Futebol é arte ou ciência?

Em uma de suas edições recentes, o podcast do globoesporte.com Minas Gerais, recebeu o professor Israel Teoldo, ilustre conhecedor das ciências do esporte e principalmente do futebol.

Foi uma conversa muito agradável e instrutiva, onde os jornalistas Rogério Correa e Henrique Fernandes souberam explorar algumas gotas do conhecimento científico do Doutor em esportes Israel Teoldo.

Dentre os vários temas debatidos, um despertou meu interesse:

– O futebol é arte ou ciência? 

Vou “meter minha colher”, porque esse assunto faz parte das minhas discussões no futebol brasileiro desde 1983, quando comecei profissionalmente a atuar na área.

“- A ciência é a sustentação da arte no futebol!.”..

…disse e bem o professor Teoldo, e eu complemento que sem a ciência teríamos uma arte empobrecida no jogo.

Futebol é ciência sob todos os aspectos, assim como tem arte em sua essência!

As ciências fisiológicas, do treinamento, das táticas, médicas, psicológicas, sociais, dentre muitas outras, interagem junto às virtudes dos jogadores e das equipes forjando um ambiente transdisciplinar  sempre na tentativa de dar sentido a complexidade do jogo.

Hoje é difícil distinguir a arte sem o contributo da ciência no futebol. Sempre foi assim, e com mais recursos para o desenvolvimento e avaliação das performances individuais e coletivas, fica quase impossível ver uma sem a influência da outra.

Onde estiver um ser vivo, a arte será objeto de relevância aos olhos sensíveis dos humanos.

Sem esquecer que somos humanos, seres vivos e protagonistas em quase todos os fenômenos dessa existência, não poderíamos excluir o jogo de futebol da galeria de eventos artísticos.

No entanto, sabemos distinguir um jogo com arte daquele que nem tanto. Sentimos isso, assim que batemos os olhos em uma partida de futebol.

Ainda que a plasticidade dos lances individuais não esteja presente nessa ou naquela partida, as táticas podem assumir o papel e aguçar a sensibilidade de quem assiste o jogo para manifestações diferentes da arte no futebol.

Hoje, conseguimos ver muita arte em um time que joga em conjunto. E não é preciso fazer força pra perceber isso. Flamengo, Grêmio, Athletico-PR, Bahia, Santos, Bragantino, Atletico-GO e Sport, principalmente, nos dão mostras disso. Com diferenças em seus perfis de jogo, como deve ser, todos estão apresentando a arte do jogo jogado.

No amistoso Brasil 1×1 Senegal, disputado em 10/10/2019, a excessão do gol brasileiro do Firmino, foi difícil ver arte nos noventa minutos daquele jogo.

O amistoso, por si só, tira muito das possibilidades de se ter algo interessante num jogo de futebol. As mentes dos jogadores e da equipe não estão “super-conectadas às exigências do jogo”. Quem melhor consegue ver a importância dos amistosos, em qualquer nível ou ocasião, são os treinadores e suas comissões técnicas. Jogos sem razão são invariavelmente sem tesão.

As ciências aplicadas ao desenvolvimento dos talentos indiscutivelmente trouxe mais arte ao jogo a partir do momento que contribuíram para a melhor formação atlética dos seus principais protagonistas.

A Alemanha deu mostras claras dessas influências quando mudou radicalmente sua iniciação esportiva no futebol desde os critérios de seleção de talentos até metodologia de treinos para o desenvolvimento dos seus craques.

Foi ciência pura o que os alemães fizeram. Trabalharam vários outros aspectos do espetáculo mas, para o nosso objetivo agora, o que fizeram em relação ao talento e o jogo era o que mais interessava.

Futebol é arte, instrumento de desenvolvimento social, inclusão, entretenimento… mas não esqueçamos jamais: – está embebido na dependência científica que o faz chegar a performances cada vez mais altas.

