Da Iniciação à Alta Competição: Formação integral do futebolista

Começo o meu contributo para o Futebol de Formação (FDF) por fazer uma análise geral sobre aquilo que deverá ser o foco de intervenção e conteúdos concretos de quem trabalha em futebol de formação.
O primeiro ponto essencial é percebermos qual o principal objetivo do futebol de formação. Tal como indica o nome e tendo em conta que estamos a falar de futebol e de formação, teremos que afirmar que o principal objetivo é a formação de futebolistas na sua plenitude no que se refere às suas competências técnicas, táticas, físicas, psicológicas e sociais para o futebol sénior em determinado contexto. É dentro do âmbito do desenvolvimento do futebolista que irei desenvolver esta minha primeira crónica.

A formação de um futebolista deverá ser integral. Parto do princípio que por trás de um grande atleta, está um grande homem. Aliado a isto teremos de considerar que nem todos os atletas de formação se tornarão atletas no futebol sénior, aspeto ao qual é impossível fugir. Desta forma considero que a formação integral de um futebolista está na virtude do desenvolvimento da formação em três grandes vetores:
1- Formação Intelectual/Escolar
2- Formação Social, Moral e do Caráter
3- Formação Física e Desportiva.

Figura1
Figura 1 Os três vetores da Formação Integral do Futebolista

1- Formação intelectual/Escolar.
Relativamente a este vetor é fundamental a ligação a estabelecer entre escola e clube. Uma academia de futebol deverá ter a preocupação em que os seus atletas tenham a capacidade de conciliar futebol com escola. Sem abdicar de nenhum deles, deverão existir intervenientes num clube de futebol que ajudem os atletas a organizarem o seu tempo junto dos pais e junto das pessoas que tutelam o seu desempenho nas escolas. Neste âmbito a comunicação é fundamental e deverá ser da responsabilidade de um gabinete psicopedagógico que nos dias de hoje poderá ser um aspeto fundamental de desenvolvimento de uma academia. A grande importância da Formação Intelectual/Escolar para o futuro dos atletas tem a ver com:
– Dar aos atletas ferramentas para poderem seguir uma vida fora da carreira do futebol, uma vez que apenas uma pequena percentagem chega ao futebol profissional e uma percentagem ainda mais pequena chega ao mais alto nível
– Dar aos atletas ferramentas a serem utilizadas no dia em que a carreira de futebolista terminar.

Figura2
Figura 2 Relação Atletas Formação e Atletas Profissionais

2- Formação Social, Moral e do Caráter.
Passando agora para a Formação Social, Moral e do Caráter é importante se definir qual a linha a seguir. Percebermos quais os valores que o futebol representa. Penso ainda que a este nível a reflexão deveria passar pelas entidades que tutelam o futebol no país e definir normas e maneiras de estar no futebol. Ser criada uma cultura do futebol português e formas de punir com quem não seguisse com as normas, definirem um regulamento interno e serem rigorosos no seu cumprimento.
Aceitarmos que uma criança só será um bom adulto se for uma criança feliz. Percebermos que há valores que não poderemos deixar de lado na formação de um atleta, nomeadamente o companheirismo, desportivismo, fair-play, amizade, competitividade, ambição. É fundamental que os agentes que trabalham no futebol de formação percebam que há valores e regras a cumprir que são mais importantes do que vencer o jogo, uma vez que podem ser transmitidos para a vida do futebolista. Para que isto seja possível há dois pontos muito importantes a investir:

– Ética dos Treinadores. Os clubes também aqui devem seguir normas de comportamento e de “saber estar”. É necessário deixar de valorizar os resultados desportivos na formação, usando-os como meios de formação dos atletas e das equipas e não como fins. Isto é, o treinador deverá usar o resultado desportivo como meio de motivação e incentivo para os jogadores que deverão ver o jogo como momento de avaliação da sua evolução. As regras e as lições de moral que poderemos dar aos jogadores podem vir a ser mais importantes para a sua formação do que a vitória num jogo.

