Boas razões e benefícios para o (a) seu filho (a) praticar futsal

A prática do desporto é extremamente importante para auxiliar na qualidade de vida da criança e dos adolescente. Especialistas dizem que, quanto mais cedo a criança cria o hábito pelo desporto, menos propensão ela têm a doenças.

O Futsal é uma actividade física que desenvolve habilidades motoras gerais como locomoção , coordenação , domínio da bola , manipulação e equilíbrio , através de movimentos específicos , identificando e valorizando as regras e características básicas do desporto , assim como promovendo a socialização dos praticantes e desenvolvendo o espírito de equipa.

BOAS RAZÕES PARA A PRÁTICA DE FUTSAL:

1. Pode ser jogado ao ar livre ou num pavilhão, por isso, o mau tempo nunca é um problema;

2. Contribui para uma melhor coordenação;

3. Contribui para uma maior concentração e rapidez de reflexos;

4. Desenvolver a agilidade e as habilidades motoras, além de contribuir para o aumento de resistência;

5. Cuida e protege o sistema cardiovascular e melhora a resistência muscular;

6. Incentiva a sociabilidade;

7. Ensina as crianças a agir com rapidez, a tomar decisões e a resolver as situações problemáticas;

8. Incentiva a autonomia das crianças;

9. Ensina valores tão importantes como a cooperação;

10. É divertido e dinâmico, afastando a criança do sedentarismo.

BENEFÍCIOS PARA A PRÁTICA DE FUTSAL, (OU QUALQUER OUTRO DESPORTO) PARA AS CRIANÇAS/ADOLESCENTES:

1. A fazer amigos e a ingressar na sociedade;

2. A aprender e a seguir regras;

3. A superar a timidez ou a vergonha;

4. A controlar os seus impulsos e ansiedade;

5. A ser mais colaboradora e menos individualista ou egoísta;

6. A reconhecer e respeitar que existe alguém que sabe mais que ela;

7. A melhorar a sua coordenação motora;

8. A crescer física e emocionalmente;

9. A corrigir possíveis defeitos físicos;

10. A potenciar bons hábitos;

11. A dominar os seus movimentos;

12. A estimular a sua saúde e higiene;

13. A ter responsabilidades e compromissos.

Todo e qualquer tipo de desporto e actividade física desenvolve e melhora o metabolismo, os sistemas cardiovascular, cardíaco e respiratório e traz benefícios à saúde quando aplicado de maneira correta e apropriada a cada faixa etária.

Fonte: Futebol de Formação

Anúncios

Iniciação ao futebol de formação

“Não jogo futebol para ser o melhor: Jogo para ser feliz…”

O futebol é uma das maiores paixões do mundo do desporto. Todos temos um clube preferido do qual somos adeptos ou simpatizantes, além da selecção nacional.

Não é segredo nenhum que a actividade desportiva é fundamental e essencial para a saúde e bem-estar do ser humano. Para as crianças, é uma prática muito saudável e altamente recomendável.

Se o seu filho é louco por futebol, aproveite o início do ano lectivo ou durante a época desportiva (Setembro a Junho) para o inscrever numa escola/academia de futebol. Ah, e as meninas também podem (e devem!) jogar futebol, por isso, se a sua filha lhe pedir para a inscrever num clube, deixe os preconceitos de lado e desfrute do desporto rei!

No entanto o ideal é que a criança goste de futebol, deve-a observar se por exemplo gosta de chutar a bola e de entre a variedade de actividades que pratica a preferida é jogar futebol, se for o caso leve o seu filho a um clube de futebol próximo e peça para experimentar uma semana de treinos, os pais não devem forçar os filhos a praticar futebol, mas sim as crianças que devem querem praticar o seu desporto favorito ou aquele que demonstrem ter melhores aptidões.

A idade ideal para começar a jogar o futebol será marcada pela própria criança, isto é, a partir do momento em o seu filho vos peça para jogar nas escolas/academia de um clube, se por iniciativa própria os pais decidirem por o seu filho a praticar futebol devem observar se a criança desfruta mesmo do futebol ou se simplesmente diverte-se e brinca junto dos seus amigos durante os treinos.

A partir dos cinco anos de idade, a maioria das crianças já está preparada para começar a dar os primeiros passos na prática do futebol., apresentando uma rápida adaptação e, conforme o tempo passa, vão melhorando a sua habilidade e coordenação na prática desportiva e o convívio com outras crianças.

A iniciação desportiva no futebol tem início de uma forma lúdica e evoluindo num enquadramento estabelecido pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) em 2010 que tem como objectivo “estabelecer uma relação adequada entre as idades” e “recuperar os valores essenciais do futebol”. Estes escalonamento também reflecte uma maior adaptação ao nível das competições de selecções distritais e nacionais de acordo com as provas da UEFA e FIFA essencialmente a partir dos escalões de Iniciados (Sub-15).