É lindo ver no jogo atual a velocidade, a força, a plasticidade individual e coletiva, as táticas, as respostas às avaliações das performances, o “circo” à volta do jogo, enfim tudo diretamente ligado às contribuições científicas.

Não dá pra viver o mundo moderno e o jogo moderno sem as ciências. A arte que nunca deixou de fazer parte deste jogo maravilhoso precisa apenas ser apreciada com olhos e sentimentos especiais.

Continuamos tendo jogadores geniais no jogo moderno, assim como em tempos passados quando praticávamos “um jogo diferente”, sem tanta ciência. Hoje, assim como antes, e como sempre será, teremos um número de jogadores fora de série bem inferior quando comparado àqueles ótimos, bons, regulares ou jogadores comuns, etc.

Por isso a arte que envolve a construção do jogo moderno, agora com maior protagonismo e/ou dependência dos treinadores, começa a se escancarar aos nossos olhos.

Seja bem vindo jogo moderno!

Não consigo me alienar desta discussão que de uns tempos pra cá faz parte do grande debate da sociedade esportiva brasileira: “o que é melhor e pior no jogo moderno e no jogo do passado no futebol”. Muita coisa está envolvida nesta discussão. A arte e a ciência, sem dúvidas ocupam considerável espaço no assunto.

Ainda falaremos mais sobre esse tema!

Até…

Fonte: Ricardo Drubscky / drubscky.ricardo@gmail.com / @ricardo.drubscky

Qualidade do Jogo e Desenvolvimento de Jogadores: análise SWOT do futebol brasileiro

O futebol brasileiro passa por um período de readequação ao Futebol Globalizado. Nos últimos vinte anos, sobretudo com evidências para os últimos dez anos, o futebol brasileiro tem passado por seu período de maior progresso e apresenta sinais de melhora e modernização. É claro que estou expondo um contexto geral, sabendo que essa cadeia de acontecimentos tem um efeito latente mais lento em clubes pequenos e médios.

Algumas dessas reformas ocorridas estão relacionadas à adequação legislativa que incentiva os clubes a cumprirem critérios para terem o certificado de clube formador. Houve também uma aproximação da ciência e tecnologia dentro dos clubes, auxiliando os profissionais de diversas áreas. Além disso, foi observada a criação de novos cargos no futebol, abrindo mercado para profissionais com diversas formações e perfis. A formação profissional tem sido cada vez mais valorizada e a informação fica cada vez mais acessível, gerando um aumento das discussões, debates e cursos para formação das profissões relacionadas ao futebol.

Ao meu ver, essa cultura de estudo tem impactando progressivamente de forma positiva na qualidade do jogo, sobretudo nas categorias de formação. Outras considerações também podem incluir a administração, gestão e marketing dos clubes, que passaram por processos de profissionalização neste mesmo período. Além do mais, podemos notar um maior investimento em estruturas de treino e de suporte técnico aos profissionais, que tem sido constantemente melhoradas no decorrer das ultimas décadas.

Entretanto, as evidências de progresso, embora sejam extensas, ainda são insuficientes para dizer tecnicamente que o futebol brasileiro passa por um bom momento. Ainda temos patente os problemas: I) no modelo de formação adequado e integral, voltado ao desenvolvimento do potencial atlético, intelectual, humano e social dos nossos jogadores de futebol; II) na polarização do desenvolvimento voltada, na maioria das vezes, aos clubes grandes, aumentando a distância para os clubes pequenos e médios; III) na concentração do progresso no eixo sul-sudeste, deixando as outras regiões e estados estagnados no que diz respeito ao desenvolvimento do futebol; IV) no modelo de negócios, o qual impossibilita o “fair play financeiro”, dificultando a ascensão de novos clubes e, portanto, na criação de mais ambientes de desenvolvimento de atletas; V) nas inadequações do calendário competitivo profissional, que reforça a eficiência e o resultado em detrimento da eficácia e do desempenho do jogo, tornando a qualidade do jogo menos prioritária do que os resultados nas competições; VI) na falta de adequação da competição na etapa de formação de jogadores, implicando diretamente na competitividade das ligas e na qualidade dos jogos; entre outras críticas que podem ser feitas com base em modelos já consolidados de outros países.