– Ética dos Pais. Cada vez mais se justifica que os clubes tenham pessoas especialistas a lidar com esta temática. Eventualmente a criação de um gabinete de apoio seja fundamental para tratar dos casos mais complicados e para transmitir aquilo que é a forma de estar de um pai que quer o melhor para o seu filho. Que tipos de preocupações deverá ter um pai? Que tipo de incentivos deverá dar um pai a um filho? Tudo isto são questões que influenciam a Formação Social, Moral e de Caráter dos atletas.

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Figura 3 Comportamentos dos Pais e Treinadores (referências) influenciam comportamento dos Atletas

3- Formação Física e Desportiva
Por fim, o ponto da Formação Física e Desportiva.
O aspeto fundamental nesta área é definir o conjunto de conteúdos e competências que deveremos ensinar aos nossos atletas. Este conjunto de competências, por um lado deverá ser bem definido e restrito para os atletas aprenderem o modelo de jogo que se pretende para o clube. Por outro lado, este modelo deverá ser alargado o suficiente para criarmos jogadores com capacidade de adaptação a diversos contextos, com armas para poderem jogar de várias formas diferentes e com um desenvolvimento atlético geral que lhe permita suportar as exigências físicas e mentais da competição e do futebol federado.

Figura4

Figura 4 Componentes da Formação Física e Desportiva do Jogador de Futebol

De acordo com o esquema apresentado, na minha opinião este vetor da formação do jogador de futebol tem uma grande componente central: Princípios do Modelo de Jogo. O jogo é o centro de tudo, não é mais importante que as qualidades técnicas, físicas, psicológicas, porém estas qualidades fazem sentido apenas dentro daquilo que é o modelo de jogo, o futebol coletivo.
Numa lógica de formação, e tendo em conta o futebol sénior que é caraterizado por um clima de incerteza acentuada (constantes mudanças de treinador, várias formas de jogar, jogadores trocam de clubes constantemente), penso que este modelo de jogo deverá ser aberto e apresentar múltiplas soluções aos atletas. Ou seja, não deverá ser aprendido apenas um sistema e a forma de jogar deverá ter alguma variabilidade, deverá ser dada enfase a vários micro-princípios que estejam ligados e que sejam a forma de chegar aos mesmos macro-princípios de formas diferentes. Talvez possa dizer que o Modelo de Jogo no futebol de formação deverá ser mais estável (e não estático…) a nível de macro-princípios, mas variável ao longo do tempo no que toca a meso-princípios e micro-princípios, de forma a que os atletas ganhem mais armas para chegar ao mesmo fim.
As ações técnicas individuais deverão ter uma grande incidência na aprendizagem nos escalões mais baixos e deverá ter uma componente geral numa fase inicial e, mais à frente, começam a fazer sentido apenas em ligação com os princípios do modelo de jogo.
Passando para os princípios gerais (ex. º: procuram superioridades numérica, evitar inferioridade numérica…) e específicos (ex. º: contenção, coberturas…) estes servem como a base para dar sentido ao jogo de futebol e assumem especial relevância na formação do jogador. Sem eles dificilmente o atleta compreenderá o jogo e conseguirá adquirir os princípios específicos do modelo de jogo com os quais estão constantemente em estreita ligação.
As capacidades psicológicas são o suporte emocional que um indivíduo necessita desenvolver para poder chegar cada vez mais longe e suportar as exigências da alta competição. Os atletas têm um perfil psicológico variado, contudo existem capacidades que devem ser comuns como a capacidade de trabalho, a ambição e a competitividade.
As ações técnico-tácticas coletivas (desmarcações, dobras, desdobramentos, permutas) são também desenvolvidas dentro daquilo que é o modelo de jogo, havendo uma estreita relação entre si. Contudo fazem parte do desenvolvimento geral do jogador de futebol.
Por fim o desenvolvimento das capacidades físicas como a resistência, força, velocidade, coordenação e flexibilidade que têm sempre associada uma expressão fisiológica devem ser desenvolvidas de uma forma transversal ao longo do percurso de formação do jovem. As idades sensíveis para desenvolvimento de cada capacidade devem ser respeitadas sob consequência de se perder a janela temporal de podermos dar alguns recursos aos atletas.
Existe também uma componente de desenvolvimento motor harmonioso com o objetivo de prevenção de lesões associado a estas capacidades físicas, para além do objetivo de melhoria do rendimento desportivo (tornar os atletas mais resistentes, mais velozes, mais fortes) de forma a poderem cumprir ou acrescentar algo àquilo que é o modelo de jogo da equipa. Digamos que servem para dar mais armas aos atletas para poderem colocar ao serviço da equipa.