Desta forma os escalões de formação no futebol estão relacionados e enquadrados com o processo formativo e os tipos de futebol praticados ao longo da sua evolução.

Escalões Lúdicos:

Petizes (Sub-7 – Juniores G)

◦ 1º Ano – Juniores G1 (Sub-6)

◦ 2º Ano – Juniores G2 (Sub-7)

Nesta fase a prática comum é o futebol 3

Traquinas (Sub-9 – Juniores F)

◦ 1º Ano – Juniores F1 (Sub-8)

◦ 2º Ano – Juniores F2 (Sub-9)

Nesta fase a prática comum é o futebol 5 e transição para o futebol 7

Benjamins (Sub-11- Juniores E)

◦ 1º Ano – Juniores E1 (Sub-10)

◦ 2º Ano – Juniores E2 (Sub-11)

Nesta fase a prática comum é o futebol 7

Escalões de Pré-Competição:

• Infantis (Sub-13- Juniores D)

◦ 1º Ano – Juniores D1 (Sub-12)

◦ 2º Ano – Juniores D2 (Sub-13)

Nesta fase a prática comum é o futebol 7 e/ou 9 na transição para o Futebol 11, existindo já competições de Futebol 11 para os Sub-13.

Escalões de Competição:

• Iniciados (Sub-15- Juniores C)

◦ 1º Ano – Juniores C1 (Sub-14)

◦ 2º Ano – Juniores C2 (Sub-15)

Nesta fase a prática comum é o futebol 11

Juvenis (Sub-17- Juniores B)

◦ 1º Ano – Juniores B1 (Sub-16)

◦ 2º Ano – Juniores B2 (Sub-17)

Nesta fase a prática comum é o futebol 11

Juniores (Sub-19- Juniores A)

◦ 1º Ano – Juniores A1 (Sub-18)

◦ 2º Ano – Juniores A2 (Sub-19)

Nesta fase a prática comum é o futebol 11

Todos estes escalões fazem parte do processo de formação continuo adaptando-se à categoria e nível de exercícios que se irá trabalhar ao longo das várias etapas de crescimento até chegarem ao futebol sénior, alterando as dimensões dos campos, balizas e número de jogadores, bem como o uso de equipamento desportivo, sem prejudicar o desenvolvimento do atleta e a sua evolução no seio de um desporto que é colectivo.

Benefícios da prática de futebol no quotidiano das crianças e jovens:

Saúde

Não são poucas as vantagens em termos de saúde que o futebol proporciona. Jogando futebol, a criança aumenta a potência muscular das pernas; aumenta a densidade óssea femoral; incrementa o nível de testosterona, que faz com que se forme mais tecido muscular; oxigena o sangue; reduz o risco de depressão e melhora a função cardiovascular.

Socialização

Jogar futebol é uma óptima maneira do seu filho interagir com outras crianças. Desportos colectivos combatem a introversão e são uma boa oportunidade do atleta aprender a trabalhar em equipa. O menino (ou menina, claro!) que gosta de jogar bola está sempre arranjando uma forma de convidar os amigos para jogarem na mesma equipa, mas também é uma maneira de fazer novos amigos no clube e/ou até mesmo nos clubes adversários.

Responsabilidade

O Desporto é diversão, mas inscrever o seu filho(a) numa escola/academia de futebol também ensina a ter disciplina, afinal trata-se de um jogo com regras a serem seguidas. Se ele(a) faz uma falta desleal, por exemplo, é punido com cartão, o que o ensina a não repetir o ato. O jogarem colectivamente e terem de ser uma equipa também é uma responsabilidade, pois ninguém ganha ou perde sozinho.

Inteligência

O futebol aprimora a coordenação motora da criança, e não apenas isso. O jovem aprende a ter uma visão periférica e planear cada jogada rapidamente, estimulando diversas partes do cérebro. Também é possível desenvolver a capacidade de liderança perante os demais jogadores da sua equipa, que devem actuar colectivamente para a obtenção de um resultado: a vitória.

Diversão

Não esqueçamos que esse é, talvez, o factor mais importante. São poucas as crianças que não gostam de praticar desporto e, para falar a verdade, adultos também. O futebol é a paixão de multidões, e todos conhecem as suas regras. É fácil arranjar colegas para a sua prática, que, quando exercitada com regularidade, deixa a criança muito mais feliz.

O objectivo final será a formação do atleta enquanto cidadão e desportista seja amador ou profissional na sua carreira futebolística.

Fonte: Futebol de Formação por Fernando Agostinho

Mister, que ideias tem para eu melhorar enquanto jogador?