Embora tenhamos progredido bastante, ainda é possível ver adiante muitas mudanças necessárias para atingirmos o patamar que queremos e merecemos. Isto salienta que estamos muito atrasados e inadequados comparados ao modelo de desenvolvimento dos principais países e suas respectivas políticas públicas, confederações, federações e clubes, no que diz respeito ao uso do futebol como ferramenta educacional, participativa e de rendimento esportivo.

Nas últimas décadas, a velocidade de desenvolvimento destes países tem sido maior do que a velocidade de desenvolvimento dos órgãos e entidades responsáveis pelo futebol brasileiro, deixando-nos cada vez mais distante, menos autônomos para afirmar a nossa identidade de futebol e, por essa razão, subordinados ao modelo do futebol globalizado, o que tem implicado na perda de algumas características inerentes à nossa cultura de jogo e no perfil dos jogadores formados. Sendo assim, embora sejamos reconhecidos pelas conquistas no último século, ainda somos um país emergente no que diz respeito a gestão política, econômica e social do futebol.

Após essa explanação geral da minha visão sobre o futebol brasileiro atual, fiz uma análise swot, centrada na qualidade de jogo e desenvolvimento de jogadores:

Análise SWOT do Futebol Brasileiro: QUALIDADE DE JOGO e DESENVOLVIMENTO JOGADORES

Analisando alguns dos parâmetros da análise swot podemos traçar orientações estratégicas que podem fazer parte de um plano de ação para melhorar o futebol brasileiro. Quando equacionamos as FORÇAS X OPORTUNIDADES é possível inferir que o jogo histórico-cultural aliado à uma pedagogia que considere as características do nosso futebol e dos nossos jogadores pode ser recompensada pelo desenvolvimento de mais jogadores criativos, habilidosos e, consequentemente, no resgate da cultura de jogo que nós criamos, chamada de futebol-arte.

Através do respaldo legislativo que valoriza o clube formador, pelas iniciativas em investir em campeonatos Sub20 e Sub23 e outras mudanças conseguidas nos últimos anos, os clubes podem postergar o desenvolvimento de seus jogadores, evitando a profissionalização precoce e diminuindo os gastos com contratações ao valorizar os jogadores formados dentro do próprio clube. Além do mais, o investimento no desenvolvimento integral dos jogadores, além dos aspectos futebolísticos podem trazer benefícios, como a valorização do clube formador por parte dos atletas, da possibilidade de negociação para mais mercados e da utilização do jogador no próprio clube como símbolo, exemplo e inspiração de um trabalho eficaz. Além disso, os clubes podem cada vez mais formar jogadores com qualidade e lucrar com a sua venda para as principais ligas da Europa, bem como para mercados em expansão como o asiático e norte-americano.

A busca pelo jeito brasileiro de jogar futebol, pela documentação de uma pedagogia do futebol brasileiro, aliada a capacitação dos treinadores(as) espalhados(as) pelo Brasil, à entrada da tecnologia e ciência no contexto de treino, preparação, desenvolvimento do jogo e o direcionamento adequado do papel da competição na formação dos jogadores também podem ser alicerces para alavancar o desenvolvimento do futebol brasileiro.

No que diz respeito ao produto das FORÇAS X AMEAÇAS, podemos percorrer um caminho de mudança em alguns pontos que ainda estão vulneráveis. Tendo em vista que o futebol é praticado em todas as regiões do Brasil, é necessário um investimento em mais regiões e estados através de políticas públicas e organização das federações, da confederação e dos próprios clubes na capacitação de treinadores(as), na captação de jogadores e no desenvolvimento da estrutura dos clubes e das ligas competitivas por todo o território nacional.