Figura5

Figura 5 Continuidade e avaliação ao longo do processo
Aproveito para concluir com dois aspetos fundamentais representados pela imagem anterior.

A questão da continuidade. A formação é um processo de vários anos onde a palavra
continuidade deverá estar sempre presente. Contudo acrescento outra ideia: O processo de formação não deve ser igual em todos os escalões. Deve antes ser complementar e deve-se completar de forma complexa, em que os conteúdos de um escalão servem de base para os conteúdos dos escalões seguintes.
O segundo aspeto refere-se com a forma de avaliação e monitorização de todo este processo que poderá ser tema de artigos futuros deste site. Hoje em dia muitos clubes trabalham, mas não avaliam ou avaliam pouco. Sem avaliar estamos sempre sujeitos à falha humana e a erros metodológicos no treino. É necessário avaliar, refletir, colocar os atletas a refletirem de forma a potenciarem os seus pontos fortes e minimizar os seus pontos fracos.

Fonte: Futebol de Formação por Filipe Antunes

Chega de saudosismo! Romantizar o passado impede o futebol brasileiro de olhar pra frente

A queda da seleção sub-20 no Sulamericano deu voz ao saudosismo e prega uma volta ao passado. Mas que passado é esse?

A desclassificação da seleção sub-20 ao Mundial deu voz a uma ideia comum no Brasil em derrotas no futebol: o clamor pelo passado. Frases como “não há mais talentos como antigamente”, “ninguém mais sabe driblar” e “o futebol moderno destruiu os craques” tecem uma rede de clichês de raciocínio simples: o futebol brasileiro é gigante por natureza e era melhor no passado.

Craques desfilavam em campo, estádios estavam sempre lotados e o jogo era belo e artístico. Se tudo era melhor antigamente, basta podar aquilo que se apresenta como moderno para retomar a vitória: menos ciência, mais empirismo. Menos estudiosos, mais boleiros. Menos tática, mais alegria. Conservar ao invés de progredir. Voltar às origens.

Um rápido resgate mostra que essa visão mal-humorada, crítica e agressiva com o futebol é uma constante há pelo menos 70 anos. A seleção já não agradava a ninguém em 1970, ano do tri-campeonato mundial no México. O teor das críticas antes da Copa eram as mesmas de hoje: não há time titular, o treinador escala errado, convoca errado…

E o futebol moderno, que robotiza os jogadores e deixa o jogo chato? Já aprontava das suas em 1973, quando essa reportagem denunciava: a retranca vai acabar com o jogo! O discurso é o mesmo: a tática aprisiona o talento, deixa o jogo quadrado, tira a arte e a beleza. Não fazia nem 3 anos que o Brasil chegara em seu auge e já se reclamava…

E aqui, três anos antes da primeira conquista mundial de 1958, que a Folha de São Paulo relata que o futebol europeu estava progredindo mais que o sulamericano?

Se o Brasil é realmente o país do futebol e o passado era muito melhor que o presente, porque os relatos desse mesmo passado soam exatamente como hoje?

Porque a ideia de que o futebol brasileiro é o melhor do mundo, na prática, nunca existiu. O futebol romântico e talentoso como imaginamos é uma construção. O país passava por mudanças na década de 1930. Oligarquias perderam o poder no governo Vargas. A escravidão havia terminado há 40 anos. O país era pobre, desestruturado e desigual. Era preciso criar um sendo de unidade. Algo positivo, que justificasse a desestrutura da sociedade e amenizasse tensões raciais num momento onde imigrantes da Europa e negros, filhos de ex-escravos, estavam à margem da sociedade. 

