoa escolher/selecionar a informação ao qual deve prestar atenção.

Este é sem duvida mais um exemplo em que poderemos transferir o funcionamento da sociedade geral para o desporto. É exatamente igual. Muita informação, muito estimulo. Tanto antes, como durante, como após a competição. Já para não falar de todo o contexto que envolve o atleta como, pais, amigos, namorada, etc. Tudo isto influência. Tudo isto necessita de seleção de informação. Sendo essencial o atleta selecionar sempre o que lhe é favorável para o equilíbrio emocional, bem-estar e rendimento desporto.

O que é afinal a Concentração?

A concentração é a capacidade que o individuo/atleta/treinador tem para direcionar a atenção para um determinado ponto de estimulo em especifico. (Exemplo: Pensar na ação do contra-ataque no basquete e nos estímulos importantes desse momento. Deixando lances passados, e estímulos não importantes (adeptos, árbitros etc…) de lado).

Podemos também referir que a concentração apresenta 3 propriedades fundamentais:

É seletiva: é capaz de filtrar os estímulos que são importantes para a situação e desligar dos que não são importantes (atentem á imagem de capa do artigo – o estimulo importante é a bola e a ação que está decorrer – tudo o resto é baço e irrelevante para a tarefa)

É limitada: É incapaz de desenvolver com eficácia varias tarefas ao mesmo tempo. A direção da atenção deve estar sempre para a ação presente.

É oscilante: O estado de alerta, ou o estado de direção da atenção para a tarefa não é permanente. É natural o atleta oscilar os níveis de atenção. Desta forma, é essencial que este tenha mecanismos para conseguir direcionar o foco de novo para a tarefa (ex: após golo falhado, o atleta pode baixar os seus níveis de concentração)

Uma coisa é certa, já percebemos todos da importância desta habilidade para o rendimento desportivo de uma equipa e dos seus elementos. Vamos então dar aqui duas pistas essenciais para direcionar a atenção para os aspetos relevantes da competição. Podemos então dividir em duas pistas:

Pistas Externas: Este tipo de pistas refere-se ao que está no exterior ao atleta. Bola, baliza, adversários, colegas, publico, árbitros, referencias especificas no campo, etc;

Pistas Internas: Aqui falamos dos pensamentos ou das ações internas ao atleta: Pensar no plano de jogo, concentrar-se na respiração, visualização mental, etc.

A seleção adequada dos estímulos para cada uma das pistas é sem duvida a base para a concentração nos atletas e em equipas desportivas. Educar, sensibilizar e treinar estes conteúdos sem duvida irá fazer com que o atleta tenha uma maior consciência sobre a direção que tem de dar a atenção e quais os estímulos que de facto são favoráveis ou não á sua performance dentro do campo.

Porém todo este trabalho só é possível se percebermos que a concentração apresenta amplitude e linha do tempo. Vamos primeiro á amplitude.

Quanto á amplitude a concentração pode ser:

Estreita: Quando o numero de estímulos do meio a captar é reduzidos. Imaginem um lance livre no Basquetebol. Estímulos são poucos. A bola e o cesto como pistas externas e a rotina do atleta como pista interna.

Ampla: Aqui já falamos de uma fração de jogo. De um momento de jogo em que é necessário captar vários estímulos ao mesmo tempo. Vamos pensar no momento defensivo no Hóquei em Patins. O atleta tem de estar atento ao posicionamento dos colegas, do marcados direto e do local onde está a bola. Ou seja, o numero de estímulos é maior.

Como vêem, só falamos de estímulos que estão dentro da ação do jogo, são esses os estímulos importantes. Tudo o resto que o envolve tem de perder destaque e tornar-se irrelevante.

Ora e quanto á linha do tempo? Pois é, a concentração tem em consideração o continuum do jogo. A sua história e os seus acontecimentos. Controlar esses aspetos e saber em que momento deve estar a nossa atenção é essencial para potenciar esta habilidade.

Passado: Tem a ver com os acontecimento passados no jogo, ou em jogos anteriores. Este tipo de pensamento gera instabilidade emocional e geralmente está associado a quebras de confiança por parte do atleta (ex: batido no canto pelo marcador direto no futebol… o jogo continua mas o pensamento fica naquele momento);

Presente: Pistas externas (objetos) e pistas internas (pensamentos) direcionados para o momento do jogo em que está a decorrer a ação. (ataque organizado… o jogador pensa nos seus movimentos e direciona a atenção externa para os estímulos importantes… bola, colegas…);

Futuro: “Será que vou estar bem no jogo?“; “Não posso perder!” Este tipo de pensamento, direcionado para o futuro e quase sempre para o resultado, traz instabilidade emocional, duvidas e interrogações.

Onde deve então estar centrada a  atenção? Como podemos ajudar os nossos atletas a melhorar esta habilidade? Como podemos nós próprios enquanto treinadores melhorar isto?

Caro leitor, Até breve!

Fonte: Psicologia Alto Rendimento Desportivo

Tite e a revolução táctica do Brasil 2018

A Adaptabilidade Estratégico-Tática da “Canarinha” para a Rússia 2018 – Momento de Organização Ofensiva e Transição após perda de posse de bola.

Quando falta menos de três meses para o começo do Campeonato do Mundo Rússia 2018, as equipas técnicas aproveitam as últimas oportunidades de preparação para potenciar as ferramentas das suas equipas para que nada falhe no início do torneio. Neste breve artigo vamos analisar de que forma o renovado Brasil de Tite está a preparar a sua equipa para a competição, abordando alguns fatores de rendimento que estão a ser equacionados e qual a abordagem aos mesmos por parte da equipa técnica e jogadores brasileiros.

Inserido no Grupo E com Costa Rica, Suíça e Sérvia, é por demais evidente que o selecionador brasileiro está a ter em conta as caraterísticas dos adversários na prova no momento de escolher as seleções para realizar os jogos de preparação (prática comum) prova disso é a forma como Tite aborda sem tabu a nuance estratégica em função da equipa opositora e, dos princípios e caraterísticas do seu modelo de jogo nos pré e pós match de cada confronto.

Nesse sentido, em Novembro de 2017 e no passado mês de Março realizaram jogos amigáveis contra Inglaterra e Rússia respetivamente e a nota predominante nas análises pós match do líder brasileiro foi a “linha de 5” do adversário no momento de organização defensiva e os ajustes estratégico-táticos que a sua equipa teve de realizar para ultrapassar esta condicionante.

Fonte: ProScout por Gonçalo Teixeira