É importante que os clubes evoluam sua gestão amadora em busca de uma maior profissionalização, para que possa valorizar seus atletas, criar neles a vontade de permanecer e percorrer um longo caminho no clube. Também para que o clube não precise vender de maneira precipitada e precoce estes jogadores ou fiquem submissos aos empresários e agentes. Para isso, os clubes de todos os escalões devem buscar uma gestão profissional e sustentável do futebol e oferecer condições adequadas e ideias congruentes com os melhores preceitos éticos, morais, educacionais e profissionais.

Para criação de um modelo competitivo, também devemos valorizar os campeonatos de todas as divisões e categorias, que aliados aos pressupostos de uma boa qualidade de jogo podem aumentar a viabilidade do futebol como modelo de negócio e entretenimento e competir com diferentes mercados em expansão pelo mundo, com o diferencial competitivo de sermos o país que mais desenvolve jogadores e o jogo com qualidade.

Com o sentido de anular ou minimizar os problemas enfrentados no futebol brasileiro atual, o produto das FRAQUEZAS X OPORTUNIDADES devem ser entendidos e ações devem ser tomadas no sentido de aumentar a quantidade de clubes que cumpram os critérios de clube formador, também devem ser capacitados e melhor remunerados os profissionais que atuam nas etapas iniciais da formação esportiva. Além disso, o desenvolvimento deve ser pensado de forma integral, como mencionado anteriormente. E os clubes devem investir em uma proposta metodológica que leve em consideração sua filosofia, história e contexto atual.

O jogo deve ser elaborado com relação a estes preceitos metodológicos na formação e a estrutura, como os gramados dos campos e equipamentos, devem ser melhoradas. Além disso devemos ser contrários a utilização de jogadores com idade adulterada ou maturação adiantada para que sobressaia na qualidade de jogo os aspectos da inteligência de jogo e criatividade, inerentes a nossa cultura de futebol e ao paradigma atual do futebol moderno.

E por fim, devemos nos alertar e agir rapidamente para combater as FRAQUEZAS X AMEAÇAS que destroem ao poucos os valores e a imagem do nosso futebol. Uma gestão política, econômica e social profissional, sustentável, transparente e abrangente para todas as regiões devem ser pretendidas, para que possamos resgatar nossa cultura de jogo, melhorar as condições de desenvolvimento dos nossos jogadores, para que mais clubes possam evoluir, para tornar nossas ligas mais competitivas e para que nosso modelo de negócios seja mais atrativo e competitivo ao mercado interno e externo do futebol.

Fonte: Medium – Bruno N. Pasquarelli

Análise de Desempenho no Futebol: indicadores de performance, ferramentas de análise e competências profissionais

Fiz um exercício de pensar em indicadores de performance para a análise de desempenho no futebol, os quais acredito que podem ser utilizados em outros esportes coletivos. Na sequência, vou indicar algumas ferramentas que podem ser utilizadas para análise de desempenho. E por fim, indico algumas competências profissionais do analista de desempenho.

Tendo como critério de seleção as análises individuais e coletivas e pautada em parâmetros quantitativos (avaliação numérica de determinadas ações) e qualitativos (perguntas que podemos fazer para observar determinados comportamentos), apresento abaixo, de forma objetiva e “fria”, sem discorrer sobre a discussão aprofundada dos dados e de sua utilização, alguns dos indicadores que podem ser usados:

Indicadores de performance quantitativos para avaliar um atleta

  • interceptação e desarme [recuperação da bola] (classificar por zona do campo, numero de jogadores, relacionar ao setor em que a bola foi perdida)
  • 1×1 positivo e negativo (ofensivo e defensivo)

Passe:

  • Completos e Incompletos
  • Distância (curto, médio, longo)
  • Para determinado alvo (zona, jogadores da ultima linha ofensiva, área, corredores)
  • Jogadores com quem mais interagem

Finalização:

  • no alvo
  • razão finalização:gol — finalização:alvo — passe:finalização
  • local
  • tipo (cabeça, chute)

