A importância das emoções no treino…

Sabemos desde sempre que as emoções estão ligadas às nossas memórias.

Quantos de nós tem maior facilidade em se lembrar mais de uns eventos ou de outros, de acordo com o nível emocional que esse evento teve?

Segundo entrevista a Francisco Mora, especialista em Neuroeducação, temos o seguinte texto

(poderás ver toda a entrevista em: https://www.revistaprosaversoearte.com/o-cerebro-precisa-se-emocionar-para-aprender-francisco-mora/)

ENTREVISTA

Sobre a Mudança no Ensino

Hoje estamos começando a saber que ninguém pode aprender qualquer coisa se não estiver motivado. É necessário despertar a curiosidade, que é o mecanismo cerebral capaz de detectar a diferença na monotonia diária.

Presta-se atenção àquilo que se destaca. Estudos recentes mostram que a aquisição de conhecimentos compartilha substratos neuronais com a busca de água, alimentos e sexo. O prazeroso.

Por isso é preciso acender uma emoção no aluno, que é a base mais importante sobre a qual se apoiam os processos de aprendizagem e memória. As emoções servem para armazenar e recordar de uma forma mais eficaz.”

Sobre Estratégias para ter mais Atenção

Deve-se começar a aula com algum elemento provocador, uma frase ou uma imagem que seja chocante. Romper o esquema e sair da monotonia. Sabemos que para um aluno prestar atenção na aula não basta exigir que ele o faça.

A atenção deve ser evocada com mecanismos que a psicologia e a neurociência estão começando a desvendar. Métodos associados à recompensa, e não à punição. Desde que somos mamíferos, há mais de 200 milhões de anos, a emoção é o que nos move.

Os elementos desconhecidos, que nos surpreendem, são aqueles que abrem a janela da atenção, imprescindível para a aprendizagem.

Sobre o Tempo de Duração da Atenção

(…) os professores devem quebrar a cada 15 minutos com um elemento disruptor: uma anedota sobre um pesquisador, uma pergunta, um vídeo que levante um assunto diferente…

Há algumas semanas, a Universidade de Harvard me encarregou de criar um MOOC (curso online aberto e massivo, na sigla em inglês) sobre Neurociência. Tenho de concentrar tudo em 10 minutos para que os alunos absorvam 100% do conteúdo. Nessa linha irão as coisas no futuro.

(…) Nada pode substituir o lento e difícil processo do trabalho e da disciplina quando se trata de aumentar as capacidades intelectuais. Além disso, o cérebro utiliza todos os seus recursos a cada vez que se depara com a resolução de problemas, com processos de aprendizagem ou de memória.

Sobre o MITO dos 2 Hemisférios : Direito e Esquerdo

(…) extrapolou-se a ideia de que há crianças com predominância de cérebros direitos ou esquerdos e criou-se o equívoco, o mito, de que há dois cérebros que trabalham de forma independente, e que se tal separação não for feita na hora de ensinar as crianças, isso as prejudica.

Essa dicotomia não existe, a transferência de informações entre os dois hemisférios é constante. Se temos talentos mais próximos da matemática ou do desenho, isso não se refere aos hemisférios, mas à produção conjunta de ambos.

ADAPTANDO À PERIODIZAÇÃO DO TREINO,

À METODOLOGIA E AO ENSINO DO TREINO

Resumo de ideias principais para a #periodizaçãoSituacionaleTransformacional, com aplicação prática:

  • “ninguém pode aprender qualquer coisa se não estiver motivado”

PST | Aplicação de um modelo eficaz de comunicação antes de iniciar o treino definindo qual a convição que se vai treinar. Convição ligada aos Valores da Equipa que está incluída no Objetivo de Época.

  • “despertar a curiosidade”

PST | Aplicação de um modelo eficaz de comunicação antes de iniciar o Exercício que estimula problemas concretos da prática através de perguntas.

  • “as emoções servem para armazenar e recordar de uma forma mais eficaz”

PST | Aplicação de uma estratégia de treino eficaz para assimilar competências, treinando para ganhar, treinando sobre pressão de tempo/ espaço, com condicionantes de urgência e de escassez, entre muitas outras.

  • “começar a aula com algum elemento provocador”

PST | Aplicação de um modelo eficaz de exercício que provoca problemas nos quais os atletas terão que resolver.

  • “métodos associados à recompensa, e não à punição.”

PST | Aplicação de um conjunto eficaz de condicionantes nos exercícios que favoreçam a recompensa do comportamento e não a punição (como por exemplo: dar mais de 2 toques a bola vai para a outra equipa.)