Da formação aos seniores, esta é uma das funções fundamentais do treinador no decorrer de uma época desportiva. Para além de ter de produzir rendimento, ou seja, promover evolução na equipa e com eles os resultado pretendidos e ter de desenvolver estratégias para promover um bom ambiente de grupo, é determinante que o treinador desenvolva o próprio atleta, o faça acrescentar habilidades e tornar-se um jogador mais completo e consistente.

Este desenvolvimento do atleta dentro da equipa/clube refere-se á promoção do estado motivacional de cada elemento. Quando um treinador trabalha esta dimensão de forma apropriada, os atletas apresentam a tendência para apresentarem continuamente níveis mais altos de energia positiva. Mostrando níveis mais altos de adesão ao treino diário.

E sim, falei de adesão ao treino e não participação! E será que há diferenças entre estes dois conceitos? Há pois!

Adesão –  refere-se á participação comportamental e sentimental do atleta no processo, isto é, o atleta está totalmente envolvido com o projeto desportivo em que está a participar, sentido que com a aplicação dos conteúdos de treino irá evoluir e ter oportunidades de crescimento enquanto atleta. Aqui o atleta dá os 100%!

Participação – Presença e aplicação meramente comportamental. Isto é, o atleta está fisicamente no treino e participa nos seus conteúdos. Porém, como tem uma total ausência de pistas para melhorar o seu rendimento não se envolve sentimentalmente com o projeto desportivo. Aqui dificilmente o atleta dá os 100%.

Para que o atleta adira então por completo ao planeamento de treino, o treinador apresenta um papel fundamental, tendo de ser ele o principal responsável por saber como motivá-lo, tendo sempre na cabeça duas palavras-chave:

Visão

Para conduzir o atleta para elevados níveis de energia positiva na aplicação aos conteúdos a aplicar no decorrer da época, o treinador deve mostrar de uma forma clara e objetiva qual será o trajeto que irá percorrer na equipa e todo o processo que implicará para esse crescimento. Desta forma:

• A visão de carreira do atleta não deve ser imposta pelo treinador;

• Deve ser estabelecida numa parceria treinador-atleta, promovendo assim maior compromisso do atleta neste seu processo de crescimento na equipa;

• A visão inclui objetivos de performance (comportamentos, atitudes e habilidades) e de resultado (nº de golos);

• O treinador deve ter em conta, não apenas as melhorias comportamentais (papel e ações dentro do campo), mas também  no que confere á atitude e emoções.

• Este processo deve ter como base a avaliação (comportamentos a manter, consolidar, acrescentar e eliminar) e o permanente feedback de direção para as ações pretendidas.

Oportunidade:

A oportunidade dada pelo treinador é o suporte de atitude mais próximo da manutenção do trajeto da visão de carreira por parte do atleta. Pode-se considerar que é o motor que permite o atleta manter o desejo de evoluir enquanto atleta e enquanto elemento dentro da equipa.

Imaginemos um cenário em que o treinador, após a pré-época, delineou com o Avançado centro da sua equipa, vindo da equipa B uma visão de carreira de saltar para titular no final da época desportiva (visto o avançado titular estar a ser alvo de muita cobiça de mercado e o clube necessitar de vender), sendo que o primeiro passo era ter uma oportunidade a titular na Taça da Liga. Estes são os objetivos de resultado… A tal visão de futuro!

Vamos então aos objetivos de performance… ou seja, aos aspetos comportamentais, que me vão fazer com que o atleta acrescente comportamentos, habilidades e atitudes. Bem, o treinador e o atleta definiram (após avaliação objetiva do treinador), que para alcançar os resultados estabelecidos era essencial o atleta consolidar os movimentos de costas para a baliza e de rotura e eliminar frustrações após um remate falhado, pois este aspeto desconcentra-o da tarefa.

Programa de desenvolvimento individual construído, o atleta encontra-se a dar tudo nos microciclos de trabalho, integrando também sessões de Psicologia do Desporto, porém chega ao jogo da Taça da Liga e continua no banco, não lhe sendo dada a oportunidade. (apresentando este cenário um continuum no tempo)

São estes fatores, de ausência de oportunidade e de falta de honestidade com o que foi planeado para o desenvolvimento individual do atleta, que o irá afastar da visão que tinha para o seu crescimento dentro do projeto. E não é isto que nós como elementos da equipa técnica pretendemos, pois terá efeito no rendimento do atleta e consequentemente na qualidade da tarefa coletiva e social de todo o grupo.

Por isso, palavras-chave para o treinador fazer um atleta melhorar as suas habilidades, comportamentos e atitudes?