Indicadores de performance qualitativos para avaliar um atleta

  • Análises individuais relacionadas a comportamentos referentes ao modelo de jogo (definir quais comportamentos quer avaliar)
  • Análise das redes de interações de Passes

Pasquarelli (2017)

O analista deve fazer perguntas sobre comportamentos individuais dos jogadores:

  • Org. Def.: cria superioridade numérica, faz coberturas, (…)?
  • Trans. Of.: retarda ou acelera, corpo perfilado, movimento vertical, movimento de apoio, passes em progressão (…)?
  • Org. Of.: recebe a bola com o corpo perfilado, desmarca e oferece como opção de passe, realiza movimento e ações verticais ou horizontais, realiza movimento de apoio, cria vantagem (numérica, posicional, cinética, funcional) (…)?
  • Trans. Def.: pressiona, retorna ou temporiza quando a equipe perde a bola(…)?

Indicadores de performance quantitativos para avaliar uma equipe

  • contra-ataques realizados e concedidos
  • recuperação + finalização com menos de X passes
  • tempo médio e número de passes de cada ataque
  • % posse de bola (total, campo de defesa/ataque
  • n e % de passes curtos, médios e longos por ataque
  • finalizações concedidas (zona da perda da bola)
  • chutão (ações de chutar a bola para fora ou para o campo adversário sem intenção de passe ou lançamento)
  • origem e destino dos passes dos adversários em zona 1 (defensiva)
  • Recuperação da bola (nº e zonas)
  • Motifs (sequências de passes que levam a chances de gol ou criam vantagens para avançar em uma zona do campo)

Indicadores de performance qualitativos para avaliar uma equipe

Agora as perguntas devem ser feitas com relação ao comportamento coletivo da equipe, de acordo com o momento da equipe no jogo:

Organização Defensiva

Qual é a posição do bloco: baixo, intermediário ou alto?

Em quais situações e zonas do campo o bloco está posicionado dessas três maneiras?

Quais jogadores participam efetivamente e quais não são tão importantes para a recuperação da bola?

Qual é a formação estrutural do bloco?

Quais são as distâncias entre os jogadores (densidade do bloco)?

Quantos jogadores tem na zona da bola?

Como defendem o corredor central e os corredores laterais?

Como direciona o adversário para longe do gol?

Como fazem as coberturas dos jogadores na mesma linha defensiva e entre as linhas defensivas?

Transição Ofensiva

Onde os jogadores estão após a recuperação?

Onde a bola chega após recuperação?

Que tipo de passe usam, preferencialmente, após recuperarem a bola: segurança, horizontal ou em profundidade?

Em que área ou situação cada tipo de passe é realizado?

Quem são os jogadores que mais participam da transição ofensiva?

Qual a função deles: equilibrar a equipe, reorganizá-la, iniciar contra-ataque?

Quais são as variantes para cada setor ou situação?

Organização Ofensiva

Qual é a formação estrutural dos jogadores atacantes? Criam vantagem numérica, posicional, cinética, funcional?

Quais são os movimentos dos jogadores pelos corredores?

Quais são os movimentos dos jogadores do centro?

Como e quando ocorrem troca de posições?

Quais são os jogadores localizados em cobertura ofensiva para passes de segurança?

Quais são os jogadores localizados em profundidade para passes de ruptura (entre as linhas defensivas)?

Que tipo de combinações são possíveis dentro deste sistema?

Transição Defensiva

A equipe pressiona ou retorna/retarda/temporiza após a perda?

Com quantos jogadores pressiona?

Em que situações ela pressiona ou retorna/retarda/temporiza?

Retorna até aonde e em qual situação?

Pressiona com quantos jogadores? Em que área?

Quantos segundos pressiona e tenta recuperar?

Em que situações é melhor cometer uma falta?

Utilização da Análise de Desempenho na Equipe Profissional

Para que os treinadores e jogadores possam utilizar as análises, algumas estratégias operacionais, como o uso de uma plataforma online, devem facilitar a visualização.