  • “quebrar a cada 15 minutos com um elemento disruptor”

  • “concentrar tudo em 10 minutos para que os alunos absorvam 100% do conteúdo”

PST | Aplicação de um modelo de transição entre exercícios de forma eficaz que proporcione o ciclo de treino comportamental:

  1. sub-sub-problema-»prática -» reflexão -» repetição -» QUEBRA-TRANSIÇÃO

  2. sub-problema -»prática -» reflexão -» repetição -» QUEBRA-TRANSIÇÃO

  3. problema -»prática -» reflexão -» repetição -» QUEBRA-TRANSIÇÃO

    • “o cérebro utiliza todos os seus recursos a cada vez que se depara com a resolução de problemas”, “o mito, de que há dois cérebros que trabalham de forma independente”

    PST | Aplicação de uma estratégia de treino manuseando os constrangimentos ambientais e os constrangimentos da equipa adversária, provocando em vez de respostas, descobertas e insights.

    IDEIAS GERAIS

    As emoções funcionam como “receptivas e fixadoras” de conteúdos que queremos que sejam fáceis de assimilar.

    Então torna-se importante não treinar a tática pela tática, nem a estratégia pela estratégia, o físico pelo físico, mas antes treiná-los em regimes emocionais ajudando a “incorporar essa memória conteúdo-corpo” que os leva a assimilação muitas vezes sem consciência.

    Cabendo depois ao treinador, tornar essa consciência “viva”, através de insights, para que o atleta possa fazer a escolha de reproduzir as “memórias incorporadas” nos momentos em que a sua percepção durante a competição, associe essa resposta como ACÇÃO

    no ciclo de PE(E)RCEPÇÃO –» ACÇÃO.

    Fonte: TreinadorPro.Com por Carlos M Silva

    Jogar o próximo instante

    Uma das atitudes mais promissoras para um jogador de futsal é antecipar mentalmente o que ainda não aconteceu. Trata-se de jogar o “próximo instante”. Isso lhe dá uma enorme vantagem competitiva. Por exemplo, quem joga “no futuro”, antecipando as intenções dos seus colegas e dos adversários, seleciona o momento e lugar certos para concluir um ataque ou evitar um gol, recuperar uma bola ou interceptar um passe, dar um passe decisivo ou de contenção…

    Se há uma virtude que me impressiona é esta! Em alguma medida, todos os jogadores de bom nível jogam antevendo. Mas há alguns que são proeminentes nisso.

    Isso posto, fica a questão: é possível treinar essa atitude ou ela nasce com o jogador? Ela é treinável, adquirida, consequência de treino, de envolvimento, de experiências. Muitas horas de treino serão necessárias para aprimorá-la.

    Perceber é agir

    Aliás, as capacidades de perceber-antever são singulares, porque alicerçadas na experiência. Daí os jogadores perceberem-anteverem distintamente. Por que um jogador percebe mais que o outro? Por que um jogador antevê mais que o outro? Precisamos olhar para sua biografia para compreender. Retrospectivamente.

    Aliás, perceber, o mesmo que identificar, já é antever, o mesmo que antecipar, que já é decidir, o mesmo que selecionar, que já é agir.

    Mauro Maldonato, num belíssimo livro intitulado “Na hora da decisão: somos sujeitos conscientes ou máquinas biológicas?” (Editora Sesc São Paulo), que você deveria ler, reporta que “… a percepção, mais do que uma elaboração de nossas sensações, seria uma simulação antecipada da ação”.

    Cérebro prospectivo

    Esse mesmo autor nos lembra que embora seja “[…] opinião comum que no esporte as melhores performances estariam associadas à técnica, ao talento, à resistência ou à força do atleta. Hoje, pesquisas cada vez mais numerosas mostram o papel central desempenhado também pelas velocidades de percepção, reação, decisão e, sobretudo, antecipação”. Concordo intuitivamente com isso (embora acredite nas pesquisas!). Isso porque constato o quanto os jogadores que antecipam mais e melhor ganham vantagens competitivas para as suas equipes. Não duvide: o nosso cérebro atua no futuro. Para o Maldonato: “Mais do que uma máquina reativa, nosso cérebro revelou-se uma máquina preditiva, que formula hipóteses, prevê as consequências das ações, joga por antecipação”.

    Treinar o próximo instante

    Um dos desenhos de treino que adoto com crianças, a partir dos 8,9 anos, para provocar esse comportamento, inclui dividi-las em dois grupos (3X3) e estabelecer que a meta, que será defendida por dois goleiros, corresponda a extensão da linha de fundo. Isso mesmo! A meta terá entre 17 e 20 m, dependendo da largura da quadra.

    Joga-se 3×3. O gol pode ser feito por toda a extensão da linha de fundo, ou seja, de um escanteio ao outro.