O futebol cai como uma luva nesse propósito na Copa de 1938. Foi o sociológo Gilberto Freyre, no artigo “Football Mulato”, que descreve o “jeito brasileiro de jogar” como alegre e artístico. O “mulato malandro”, vindo das ruas, seria capaz de superar a estrutura do europeu. Ele era alegre, ousado, criativo. Ele “driblava as adversidades” , termo que importamos para o cotidiano. Nasce daí a ideia que o talento e o individual superam tudo num país desestruturado e profundamente desigual. 

A romantização da esculhambação

A pior mazela do futebol brasileiro é a romantização da esculhambação. Se o talento e a malandragem resolvem problemas complexos, não há a necessidade de processos e estruturas no futebol. Treinar pra quê, se o craque faz tudo? Tempo para montar a equipe pra quê, se basta ter qualidade técnica. Estrutura na base? Moleque tem é que sofrer, jogar como se estivesse na rua, “sentir o jogo”. Não! Meninos de base precisam de salário em dia, estrutura, estudo. Precisam de processo, com início, meio e fim. Precisam sentir o jogo dentro de campo, não sentir fome fora dele.

Ao criar uma suposta superioridade frente ao europeu por questões genéticas e raciais, a ideia de Freyre também estabeleceu uma régua impossível de ser atingida: a de que o futebol brasileiro sempre é favorito. Tudo que não for vitória é zebra. Toda Libertadores ou Estadual é a mesma coisa. Nasce daí o clientelismo do torcedor, que vai ao estádio não para apoiar o time, mas em troca unicamente da vitória. As direções reprisam o comportamento: demitem sem critério e contratam sem convicção esperando o encaixe ou a boa fase. O brasileiro nunca acreditou em processo porque sempre achou que as coisas acontecem por vontade divina (caem do céu) ou são feitos individuais (a ideia do sebastianismo).

Até as próprias iniciativas de inovação que o Brasil teve – e foram muitas! – ficaram em segundo plano por essa cultura. A principal aconteceu em 1968, quando João Saldanha reuniu técnicos e preparadores para pensar o futebol brasileiro e preparar terreno para mais conquistas após o vexame na Copa de 1966. O diagnóstico era o mesmo de hoje: faltava estrutura nos clubes, profissionalismo e formação de base. Falcão foi chamado para a seleção em 1990 com o mesmo intuito. Mano Menezes também, em 2010. Todos demitidos.

O futebol brasileiro não precisa de menos ciência. Não precisa de menos tática. O Barcelona não meteu 4 a 0 no Santos e a Alemanha não fez 7 a 1 porque driblaram mais. Mas sim porque confiaram em processos, na ciência e num mínimo de razão. Precisamos de mais estrutura, mais investimento na base, mais pedagogia de rua. Mais pessoas com coragem de mudar ideias antigas. Porque achar que tudo era melhor antigamente impede de nos ver o que importa: o futuro.

Fonte: Painel Tático – Globo Esporte por Leonardo Miranda

Jogos Reduzidos no treino de futebol

UTILIZAÇÃO DE JOGOS REDUZIDOS NO TREINO DE FUTEBOL: “HÁ RELAÇÕES ENTRE O COMPORTAMENTO TREINADO E O OBSERVADO NO CONTEXTO COMPETITIVO?

O jogo de Futebol é caracterizado por sua natureza essencialmente tática, o que significa que os jogadores têm de adaptar constantemente suas ações às diversas demandas situacionais apresentadas pelo jogo a cada instante. Devido a essa característica, os jogos reduzidos têm sido amplamente utilizados em treinamentos com o intuito de simular cenários específicos do jogo e, consequentemente, induzir o jogador a adaptar seu comportamento, de modo a perceber as características do ambiente (ex.: espaço disponível, posições e movimentos dos companheiros e adversários) em um determinado instante e agir de maneira mais eficaz ao deparar-se com situações semelhantes em uma partida [1].