Visão

• Oportunidade/honestidade

Vamos então tornar este enquadramento num programa de desenvolvimento individual do atleta:

A base: O processo de crescimento do atleta, deve ser estabelecido em conjunto com o próprio e não imposto pelo treinador;

A abordagem: Individual para definição da visão de carreira; e individual para avaliações periódicas com recurso a áudio visual se possível.

Atleta: Avançado Centro, vindo da equipa B esta época;

Visão de Carreira:

– Objetivos de Resultado: Atingir a titularidade na próxima época; sendo a primeira fase ser titular no próximo jogo da taça da liga (falta 1 mês e 2 semanas);

– Objetivos de Desempenho: Melhorar posicionamento costas para a baliza e eliminar frustrações após remate falhado;

Ferramentas: Treino Individual, Treino Coletivo e Sessões de Psicologia do Desporto.

Á atenção do treinador: Permanente feedback diretivo.

Fonte: Futebol de Formação por Luis Parente

Psicologia do Desporto: uma exclusividade?

No Futebol, ao contrário do que acontece noutras modalidades, a Psicologia do Desporto (PD) tarda em ser reconhecida e integrar a sua estrutura. Esta dificuldade é, por vezes, traduzida pelo desconhecimento, descredibilização e até rejeição por parte de alguns agentes desportivos. O «Mundo» do Futebol é muito peculiar e é dotado de um conservadorismo assente em mitos e preconceitos enraizados, que embora se têm vindo a desconstruir ao longo do tempo, fomentado em parte pela aposta na formação dos agentes desportivos, ainda tem um longo caminho a percorrer. Apesar de não existirem dados estatísticos concretos e oficiais, tem-se observado um aumento do número de psicólogos a integrarem equipas técnicas de clubes profissionais, semi-profissionais e até amadores.

Apesar deste aumento em clubes não-profissionais, pairam ainda algumas ideias que, principalmente por falta de conhecimento, contribuem para um leque de barreiras que prejudicam a integração dos profissionais desta área científica nas várias instituições futebolísticas. Falo de ideias como “a Psicologia do Desporto é «apenas» para os atletas profissionais e desporto de alta competição”, em que mesmo para os atletas profissionais “só alguns é que precisam, os que têm problemas”. Por esta ordem de ideias a PD terá um público alvo muito pequeno e restrito, ficando excluídos todos aqueles que praticam desporto não de alta competição, aqueles que são mentalmente sãos e a grande maioria das crianças e jovens. Proponho então fazer um pequeno exercício de reflexão analisando alguns pontos que penso serem fundamentais.

Antes demais, a Psicologia do Desporto e da Actividade Física defini-se rigorosamente como o estudo científico de pessoas em situação de contexto desportivo ou de exercício físico, assim como a aplicação prática dos conhecimentos da disciplina. O psicólogo tem como objectivo contribuir para a melhoria e bem-estar do atleta que, nomeadamente, se vai reflectir numa melhoria do seu rendimento. Isto é independente de ser desporto de baixa ou alta competição e de os fenómenos poderem ter a sua maior expressão neste nível.

Ao mesmo tempo, não me parece possível e muito menos justo(!) dissociar o atleta da pessoa que o sujeito é fora do contexto desportivo, uma vez que considero o atleta uma extensão daquilo que o indivíduo é enquanto pessoa. Como diria um conhecido meu “A forma como tu jogas, diz muito daquilo que és como pessoa”, o que não será uma verdade La Paliciana, mas também estará longe de ser uma total falácia.

O desporto e neste caso em concreto o Futebol, é um «simulador» de situações da vida quotidiana e toda a aprendizagem adquiria poderá e deverá ser transportada para lá das fronteiras desportivas. Isto acontece independente do seu grau de profissionalização. Podemos ver, a título de exemplo, o caso da aquisição e treino de competências de vida que o Desporto pode proporcionar aos seus praticantes. Tornando-se ainda mais relevante quando falamos dos escalões de formação (Futebol de Formação).

Por último e no seguimento do ponto anterior, cada vez mais os Pais quer por decisão própria quer por aconselhamento técnico, promovem a integração do Desporto na vida dos filhos, com a expectativa de este proporcionar não só um desenvolvimento físico saudável, mas também e tão ou mais importante, o desenvolvimento sócio-cognitivo das crianças. Dando ênfase à frase comum de que “O desporto além de formar atletas, forma homens!”. O Psicólogo e o Treinador trabalhando em conjunto e cruzando os seus conhecimentos são os pilares do trabalho que se pode fazer com os atletas, que os poderão ajudar a desenvolverem-se não só enquanto desportistas, mas também como pessoas.

Paremos agora alguns instantes para assimilar estes pontos e redefinir ideias. Atendamos ainda ao facto de que o Desporto tem o poder de proporcionar aos seus praticantes um prazer, durante o processo de aprendizagem, que poucas actividades conseguem igualar. Posto isto, torna-se mais claro o papel que a Psicologia poderá desempenhar no Desporto em geral, mas principalmente não-profissional e de formação. Devolvo então a questão, será correcto considerar a Psicologia do Desporto uma exclusividade do Desporto Profissional?