    Nesse tipo de jogo, e em outros dessa natureza, por conta de se poder fazer o gol numa “meta tão larga”, os jogadores que atuam na última linha defensiva são “obrigados” a anteciparem a trajetória da bola para terem chances de evitar o gol. Jogar o próximo instante. Essa é a atitude e a resposta ao maior desafio do jogo, que seria adivinhar/antever/prever “aonde a bola será chutada”.

    Adicione aí que os defensores não são “goleiros” de fato e que todas as crianças deveriam passar por essa função no jogo. Há aí um apelo à atitude de realizar coberturas. Mas ela é tanto mais possível quanto mais assertiva for a atitude de antecipar mentalmente aonde a bola poderá ser chutada. Ou seja, a “habilidade está toda na cabeça”. Jogadores que antecipam, que anteveem, costumam obter êxito nesse jogo na difícil tarefa de proteger a meta.

    Esse jogo aguça, igualmente, o sentido defensivo dos jogadores de linha, que sabem que é bastante provável que tomem o gol se não pressionarem a bola ou forem driblados, e o sentido ofensivo dos jogadores de linha, que sabem da vantagem que têm para finalizar, mas que se perderem a bola dificilmente deixarão de tomar o gol na transição defensiva.

    Fortaleça a diferença

    Prepare seus jogadores, desde cedo, para jogarem o próximo instante. Isso é essencial para quem compete. Não se engane: “é em situações extremamente competitivas que o jogo por antecipação faz diferença”.

    Fonte: Pedagogia do Futsal por Wilton Santana

    Crianças se aposentam da carreira esportiva em campanha contra pressão extrema para o sucesso

    Comerciais da ESPN chamam atenção do público para a informação de que cada vez mais crianças estão largando o esporte por excessos na busca pelos próximos astros e gênios esportivos

    Astros do esporte hoje nascem cedo no meio, e clubes, patrocinadores e – principalmente- pais sabem muito bem disso. Não à toa, vemos em todos os lugares do mundo milhares de crianças sendo inscritas em diversos tipos de programas esportivos para desenvolver habilidades que quem sabe se convertam num novo prodígio em que modalidade for, mas é claro que apenas alguns irão se revelar um gênio da bola, natação, corrida e etc. enquanto outros… bem, outros irão se mostrar apenas crianças normais com uma saúde pra lá de boa.

    O problema é que tem pai e mãe que não percebe isso e resolve dobrar a aposta no filho para ele estourar no meio esportivo, e aí chega-se neste cenário do mundo de hoje onde é normal ver atletas explodindo perante tanta pressão para ser um sucesso. E de acordo com um estudo do Aspen Institute, este processo faz com que cada vez mais crianças entre 6 e 12 anos larguem a prática esportiva, seja por um colapso mental perante um esforço contínuo para se superar ou (o que talvez seja pior) lesões físicas.

    É a partir das pesquisas feitas pelo instituto que a ESPN e a Arnold Worldwide resolveram criar junto da entidade uma nova campanha que alerta para os excessos desta pressão para achar novos astros esportivos. É uma ação que consiste uma jogada muito simples, recriando uma coletiva de imprensa cujo ponto de interesse é um astro que está prestes a anunciar sua aposentadoria ao mundo. O problema é que ao invés de ter lá seus 40 ou 30 (ou até mesmo 20) anos, a estrela que entra na salinha para conversar com os jornalistas é nada mais que um garoto, com não mais que dez anos de vida. Confira acima a “coletiva”.

    A ideia é a mesma para todos os vídeos da campanha “#DontRetireKid”, que além de uma peça mais “bruta” com a declaração da criança ainda conta com comerciais de um minuto, 30 segundos e 15 segundos – confira abaixo. Os quatro materiais trazem dados da pesquisa do Aspen Institute e redirecionam o público para as páginas oficiais da campanha e do Project Play, onde pais podem encontrar maiores informações sobre as modalidades juvenis do esporte e declarações de atletas famosos como Kobe Bryant, Wayne Gretzky e Sue Bird sobre a importância de praticar esportes na infância enquanto forma de manter a saúde, não buscar o sucesso a qualquer custo.

    De acordo com o presidente da ESPN Jimmy Pitaro, a razão para a realização da campanha está no descolamento das práticas esportivas desta forma de exploração da saúde mental infantil. “Nós acreditamos que os esportes deveriam estar disponíveis para toda criança. Nós queremos jogar luz sobre este assunto importante para que crianças possam de fato usufruir dos benefícios do esporte, desde melhoras na saúde até melhorar sua performance nos estudos”declara o executivo.

    Fonte: B9 por Pedro Strazza

    Treinadores de Formação

    Treinadores de Formação

    Defendo que os melhores treinadores devem estar na base dos clubes, a trabalhar com aqueles que poderão ser os futuros jogadores dos planteis seniores.

    Defendo que os melhores treinadores devem estar na base dos clubes, a trabalhar com aqueles que poderão ser os futuros jogadores dos planteis seniores.