Para isso, diversos estudos publicados em periódicos científicos especializados têm investigado o efeito de diferentes configurações de jogos reduzidos, tanto em relação ao número de jogadores envolvidos (ex.: 3×3, 4×3, 6×4, etc.), quanto nas dimensões da área utilizada para a atividade (ex.: 10x15m, 20x25m, etc.), com o intuito de verificar de que forma essas alterações afetam o comportamento e o desempenho dos jogadores em cenários diversos [2–4]. É importante ressaltar, no entanto, que apesar de diversos destes estudos terem verificado mudanças nas dinâmicas comportamentais dos jogadores em função das diferentes alterações aplicadas aos jogos reduzidos, não se pode afirmar com convicção que as características relacionadas ao comportamento tático verificadas nas atividades de jogo reduzido são similares às observadas no contexto de uma partida formal (11×11).

Neste sentido, um estudo publicado recentemente pelo Núcleo de Pesquisa e Estudos em Futebol (NUPEF), juntamente com colabores de Portugal e Inglaterra (link para acesso gratuito ao artigo: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyg.2018.02550), indica, baseado na leitura e análise de resultados de diversos artigos científicos, que alguns comportamentos (ex.: padrões de movimentação) observados em jogos reduzidos não se assemelham àqueles verificados em jogos de 11×11 [5]. Por exemplo, Frencken e colaboradores analisaram, em dois estudos distintos, o padrão de comportamento de jogadores, a partir da variabilidade da movimentação dos “centroides” das equipes (posição média dos jogadores de linha de uma equipe em um dado instante) em um jogo com configuração 4×4 e em uma partida competitiva [6,7]. A partir da análise dos resultados de ambos os estudos pode-se inferir que a movimentação dos centroides das equipes possui padrões diferentes, se comparadas as situações em jogo reduzido e em partida competitiva. Na situação de jogo reduzido, observou-se que os centroides se cruzaram na maior parte das oportunidades de gol, enquanto no jogo formal os centroides das duas equipes envolvidas não apresentaram essa característica, ou seja, a hipótese de que as equipes tendem a aglomerar-se próximas à baliza onde uma oportunidade de gol está ocorrendo ou sendo concluída foi confirmada somente em situações de jogo reduzido.

Em suma, percebe-se a necessidade de estudos que analisem jogos formais (11×11) de futebol a partir da utilização de variáveis que permitam que treinadores e pesquisadores possam assegurar-se da representatividade de uma atividade de treino que visa simular uma situação real de jogo, através da comparação do comportamento observado na tarefa em jogo reduzido e em cenário similar no contexto competitivo. Essa representatividade pode ser assegurada a partir da análise do nível de “fidelidade da ação” [8], através da medida e comparação de dados de comportamento e desempenho táticos (ex.: porcentagem de ações corretas de determinados princípios táticos fundamentais [9]) entre a situação do jogo formal que se deseja reproduzir e a atividade de jogo reduzido pretendida. O intuito de garantir a representatividade de uma atividade de jogo reduzido é, obviamente, de que o treinador tenha certa segurança de que os padrões de comportamento que pratica com seus jogadores no treino sejam reproduzidos com a mesma eficiência nas competições.

REFERÊNCIAS

[1]    Aguiar M, Botelho G, Lago-Peñas C, Maçãs V, Sampaio J. A Review on the Effects of Soccer Small-Sided Games. J Hum Kinet 2012;33:103–13.

[2]    Owen A, Twist C, Ford P. Small-sided games: the physiological and technical effect of altering pitch size and player numbers. Insight 2004;7:50–3.

[3]    Castelão D, Garganta J, Santos R, Teoldo I. Comparison of tactical behaviour and performance of youth soccer players in 3v3 and 5v5 small-sided games. Int J Perfomance Anal Sport 2014;14:801–13.

[4]    Dellal A, Owen A, Wong DP, Krustrup P, van Exsel M, Mallo J. Technical and physical demands of small vs. large sided games in relation to playing position in elite soccer. Hum Mov Sci 2012;31:957–69. doi:10.1016/j.humov.2011.08.013.