Fonte: Futebol de Formação por Pedro Morgado

Fifa anuncia as primeiras punições aos caloteiros e situação no Brasil será monitorada

Pela nova determinação, clubes não podem atrasar salários dos jogadores.

O Comitê Disciplinar da Fifa tomou as primeiras decisões em relação ao seu novo código que regula a estrutura para clubes devedores no futebol mundial. E a entidade não está para brincadeira.

Clubes do Oriente Médio foram considerados culpados por não cumprirem as decisões da entidade para o pagamento de quantias em atraso para os seus atletas. As sanções foram as seguintes:

O Qatar SC recebeu multa de 30 mil francos suiços (cerca de R$ 120 mil) e um prazo de 90 dias para pagar os atletas. O clube também será penalizado com a perda de seis pontos no campeonato local, e proibição da inscrição de novos jogadores por duas janelas, se não cumprir os pagamentos.

O Al Shabab, dos Emirados Árabes, o Al Shamal, do Catar, e o Saba, do Irã, receberam punições semelhantes.

As federações locais que não aplicarem as punições também serão punidas pela Fifa. Assim, a entidade deixa evidente que não vai tolerar atrasos de pagamentos para os jogadores.

É claro que até chegar ao ponto da punição são várias etapas. A primeira é o próprio atleta buscar os seus direitos e fazer o comunicado do atraso, o que nem sempre acontece. De qualquer maneira, a intenção da Fifa é a melhor possível, e a entidade pretende monitorar o que está acontecendo, inclusive no Brasil. Depois de proibir os investidores, agora o objetivo é pegar os caloteiros.

Fonte: GaúchaZH por Eduardo Gabardo

Um novo modelo de patrocínio baseado no desempenho

Claudio Borges detalha a nova estratégia da Anheuser-Busch InBev, dona da Budweiser, que agora irá recompensar suas propriedades esportivas com base na performance.

Publicidade baseada em desempenho é uma forma de publicidade onde marcas ou agências pagam comissões a meios de comunicação apenas quando há resultados mensuráveis.

Na área digital é um modelo possível a partir de 1994 quando os primeiros banners digitais apareceram e em 1996 quando as empresas, como a DoubleClick, surgiram no mercado com ferramentas para medir o retorno em investimentos em publicidade digital.

Desde então, plataformas como GoogleAdWords, Facebook Ads e a Amazon Associates Program vêm possibilitando campanhas mais focadas em um publico-alvo específico e criando ferramentas mais mensuráveis.

A ideia é prover um melhor retorno para marcas através da medição de ações por parte do consumidor e reduzir a incerteza na famosa frase de John Wanamaker: “metade do dinheiro que eu gasto em publicidade é um desperdício, eu só não sei qual metade”.

Enquanto a indústria de publicidade vem evoluindo rapidamente nessa direção, a área de patrocínios esportivos vem ficado para trás. Apesar da compensação por desempenho ser comum na área esportiva, entre times e jogadores (compensação por minutos jogados, bônus por classificações, títulos ou rankings), na área de patrocínios esse ainda é um modelo que está engatinhando. Na minha opinião, rapidamente se tornará norma no próximos anos.

No ultimo mês a empresa Anheuser-Busch InBev, dona da marca Budweiser, se tornou a primeira patrocinadora a adotar um modelo baseado em incentivos para seus acordos com times e ligas.

A patrocinadora surpreendeu a indústria esportiva com a anuncio de um novo modelo de patrocínios que recompensa propriedades esportivas com base na performance do time em campo e com torcedores a cada temporada.

Um dos principais responsáveis em como a empresa gasta seus U$ 365 milhões por ano em patrocínios (de acordo com a consultoria ESP properties) é o brasileiro Joao Chueiri, Vice-Presidente na área de Marketing da Anheuser-Busch InBev.

Os gatilhos de incentivo para seus patrocínios que incluem times de futebol americano (New Orleans Saints), times de baseball (Los Angeles Dodgers), times de basquete (Minnesota Timberwolves) e a NASCAR, variam desde classificação para fases classificatórias a criação de novas plataformas digitais para engajamento com o torcedor e exposição da marca.

De agora em diante todos novos acordos ou renovações de contrato da Anheuser-Busch InBev adotarão o novo modelo. Os indicadores para os incentivos serão determinados caso-a-caso.

Marcas estão a cada vez mais focadas em quantificar o retorno de seus investimentos ou demonstrar que suas parcerias alavancam seus objetivos. Essa tendência se torna cada vez mais forte a medida que marqueteiros precisam demonstrar a seus superiores e conselhos como oinvestimentos em patrocínios apoiam os resultados financeiros.