    Estes treinadores devem ser os que têm mais conhecimentos e experiencia, porque é nas idades mais baixas que os jogadores aprender melhor os conhecimentos que vão ser importantes para o futuro.

    Com esta mudança no pensamento da formação, os clubes podem começar a alimentar as suas equipas seniores com os jovens ali formados, e essencialmente da zona do clube.

    Para isto acontece, todo o clube deve estar ligado e deve haver comunicação desde as equipas técnicas dos Traquinas aos Seniores. Porque se cada treinador seguir as próprias ideias, que nada têm a ver com a ideia e modelo do clube, não será possível colher os melhores resultados. Se a escolha do treinador dos Seniores não tiver em conta a filosofia do clube e não respeitar o que se faz na base do clube, todo o trabalho de muitos anos de formação de um jogador, pode ser completamente ignorado e deitado ao lixo.

    Mas esta ideia de colocar os melhores treinadores na formação dos clubes é praticamente utópica. Cada vez mais os treinadores que trabalham com jovens querem mostrar todo seu conhecimento a um grupo de miúdos. Mas se esse conhecimento não for o adequado para um grupo daquela idade, apenas estaremos a deformar. Todas as teorias e metodologias que se aplicam nos seniores e que vemos nos treinadores de referencia da alta competição não serão as melhores para um grupo de jogadores que ainda estão a iniciar a pratica desportiva.

    Geralmente, muitos destes treinadores utilizam estes escalões de formação para ganhar e para dar nas vistas para que alguém os convide para as equipas seniores. Porque os treinadores da base raramente são reconhecidos pelo seu trabalho, são mal renumerados e normalmente têm de resolver todo o tipo de situações com os pais e familiares dos jovens.

    Faça o que fizer, o treinador de formação é quase sempre criticado. Porque os pais entendem que os filhos são os melhores e não jogam tanto como os outros, porque entendem que o treino não é o adequado, porque viram na TV um treino de uma equipa sénior e não era nada daquilo que eles faziam, porque o treinador não fala ou grita muito durante os jogos, etc. 
    Mas a principal critica é de não ganhar jogos.

    Há uns treinadores melhores do que outros. Uns com verdadeiro espirito de formadores e outros mais focados nos resultados. Todos eles têm valor. Não podem ser todos formadores. Mas quem trabalha na formação deve deixar os êxitos e as vitorias imediatas para trás. Em vez de se pensar apenas em vencer, o pensamento devia ser como vencer. Vejo jogos de equipas de formação onde há eternos titulares e eternos suplentes, jogam quase sempre os mesmos. Aqueles que são considerados os melhores. Mas com os devidos estímulos os que jogam menos não poderão chegar ao nível dos outros? Devem os treinadores destes escalões reclamar e insultar árbitros e adversários? São estes os formadores que os pais querem para os seus filhos? Evidentemente que não!

    A formação do treinador é fundamental. Tem de estar preparado para educar e orientar. Tem de estar preparado para perceber que todas as crianças são diferentes. O porquê de uma criança não evoluir, o porquê de certas reações e comportamentos…

    O importante é indicar e orientar o caminho para a vitória. Não gritar com um jogador por causa de um erro, ajuda-lo a resolver os problemas que o jogo vai colocando em vez de dar a resposta. A vitoria, nestes escalões, não é apenas o que diz o marcador no final. Devemos valorizar mais a evolução técnica e a conduta dos jogadores.

    O futebol jovem cria a base dos jovens jogadores, é a base do conhecimento do jogo e do desportivismo, ajuda a eliminar e afastar vícios, ajuda no rendimento escolar, em resumo ajuda a ser melhor pessoa.

    Porque nem todos os jovens jogadores irão jogar nas equipas seniores. Muitos vão desistir ao longo dos anos, outros vão escolher outro desporto, etc… Mas certamente que nos anos em que jogaram futebol se tornaram melhores pessoas, o que os irá ajudar na sua vida futura.

    Um treinador de base trabalha para o futuro do clube, dos jovens jogadores e da comunidade. É muito mais do que apenas um treinador. É um educador. E deverá retirar satisfação pessoal por esse processo.

    Treinar é muito fácil, mas treinar bem é muito difícil. Ser bom profissional é conhecer a fundo a profissão que praticamos, é ser responsável e serio, preocupar-nos todos os dias com a evolução dos jovens, manter a confiança com os jovens… Mas um bom profissional também ajudar e passar a sua experiencia e conhecimentos aos outros. Só assim haverá evolução. O fator X nos treinadores de formação é a capacidade de transmitir conhecimentos, com a finalidade que eles sejam aquilo que podem ser e não aquilo que nós queremos que eles sejam.

    Fonte: Wi Coach