[5]    Santos R, Duarte R, Davids K, Teoldo I. Interpersonal Coordination in Soccer: Interpreting Literature to Enhance the Representativeness of Task Design, From Dyads to Teams. Front Psychol 2018;9:1–6. doi:10.3389/fpsyg.2018.02550.

[6]    Frencken W, Lemmink K, Delleman N, Visscher C. Oscillations of centroid position and surface area of soccer teams in small-sided games. Eur J Sport Sci 2011;11:215–23. doi:10.1080/17461391.2010.499967.

[7]    Frencken W, Poel H de, Visscher C, Lemmink K. Variability of inter-team distances associated with match events in elite-standard soccer. J Sports Sci 2012;30:1207–13. doi:10.1080/02640414.2012.703783.

[8]    Stoffregen TA, Bardy BG, Smart LJ, Pagulayan R. On the Nature and Evaluation of Fidelity in Virtual Environments. In: Hettinger LJ, Haas MW, editors. Virtual Adapt. Environ.  Appl. Implic. Hum. Perform., Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates, Inc.; 2003, p. 111–28.

[9]    Teoldo I, Guilherme J, Garganta J. Para um futebol jogado com ideias: Concepção, treinamento e avaliação do desempenho tático de jogadores e equipes. 1st ed. Curitiba: Appris; 2015.

Fonte: Load Control por Prof. Ms. Rodrigo Santos

Formação ou Deformação?

Nos dias que correm, é consensual a importância do Futebol, como um meio de proporcionar aos jovens um desenvolvimento/formação multilateral e harmonioso, bem como um modo de os afastar de determinados malefícios bem presentes no nosso quotidiano.

Mas a prática do Futebol, não é o suficiente para termos no futuro Homens bem formados, sociáveis, cumpridores e respeitadores das leis e regras da sociedade. A um jovem praticante de Futebol, não é apenas necessário ensinar-lhe as regras, os gestos técnicos e as acções tácticas, é necessário sobretudo incutir-lhe valores que o orientem e auxiliem na sua própria vida.

Em suma, o Desporto deve ser utilizado como um forma de educar e formar.

Contudo, assistimos por vezes à desvalorização desse carácter educativo e formativo do Desporto, onde observamos atitudes pouco abonatórias para essa mesma formação. E são essas atitudes que irão ser consideradas como padrão por esses mesmos jovens, quer no Futebol, quer no seu dia-a-dia.

É por esta razão que quando ouço falar em formação, ou conceitos associados, opto por uma postura renitente, pois por vezes assistimos não à formação mas sim à
“deformação” de jovens atletas.

É com a constatação destas situações, que julgo que a palavra formação, tem sido utilizada de forma muito leviana, formação é muito mais que um “Chavão” bonito de aplicar, é um conjunto de princípios a que todos os agentes desportivos terão que obedecer. Entre os quais se destacam:

  • O jovem atleta não é um adulto em miniatura, sendo errada na maioria das vezes comparações, adaptações e transferes do desporto sénior para actividade desportiva do jovem;
  • Não colocar os “interesses” dos dirigente/treinadores/pais à frente dos objectivos e motivações do jovem;
  • No processo de formação do atleta, há que respeitar e conhecer o seu processo de maturação, pois existem fases ideais para o desenvolvimento de determinadas capacidades e habilidades;
  • Todo o processo de treino, deverá ser orientado pela diversidade de estímulos e experiências, evitando deste modo a especialização precoce;
  • Promover os valores do espírito desportivo e fair-play, respeitando as regras, os árbitros, os colegas e os adversários;
  • Incutir o gosto e o prazer de praticar uma actividade desportiva;

Com estas pequenas observações e princípios, pretendo deixar um documento orientador para uma formação correcta e equilibrada dos nossos jovens, Homens do amanhã.

Formação sim! Mas com qualidade.

Fonte: Futebol de Formação por Filipe Pereira