O modelo de patrocínio esportivo precisa evoluir para proporcionar marcas com maior transparência no retorno de seus investimentos na área esportiva. A adoção do novo modelo por uma das maiores patrocinadoras esportivas no mundo é um grande passo nessa direção.

Ao adotar um modelo baseado em desempenho, tanto na parte esportiva como na área de engajamento com o torcedor, marcas motivam propriedades esportivas a ter um maior interesse no sucesso do patrocinador.

Times, ligas e atletas precisarão estar aptos a adotar essa nova estrutura de pagamento e terão que usufruir da oportunidade em investir em plataformas digitais e sociais para impulsionar o engajamento com o torcedor, bem como aumentar o seu valor diante a patrocinadores.

Fonte: MKTESPORTIVO por Claudio Borges – Executivo de Marketing Esportivo

Estrutura e objetivo (s): componentes fundamentais na construção do exercício de treino

Introdução

Numa era em que é enfatizada a importância do jogador inteligente, capaz de ler o jogo com proficiência e executar com qualidade de acordo com o contexto situacional do jogo, o tema do treinador inteligente continua a ser pouco ou nada debatido. A tomada de decisão do treinador não diz respeito apenas ao modelo de jogo da equipa, às substituições a fazer numa partida ou à gestão das expectativas dos jogadores/praticantes. Uma das tarefas mais decisivas do treinador, ou da equipa técnica se preferirem, é articular a estrutura do exercício de treino com os objetivos definidos, no intuito de promover a aprendizagem do jogo ou melhorar o rendimento em competição. Se a criatividade é fundamental para o jogador inteligente, também não deixa de o ser para o treinador inteligente. Criar um exercício adequado aos objetivos pretendidos é muito mais complexo do que encontrar um exercício «maneirinho» num dos inúmeros livros de exercícios publicados. Assim, o propósito deste artigo é instigar a reflexão sobre o exercício de treino no futebol, tendo por base as suas componentes fundamentais: a estrutura e o(s) objetivo(s).

O que distingue um exercício de treino?

Uma questão premente para qualquer treinador deve ser: como se distingue um exercício fraco de outro que prima pela qualidade? Em primeiro lugar, o exercício tem de possuir uma estrutura: espaço (dimensões/funcionalidade?), recursos humanos (nº de jogadores?; cooperação/oposição?), recursos materiais (bola/balizas/sinalizadores/cones?) e finalidade estratégico-tática. Posteriormente, tem de haver um ou vários objetivos associados à estrutura. A complementaridade entre estas duas componentes é indispensável para determinar a qualidade do exercício de treino: o objetivo permite definir o que se pretende treinar e a estrutura permite dar forma e substância aos conteúdos que o treinador idealiza que se assimilem (figura 1).

Figura 1. Estrutura e objetivo: componentes fundamentais na construção do exercício de treino.

Portanto, objetivo sem estrutura é informe e estrutura sem objetivo é disfuncional. Quando a estrutura e o objetivo não estão em harmonia, o exercício de treino perde intencionalidade e o treinador demorará mais tempo para cumprir a sua missão. Se o treinador identifica lacunas em competição ou no treino, estabelece metas a atingir no microciclo semanal seguinte. A título de exemplo, imaginemos que pretende (1) aumentar a percentagem de passes precisos e (2) potenciar ações de desmarcação em crianças Sub-11, com 3 anos de experiência de prática formal. Ser criativo implica encontrar uma estrutura que induza sucesso na ação de passe e o recurso a desmarcações constantes, respeitando o nível de prática dos miúdos (figura 2).

Figura 2. Exercício exemplo: jogo 3v3 (20x15m), com balizas pequenas laterais.

Ao jogo reduzido/condicionado 3 contra 3 (3v3), em que propomos uma área de jogo individual de 50 m2, incluiríamos os constrangimentos de realizar um mínimo de 3 passes consecutivos para finalizar o ataque, no intuito de fomentar a execução da ação de passe, e a obrigatoriedade de marcação individual, de forma a proporcionar desmarcações constantes. De facto, grande parte do sucesso de um treinador de futebol passa por gerar concordância entre a estrutura e o(s) objetivo(s) do exercício de treino.

A motivação: o extra na qualidade do exercício

A motivação não está exclusivamente dependente da ação do treinador, contudo, é uma variável passível de aumentar os efeitos do exercício de treino. Por isso, o treinador não pode ignorar o impacto que o exercício tem nos seus praticantes. Se é verdade que a lógica do exercício deve assentar na filosofia e na ideia de jogo do treinador, a necessidade de cativar os jogadores para o mesmo é impreterível, pois por muito bom que seja o exercício proposto, se os jogadores não estiverem motivados para concretizar os objetivos, torna-se perfeitamente banal (figura 3).