ANÁLISE COLETIVAS: GRUPOS COM ACESSO PARA OS JOGADORES E TREINADORES COM ANÁLISES DA EQUIPE E DOS ADVERSÁRIOS

ANÁLISES INDIVIDUAIS:COMPARTILHADOS COM ALGUM GRUPO DE JOGADORES OU JOGADOR ESPECÍFICO

OUTRAS ANÁLISES : COMPARTILHAR OUTROS ARQUIVOS, COMO RELATÓRIOS DE ANÁLISES COLETIVAS E INDIVIDUAIS E VÍDEOS MOTIVACIONAIS

Utilização da Análise de Desempenho em Categorias de Desenvolvimento

ANÁLISES COLETIVAS: ANÁLISES DOS JOGOS E DO MODELO DE JOGO

ANÁLISES INDIVIDUAIS: ANÁLISES DE COMPORTAMENTOS INDIVIDUAIS, POR POSIÇÃO E SITUAÇÕES DE JOGO

OUTROS: VÍDEO-AULAS E AVALIAÇÕES DO CONHECIMENTO DECLARATIVO SOBRE O JOGO

Utilização da Análise de Desempenho na Educação dos Treinadores e Staff

FORMAÇÃO DE LONGO PRAZO:TRACKING INDIVIDUAL DOS JOGADORES POR ANO E TEMPORADA PARA O ACOMPANHAMENTO DO DESENVOLVIMENTO DA INTELIGÊNCIA DE JOGO E CRIATIVIDADE

MELHORES PRÁTICAS: TAREFAS DE TREINOS ESCOLHIDAS PELOS TREINADORES (“treinoteca”) QUE MAIS SE ADEQUAM À METODOLOGIA E MODELO DE JOGO COM ANÁLISE DOS OBJETIVOS E COMPORTAMENTOS ESPERADOS

EDUCAÇÃO DOS JOGADORES: VÍDEOS PARA SESSÕES DE FEEDBACK E ANÁLISES QUALITATIVAS EM DIFERENTES SITUAÇÕES (RESULTADO DO PLACAR, DE ACORDO COM O MODELO DE JOGO DO ADVERSÁRIO, EM SITUAÇÕES (COM UM JOGADOR A MENOS OU A MAIS, COMPORTAMENTOS PRETENDIDOS EM DETERMINADAS ZONAS DO ZAMPO, BOLA PARADA, ETC.)

Equipamentos e softwares que podem ser utilizados

Competências profissionais de um analista de desempenho

Competências Atitudinais

Comunicação e relacionamento

Capacidade de exteriorizar ideias, pensamentos e dúvidas

Controle frente à pressão ou períodos de muita demanda de trabalho

Comportamento frente às críticas ou desafios que demandam aprendizagem de novos conhecimentos

Capacidade de introspecção e análise

Capacidade de foco e eficiência

Competências Técnicas e Habilidades

Domínio das ferramentas de análises. Quais e com qual profundidade

Habilidade de resolver problemas técnicos utilizando fontes internas (pessoas da equipe, manuais) e externas (internet, tutoriais)

Identificação das melhores práticas e domínio de ferramentas específicas de cada integrante

Competências Conceituais

Conhecimento acerca dos conceitos de jogo do clube e de outras equipes

Domínio metodológico dos processos de rotina do clube

Gestão do tempo e eficiência na entrega dos relatórios

Velocidade de progresso com relação ao entendimento do jogo e da metodologia de trabalho.

Fonte: Medium – Bruno N. Pasquarelli

Neurociências no Futebol e seu Papel Transformador na Educação e no Desenvolvimento Humano

Cada época tem sua tendência que caracteriza a gestão, o ensino e o treinamento no futebol. Há poucas décadas atrás vivíamos a expansão científica e tecnológica. Ainda sob esse efeito, estamos vivendo um período de progresso muito rápido em ciência e tecnologia, com um crescente aporte de informação e um apelo muito grande à inovação constante, seja para a utilização de materiais e ferramentas de trabalho e ensino, ou para o desenvolvimento de pessoas, que fruto desse período com elevada informação disponível, estão constantemente modificando-se em relação às habilidades adquiridas, ao perfil psicológico e a construção do funcionamento de suas mentes como um todo.