Figura 3. A motivação potencia os efeitos do binómio «Estrutura – Objetivo(s)» do exercício.

Nos anos 2003 e 2004, quando José Mourinho atingiu pela primeira vez o auge no futebol europeu, era comum ver atribuído o seu sucesso à capacidade psicológica de motivar e de mobilizar os seus jogadores para um determinado fim. Claro que não foi apenas a enorme motivação dos jogadores do FC Porto a determinar o fantástico rendimento em competição, mas decerto que potenciou imenso as opções metodológicas de Mourinho e da sua equipa técnica no processo de treino. Deste modo, quer numa perspetiva de aprendizagem, quer numa perspetiva de rendimento, a motivação dos jovens praticantes ou jogadores para cumprirem o exercício de treino é um extra de inegável valor. O treinador inteligente, ao equacionar a complementaridade das componentes estrutura e objetivo(s), está também a adequar o exercício de treino às características e às necessidades dos jogadores. Em suma, pensar e criar o exercício em função dos praticantes é estimular a motivação para aprender o jogo, desenvolver competências específicas e alcançar, progressivamente, um nível de rendimento superior em competição.

«Por muito bom que seja o exercício proposto, se os jogadores não estiverem motivados para concretizar os objetivos, torna-se perfeitamente banal».

Fonte: Futebol de Formação por Carlos Almeida

Aprendizagem tradicional vs Aprendizagem diferencial

Atualmente, vivemos num mundo cada vez mais tecnológico, cada vez mais desenvolvido, em que é muito mais apetecível para uma criança/jovem ficar fechado em casa a jogar computador ou playstation do que vir para a rua jogar futebol com os amigos. No entanto, não só pelas tecnologias se deixou de ver tantas crianças na rua, mas também pelo facto de terem uma grande sobrecarga escolar (além das aulas, ainda vêm cheios de trabalhos de casa), a qual não lhe retiro qualquer importância, no entanto, esta deveria ser repensada e transformada em algo mais produtivo para o desenvolvimento intelectual das crianças/jovens.

Este fator é muito visível no desenvolvimento, principalmente técnico, dos atletas da formação. Aquela “peladinha” jogada com amigos no mítico ringue da aldeia, que já foi palco de mais finais de Ligas do Campeões do que aquelas que a verdadeira prova conta…aquela “peladinha” que era jogada em terrenos irregulares…aquela “peladinha” com bolas deformadas…aquela “peladinha” com as regras que nós queríamos, aquela “peladinha” que mesmo que estivesse 20-0, quem marcasse ganhava…aquela “peladinha” que faz tanta falta.

Contudo, para colmatar a falta que o futebol de rua deixou, houve a necessidade de criar diferentes estratégias que possibilitem aos atletas de “receber” diferentes estímulos daqueles que recebiam com a aprendizagem tradicional e lhes permitam um melhor desenvolvimento. Ou seja, podemos entender por aprendizagem tradicional uma prática repetitiva do mesmo gesto/movimento durante algum tempo, até que os mesmos sejam interiorizados. Com isto, Wolfgang Schöllhorn, “professor alemão da Universidade de Johannes Gutenberg e “pai” da Teoria da Aprendizagem Diferencial, defende que o atleta não aprender pela repetição e correção dos erros, mas pela adaptação da sua técnica, de forma intuitiva, a um vasto conjunto de problemas e dificuldades.”

Portanto, podemos entender a aprendizagem tradicional como sendo o método repetitivo, onde há uma sistemática repetição de movimentos e gestos pretendidos. Por exemplo, os atletas fazem passes frente a frente, durante 5 minutos, ou os atletas fazem condução de bola entre os cones durante 5 minutos, ou há repetição de uma jogada padronizada durante 5 minutos. Podemos também entender a aprendizagem diferencial como sendo a não repetição do mesmo movimento, em que com o erro, o atleta vai começar a perceber e adaptar, de modo a reduzido o mesmo. Por exemplo, fazer condução de bola durante 3’, sendo que a cada 20’’ se muda o pé, ou a zona de contacto com a bola. Nesta aprendizagem há uma grande variabilidade de movimentos, sendo que se podem manipular algumas variáveis como os objetos, o padrão corporal ou o ambiente.