De certa forma, compreender pessoas e os ambientes sociais passa por entender o comportamento de suas mentes. Por isso diferentes disciplinas da neurociência tem ganhado atenção nas descobertas recentes. O cérebro tem esse destaque especial com toda a razão: é o único órgão capaz de conectar-se com todas as partes do corpo e na qual todo o corpo se comunica, além do mais é responsável por perceber e interpretar o que acontece no mundo fora do nosso corpo, através da comunicação dos nossos sistemas sensoriais com o ambiente externo.

Sendo assim, um clube de futebol contemporâneo deve: (1) estar atento às mais recentes descobertas das neurociências e (2) ajudar a descobrir, através da pesquisa aplicada, o desconhecido e vasto universo da mente. A medida que esta área ganha interesse e se expande dentro do clube, aumenta a necessidade de mudanças de paradigma.

Essas mudanças em direção ao que ainda é novo, pouco explorado e desconhecido requerem riscos, mas podem nos dar respostas que ainda não temos sobre o desenvolvimento humano e o desenvolvimento de treinadores e jogadores de futebol. E consequentemente, pode ajudar a pensar a gestão do clube e expandir a visão do futebol como um todo, de maneira complexa.

Como mencionado anteriormente, diferentes áreas do conhecimento convergem para a necessidade de um entendimento neurocientífico para ajudar o clube a coordenar suas ações. Na (1) Performance (Treinamento e Competição): a tomada de decisão, a aprendizagem e criatividade, o comportamento psicológico, o controle biomotor dos movimentos e o desempenho atlético são passíveis de estudos e intervenção. Na (2) Educação: o ensino, a aprendizagem conceitual, a socialização, a cognição e inteligência. Na (3) Saúde: a nutrição, o sono, o repouso, a consciência corporal, a preparação e/ou recuperação física, fisiológica e psicológica. Dentre outros tópicos que podem ser abordados neste sentido de uso do conhecimento das neurociências.

A área que mais me interessa sobre este tema é a utilização metodológica de recursos tecnológicos para jogar e, consequentemente, aprender jogando. Na minha prospecção, dentro em breve devem ganhar destaque dentro dos clubes de futebol a gamificação e a realidade virtual/aumentada.Muito se fala do tempo que os jovens passam à frente de uma tela de celular, tablet, televisão ou computador e este parece ser um cenário irreversível. Por isso, direcionar este tempo para permitir ao jogador e ao treinador que interaja com o jogos de outra forma, seja de futebol ou outra tipo de situações, como entretenimento e ao mesmo tempo como treinamento, pode ser um passo significativo para melhorar, sobretudo, o ambiente de convívio do clube e ainda afetar as áreas relacionadas à performance e educação. Acredito que isso deveria ter mais atenção e avançar rápido, para acompanhar o desenvolvimento da nossa sociedade e dos jovens que fazem parte dela.

Enfim, em tempos de exacerbadas fontes de informação e disponibilidade de conhecimento, faz-se necessária a utilização das neurociências para que as inovações possam ser transformadoras dentro do clube de futebol, no âmbito de pensar o desenvolvimento humano na mesma velocidade em que acontecem o desenvolvimento científico e tecnológico. A medida que o homem cria mais conhecimento e tecnologia, acaba por modificar também seu comportamento e influenciar suas gerações mais novas e, sobretudo, suas gerações futuras. Dessa forma, é importante incorporar as neurociências dentro dos setores técnico-científicos dos clubes e alinhar os pensamentos e a trajetória dos estudos dentro do futebol. Acredito que as neurociências e suas áreas de atuação (educação, performance e saúde) tem um significado mais amplo e um ponto de convergência: o foco na educação e no desenvolvimento humano por meio do esporte.

Fonte: Medium – Bruno N. Pasquarelli