Na minha opinião pessoal, há vantagens e desvantagens associadas a ambas as aprendizagens. No que respeita à aprendizagem tradicional, a principal vantagem é a aquisição das bases do movimento. Ou seja, se estou a repetir o mesmo movimento durante 5’, deverei conseguir após isto, realizar o mesmo com alguma facilidade. As grandes desvantagens serão que se aprender mal, vou estar sempre a repetir mal e vou ter uma execução errada do movimento/gesto. Também, devido à falta de motivação que uma repetição de movimentos/gestos durante um período longo de tempo provoca, vai ser mais fácil o atleta “desligar” disto e, passados uns minutos, estar a fazer por fazer ou mesmo a não fazer. Para mim, serão estas as principais vantagens e desvantagens da aprendizagem tradicional.

Em relação às vantagens e desvantagens da aprendizagem diferencial, e começando pelas vantagens, serão que devido à grande variabilidade de movimentos, será difícil o atleta “desligar” do exercício, pois há uma grande estimulação cerebral, uma vez que os atletas têm que estar sempre a mudar padrões, formas de colocar o pé, estar atentos à mudança de direção da bola, etc… proporcionando assim um maior número de tempo em atividade do que o proposto na aprendizagem tradicional. Também o facto de proporcionar estímulos aproximados a realidades do jogo ou mesmo a possibilidade de se aproximar de contexto semelhantes aqueles que o futebol de rua oferecia. Em relação às desvantagens, como é uma aprendizagem que se procura que haja erro para que o atleta o percecione e corrija, poderá também o mesmo não ser percecionado pelo atleta e este aprender a fazer de forma errada ou em casos extremos, o atleta não conseguir fazer nenhum transfer daqueles movimentos para o jogo de “futebol normal”.

Portanto, acho que não se deva só aplicar uma aprendizagem tradicional no treino dos escalões de formação, nem só uma aprendizagem diferencial. Acho sim que se deva encontrar um equilíbrio entre ambas as aprendizagens para um melhor desenvolvimento dos atletas.

Na minha perspetiva, a aprendizagem diferencial será o caminho mais correto a seguir no futebol de formação, porque são estímulos de circuito abertos e não fechado. Ou seja, a aprendizagem diferencial proporciona-nos diferentes respostas para o mesmo problema, sendo que a aprendizagem tradicional proporciona uma resposta para um problema. Por exemplo, se um atleta só está habituado a jogar com o pé direito, no momento que tiver que utilizar o pé esquerdo, não irá conseguir ou irá realizar mal o movimento. Outro exemplo poderá ser a tradicional realização de passes frente a frente, coisa que raramente deverá acontecer num jogo, pois há sempre jogadores à volta e o ambiente é diferente de treino para jogo.

Não querendo dizer que a aprendizagem tradicional será um método errado para implementar, no entanto, como supra mencionado, a aprendizagem diferencial poderá ser mais benéfica para aplicar no futebol de formação por oferecer outros estímulos que a aprendizagem tradicional não oferece.

Como todos nós sabemos, o Ajax desde sempre foi uma das melhores escolas, senão a melhor escola de formação da Europa. Então, pegando nesta analogia, recentemente saíram algumas notícias de que o Ajax estava a mandar os atletas da formação para as rotundas e para a rua jogar futebol com vista a proporcionar diferentes estímulos. No entanto, não só o Ajax aplica este tipo de aprendizagem, mas também Liverpool e Borussia Dortmund têm vindo a aplicar nos escalões séniores.

Exemplos de variações:

Variações corporais (jogar com os braços cruzados, jogar com um braço à frente e outro atrás, jogar com as mãos dentro dos calções, jogar a ser agarrado por um colega, etc…);

Variações dos objetos (jogar com bolas mais pequenas, bolas de râguebi, bolas furadas, garrafões de água, caixas, etc…)

Variações do ambiente (jogar em terra batida, jogar na praia, jogar em terrenos com descidas/subidas,etc…)

Qual será então o verdadeiro transfer que isto poderá ter para um jogo de futebol 7×7, 9×9 ou 11×11? Vamos supor que numa disputa de bola, o atleta ganhou e está a ser puxado pelo braço. Então, como em treino o atleta já teve uma experiência idêntica a esta, será mais fácil para ele responder positivamente a este estímulo. Jogar com uma bola mais pequena fará com que tenha que aprender a conduzir melhor a bola e a ter mais contactos com a mesma, por exemplo. Portanto, há também que pensar no que é que as alterações poderão ajudar o atleta a melhorar.

No entanto, a aprendizagem diferencial não virá resolver todos os problemas, nem a sua aplicação será sempre tão linear quanto o pretendido. Será preciso implementar, experimentar, criar hábitos e por fim, obter o pretendido.

Por fim, e para terminar, a minha opinião será que o atleta deverá receber estímulos tanto pela aprendizagem tradicional como pela aprendizagem diferencial, no sentido de obter algumas bases com a aprendizagem tradicional e, posteriormente, ter sucesso com a aprendizagem diferencial.

Fonte: Futebol de Formação por Pedro Pinho